Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

377 - Pérolas e diamantes: A roleta russa

 

 

 

Ao contrário do que era suposto acontecer, a Revolução de 1917, com a tomada do poder em Sampetersburgo, desencadeou uma violenta guerra civil na Rússia e deu origem a um regime totalitário que, para os artistas da altura, implicou um retrocesso criativo, originando a vitória de ideias conservadoras capazes de envergonhar a pior censura do tempo dos czares.

 

A Revolução Russa, bem vistas as coisas, foi sobretudo uma guerra civil extensa e cruel, que teve apoio popular e que também contou com o idealismo de muitos artistas, nomeadamente escritores e poetas que aderiram de imediato às promessas revolucionárias de uma literatura inovadora, capaz de elevar os leitores e de transmitir rapidamente ao mundo as novas ideias.

 

Essa esperança de liberdade foi curta. Na realidade, os escritores e restantes intelectuais, foram rapidamente trucidados pela violência e pela matriz totalitária do novo regime.

 

De facto, uma das literaturas mais impressionantes do planeta foi, em apenas dúzia e meia de anos, aniquilada pela obsessão estalinista de controlar todos os aspetos da vida dos cidadãos, usando os bárbaros métodos do medo e da violência para silenciar qualquer atrevimento de individualismo.

 

Para se conseguir sobreviver nas letras soviéticas, não era suficiente ser apenas bom revolucionário, era necessário evitar erros políticos. Muitos escritores foram exterminados por se terem descuidado no momento de escolher os seus protetores ou então terem escrito coisas comprometedoras no período em que se julgavam a salvo.

 

Na maioria dos casos, a roleta russa veio tomar conta dos seus destinos.

 

Com a abertura dos arquivos da polícia política (NKVD), os historiadores russos concluíram que cerca de dois mil intelectuais, académicos e artistas soviéticos, foram presos durante as purgas do final dos anos 30 e que terão morrido nas prisões e nos campos de concentração mais de 1500, muitos deles escritores.

 

A sorte estava ditada. Uns emigraram (Vladimir Nabokov, Ivan Bunin, Leonid Andreiev); outros suicidaram-se (Serguei Iesenine, Vladimir Maiakovski). Alguns tiveram problemas logo de início, como Ievgueni Zamiatine e a poetisa Anna Akhmatova, cujo marido, Nikolai Gumilyov, também poeta e militar aristocrata, foi fuzilado durante a guerra civil.

 

Se no início a diversidade no meio literário foi um dos emblemas da revolução proletária, rapidamente os talentos começaram a desaparecer.

 

A uns remeteram-nos ao silêncio (Andrei Platonov e Mikhaíl Bulgákov), outros remeteram-se a um silêncio autoimposto (Andrei Bely). A alguns foi a doença que tomou conta deles (Aleksander Block). Ou seja, em1925 a literatura russa já tinha sido praticamente dizimada. Mas mais vítimas estavam a caminho.

 

Issac Babel, pôs-se a jeito. Especialmente quando escreveu Cavalaria Vermelha, onde tornou evidente a sua crença comunista, mas também a desconfiança em relação à brutalidade dos bolcheviques e dos cossacos, o antissemitismo e a indisciplina das tropas. Desapareceu nos gulags.

 

Igual sorte teve o poeta Ossip Mendelstam.

 

Foi através da violência feroz, da supressão radical das liberdades, da coletivização forçada da terra e da propaganda sistemática, que o regime soviético criou um suposto paraíso para os trabalhadores que não passou de uma enorme e tremenda mentira.

 

Para Estaline, os escritores tinham de ser “engenheiros das almas”, ou não eram nada.

 

Ou seja, o realismo socialista funcionou como uma das peças da engrenagem da mentira que acabou por trucidar os melhores autores soviéticos. De facto, ali não existia a mínima réstia de realismo, nem sequer havia socialismo, pois os heróis descritos apenas existiam na fantasia doentia dos dirigentes.

 

Para o comissário da cultura, Andrei Djanov, o único conflito possível na cultura soviética era “entre o bom e o melhor.”

 

Os escritores tinham de estar ao serviço do povo e a sua autonomia artística era uma concessão de serviço. Ou seja, o escritor não era mais do que um funcionário.

 

Um dos livros que melhor retrata o regime soviético é O Mestre e Margarida. Este romance genial, de uma fantasia satírica delirante, mostra o fingimento do regime totalitário, a sua dissimulação e violência, a desfaçatez do poder e a imensa credulidade do povo.

 

Em Moscovo, cidade onde triunfaram os deuses do comunismo, aparece Woland, o mesmíssimo diabo, e a sua tribo de demónios. Verificamos então que nela impera o medo, a mentira, o conformismo e a paranoia.

 

Bulgákov evidencia a manipulação da verdade, a impossibilidade manifesta de se poder contar a história autêntica, a manifesta impotência dos intelectuais, o desespero amoroso, o triunfo do medo e da morte, que, diga-se em abono da verdade, não constituem apenas uma crítica ao comunismo.

 

A reflexão é, acima de tudo, sobre o sentido da própria arte. De que serve uma obra se nela o autor não disser a verdade?

 

Doutor Jivago, de Pasternak, talvez tenha dado o golpe de misericórdia na bondade do regime soviético, ao denunciar os momentos de brutalidade, de delação de inocentes e as promessas falhadas da revolução, além do cinismo, do oportunismo, da escassez de alimentos e da injustiça.

 

Paz, pois, à alma do escritor russo.

 

De facto, nada distingue a violência dos vermelhos da dos brancos.

 

Paz, pois, à alma do comunismo.


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Domingo, 28 de Janeiro de 2018

Interiores

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 052 -

 


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Sábado, 27 de Janeiro de 2018

Retrato com moldura

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 037 -

 


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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018

Na oficina

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 031 -

 


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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (389): Imagens refletidas no abismo

 

 

Recuperei hoje o teu nome dentro dos meus sonhos. Foi aí que também encontrei a tua pele perfumada. Os teus dedos eram aves de primavera. Na tua boca ainda havia restos de canções. O vento despiu-te a camisola e ficaste exausta como a respiração de um peixe fora de água. Por isso, os meus versos são contundentes, cobertos de gestos, sulcados pela solidão e pelas paisagens abandonadas. O teu nome é agora mais vagaroso, parece uma porta que se abre pela manhã para entrar o sol. Frios são os batentes. No outono, as pedras agasalham-se no manto de musgo, enquanto a água das fontes desce pelo monte e o vento viaja junto aos muros. Algumas palavras queimam os lábios e o amor e a saudade. Os dias decalcam-se uns dos outros. Na mesa cresce agora o pó. A casa traja de cinzento e dentro dela desenha-se o tamanho da tua ausência. As janelas abrem-se diretamente para a solidão. Outro é o tempo, a luz segmentada, a porta onde já ninguém bate. O medo é uma outra espécie de sombra. A tua distância transforma-se em ferida. Afasto a dor como quem esconjura punhais. Perguntam-me então pelo caminho, falam-me da mortificação das montanhas, da água que galopa os rios, das nuvens que compõem as paisagens, das fendas que gemem na noite, dos penhascos, das margens das cidades que apodrecem, da terra que treme, do nevoeiro que cega, do peso do medo e das mágoas. Os sonhos seguem os mesmos passos. Tudo o que agora resta é uma caligrafia trémula de desabafos, uma espécie de carta de despedida, uma espécie de noite efémera polvilhada pela solidão. Houve tempos em que quis ser um barco, para abraçar as ondas, para perceber o sorriso do medo, para partir sem me perder nos enleios. Ninguém socorre o vento nem corrige as embarcações perdidas. Tenho o rosto debruçado sobre o teu olhar. As aves atravessam a manhã perseguidas pela exatidão dos espelhos. Procuro ainda a lei poética das cornucópias, toda a matéria contida nos paraísos, a ambiguidade das estrelas, o código da ansiedade, as cidades que levitam, a roda mecânica do futuro, o oráculo preciso das emoções, as imagens refletidas nos abismos, toda a utopia da luz. Os profetas já não perdem tempo a dividir o mundo, preferem deixá-lo entregue às metáforas. Toda a loucura procura a certeza, a balança desequilibrada da eternidade. No panteão já não habitam deuses e a anunciação já não necessita de anjos. O amor transforma-se em sede e em tristeza. O tempo está cheio de rumores. Os gritos possuem um peso específico. Vou viajar para longe para romper o caminho da luz em busca da minha terceira alma. Partirás ainda antes da mordedura do silêncio, quando a neblina escreve por mim a poesia das coincidências. As palavras repetem a inércia das montanhas, o desejo dos teus lábios, a saudade das casualidades. Guardo o meu desejo no abrigo do teu corpo agitado, lá onde se esconde a serena pressa dos caminhos. Olho-te na luz azul da tranquilidade. As manhãs pertencem-nos. Já não temos vergonha, nem da espera, nem do regresso. A voz clara dos livros soa como uma tempestade de sereias. Enaltecemos o privilégio de decidir. Leveda o pão e o vinho mais ácido. Os amantes aparecem nos lugares vagos da memória. Todos somos biografias incompletas.


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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

Na oficina

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 012 -

 


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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Na oficina

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 008 -

 


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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

376 - Pérolas e diamantes: Lenine, o Ditador

 

 

 

Terça-feira, dia 23 de fevereiro de 1917 (pelo calendário juliano, utilizado na Rússia czarista), Dia Internacional da Mulher, data marcante para os socialistas de todos os matizes, milhares de russos reuniram-se junto às pontes e ao rio Neva, do lado de Vyborg, e outras zonas industriais e marcharam até à Perspetiva Nevsky exigindo pão.

 

São Petersburgo transformou-se então num autêntico barril de pólvora.

 

“Marchons! Marchons!”, ululava-se a plenos pulmões. Ouvia-se a Marselhesa cantada como deve ser, com ódio puro, como dizem os entendidos. Nas zonas fabris, as greves alastravam como uma praga. Os confrontos com a polícia tornaram-se inevitáveis.

 

No lado distinto da cidade, a vida continuava como se nada fosse. O Teatro Alexandrinsky, a algumas centenas de metros dos tumultos, teve nessa noite a sala cheia para assistir à comédia de Nikolai Gogol O inspetor do Governo, uma história sobre corrupção, incompetência e ilusão na época dos Nicolaus (I e II).

 

No fim de semana os transportes pararam, as lojas fecharam e os saques tornaram-se frequentes. Quando a polícia usou os sabres contra a multidão, as tropas cossacas e os regimentos da Guarda ficaram do lado dos manifestantes.

 

Quatro dias depois, ao cair da noite, o regime czarista tinha perdido o controlo da cidade, exceto o Palácio de Inverno e alguns edifícios governamentais.

 

Bert Hall, um aviador americano, adido da força área russa, escreveu no seu diário que a “revolução foi liderada pelo acaso, sem organização e sem líder”. A cidade estava “cheia de pessoas famintas que já tinham aguentado tudo e preferiam morrer a tolerar o czarismo por mais tempo”.

 

O czar abdicou a 2 de março. Parte do parlamento ocupou uma ala do Palácio de Inverno e transformou-se num governo provisório. A outra parte foi invadida pelos sovietes que tinham maior influência sobre o exército. A dualidade de mandos originou o inevitável duelo pelo poder. O país caiu na guerra civil.

 

Camponeses armados com forquilhas saquearam as casas abastadas e apropriaram-se de bens e de terras. As comissões de trabalhadores passaram a controlar a maior parte da indústria de defesa. No exército deixou de haver disciplina. Os desertores passaram a vaguear pela Rússia.

 

Entretanto, o líder do Governo provisório, Alexandre Kerensky, decidiu montar uma ofensiva contra os alemães que rapidamente se transformou num desastre de consequências catastróficas.

 

No meio da confusão e do desnorte, apareceu Lenine. E, para mal dos nossos pecados, nem sequer se importou de contradizer a tese de Marx de que seria impossível uma revolução num país como a Rússia rural e feudal.

 

Sabemos agora que durante três décadas, este revolucionário foi um falhado, passando a maior parte do tempo no exílio entre Munique, Londres, Paris e vários locais na Suíça (Berna, Genebra e Zurique), conspirando incessantemente e escrevendo sobre a revolução, mas deixando a prática revolucionária para os outros.

 

Lenine tinha tendência para nunca estar no sítio certo há hora certa. Estava fora da Rússia durante as revoltas de 1905, o mesmo lhe sucedeu quando a guerra rebentou em 1914, e ainda outra vez quando os revolucionários derrubaram o czarismo em fevereiro de 1917.

 

O jornalista e investigador Victor Sebestyen defende que esta sua vida de frustração teve reflexos na sua saúde física e mental. No seu livro, Lenine, o Ditador, descreve com acuidade a forma como este homem cruel, dominador e, muitas vezes viciado, dependeu de três mulheres: a mãe, Maria Ulyanova, a sua mulher, Krupskaya, e a amante francesa, Inès Armand.

 

Enquanto a Rússia ardia em fervor revolucionário, a Alemanha do kaiser, ansiosa por minar a máquina militar russa, veio em seu auxílio, e transportou-o até à sua terra natal num comboio selado.

 

Mas as coisas complicaram-se de tal maneira que, quando os protestos contra o Governo provisório subiram de tom, Lenine fugiu para a Finlândia, dando origem a amargas acusações de cobardia por parte dos seus apoiantes.

 

Três meses depois, regressou a Petrogrado pela calada, para intimar o Comité Central bolchevique à revolta armada contra Kerensky e o Governo provisório.

 

O que se passou a seguir, todos o sabemos: Lenine tomou o poder em nome dos operários e camponeses e lançou a Rússia numa sangrenta guerra civil de onde nasceria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

 

Como  Sebestyen refere, “nada desmente mais a ideia marxista de que são as forças sociais e económicas e não os indivíduos que fazem a história do que a revolução dirigida por Lenine”.

 

Todos conhecemos a devastação por ele provocada. A sua múmia encontra-se num mausoléu da Praça Vermelha, onde recebe a visita de milhares de pessoas todos os dias. 


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Domingo, 21 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Sábado, 20 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (388): O cálice sagrado da natureza

 

 

 

Os vários nomes da madrugada inundam os caminhos da montanha e alimentam as raízes dos teus pés. Caminharemos sempre. Isso faz parte do nosso destino. Também as flores procuram insaciavelmente o desenho e as cores das suas pétalas. Confundimos as fragas, o som do vento que eclode entre a ramagem, o ruído das vozes, as amoras que descansam nas silvas. Desenhamos corolas, a floração dos desejos, a primavera que rebenta, o imprescindível júbilo do néctar, o reflexo foliar das mariposas. As abelhas mais invulgares procuram os cubículos das flores campestres. Pedaços do mundo juntam-se com o âmbar da areia, os lagos presentem a perenidade dos oceanos, o silêncio desliza em forma de réptil. Tenho saudade dos montes e dos rios, da velha arquitetura dos moinhos, da sensualidade dos teus seios, da humidade da tua vagina. E dos ais e dos suspiros. E da fertilidade das madrugadas. Os teus olhos possuem a minuciosidade dos mares. Neles prevejo os eclipses solares, o dilatado desenho das penetrações, o rumor magnífico dos lírios, o voo certeiro dos falcões e a gratidão da primavera. O calor do teu silêncio é feito de sobejos de eternidade. Alguns sorrisos vêm envoltos em nuvens raras. Pretendemos esquadrinhar a espessura do futuro, o resplendor das massas atmosféricas, o pôr do sol e o amanhecer e os átomos imaginários das galáxias. Apesar de sabermos da necessidade muda do pão, arrepiamo-nos quando as ceifeiras abatem as searas. A saudade constrói ninhos dentro das nossas cabeças. A tristeza continua impune. As estátuas sorriem-nos com a sua nudez fria. Os pássaros semearam os bosques. Os seus voos transportam a transparência do vento. A dor ainda está quente. A saudade abre o caminho dos montes e evoca o regaço do mês de abril. Donde vem este tempo sem crédito? Os poemas mudam o seu funambulismo, querem ser vadios. Dói-me a dor da tua ausência, o riso e o pranto, o adeus definitivo da tarde, a perseverança do mar, a marcha do tempo, os montes rasos, os lobos aprisionados pela neve, o afastamento do claro-escuro, os retalhos do infinito, as corridas sem distância, as trovoadas secas, a lentidão dos rios, os passos marrecos das garças, a rotundidade das corolas, os sonhos de circunstâncias e as flores demasiado amarelas ou vermelhas. Quero aprender a semear os crepúsculos, o voo das estrelas fugazes, a devorar as noites, a pesar as palavras, a desenhar as pálpebras do tempo e o voo incandescente dos relâmpagos, a voar como os peneireiros, a procurar as nossas raízes animais, a entender a espera das madressilvas pelo voo das abelhas, a saber esperar, a entender as incertezas, a escutar a razão, a cansar-me, a descansar-me, a lavar os aspetos mais densos da monotonia, a decantar as lágrimas. Penso agora no caminho das fontes, na calma simétrica dos espelhos, nos reflexos da caducidade, nos níveos horizontes das ninfas. Pressinto as suas bocas, o seu desespero, os seus calafrios, a sua paciência. A minha poesia é agora mais vegetal, feita de flores pequeninas, humildes e silvestres. Une-a o sopro infinitesimal e impenetrável da clorofila, o azul dos labirintos, a métrica versátil dos estames, o inconformismo das corolas, a união dos ovários, o cálice sagrado da natureza.


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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

375 - Pérolas e diamantes: Viver na era do caos

 

 

O jornalista e ensaísta italiano, naturalizado americano, Federico Rampini veio a Portugal fazer uma análise ampla das tendências políticas e económicas dos últimos 25 anos, partindo do princípio de que vivemos na era do caos, pois a globalização fez falhar muitas das promessas, aumentou as desigualdades, fazendo com que a resposta à incerteza passe pelo populismo e o nacionalismo. Mas, em certos setores, parece que o tal ambiente caótico é visto como o terreno ideal para a criatividade.

 

Foi disso que Rampini veio falar: das ameaças e das oportunidades da era do caos.

 

A nível geopolítico o caos sobrevém das guerras, das guerras civis e da emigração em massa provocada pela instabilidade daí resultante. O segundo caos é a nível económico, com o crescimento incontrolado das desigualdades, sobretudo nas gerações mais jovens. De facto, o futuro parece pouco animador, pois, muito provavelmente, os nossos filhos serão mais pobres do que nós, o que é um fenómeno novo.

 

A maioria de nós já não acredita que com a educação é possível alcançar um melhor nível de vida.

 

Existe ainda o caos ambiental e o caos tecnológico.

 

Em Silicon Valley, as pessoas acreditam que o “caos” é uma palavra maravilhosa. Os que lá vivem e trabalham acham que é fantástico viver num mundo caótico porque é aí que as oportunidades florescem.

 

O caos geopolítico está a ser criado pelo facto de o Ocidente estar a perder a hegemonia, entrando num declínio irreversível. O centro do mundo está a deslocar-se para a Ásia. Isto quer dizer que estamos a entrar num período em que temos o declínio de um império, mas ainda não temos um novo império.

 

Vivemos num mundo que é menos desigual entre nações mas que é mais desigual no seu interior.

 

As desigualdades são tanto ao nível dos rendimentos como das oportunidades. Quando se olha para o sistema educativo vê-se de que maneira a desigualdade de rendimentos, de riqueza, se traduz numa desigualdade de oportunidades.

 

E o sonho europeu também se vai desfazendo à medida que o tempo passa e os problemas não se resolvem. A larga maioria dos países europeus já deixou de acreditar na Europa porque os seus líderes impuseram as famigeradas políticas de austeridade, sobretudo pela pressão da Alemanha. Agora é a sua legitimidade que está em causa. As gerações mais jovens perderam 10 anos das suas vidas sem terem arranjado um emprego a sério.

 

Triunfou a visão mercantilista. Na perspetiva de Federico Rampini, a Alemanha construiu a sua economia de modo a garantir um excedente permanente com os outros países, pois esse país necessita que os outros sejam mais fracos e menos bem geridos, sejam menos competitivos, de modo a que ela própria os absorva. Esta, lembra Rampini, é a regra básica do funcionamento do modelo alemão. Por isso nunca se esforçaram para exercerem uma hegemonia benéfica para o resto da Europa.

 

A crise financeira desencadeou uma nova perspetiva sobre o nosso sistema económico, pois afinal ele não é só ineficiente e instável, como também é profundamente injusto.

 

Todos nós vimos os Governos socorrerem os bancos, mas serem relutantes em estender o subsídio de desemprego aos que, sem culpa nenhuma, não conseguiram arranjar emprego depois de meses e meses de procura.

 

O problema é que o sistema não funciona, pois nem os governos nem o sistema judicial consideraram culpados os promotores da desgraça. Foram os bancos que provocaram a crise e foram os banqueiros aqueles que se safaram.

 

De facto, se ninguém é responsável, se nenhum indivíduo pode ser culpado pelo que aconteceu, isso significa que o problema reside no sistema político-económico.

 

Na sua opinião os políticos traíram-nos, os banqueiros roubaram-nos e, de uma maneira geral, as elites fizeram falsas promessas que não cumpriram, sobretudo em relação à globalização.


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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

No carnaval de Verin

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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Na Feira dos Santos

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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (387): Registos

 

 

 

Começam as horas a ficar registadas no nosso sangue. Sobre o espaldar das janelas despontam as grinaldas e os apertos irreprimíveis da solidão. Na sala, a avó mistura os fios do croché sem sinais evidentes de indisciplina. O tempo estimula o sentido plano da responsabilidade. O poema organiza-se em torno de um subtil remoinho de conceitos. O canto doce perde alguma da sua importância. Por mais que queira, e eu não quero, nunca vou esquecer a aldeia, nem as batatas, as maçãs e os pêssegos com que se alimentam os porcos nem a forma fácil de empilhar maravilhas. Os homens que se cansam de subir as escadas da igreja dizem que dantes os invernos eram mais longos e mais frios, as letras dos jornais eram mais espessas, o céu mais azul e as varandas mais sombrias. Talvez no seu tempo as palavras fossem mais odiadas, mais redondas, ou então mais direitas como as espigas de trigo que cresciam por dentro de uma espécie de alegria organizada. A guerra prosperava no meio dos malmequeres, as sombras abraçavam a luz e a realidade era mais incompleta. Achavam que ler poesia era uma disfunção social. Consideravam acertada a maldição de Dante Alighieri aos que não falavam a sua própria língua. Dizem que nesses tempos Cristo passeava a sua cabeleira luminosa pelo meio da inveja dos néscios. Agora as mulheres agitam as mãos diante da luz e estremecem. Continuam, no entanto, a servir-se dos espelhos de uma forma estranha. A sua lucidez é delgada e possui a semântica da sobrevivência. Os seus olhos refletem os seus sonhos. A gente que passa na rua entende o caminho lento da solidão. Caminham como quem grita. Resta-lhes o corpo cansado. O futuro deixou de ser inevitável. Agora as palavras são mais justas, os gestos mais precisos e as circunstâncias mais equilibradas. Agora as raparigas têm nome de árvores e as árvores têm nome de raparigas e os cães têm nome de gente fidalga. O Menino Jesus parece uma menina que alimenta gatos absurdamente domésticos, que detesta os ventos da tarde e que gosta de serpentes e de labirintos feitos de vento. Agora canta-se a fruta e comem-se bolinhos estúpidos, cerejas sem caroço, ensina-se fisiologia às crianças e a afeição pelas máquinas. O amor tem o sabor do papel liso e os beijos são todos destilados. Medem-se os sentimentos com fita métrica e fazem-se intercâmbios de carícias. A natalidade é um conceito cibernético e rigorosamente controlada. As evidências são consideradas metáforas e as dúvidas uma nova forma de vergonha. Espero pela tarde no meio dos livros. Nos campos crescem as papoilas com cores lânguidas de caleidoscópio. O céu está cheio da tristeza que nós fabricamos. A noite continua propensa à nudez. Os corpos mais densos movem-se entre as árvores. Agora esconde-se o amor e os gritos que ele provoca. O incenso é um desinfetante caseiro. As mulheres mais velhas da aldeia contam histórias com os seus olhos envoltos em tristeza. Ao longe, dizem elas, veem a morte aproximar-se. Entretanto vão buscar a lenha para a fogueira. Do senhor Deus resta alguma coisa dentro da tulha grande. Dizem que a ciência do mal começou com a maçã que a Eva ofereceu ao Adão. E desse beco não conseguem sair. Os retratos dos avós ganham sempre dignidade à medida que desaparecem. Nada afeta os poetas imortais. O tédio e a tristeza centram-se no meio do peito. Os homens vivem por causa das máquinas. Agora pare-se sem dor.


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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2018

Louvre

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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Fotógrafos

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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

374 - Pérolas e diamantes: O incómodo e a ignorância

 

 

 

Há os que são odiados pelo que representam e também há muita gente amada pelo que faz. Juízos de valor não faço. Ensinaram-me que tudo é relativo.

 

A única obrigação que assumi perante mim próprio foi a de escrever o melhor possível. Quando tentamos satisfazer as expectativas e as exigências de outros acabamos, invariavelmente, por cair na mediocridade. Só ouvindo a nossa voz interior é que podemos produzir algo de duradouro.

 

A verdadeira cultura consiste naquilo de que nos lembramos depois de termos esquecido tudo o resto.

 

Acredito na poesia, pois não há dimensão mais espiritual do que a poesia. A poesia é a disciplina suprema.

 

A literatura deixou de ser útil. É apenas residual. Perdeu quase todo o impacto sobre a sociedade. Eu cresci na admiração pelos intelectuais. Eram os heróis do meu tempo.

 

Há por aí espalhado muito talento estéril.

 

O incómodo é permanecermos parados no meio das dúvidas, debaixo de camadas e camadas de hábitos que fazem resvalar o chão que pisamos.

 

Tal como Jonathan Franzen, necessito de ter um romance em construção porque posso frequentar todos os dias esse espaço. Dessa forma a minha vida adquire sentido.

 

Entristeço-me com a falta de cultura, sobretudo com a falta de cultura dos homens que se dedicam à política. Esses enormes burocratas do sistema partidário.

 

Parte substancial dos dirigentes políticos que todos conhecemos foi-se treinando na carreira partidária. Fora daí são como peixe em terra. Começaram desde pequeninos. E foi na prática da vida partidária que adquiriram os tiques conspirativos e manipuladores de direção e gestão.

 

Como todos sabemos, a maioria deles transporta consigo uma simpatiquíssima ignorância. Citam filósofos de trazer por casa e algumas frases e lugares comuns que respigam dos livros de autoajuda. São mestres em literatura de badana e em frases soltas. Não possuem nenhum conhecimento básico consolidado.

 

Foram eles os que nos enganaram, esses lacaios keynesianos, tão amados pelos bancos e pelos média. E também os economistas comportamentalistas que sabiam que o mercado não é influenciado por taxas de juro e flutuações do PIB, mas, sim, pela ganância, pelo medo e pela ilusão fiscal.

 

As pessoas não são pobres por terem tomado opções erradas, tomam opções erradas porque são pobres.

 

A pobreza não é um simples título de jornal. É uma realidade bem lixada.

 

Parece que uns têm de perder para outros ganharem.

 

Querem-nos fazer acreditar que há limites para aquilo que o dinheiro pode fazer acontecer. Mas, por muito que nos custe a todos, não há. O dinheiro é o hábito mais fácil de adquirir.

 

Não interessa de onde as ideias vêm, mas para onde elas vão e nos conduzem. Ninguém consegue ver a floresta estando no meio das árvores.

 

Exasperam-me aqueles políticos que se comportam como os polícias que além de nos passarem a multa ainda nos dão um sermão. Costumo dizer que ou uma coisa ou outra.

 

Depois há os irritantes que nos perguntam aquilo que estamos a ler e que nos dizem aquilo que estão a ler, o que pretendem ler, o que se arrependem de ter lido e que dizem às pessoas aquilo que leram, mas que na verdade nunca leram.

 

Já há muito tempo que me fartei de ser como o Godard, de ver o cinema através dos olhos da crítica.


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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

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Sábado, 6 de Janeiro de 2018

No Barroso

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 338 - Cópi

 


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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 228 - Cópi

 


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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (386): A prudência dos anjos

 

 

O sétimo anjo apareceu do nada e derramou a sua taça de inocência sobre o rio Tâmega. Os anjos que restam parecem pessoas verdadeiras, com pensamento próprio disfarçando-se bem com o corpo dos mortais. No entanto, as suas lembranças são vazias. Vazios são também os lugares que ocupam. Navegam as ondas do mar e continuam a nascer e a rebentar como se fossem gomos de laranjeira. Nomeiam os desaparecidos e as ruas e deixam-se morrer todos os dias para ressuscitarem no dia seguinte. Procuram a dignidade, a capa dos segredos e os sonos horizontais. Trincam o pão, vestem-se com as capas da dignidade mais antiga e recebem de pé a chegada das estações. Saúdam, ao passar, os homens e o seu tempo. Olham as mulheres e os seus corpos excessivos e procuram pelas ruas ideias respeitáveis. Os seus excessos são devidamente garantidos. Dispõem os nomes de todas as coisas e dão-nos a conhecer aos humanos. Cheiram as promessas e colocam-se numa posição privilegiada. Muitos deles voltam a morrer ao ler os anúncios dos jornais. Entre eles há mesmo quem faça versos com todas as licenças essenciais. Parecem pessoas seguras de si. Nas árvores do Paraíso rebentam várias gerações espontâneas. Também lá se proferem as primeiras palavras como se fossem as últimas. Ouvem-se as primeiras sinfonias. Várias mulheres procuram o sexo dos homens. E vice-versa. Os poetas obrigam o estio a ser-lhes fiel. Querem escrever poemas de natal, para se aliviarem. Os anjos imolam imagens, derramam o seu sangue pela terra, procuram Abel e depois Zacarias e o seu filho que foi liquidado entre a igreja e a ara. Louvam a dignidade dos velhos, as horas da partida, os gestos simples das crianças, os corpos lascivos, os olhares repletos de surpresas. Saúdam a chuva que cai, as palavras que adivinham, a orientação peculiar dos sexos em momento de procriação. Depois ficam tensos como arcos. A sua forma aparentemente leve solicita-lhes um sorriso de disfarce. São como recém-nascidos. Os seus braços ficam vagarosos, enquanto a tarde desce sobre a configuração das mãos dos homens e das mulheres que rezam. As mulheres e os homens não dizem poemas. Rezam para morrer tranquilos, por isso desejam ideias regulares e horas certas de trabalho. As palavras sagradas continuam anónimas. Deus esconde-as dentro da boca, onde guarda a emoção e a imortalidade. Os anjos parecem gatos atravessando o dia, vestidos de prudência, colecionando impulsos de amor e desejo. O silêncio une-os. Todos sonhamos com manhãs imensas, com Jerusalém, com um deus de face persistente, com rios que banham os templos como se fossem verídicos. Também as mulheres mais novas vêm dos velhos dias, ajoelham-se nas nuvens e erguem-se à altura dos filhos. Estendem os braços tentando guardar os seus templos domésticos. Muitas procuram os filhos nos túneis do tempo, escondem as faces, perdem-se no meio da multidão. Lá estão os mesmos olhos, as mesmas necessidades, os planetas sem luz, os cânticos harmónicos dos galos, os lençóis que envolvem a aurora, os arroios, os pássaros longínquos, a lenta impressão das neblinas, os meninos que vão para a escola, os homens e as mulheres sujeitas ao mesmo tempo, os lindos corpos dos amantes, a verdade atraente das sombras, a virtude das memórias. Os choupos estão mais velhos e as esquinas mais agudas. Os anjos têm agora os mesmos desejos dos pecadores. Uma aragem fria vem alterar a sensibilidade do tempo. Na longa avenida, a procissão segue o mesmo paradoxo de há cem séculos. Nos telhados, os anjos mudam de beiral.


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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018

No Barroso

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 135 - Cópi

 


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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

No passeio

Santo Ovaia, etc 106 - Cópia.jpg

 


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