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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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27
Nov14

Poema Infinito (226): o amor incompleto

João Madureira

 

Os teus olhos são como as pombas de Salomão. Lembras-me romãs, ovelhas brancas, corças e rosas sopradas pelo vento. Ao teu lado sentam-se os deuses que parecem a voz do riso e que fazem tremer de prazer o tempo. O amor debruça-se sobre o teu rosto que é um instante, como o último beijo antes de adormecer. Bebes-me a vida, por isso me julgo imortal. A noite é perpétua quando dormimos juntos. Murmuramos os nossos nomes enquanto jovens. Experimentamos a ciência antiga de fugir ao tempo. Longos são os pensamentos do amor quando se prolonga a tua ausência. Por vezes até a chuva para. Fico com o coração apertado. As nuvens fogem. Os pássaros voam e desaparecem. Teimo em amar-te. Respiro suspiros. Respiro a alma dos peregrinos e admiro as suas lágrimas. O amor é como um segredo sobre pressão. Os meus olhos dilatam-se. A esperança renasce. As folhas coloridas apagam os caminhos. O outono é uma montanha. Encontro-te sempre nos trilhos que não conheço. As nossas cartas de amor possuem uma escrita rendilhada, são compostas de suspiros e de saudade. Pressinto-te a penteares os cabelos no meio das cerejeiras em flor e debaixo de um toucado de nuvens. Quando sorris, a minha tristeza é levada pelo vento até ao dia seguinte. E aí te espero de novo. E os teus olhos voltam a brilhar. Os meus sonhos são como segredos que se transformam em ondas. Os campos estão limpos, a terra apetece, a brisa da tarde traz-nos a paixão. O destino mora nos nossos corpos como se fosse um anjo tranquilo. O prazer faz-nos chorar lágrimas luminosas. Vamo-nos confundir com o orvalho. Ninguém nos pode roubar a noite. A verdade protege-nos dos elogios. O desejo é invisível, mas realiza-se. É como um juramento distante. A claridade da aurora abre o caminho. O desejo queima-nos a pele. Por vezes o amor é um contentamento mesquinho que se espalha como o fogo. Por vezes o medo mistura-se ao prazer. Por vezes o amor parece ilícito. Como se necessitasse de um juramento secreto. Pelo olhar se vê o coração de quem observa. Imagino o amor como uma fé, um fogo honesto, uma feliz coincidência. Dentro dele o tempo imobiliza-se, as horas ficam sem préstimo e a beleza fica sem mérito. Os olhos veem o que não veem. Depois apagam-se e acendem-se com as luzes de natal. Todo o amante padece da reminiscência do próprio amor. Pobres dos que morrem sem ser queridos porque desaparecem com a dor do espanto. As lâmpadas de fogo resplandecem dentro do segredo dos desejos. O amor é capaz de imortalizar tudo aquilo que é mortal. O tempo volta ao seu redil. Faz-se de novo tarde. É tempo de memorizar os cuidados futuros. Todo o passado é dor. Nos jardins as flores murcham, como se estivessem loucas. O amor é agora aflição. Mesmo que o tempo enfeite as árvores. O amor reacende as feridas. Apertamos as mãos e voltamos a jurar o amor como último suspiro, onde o prazer é como uma maleita doce. Os nossos corpos voltam a ficar despertos como as almas danadas. O amor sofre por ser uma mudança imaginada. O amor não muda nada porque receia a mudança. No entanto, só do teu amor me pode vir recompensa. Escrever um poema de amor é uma coisa estranha. O tempo fica lento. Os jardins incendeiam-se. Os sexos resplandecem. Sonho-me como se fosse uma espada. Escrever um poema de amor é a coisa mais estranha do mundo.

24
Nov14

216 - Pérolas e diamantes: da necessidade de uma terceira força e de transparência

João Madureira

 

Já pressentindo a hora da despedida, o executivo de Passos Coelho, também conhecido como o Pedro dos Impostos, ou o Xerife de Nottingham, e do senhor Portas, já apelidado do mister dos submarinos, resolveu à última da hora, pela voz da fortuita Maria Luís Albuquerque, vir agitar o papão de um 2º resgate.  

 

Zangado com as sondagens, o líder do PSD, conhecido como o Xerife de Nottingham, ou o Pedro dos Impostos, resolveu vir a público dizer que, sendo assim, já não repõe a totalidade dos salários na função pública, como tinha prometido logo após a decisão do TC.

 

Logo a seguir resolveu brandir o fantasma, ao que tudo indica, ainda vivo, mas detido por suspeitas de corrupção, do ex-primeiro-ministro Sócrates. E nisso teve a ajuda prestimosa do líder da bancada do PS no parlamento, Ferro Rodrigues, que, embandeirado em arco pelas sondagens, resolveu assumir a reabilitação do famigerado José, com toda a pertinência que se lhe reconhece.

 

Portas, com a habilidade discursiva que todos lhe atribuímos, lembrou, e bem, que o PS deixou um país à beira da falência e que “o passado do PS continuará a ser o problema do futuro do PS”.

 

De facto, tudo indica que sim, pois as caras que acompanham António Costa são as do velho PS, as conhecidas, e reconhecidas pelos portugueses, como a “tralha” socialista.

 

Todos os sinais indicam que, apesar da liderança do PS ter mudado, a sua política continua a mesma. É impossível fazer uma política nova, com o velho PS.

 

Pedro dos Impostos, ou o Xerife de Nottingham, metido dentro do seu labirinto, como o general do romance de Gabriel García Márquez, afirmou “que se orgulha muito do que foi feito e que não vai facilitar”. É caso para dizer que bem pode limpar as mãos à parede.

 

Mas também ninguém poderá estranhar. De facto, o líder do PSD ascendeu ao poder através de uma colossal mentira, tendo sido levado ao colo pela comunicação social, que na altura batia em Sócrates como em centeio verde. Pelos vistos, o homem andava apenas a fazer pela vidinha, como a sua detenção confirma.

 

Mas como os ventos mudaram, Passos Coelho começou a acusar os meios de comunicação social da sua má imagem.

 

O PM já deixou de governar. Limita-se a gerir a mentira da sua boa governação.

 

António Costa, por seu lado, posto perante o flagelo das cheias na cidade que governa, disse que para elas não existe solução.

 

O pior vai ser quando se sentar na cadeira do poder e anunciar aos portugueses a mesma conclusão. Se calhar o PS não tem mesmo resposta para os problemas do país. Ainda não ouvimos o seu chefe explicar as soluções concretas que defende para os problemas que persistem. O seu sorriso é doce, a sua voz é calma e o seu tom é moderado e generalista. Mas só isso não chega. E o Sócrates foi parar atrás das grades.

 

A solução tem de vir de fora. De fora do sistema político tradicional. De uma terceira força constituída por pessoas que não estejam dependentes dos mafiosos interesses dos aparelhos partidários. Que não estejam enfeudadas nem ao PS nem ao PSD, o famigerado BCI (Bloco Central dos Interesses). 

 

Ou vem daí, ou não teremos solução duradoura e credível. Será mais do mesmo. É necessário e urgente sairmos deste jogo viciado efetuado entre os dois partidos do sistema.

 

 

PS – A “Transparência e Integridade, Associação Cívica” (TIAC) tomou a iniciativa de avaliar o volume e o tipo de informação disponibilizada aos munícipes, e à opinião pública em geral, que apelidou de classificação do “Índice de Transparência Municipal” (ITM).  

 

O ITM afere o grau de transparência de cada município, medido através de uma análise da respetiva página na internet.

 

A TIAC avalia o volume e o tipo de informação disponibilizados aos munícipes (e à opinião pública, de uma forma geral) sobre a estrutura da autarquia, o seu funcionamento e atos de gestão, entre outros tópicos.

 

Áreas de elevado risco de corrupção, como a contratação pública e o urbanismo, suscitam uma particular atenção dos autores do ITM.

 

Para isso, elaborou um ranking com as 308 câmaras, relativo a 2014. A 1º da lista é Alfandega da Fé; a 5º é Mirandela; a de Vila Real vem em 14º; VP Aguiar ocupa o 24º; Boticas o 62º; Montalegre o 76º.

 

Chaves ocupa o opaco lugar de 129º. Lembramos que em 2013 estava em 56º.

 

Por isso, ó senhor presidente António Cabeleira, mais uma vez encarecidamente lhe pedimos, a si e aos demais vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme. E à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o simpático vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará efusivamente, uma auditoria realizada às contas do seu virtuoso mandato.

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