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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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30
Out13

Poema Infinito (170): a sombra do tempo

João Madureira


Quero ignorar absolutamente a imobilidade dos mares invisíveis. A sua lucidez abandonada, as suas marés sem margens, a sua distração líquida. Do teu olhar nasce o silêncio mais delicado. A tua inocência é branca e tão concreta como o aroma levíssimo da aurora. Tu és a minha exatidão terna e subtil. Entretanto ondulo dentro de uma alfombra transparente e permaneço dentro do navio que harmoniza a natureza das coisas. Todo o olhar é um novo nascimento. Os rostos movem-se como sombras esquivas. Deitamo-nos dentro de minúsculas constelações de estrelas anãs saboreando a sua verdura dourada. Uma estrela de musgo solitária torna-se incandescente. Imaginamos a matéria. Bebemos o prazer por um cálice cristalino. Os livros são agora nuvens que se embriagam como aves ingénuas. A felicidade é dissimulada e sôfrega. Nascemos ao ritmo do júbilo e da agonia. As casas engolem os seus abismos interiores. Adormecemos nos ombros do mundo. Habitamos o interior dos livros e vivemos cingidos pela sua claridade ofuscante. Abrem-se as janelas para a luz entrar. As palavras vibram como meteoros. Estátuas aéreas elevam-se à nossa frente. Levantamo-nos para atravessar a queda interminável do desejo. Os nomes desfazem-se. As aves escondem-se dentro da sua própria sombra. Renasço a partir de ti. O horizonte entra-nos pela casa dentro iluminado pela permanência dos sorrisos. Florescem as palavras na orla das páginas. Do ventre da terra nasce a lentidão do pão. E o silêncio absoluto. Do mar chegam os presságios do arco-íris e os eclipses do vento e a distância dos nomes e os argonautas embriagados. As flores escodem-se dentro das árvores para fabricarem o sexo das sereias. Por isso é que as magnólias são eloquentes. Por isso é que o silêncio do espaço é absoluto. O vento sopra desesperado, tentando apagar as estrelas do céu. Escrever é tentar criar sempre uma nova versão do mundo. Por isso é que queremos ser outros em vez de nós. Ninguém consegue perceber todo o processo da transformação. Por isso inventamos o reconhecimento das trajetórias paralelas e as referências exatas. Ó preciosa fragilidade da geometria dos gestos, envolve-me na tua cúpula incandescente. Já não é este o tempo de sonhar. Acendem-se as lâmpadas fúnebres do sofrimento. Acendem-se as lâmpadas sombrias do tempo. As dúvidas continuam suspensas nas nossas gargantas. As certezas são círculos de pedra. Nas casas abandonadas moram as memórias obscuras. É lá que se escondem os relâmpagos de fúria. As palavras caem-nos nas mãos como lágrimas. E deliram. O seu princípio de evidência é a liberdade. Por isso é que os poemas nascem entre o silêncio e o desejo. Por isso é que os delírios se tornam legíveis. Os sinais passam rápidos. Páginas brancas transformam as palavras em pó. Lembra-te que és pó e ao pó hás de tornar. 

28
Out13

Pérolas e diamantes (61): intelectuais e… intelectuais

João Madureira

 

Todos o sabemos, Portugal não é um bom país para intelectuais. Por isso é que eles não abundam por cá. E os que existem são olhados de soslaio ou são mesmo vítimas da má-língua e do escárnio.

 

A palavra “intelectual” é utilizada em Portugal sobretudo para denegrir e quase nunca para elogiar. Chamar intelectual a alguém é uma forma de insulto. Um intelectual é alguém que tem a mania que lê, que escreve e que pensa pela sua cabeça. Além disso, um intelectual é sempre alguém que gosta de se armar em… intelectual.

 

O intelectual é o tipo de pessoa que se deve evitar porque é determinado, obstinado e muito dado à reflexão. E como refletir leva muitas vezes a colocar tudo em causa, o intelectual é, por definição, um agitador.

 

E um agitador desestabiliza, pergunta, responde, inquieta e assusta.

 

E Portugal, sobretudo o Portugal provinciano, assusta-se com a desestabilização, com a inquietação, com as perguntas, com a cultura, com os livros, com a escrita, com as ideias.

 

A excelsa província inquieta-se com a cultura e com os intelectuais, que, por definição, são aqueles que a produzem.

 

Por isso os políticos provincianos utilizam os intelectuais, e a cultura, como arranjos florais para de vez em quando os exibirem em festas e comemorações. Depois aconselham-nos a ir para casa ler e escrever, pois é aí que devem estar, em reflexão, em meditação, escrevendo para a gaveta, esgotando-se no remanso do lar, definhando como bibelôs de estante. 

 

De facto, os designados como intelectuais são bichos estranhos, pouco dados a carreirismos, a subserviências, por isso são tão mal-amados ou mesmo vilipendiados. Eu, em vez de os ver pelo prisma da intrujice e da maledicência, prefiro entendê-los como estão descritos nos dicionários. No da Academia das Ciências de Lisboa, intelectual vem definido como “pessoa que cultiva preferencialmente as coisas do espírito e do entendimento”.

 

O intelectual de gaiola dourada, Vasco Graça Moura, em Agosto deste ano, talvez por causa do calor que se fazia sentir lá por Lisboa, disse uma coisa que me deixou deveras preocupado: “Os intelectuais estão em vias de extinção.”

 

Então agora depois do lince da Malcata e do burro mirandês só nos faltava mesmo os intelectuais portugueses estarem à beira da extinção.

 

E ainda mais preocupado fiquei quando na sua entrevista afirmou textualmente: “Sinto-me próximo do Presidente Cavaco Silva. Apoio-o desde 1986 e acho-o o maior político português desde 74.”

 

Não só os intelectuais portugueses estão à beira da extinção como um dos seus mais dignos representantes na pátria de Camões foi atacado por uma doença rara, pois considerar Cavaco Silva como o melhor político português depois de 1974 só é possível em pleno estado alucinatório ou de loucura galopante.

 

Talvez seja por isso que foi escolhido para presidente do Centro Cultural de Belém. Cá se fazem cá se pagam. 

 

Afinal Vasco Graça Moura só é um verdadeiro intelectual quando o Partido Socialista está no poder. Nessas alturas enche-se de razões e zurze neles com a determinação dos visionários. Quando o PSD chega ao poder, lá vai ele lampeiro sentar-se numa cadeira dourada e, a partir daí, tecer loas a tudo quanto é figura laranja destacada no aparelho do Estado. Podemos dizer que Vasco Graça Moura é o verdadeiro intelectual do PSD.

 

Mas deixem-me passar a uma intelectual muito em voga nos dias de hoje, Clara Ferreira Alves. Na revista do Expresso, revoltando-se, e bem, contra os escritores injustamente esquecidos pela inteligência portuguesa, escreveu que os novíssimos autores são todos sobrevalorizados. Tanto os que publicaram, como os que publicam e até os que publicarão ou nunca pensaram publicar.

 

A seguir vai atrás dos culpados. Na sua opinião em Portugal não existe massa crítica e muito menos discórdia, pois a única revista literária que se publica em Portugal, a “Ler”, que ela define como um produto do lobby de Francisco José Viegas (com o seu índex de inimigos e desagrados), e um meio pequeníssimo corrompido pela recusa da polémica, “pois toda a gente se conhece e todos dependem uns dos outros, faz com que os autores nunca sejam sujeitos a um juízo literário liberto de constrangimentos e cumplicidades. Que alguns mereciam. A “Ler” institui uma ditadura do gosto e do marketing e exerce um poder de canibalização que ninguém ousa contrariar. No corredor, pratica-se o escárnio e maldizer. E lá vamos andando.”

 

Um intelectual à maneira antiga – daqueles que eu aprecio e venero, Vassili Grossman, cujo livro “Vida e Destino” foi considerado tão perigoso na União Soviética que não só o manuscrito como também as fitas com que foi digitado foram confiscados pelo KGB, permanecendo desaparecido durante vinte anos – escreveu no seu romance “Tudo Passa” este fragmento épico que a todos nos deve pôr a pensar: “A quantidade geral da violência mantém-se sempre igual na terra, enquanto os pensadores tomam o caos das suas metamorfoses por uma evolução.”

 

E ainda mais esta: “As fontes da mansidão correspondem às do fanatismo e da intolerância.”

 

Vassili Grossman, com a ajuda da sua máquina de escrever, pois era também repórter de guerra, foi capaz de colocar em questão não só a violência nazi como também a institucionalização progressiva do nacionalismo, chauvinismo e antissemitismo pelo regime estalinista. Morreu três anos após ter entregado o seu livro e de o ver apreendido pelas autoridades. 

25
Out13

O Homem Sem Memória - 180

João Madureira


180 – Por causa do seu sentido de humor demasiado apurado, o sósia do John Cleese esteve várias vezes às portas da morte. E o José andou por lá muito perto. É que o humor também tem os seus efeitos colaterais. E pode mesmo provocar a morte. Não só de quem o utiliza como também de quem se deixa contaminar por ele. A piada mortal dos Monty Python é disso a tese de doutoramento perfeita.


Demorou-lhes tempo a recuperação. Alternavam entre o desespero e a exaltação. Entre o riso e o choro. Entre a esperança e o desânimo. Entre o inferno e o paraíso. Entre a vida e a morte. Entre Grouxo Marx e Karl Marx.


Comiam mal, vestiam-se desgraçadamente e trabalhavam como desalmados, muitas vezes labutando de sol a sol, sem tino nem destino. As autoridades comunistas do campo não pretendiam sequer explorar-lhes a sua mão-de-obra, queriam apenas castigá-los, humilhá-los e subjugá-los. Comunista que enfrenta o Partido só pode ter um destino: a completa aniquilação. Com o Partido podemos ir do zero ao infinito. Sem o Partido apenas nos resta a possibilidade de passarmos do infinito ao zero absoluto.


O comissário do povo pretendia despersonalizá-los, reduzi-los à sua insignificância individual, transformá-los em despojos humanos, ridículos e miseráveis. O Partido não tolerava nem as dissidências e, muito menos, o humor. O humor é arrasador, porque o ridículo mata. O humor é o caos. E o escárnio gera a babel.


Já razoavelmente recuperados, os dois amigos foram de novo obrigados a executar tarefas vexatórias, tais como limpar latrinas, e outras de natureza ideológica que os punha à beira de um ataque de nervos, tais como ouvir repetidamente os discursos do camarada Alberto Punhal ou escutar “A Internacional” em todas as línguas do mundo. Durante a noite, antes de dormir e ao levantar, era-lhes exigido rezar, não o terço mas excertos do programa do Partido, dos Estatutos e até do Manifesto Comunista. Para quem aprecia boa literatura e detesta catecismos, temos de reconhecer que tais atitudes eram tão ou mais dolorosas e humilhantes do que a porrada.


Só havia uma forma de manterem a esperança e a sanidade de espírito: continuar a apostar no humor. Por isso começaram a disseminar as anedotas por toda a planície, no maior sigilo. Por vezes ouviam-se nos campos, ou nas celas, fortes risadas que punham os camaradas responsáveis vermelhos de raiva. O que era ridículo. Mesmo irónico. E extremamente caótico.


O chefe da UCP apercebeu-se de que era manifestamente impossível controlar a disseminação das anedotas anticomunistas, mas, mesmo assim, não desistia de perseguir quem julgava andar a contá-las pelos atalhos das planuras ou pela calada da noite. A última que lhe chegou aos ouvidos e o encheu de espanto marxista e raiva leninista, por causa do atrevimento e da profunda ironia, foi a que a seguir contamos, e que fomos encontrar na enorme pasta dos arquivos secretos da extinta Polícia de Defesa do Estado Socialista (PDES), referente ao José. Ei-la.


Alberto Punhal desloca-se sozinho com o motorista na sua limusine blindada logo após uma reunião do Comité Central onde foi discutida a Reforma Agrária, o Controle Socialista dos Meios de Produção, as Amplas Liberdades, o Movimento Operário, o Partido como Vanguarda da Sociedade de Novo Tipo e o Novo Homem Socialista. De repente, vira-se para o motorista, que se arrepia um pouco, mesmo sem querer, e pergunta-lhe com verdadeira cara de secretário-geral do Partido Comunista: “Responda-me sinceramente. O camarada motorista está mais ou menos contente desde o triunfo da revolução portuguesa?” Ao que ele responde com toda a verdade revolucionária de que é capaz: “Sinceramente, camarada Punhal, estou menos.” Visivelmente perturbado pela resposta, o camarada secretário-geral, elevando um pouco a voz, pergunta-lhe porquê? O camarada motorista, porque lhe ensinaram que mentir é feio, responde com a sua verdade: “Olhe camarada Punhal, antes da revolução eu tinha dois fatos. Mas agora só tenho um, que é este que trago vestido. Depois de um breve silêncio meditativo, o camarada secretário-geral, argumenta: “Olhe, camarada, em vez de estar triste devia estar contente. É que isto é tudo muito relativo. Então não sabe que em África a maioria das pessoas anda completamente nua?” “A sério?”, interpela incrédulo o camarada motorista. “Há quanto tempo tiveram eles a sua revolução?”


Diz quem sabe que nessa noite não houve ensopado de borrego, quase sempre sem borrego, para ninguém, pensando, o camarada chefe do cárcere, dessa forma, provocar um enorme tumulto que lhe servisse de pretexto para poder reprimir os presos sem apelo nem agravo. Mas os reacionários preferiram ficar calados em vez de gritar a sua indignação. Pois podiam ser reacionários mas não eram burros. Durante a noite resolveram semear no vento que passa a anedota que retratava bem o estado a que tinha chegado a UCP, depois dos camaradas terem consumido todo o cereal, até o destinado à sementeira, e de terem devorado todos os animais da exploração, incluindo os destinados à reprodução.


Ei-la, a anedota. Alberto Punhal, o camarada de cristal, está no seu Gabinete no Palácio de São Bento, batizado recentemente de Palácio Baleizão, e repara que há muitos ratos. Queixa-se a Costa Gomes. O presidente da República reflete durante algum tempo, que, no seu caso, quer significar várias horas. A seguir ao chá e aos scones, pega no telefone vermelho e aconselha: “Camarada Punhal, porque não coloca na porta um dístico a dizer “Unidade Coletiva de Produção”? Assim metade dos ratos morre de fome e a outra metade há de fugir.


Quando a anedota chegou aos ouvidos do camarada capataz, este mobilizou de imediato a milícia do campo e ordenou que todos os elementos subversivos fossem acordados durante a noite e torturados até confessarem quem tinha sido o autor da heresia. Primeiro, a totalidade negou identificar o mensageiro. Depois todos admitiram ser os propagadores da anedota. Por vezes, a resistência contra a repressão nasce das mais pequenas coisas.


O sósia do John Cleese, entre o delírio e o desespero, resolveu contar nova anedota antes de desfalecer em frente do seu carcereiro, que era um avô babado e que exibia o seu neto como o melhor dos camaradas pioneiros, gabando-lhe o cargo de secretário do comité central da organização infantil.


“Ó camarada avô, ainda existirá polícia quando chegarmos ao comunismo?”


“Não, camarada neto, nessa altura já as pessoas aprenderam como se prender a elas próprias.”


Bem, está bom de ver que o sósia do John Cleese levou tantas na focinheira que sofreu três KO múltiplos antes mesmo de cair definitivamente inanimado no chão.


Aí o José não se conteve e contou a melhor anedota de todas, pelo menos na nossa opinião, e ela vale o que vale, em honra do camarada inanimado. Ali de pé, como os carvalhos.


Um rebanho de ovelhas é mandado parar por guardas-civis na fronteira com a Espanha. Os agentes da autoridade do país vizinho perguntam: “Porque é que querem sair da República Popular de Portugal?” “É o PDES”, respondem as ovelhas aterrorizadas. “O Beria português mandou prender todos os burros.” “Mas vocês não são burros.” “Vão os camaradas guardas-civis dizer isso ao Beria e à PDES.” 

23
Out13

Poema Infinito (169): o menino entre ruínas

João Madureira


Por onde passo as ruínas choram porque já ninguém brinca. Agora é só silêncio. Lembro-me da Alice dançar com os cabelos soltos enquanto ouvia música. Presentemente as coisas morrem dentro de nós. Os homens são misteriosos e as mulheres escondem-se detrás das cortinas velhas das janelas. Agora a música é estranha. Os muros caminham ao lado dos homens. Vamo-nos esquecendo de tudo. Das dádivas. Dos homens que bebem à mesa. Da alma que suporta os poetas. Das flores suicidas. Da espera dos grandes acontecimentos. Das verdades que duram segundos. Das mãos que pintam o tempo de mudez. Das raízes que brotam dos corpos. Dos corpos que se entregam ao tempo. Dos enormes pomares tranquilos. Das mães que cantarolam. Da inútil aprendizagem do ódio. Da trabalhosa arte do amor. Da tranquilidade das casas. Do aroma dos jardins. Da impercetível emoção do desaparecimento. Da incompreensível frescura dos mistérios. Dos rostos descobertos pelo sol. Do prazer da expectativa. Das crianças reclinadas junto ao mar. Do equilíbrio das curvas. Da evocação das paisagens. Das casas que dormem na hora quieta do meio-dia. Dos gritos que permanecem dentro de nós. Do pedido de socorro dos náufragos. Dos sonhos que são lamentos. Do estranho fenómeno das coisas paradas. Dos corpos que chamam. Dos corações que vibram. Atravessamos a infância projetando mais outros dez mandamentos que ofendem particularmente a obediência. As mulheres ficam desertas. As árvores ficam cor de cinza. A chuva dobra os meninos. As folhas movimentam-se. O silêncio volta de novo. Os pássaros assustam-se. Os caminhos ficam indecisos. Chego ainda antes dos meus passos. Um desejo obscuro desafia a imperturbável simplicidade das ruínas. Agora só procuro a paz. Guardo as colinas dentro do meu corpo. Inclino-me dentro das minhas cicatrizes. Encontro restos de orvalho dentro da tua boca. Sinto-me germinar de novo. Afasto de mim as despedidas. As mãos guardam as sementes. Rostos secos habitam agora a minha casa antiga. Tenho desejo das chuvas e de correr pelos caminhos molhados e do frescor dos musgos e dos jardins claros e de ficar em casa encerrado na minha inocência animal e do ar maduro das tardes de domingo e do pressentimento dos frutos e das bocas que são fontes. Sossego na frescura lúcida da terra onde os dias se abrem com a nitidez dos rios. Alguém me quer explicar de novo a vida e a pouquíssima poesia que há no mundo. Eu já tive esse brilho de descobrimento nos olhos. Agora construo estátuas de nuvens para espantar as aves do aborrecimento. Sou um pobre narrador enterrado em memórias quietas. Senta-te a meu lado para que a tarde deixe de ser tão séria. Sorri para mim e deixa que o teu corpo faça uma ligeira curva em cima das flores. Sou um homem ladeado de muros que vê florescer a tarde através de um espelho. Sou para sempre o menino do crepúsculo que escuta o movimento das folhas antes de adormecer. 

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