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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

30
Set13

Pérolas e diamantes (57): a escrita e a sede

João Madureira


Já várias vezes me perguntaram porque escrevo livros sem garantia de publicação. Eu sorrio e fico calado por que nem eu sei bem a razão. Mas partilho da ideia de Gabriel García Márquez de que escrever livros é quase uma atividade suicida.

 

Na opinião do autor de “Cem Anos de Solidão” nenhuma outra exige tanto tempo, tanto trabalho, tanta dedicação comparativamente aos benefícios imediatos.

 

Escreveu ele: “Não acredito que, ao chegarem ao fim de um livro, muitos leitores se questionem sobre quantas horas de angústia e calamidades domésticas custaram aquelas duzentas páginas ao autor ou quanto recebeu pelo seu trabalho […]. Depois desta sombria estimativa de infortúnios é elementar perguntar porque é que nós, escritores, escrevemos. Inevitavelmente, a resposta é tão melodramática como sincera. É-se escritor, simplesmente, como se é judeu ou negro. O sucesso é encorajador, o favor dos nossos leitores é estimulante, mas não passam de meros ganhos adicionais porque um bom escritor continuará a escrever aconteça o que acontecer, mesmo que os seus sapatos precisem de ser remendados e mesmo que os seus livros não vendam.”

 

Mas para tristeza nossa, os portugueses estão muito mais interessados no campeonato nacional de futebol do que com o que está a acontecer ao país. E eu até os compreendo. Enquanto tudo à nossa volta se desmorona, mais vale morrer anestesiado do que cheio de dores.

 

Os nossos políticos andam agora sobretudo entretidos com as informações sobre a altura do primeiro-ministro francês ou sobre o tamanho dos sapatos da senhora Merkel. Apesar de virem para as televisões afirmar que andam especialmente preocupados com a crise.

 

Entretanto, os escritores consagrados relacionam-se não apenas com a compaixão e a caridade, mas, sobretudo com o poder. E, pegando nas suas próprias palavras, igualmente com a responsabilidade, a solidariedade, o empenho e, porque não dizê-lo com toda a clareza, com o amor.

 

Eu a ter que me definir em termos políticos e sociais direi que defendo o sentido da solidariedade, que é o mesmo que a minha avó chamava de Comunhão dos Santos. Isso significa que cada um dos nossos atos nos torna corresponsáveis por toda a humanidade. Ninguém vive sozinho. Todos somos responsáveis por todos. Acho que quando uma pessoa descobre isto é porque atingiu o ponto mais elevado da sua consciência política.

 

Portugal continua a ser um país com uma consciência política reduzida. E ainda vai ficar pior porque os portugueses já não acreditam em nada, a não ser na Nossa Senhora de Fátima. De facto, se a religião nunca nos levou a lado nenhum, a política ainda tornou isto pior. Por isso, é que existe disseminada no tecido social português a atitude do salve-se quem puder e cada um por si. Este é o presságio para a destruição social completa.

 

O pior é que nem o Governo, nem a Assembleia, nem o presidente da República, nem os partidos maioritários se deram conta do descalabro. Todos pressentimos que o abismo está apenas a um passo.

 

Mas a vida segue para uns e termina para outros. No livro “A Casa das Belas Adormecidas”, Yasunari Kawabata escreveu: “Os velhos têm a morte e os jovens têm o amor, e a morte só vem uma vez e o amor muitas vezes.”

 

E o escritor continua a escrever porque, como exprimiu García Márquez, “a vida não é o que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la”.

 

E é também com as palavras de Gabo, ditas numa entrevista a Juan Gossaín em 1971, que termino por hoje: “Sabes, meu velho amigo, a sede de poder é o resultado de uma incapacidade de amar.”

25
Set13

O Poema Infinito (165): a caligrafia moral do esquecimento

João Madureira

  

Todo o lugar exige regresso e um olhar demorado. Somos de uma geração agressiva. Aprendemos a ler com palavras de fundo cinzento enquanto ouvíamos a chuva a cair sobre os tetos de zinco. Os nossos avós bebiam aguardente enquanto a noite se aproximava invadida pelos enigmas. Nesse tempo o horizonte era branco e as aves abrigavam-se debaixo das folhas junto aos rios. Aprendíamos palavras que se tingiam de cores imprecisas. Observávamos a mudança do tempo e perseguíamos obsessivamente o silêncio da tristeza. As árvores erguiam-se até ao céu acompanhadas pela nossa imaginação. Ordenávamos todas as possibilidades dos versos e repetíamos rimas em voz alta juntando as vozes à procura de uniformidade. As ondas entravam-nos pelas janelas e flutuavam procurando as arestas breves dos nossos olhares. As possibilidades dos poemas multiplicavam-se pela distância das montanhas. Nessa altura a natureza entrava em contacto com a arte. A filosofia era designada pela imaginação. Afastávamos as superstições com o olhar enquanto a chuva assolava as montanhas e enquanto as memórias incendiavam os anos. Tudo permanecia inquieto. Toda a nossa ironia estava ainda obscurecida. Por isso falávamos da leitura de romances e da compreensão lenta da razão. Recusávamos a vontade dos sentidos. Criávamos distância, invocávamos o esquecimento e encolhíamos o inverno dentro dos nossos cadernos escolares. Os nossos rostos começaram a adquirir tranquilidade. Arrumávamos as obras marcando-as com a nossa harmonia. Estranhávamos o volume dos nossos corpos e os seus movimentos reflexivos. Conservávamos a tradição dentro do seu sentido sombrio e recusávamos a sua regulação regressiva. Só mais tarde prometemos ceder às solicitações do talento. As horas eram mais fluídas do que agora. Os textos eram verticais e reagiam continuamente às influências espectrais. Preenchíamos o espaço das almas com regras arbitrárias. O amor era uma intuição poética com ângulos de pureza. As imagens reproduziam a lírica funesta dos espelhos. Brincávamos à procura de uma identidade falsa, como se ela fosse uma curiosidade explicativa da poesia. Agora sabemos que cada poema tem a sua própria fórmula esclarecedora construída por sensações de desequilíbrio. Como se o poema criasse o seu próprio poeta. Habituámo-nos à ausência, ao seu tédio, à sua indiferença implacável. Era no outono que criávamos as almas, a vegetação dos bosques que orlavam as casas, as aves que pontuavam o céu, os poemas indecisos, a nostalgia das cidades. Era também no outono que invocávamos os regressos, os percursos espirituais, as vozes das mulheres que abriam os poemas, as pontes abstratas de tanta água verem passar, o equilíbrio frio do sofrimento, a mística escrita dos crepúsculos, a pontuação visionária dos astros, a trágica cor dos dogmas, a estética incompreensível do abandono, a embriaguez dramática dos olhares, as translações vegetais, a mecânica antiga do sangue. As aves voavam loucas na direção do inverno. Nós centrávamo-nos na magnificência das verdadeiras profecias, no triunfo da fecundidade, na poesia alcoólica do amor e da morte. A intimidade era uma possibilidade dramática, uma longínqua engenharia de manipulações aparentes. Os anos passaram. O tempo ficou solitário. Os nossos lábios fecharam-se para tentarem corrigir a transcendência da vida. Agora estamos mais disponíveis para o sofrimento, para a intimidade do mundo, para a solidez fixa da dúvida. Agora escrevemos o tempo com a caligrafia moral do esquecimento. 

22
Set13

Pérolas e diamantes (56): urge reformar o sistema político

João Madureira

 

Basta andar um pouco por esse concelho fora para nos apercebermos que as pessoas estão frustradas e ofendidas com este governo e, sobretudo, com esta gestão autárquica. Estão indignados com os abusos desta Câmara gerida por um PSD em desagregação. O nosso povo quer ordem, tranquilidade, progresso e uma sociedade genuinamente democrática. Não este arremedo de gente que não governa nem deixa governar.

 

De facto, em Portugal, como muito bem refere José Miguel Júdice, “não há uma sociedade civil. O Estado fez a sociedade, não foi a sociedade que fez o Estado.” Daí estes caciques de província gerirem as instituições públicas a seu bel-prazer, distribuindo benesses, empregos e obras apenas pelos apaniguados.

 

É visível na nossa sociedade um gosto mal disfarçado pelo autoritarismo. Somos ainda impotentes como povo. Gostamos de gritar, mas depois ficamo-nos pela impotência. E essa é a pior das limitações.

 

Apesar dos sinais, os processos de gestão autárquica na nossa terra nem sequer chegam a ser de repressão evidente. Basta-lhe meter medo. A coragem continua a ser considerada uma coisa de inúteis.

 

Adaptando as palavras de Trotsky à dimensão da nossa realidade, podemos escrever que não é verdade que o poder come os seus filhos. O poder come os seus filhos bons. Os filhos maus comem o poder.

 

Os dirigentes políticos quase sempre chegam ao poder não se zangando com ninguém. Ascendem rastejando, intrigando, prometendo, penhorando e trocando promessas por mentiras. Por isso é que quando aparecem no cimo já não possuem nenhuma disposição psicológica para agirem em conformidade com as suas ideias e os seus princípios. Passam apenas a ser teimosos.

 

A política necessita de pessoas capazes de arriscarem tudo na base das suas convicções. Por isso é que é necessário acabar com as lógicas de conservação do poder pelo poder e eliminar a perniciosa influência mafiosa dos aparelhos partidários. Como diz José Miguel Júdice: “É preciso acabar com estes partidos.”

 

Por razões de compromisso político, livre e publicamente assumido, vi-me na curiosa e estimulante situação de falar com as pessoas no sentido de as estimular a votarem na diferença e na independência políticas. Resumindo, na Mudança.

 

Rodeado pelos amigos do MAI percorremos os bairros e ruas da cidade e calcorreamos os caminhos das nossas aldeias. Fizemos uma campanha devagarinho, como convém a quem realmente se interessa por ouvir a gente do nosso povo.

 

É um trabalho apaixonante e ao mesmo tempo comovente. Percebe-se que existe uma nova pobreza escondida e envergonhada. Está a perder-se a coesão social.

 

Para satisfazer clientelas, a lógica política dos partidos tradicionais fez com que se desperdiçassem recursos públicos em projetos mirabolantes e, quando não, estúpidos. Por isso o nosso país definhou. Por isso a nossa cidade atrofiou.

 

Mas temos que acreditar que através do desenvolvimento económico as cidades podem voltar a ser um fator de crescimento. Chaves pode transformar-se num polo competitivo e criar emprego.

 

Mas emprego verdadeiro e sustentável, pois não podemos fazer como António Cabeleira e João Batista que apenas garantiram emprego municipal à sua fação do PSD.

 

A despesa pública tem de ser contida, mas não na base de cortes cegos, normalmente maus e pouco eficientes.

 

Há conjuntos de empresas semipúblicas que contratualizam com o Estado com a nítida intenção de o prejudicar. Os swaps são disso exemplo paradigmático. Ou seja, existem em Portugal grupos falsamente estatais que à primeira vista parecem estar nas mãos de privados, mas, no fundo, continuam a dominar o Estado, com evidente prejuízo para todos nós.

 

Por isso é que já todos percebemos que a primeira reforma necessária não é a do Estado, mas sim a do sistema político.

 

Uma democracia não pode viver sem partidos. Nós não somos contra os partidos. Achamos é que, como diz Rui Moreira, eles necessitam de levar um cartão amarelo. Pois o regime, tal como o conhecemos, corre o risco de implodir.

 

A maioria dos municípios, incluindo também o de Chaves, está falida. E o nosso vice-presidente tem ainda a distinta lata de vir prometer mais obras e mais tachos aos seus apaniguados.

 

Por isso acredito que os cerca de cem movimentos independentes que concorrem a estas eleições autárquicas podem forçar uma reforma do sistema político.

 

Assim o povo queira tomar nas suas mãos o seu destino. 

20
Set13

O Homem Sem Memória - 176

João Madureira


176 – Depois de mais alguns interrogatórios, e de a cela estar já com meia dúzia de cristos bem ensanguentados, alguns dos camaradas mais aflitos tentaram racionalizar a sua nova realidade e acertar com a estratégia.


Um dos mais audazes contou parte do seu interrogatório: “Tenho de confessar tudo?”, perguntei eu. Responderam-me primeiro com um murro nas trombas e de seguida falaram. “Tens. Se não ainda te batemos mais.” “Mas tudo quanto?” “Tudo o que sabes.” “Mas eu já contei tudo aquilo que sabia. Ou talvez até um pouco mais.” “Olhe que não.” E riram-se, os filhos da puta. “Tens de te confessar culpado.” “Ainda mais?” “Sim.” E continuaram a bater-me. Aí comecei a inventar culpas. Confessei-me de tal maneira que acho que se fosse o próprio Diabo, Deus me perdoava todos os pecados. Mas eles não. Eles continuaram a bater-me até eu desfalecer. Quando acordei sorriram para mim e disseram-me que por agora estava despachado. Explicaram: “Também te vamos confessar uma coisa.” E riram-se outra vez os filhos da puta. “Estamos cansados. E como é fim-de-semana os teus camaradas vão ter de esperar mais dois dias pelo seguimento dos trabalhos. Todos estamos necessitados de um descanso retemperador.”


Estava visto, por mais estratégias que combinassem, não acertavam com a correta. Por isso continuaram a confessar tudo o que sabiam, e que era pouco, como é do nosso conhecimento, e a levar porrada. A semana seguinte foi toda ocupada a gemer, a lavar as feridas e a meditar. Chegados à tarde de sexta-feira, apenas o camarada funcionário estava ainda incólume no seu físico e na sua mente. Por isso pediu para ir à tortura. Eles responderam-lhe que tinha de esperar até segunda-feira para saber o seu destino. Mas que não se preocupasse. Pois o seu destino estava em boas mãos. Nas sábias mãos do Partido.


“Veem camaradas”, disse ele virado para os onze cristos deitados nos seus catres, “afinal o Partido sempre conseguiu apurar a verdade. Eles sabem que sempre fui um militante acima de qualquer suspeita. Escusam de me olhar com esses olhos acusadores. Eu não tenho culpa de nada. Não fui eu que vos prendi, nem fui eu que vos torturei. Reconheço, no entanto, que talvez tenha havido da minha parte algum descuido organizativo e, quem sabe, também tenha existido alguma desatenção relativa a hipotéticos desvios ideológicos na organização. Mas não foram culpa minha. Eu cumpri sempre com o meu dever de revolucionário e várias vezes vos chamei à atenção. Sempre fui disciplinado. Tenho pena que vos tenham torturado para apurarem a verdade. Mas o Partido não pode transigir nos seus princípios e não pode fraquejar nos seus propósitos. Se o trabalho revolucionário falha a culpa tem de ser convenientemente apurada. E os culpados têm de ser identificados e devidamente julgados e chamados a assumirem as suas responsabilidades. O processo pode ter sido um pouco doloroso, mas foi profícuo. A partir de agora vamos todos poder ajudar a revolução imbuídos de um novo espírito revolucionário. O Partido pode ser um pai severo, mas apenas pretende o melhor para o nosso povo e para os seus filhos mais diletos. Faz tudo por amor. Amor ao próximo. Todos sabemos que o caminho para uma nova sociedade se faz de sangue, suor e lágrimas. Sabemos, ainda, que nem todos vamos poder chegar lá. Os melhores filhos da revolução, e os seus melhores intérpretes, são quase sempre sacrificados. Mas é dever de todo o comunista dar, se necessário for, a vida pela libertação do seu povo. Morrer em nome da revolução é um privilégio apenas digno dos verdadeiros comunistas. Não vos peço perdão porque não me sinto culpado de nada, mas, sobretudo, porque não sou católico. Vós, camaradas meus, fostes vítimas das vossas próprias dúvidas, fraquezas e incertezas. Sim, vós fraquejastes muitas vezes. E disso dei a devida conta à direção do Partido. Como nunca me disseram nada conclui que essas atitudes não punham em causa nem o Partido nem o trabalho revolucionário. Afinal parece que não era bem assim. Ou não foi bem assim. Pois uma coisa é trabalhar para conquistar o poder, e nessa tarefa todos somos poucos, outra bem diferente, é trabalhar para consolidar o poder e construir uma nova sociedade. Para combater a velha todos somos necessários. Construir a nova, é tarefa destinada apenas aos melhores. Vós fostes necessários para combater a velha, para eliminar as antiquadas estruturas sociais e ideológicas, para reduzir a escombros a velha sociedade burguesa e capitalista e os seus sequazes. Por isso vos presto a minha sincera homenagem. Mas, ao que parece, a nossa viagem em comum acaba aqui. No entanto podeis sempre contar com a minha amizade e também com o meu testemunho em vossa defesa. É isso que pretendo fazer quando for chamado a depor. Isto é, se for, pois, pelo que vejo, o meu testemunho não vai ser necessário para apurar a verdade. Essa já foi apurada através dos vossos depoimentos. Eu sei que, como bons e sinceros comunistas, apenas falastes a verdade. Pois só ela é revolucionária. Estou também em crer, conhecendo eu como conheço o Partido, que depois de apurada a verdade, vós, como companheiros da revolução, ireis ser reeducados e chamados a participar na construção da nova sociedade socialista. Podeis não chegar a participar nas estruturas de topo, mas numa sociedade de novo tipo todos vamos ser importantes. Uns a dirigir e outros a ser dirigidos. O verdadeiro comunista é o mais singelo e humilde soldado ao serviço da revolução. Ele não aspira a ser importante, pretende apenas servir o seu povo. Vendo o seu povo feliz, ele é feliz. Vendo o seu povo alegre, ele é alegre. Um comunista serve, não é dono nem senhor de nada nem de ninguém. Apenas é fiel à sua verdade. À verdade do partido. Um comunista sofre quando vê o seu povo sofrer. Um comunista sofre quando vê os seus camaradas sofrer. Eu sofro com a vossa situação. Custa-me ver-vos aí derreados de porrada, com esses olhos de sofrimento e desilusão, com essa vontade alquebrada, com essa cara de dúvida e raiva. Mas digo-vos que esse vosso sofrimento também é o meu sofrimento, também é o sofrimento do Partido. Todos sofremos. Mas o sofrimento igualmente traz a luz sobre a verdade, também revela a personalidade de cada um, a sua vontade e, até, a sua dedicação ao Partido. Se depois desta situação difícil e penosa por que estais a passar não puserdes nem a nossa ideologia comunista em causa nem o Partido em dúvida é porque sois verdadeiros revolucionários. Ou seja, isso define a vossa posição de revolucionários na nova sociedade que juntos vamos construir.


Na manhã de segunda-feira, o camarada funcionário foi chamada perante um camarada juiz e acusado de cobardia, deserção no combate revolucionário, desleixo organizativo, esquerdismo, seguidismo, direitismo, imobilismo, centralismo, regionalismo, imobilismo, fracionismo, trotskismo, fraqueza ideológica e responsabilidade acrescida nas inúmeras fugas de informação. 


O camarada juiz condenou-o, por isso, à morte por fuzilamento. No fim perguntou-lhe: “Considera-se culpado ou inocente?” Ele limitou-se a chorar. 

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