Sábado, 31 de Março de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

DSCF2291 - cópia copy - cópia.jpg

S


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 30 de Março de 2018

Na festa

DSCF2184 copy - cópia copy - cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 29 de Março de 2018

Poema Infinito (398): A espera e a aproximação

 

 

 

Nasceu o dia para além da busca absoluta. A sua beleza é imaterial. Tudo faz parte do plano iniciado pela vontade dos deuses da criação. Emerge de nós a possibilidade da contemplação. A névoa obscurece a realidade. O círculo celeste tem a dimensão do nosso devaneio. As palavras transportam os factos, a ambição diária da transformação e instalam-se no intervalo dos sonhos. Misturam-se as vozes com o ruído do mundo. As escadas enchem-se de pessoas que não vão a lado nenhum. Descobrimos os oceanos dentro das páginas dos livros. Adormecemos, cansados, em cima dos ideais. É então o tempo de regressarmos a casa, à hesitação dos sinais do passado, à significação dos móveis, à humidade das paredes, ao musgo, às sombras que se fazem ouvir dentro das casas vazias que ainda guardam o eco das conversas antigas. Recomeçam de novo os instantes e os gestos banais. Os fantasmas, de velhos, já não mudam de lugar. Volta a sair a luz de dentro de nós. Apagam-se os instantes. A imaginação tem agora a forma de uma casa desabitada. A chuva começa a cair como a ciência do campo impõe. O ruído da tarde é monótono, cresce como a erva, como as horas e como os pássaros. O ribeiro está quase seco. Os animais parecem saídos das páginas do jornal. Instala-se nos campos a lógica de uma equação outonal. A luz rouba-nos o desejo do verão. Sinto na boca os frutos do passado, a sua ciência antiga. As árvores voltaram a abrir os seus ramos. A melancolia exibe o seu rosto melancólico. A terra recusa responder a quem lhe fala das sombras invisíveis. O seu tempo nasce das raízes, dos arados, do limite dos muros, das pedras. A primavera vai sair de dentro dos arbustos como se fosse um pássaro da tarde, voando dentro do seu destino. Também o rio endureceu a sua transparência. A nossa voz passa por entre as sílabas, tentando explicar a verdade. Só o silêncio fica, como se fosse ele próprio um princípio. Um anjo atravessa o vale como se fosse uma catástrofe natural. De foice na mão, sega o tempo. Um pastor assinala-o com o seu cajado de fogo. O rebanho, ao longe, assemelha-se a um sonho que se alimenta de vento. As casas do vale parecem barcos. As janelas parecem condensar as nuvens. As águias batem as asas sobre os convés. Nas arcas dormem os segredos que só os mortos conhecem. Detenho-me antes de abrir a porta da minha. Importo-me pouco com o passar do tempo. As fotografias sugerem espelhos invariáveis. No passado, as mesas nunca mudavam de sítio, nem os bancos. Muito menos as cadeiras. Agora a casa está só e a aldeia está gasta no meio da noite solitária. Já visitámos as datas mais antigas, o calendário repleto de sinais, as imagens da memória. Agora as nossas mãos estão mais cansadas, como se fossem sombras do fim da tarde. Tentamos encostar-nos às nuvens. Os olhos dos nossos avós fixaram a luz lenta da despedida. Sabemos agora que as árvores são tão incertas como a alma dos humanos. As suas folhas desenham-se a partir da verdura. No entanto, a sua memória é doce. As gotas da chuva caem dos ramos das árvores como se fossem palavras escritas pelo inverno. O campo espera que o tempo mude ao fim da tarde. Os pássaros parecem explicações da primavera. O seu deus leva-os para sul. Eles confundem-se quando procuram o seu céu. O vento muda de forma imprevista. Aproxima-se a noite. É tempo de esvaziar de novo os sonhos. Deus deixou de ser uma manifestação de absoluto, tornou-se agnóstico. Deixou de acreditar que a beleza pode nascer do nada.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito (1)
Quarta-feira, 28 de Março de 2018

Sorriso

barroso por salto 085 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito (1)
Terça-feira, 27 de Março de 2018

Nas escadas

DSCF7146 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito (1)
Segunda-feira, 26 de Março de 2018

385 - Pérolas e diamantes: Os arquitetos do templo e Boadiceia

 

 

 

A Virgem Maria, mãe de Jesus, filho de Deus, remete-nos para o tempo em que as mulheres tiveram o poder. No tempo das cavernas (Jesus nasceu num estábulo e foi colocado numa manjedoura) a vida articulava-se em torno do mistério do nascimento. Nesse tempo serviam-se as mães deusas e não os pais deuses. Foi assim durante milhões de anos. O Matriarcado reinante. Depois os homens rebelaram-se e, por algum tipo de magia social, empregaram a força bruta, derrubando as mulheres. Passaram eles a governar.

 

O tempo foi andando, os reis passaram o poder de pais para filhos e o Matriarcado foi esquecido.

 

Houve, no entanto, pelo menos uma exceção: os Icenos, em Colchester (Grã-Bretanha), a quem foi permitida alguma independência pelas tropas romanas ocupantes. Mesmo assim, Roma proibiu Boadiceia, a rainha dos Icenos, de passar a sua coroa às filhas, em vez de aos filhos. Boadiceia, como rainha, queixou-se. Violaram-na a ela e às filhas, como forma de desprezo.

 

Foi um erro colossal, pois a rainha reuniu os Icenos e, uivando como uma loba às suas deusas mães, prometeu vingança e incendiou totalmente Londres. Segundo os historiadores, Boadiceia deixou as valetas empilhadas de cabeças fumegantes e um rasto de cinza, testemunhada por uma veia escura e fria nas estruturas geológicas de Londres, como símbolo da ira de uma mulher.

 

Muitos séculos se passaram e, como símbolo da supremacia do patriarcado, surgiu a Maçonaria, espalhando nas grandes cidades do mundo ocidental (Londres, Roma, Paris, Washington e Nova Iorque), obeliscos em certos pontos, cientes do seu significado.

 

O mundo da Maçonaria tem muitos habitantes e muitos campos de influência. É frequente ouvir-se dizer, e com razão, que a melhor maneira de um homem avançar na vida é juntar-se aos Maçons. De facto, os Maçons mandam no Estado, nas finanças, nas instituições de ensino e nos partidos, sobretudo no PS e no PSD.

 

Os Maçons-Livres dizem descender da Atlântida, Éden e de um suposto Caos Primordial. Tudo isso é falso. A ordem que se mantém até hoje não recua mais do que ao século XVIII. Anteriormente era apenas uma humilde guilda de artesãos, com alguma influência de aristocratas e intelectuais que, por mais nada terem que fazer, se dedicaram a procurar emoções fortes, juntando-se e identificando-se através de apertos de mão, rituais e juramentos, sem um verdadeiro significado.

 

Verdade seja dita, nem todos os que se juntaram à Maçonaria eram meros diletantes. Alguns foram gigantes intelectuais, buscadores da sabedoria oculta, empenhados em continuarem as obras antigas.

 

Os Maçons afirmam descender dos arquitetos Dionisíacos, supostamente os Mestres-Artesãos da Atlântida, que sobreviveram ao declínio do Continente. Eles percorreram o globo e colheram os seus mistérios, construindo maravilhas pelos sítios onde passaram: o Templo de Salomão, as Pirâmides, o Templo de Diana em Éfeso, etc.

 

Os Dionisíacos infiltraram a cultura Micénica. Há símbolos micénicos gravados em Stonehenge. Pensa-se que foram eles que ajudaram a desenhar aquele antigo Altar Solar, onde os Druidas, em tempos, fizeram sacrifícios.

 

Sempre o Sol.

 

Cristo é claramente o mais recente disfarce do Deus Sol, uma encarnação apropriada para os tempos modernos.

 

O Natal, o seu dia mais festivo, coincide com o Solstício de inverno, quando o Sol hibernado começa, por fim, o seu lento acordar.

 

Outra coincidência tem a ver com o facto de ele ter sido sepultado numa tumba e depois ressuscitar precisamente no Solstício da primavera, o retorno da luz e da vida.

 

Cristo, deste ponto de vista, é o Sol de Deus, o seu pai, a imagética que permeia os hinos que se entoam frequentemente nas igrejas.

 

Até os apóstolos, nos quadros expostos nos museus, são marcados com um disco solar ao redor da cabeça. 

 

Paulo, na I Carta aos Coríntios 3-10 diz: “Eu como sábio arquiteto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele.”

 

Tudo isto, e muito mais, aprendi lendo o livro de BD, Do Inferno, da autoria de Alan Moore e Eddie Campbell.

 

E ainda há quem tenha a distinta lata de afirmar que a BD é para crianças.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Domingo, 25 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7628 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito (1)
Sábado, 24 de Março de 2018

Na cozinha

JMD_4746 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 23 de Março de 2018

No Porto

São João - Porto - Junho 2016 233 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22 de Março de 2018

Poema Infinito (397): Recolhimento

 

Alguém grita dentro de mim, como se estivesse longe da terra e do céu. Quero chegar primeiro ao teu sonho, ao caminho que é lei, de arma na mão, como quem leva o pão e o vinho. O lume aquece o cantar, as cigarras alumiam os lírios. Uma onda de paz percorre as horas. As noites são agora mais vastas e desertas, nelas nascem flores deslumbradas. Os rouxinóis banham-se no orvalho. Antigamente nasciam peregrinos de contornos perfeitos que acenavam com as mãos em riste. Os seus sorrisos destruíam o silêncio, muitos doiravam a agonia e concentravam em si o dom natural dos mistérios. Cegavam a dor e cobriam o tempo com golpes de amor. Os sonhos germinavam na bruma e chegavam à terra a palpitar debilmente. Erguiam-se então as quimeras, construíam-se casas como formas de expressão. A luz é agora nossa, carregada de matéria astral. As montanhas continuam enormes e paradas, apenas os penedos estão mais dobrados. Os pastores continuam serenos, caminham afastando as horas, guardando os seus rebanhos. Parecem santos antigos pregando poemas líricos onde se fala de perdão. A traição continua a ser um gume.  Os nossos passos pisam a dor. A vida está carregada de uma ternura trágica. Os falsos profetas continuam a gastar o tempo. Outro é agora o destino das coisas e dos seres. Os anjos já não vencem as palavras, limitam-se a aquecer-se dentro das suas gastas armaduras de guerra. O sentido de tudo é mudo como o fundo das noites. A luz vai-se despindo do seu véu. Os olhos cansados dos velhos acendem a dor dos campos bravios, as suas bocas estão esgotadas de chamar. As suas mãos apontam para os caminhos que já não passam por ali. O vento da vida faz estremecer os cedros. Já ninguém pede horizontes. Quando cai a tarde, o cheiro das cores fica mais intenso. Passaram muitos anos e muitas dores. Outras se lhe seguirão. Os brinquedos já deixaram de ser desejo há que tempos. As quimeras tornaram-se mentirosas. As promessas deixaram de chamar por nós. Só a neve nos procura de vez em quando e nós sorrimos deixando-nos doirar pela solidão e pelas labaredas da fogueira. Abrem-se os sonhos como ninhos abandonados. Desce de novo o sol. Os versos espreitam a medo pela janela vestidos de melancolia. O vento lamenta o silêncio do sino da aldeia. Os dias são atravessados por segredos frios. Alguém chora no caminho bebendo a amargura das rosas. O granito negro vigia a praça. A fraga velha ainda se lembra da dor dos almocreves. Desenha-se na sombra o pressentimento da solidão. O lençol de linho já se esqueceu do pudor com que embrulhava os amantes. Certas são agora as horas na tua mão. As recordações perderam a certeza como os lírios perdem a cor. Existe uma nova firmeza nas raízes das árvores da quinta. Os frutos são mais cósmicos, os sonhos são mais densos. Caem a prumo do céu anjos azuis, aligeirados pelo tormento. As aves acompanham  a dor. Alguém canta versos agudos. Nascem agora as sementes que o vento espalhou. A amargura reflete-se na água do rio. Águias reais voam nas alturas. Os trigais acenam ao longe. Os velhos comem a sua própria solidão e destroem as horas uma a uma. Eu recolho as palavras que nascem nos caminhos velhos como flores esquecidas. Perdeu-se tudo, até a alegria da fecundação.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 21 de Março de 2018

Na aldeia

Santo Ovaia, etc 059 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20 de Março de 2018

Em Lisboa

Lisboa - Rua Presidente Arriaga - Vasco 094 - Cóp

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 19 de Março de 2018

384 - Pérolas e diamantes: O julgamento do regime

 

 

Preparava-me para ler o último romance de Jonathan Franzen, Purity, quando me deparei, na nona página, com a seguinte citação, presumo que em alemão: “...Die stets das Böse will und stets das Gute schafft.” Descobri que pertence a Johann Wolfgang von Goethe: Faust: Eine Tragödie - Kapitel 6. Como estava de mau humor, resolvi atacar, de olhos fechados, o segundo livro do merouço que se encontrava estacionado na minha mesinha de cabeceira. Calhou a sorte ao Caso Sócrates – o julgamento do regime (de Felícia Cabrita e Joaquim Vieira). Pensei cá para mim: “Ó rapaz porque é que não dormes em vez de te consumires com coisas destas?” De facto, passo o meu tempo a “perder tempo com coisas destas”. Manias.

 

No início, o caso José Sócrates podia resumir-se em escassas palavras: “apurar as razões que levaram o ex-primeiro-ministro a dispor do usufruto exclusivo e ilimitado de contas bancárias tituladas por um amigo no valor de dezenas de milhões de euros”.

 

Essa verba não correspondia a quaisquer rendimentos legais que o antigo líder do PS pudesse ter auferido no desempenho da sua carreira profissional ou política. Daí surgiu o interesse das autoridades fiscais e judiciárias em investigar a origem da fortuna e os circuitos por que passou até poder ser utilizada pelo seu beneficiário, nomeadamente férias de luxo, em mulheres suas dependentes, em operações imobiliárias, em roupas caríssimas, em obras de arte de grande valor, e até na compra do máximo de exemplares de um livro com a sua assinatura para o fazer chegar ao top de vendas.

 

A sua detenção, a 21 de novembro de 2014, constitui um facto histórico sem precedentes em Portugal e definiu a dimensão de um escândalo de proporções gigantescas.

 

Não estava em causa unicamente a possível prevaricação de um agente político, mas antes a insinuação de enriquecimento ilícito de um dos mais destacados titulares de um órgão de soberania.

 

Como se isso ainda fosse pouco, a investigação judicial veio a estabelecer suspeitas sobre a origem e a distribuição de comissões alegadamente ilícitas que envolveram o maior banqueiro nacional, Ricardo Salgado, Armando Vara, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.

 

Subitamente, os portugueses descobriram uma perversa aliança entre figuras de topo do poder político, do poder financeiro e do poder económico, pondo a nu a fragilidade das instituições democráticas.

 

Estamos ainda longe de poder avaliar toda a extensão dos danos provocados por este caso.

 

Foi com base em fontes conhecedoras dos autos, idóneas e fidedignas, que os autores do Caso Sócrates basearam a narrativa dos factos associados ao lançamento e à execução da “Operação Marquês”.

 

Nas suas páginas não se questiona a legitimidade da atuação dos agentes judiciais – querela suscitada sobretudo pela defesa de Sócrates.

 

Os autores explicam: “Dado que a esmagadora maioria das decisões dos investigadores foram reiteradamente validadas por instâncias judiciais superiores, em resposta a sucessivos recursos interpostos pelos advogados do ex-secretário-geral do PS, admitimos não estar em causa qualquer procedimento irregular, muito menos ilegal, na forma como os autos foram sendo elaborados e o processo constituído.”

 

O essencial tem a ver com a forma como um destacado agente político conseguiu viver muito acima das suas possibilidades. O livro apresenta os dados. “Os leitores julgarão.”

 

Além de pedir a condenação de todos os implicados, o MP exige ainda que alguns deles paguem ao Estado o que deverão em impostos não cobrados devido ao conjunto de manobras de fuga ao fisco e branqueamento de capitais.

 

Os inspetores tributários calcularam que José Sócrates, à data de 31 de julho de 2017, teria a obrigação de pagar às finanças públicas, em IRS e juros compensatórios, a quantia de 24 331 886 euros sobre as comissões ilícitas que os investigadores garantem ter recebido.

 

A tese do livro é a de que a Operação Marquês é um processo maior do que o país, e que Portugal vai ter dificuldade em o digerir e, sobretudo, em julgar. “Mas, independentemente do seu desfecho, é possível já perceber, pela matéria conhecida e comprovada, como um grupo de indivíduos se apropriou dos mecanismos de poder, decisão e influência ao mais alto nível para os pôr a funcionar, não a favor do interesse coletivo, mas sim do seu próprio interesse individual, não hesitando para isso em ignorar éticas e procedimentos legais.”


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Domingo, 18 de Março de 2018

No museu

DSCF0511 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sábado, 17 de Março de 2018

No museu

DSCF0474 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 16 de Março de 2018

No museu

DSCF0485 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 15 de Março de 2018

Poema Infinito (396): O medo

 

 

A minha avó deu-me uma chave para abrir uma porta que não existe e depois declarou que queria morrer junto ao rio, no sítio onde cresce muita erva e algumas flores silvestres, no ponto central da curva onde o salgueiro mais baixo dá sombra. Depois gemeu baixinho como se estivesse a ficar incoerente. Já antes tinha falado em febre, em jejum, em gula e em cavalos pretos que fugiam a galope enquanto os homens se encostavam às paredes nuas da igreja como se estivessem sozinhos no escuro. Nem sequer conseguiam chorar, disse como quem treme de espanto. Disse-me também para nunca fazer versos sobre eventualidades. A criação e a morte desaparecem dentro dos poemas. O Sol parece estático e a sua luz não aquece nem alumia. Oiço agora o rumor das máquinas, a afinidade do gozo e do sofrimento, os sentimentos mais indiferentes, a prevalência dos equívocos, o segredo das casas, a passagem da música, o rumor do mar junto à linha de espuma. Chove na noite, na fadiga e na esperança. Não vale a pena perder tempo a mentir, a dramatizar, a invocar o aborrecimento. A infância já está sepultada e as memórias oscilam entre os espelhos e a dissipação. Penetro surdamente no reino das palavras, no desespero dos dicionários, na superfície intacta dos poemas. Sei do poder do silêncio e da forma definitiva do espaço. As respostas são neutras. A minha avó pergunta: trouxeste a chave?  Gosto da sua voz situada entre a melodia e o conceito. As minhas palavras refugiam-se na noite, impregnadas de sono. Por vezes transformam-se em desprezo, ou escondem-se entre as flores e a náusea. Por vezes os meus olhos ficam parados e sujos como o relógio da torre da minha aldeia. O tempo completa sempre a sua missão. Sem ênfase, até as coisas mais precisas e belas ficam tristes. Cai o tédio sobre a cidade. Os poemas são agora como alucinações, as palavras como cifras e os sentimentos como códigos de barras. Todos os dias os homens voltam para casa menos livres, soletrando o mundo, envoltos em melancolia, em desespero. Ficam ferozes como os pedreiros do mal. Querem pôr fogo em tudo, inclusive neles próprios. Pensam que o ódio os pode salvar. Essa é a sua esperança mínima. Uma flor nasceu na rua, no sítio onde param os autocarros, iludindo os polícias e o asfalto, paralisando os homens de negócios. Ninguém percebe a sua cor nem o facto de as suas pétalas não se abrirem. As pessoas passam ao seu lado de forma insegura. Nas montanhas ao redor avolumam-se nuvens maciças e lentas. Nas aldeias vizinhas, as galinhas ficam em pânico. Todos sentem que o seu destino está incompleto. O medo espalha-se como uma verdade inconveniente. Nascemos com o medo. Fomos educados com o medo. Cheirámos as flores a medo. Amámos a medo. Vestimos o medo. Até nos refugiámos no amor, a medo. Vestiram-nos as asas da prudência e disseram-nos que éramos anjos, mas que devíamos, acima de tudo, ter medo de Deus, da sua ira, do seu olhar omnipresente. Agora temos medo da poluição, do abandono, da solidão. Entoamos canções medrosas como se fossem láudano para a alma. O medo agora é calma e estátuas sábias e estrelas cadentes e olhos acesos na noite. Todos dançamos a valsa do medo. Todos nascemos a medo, no escuro. Todos morremos da mesma forma. A claridade é uma espécie de susto na noite.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 14 de Março de 2018

No museu

DSCF0467 - Cópia (3).jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 13 de Março de 2018

No museu

DSCF0461 - Cópia - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 12 de Março de 2018

383 - Pérolas e diamantes: Custa perceber... lá isso custa

 

 

Portugal é cada vez mais um país de pasmados à beira da televisão plantados. Um estudo recente concluiu que mais de 40% dos portugueses passam o seu tempo livre a ver televisão. Esse é, como todos sabemos, o primeiro passo para o desenvolvimento de várias doenças, tais como a hipertensão, a obesidade, o sedentarismo... e a imbecilidade.

 

Pouco interessa que os mecanismos da democracia representativa estejam em crise, que os extremismos tenham aumentado, que a paz no mundo seja conseguida à base de armas e mais armas, que se continuem a negligenciar as alterações climáticas e que as guerras religiosas sejam o pão nosso de cada dia.

 

Custa perceber que os benefícios da globalização e do crescimento sejam cada vez mais desigualmente distribuídos e que o fosso que separa os ricos dos pobres aumente de forma obscena.

 

Continuamos dependentes de uma economia que necessita de se transformar, passando de uma economia de comércio interno a retalho para uma economia de exportações.

 

Nem sequer possuímos uma estratégia nacional de desenvolvimento. Perdemos até os anéis que possuíamos, como a REN, os aeroportos, a TAP, os CTT e, obviamente, a banca.

 

Apesar das novas gerações serem as mais escolarizadas da nossa história, os jovens não conseguem encontrar emprego e os mais talentosos abandonam mesmo o país. Alguns para sempre.

 

A democracia representativa enfrenta uma crise muito séria de credibilidade, daí o afastamento dos cidadãos da política.

 

Os partidos políticos também se ressentem disso, até porque foram os seus principais criadores e, para nossa desilusão, podem transformar-se nos seus algozes. Por essa razão é que os militantes partidários pouco passam dos 200 mil.

 

Parece não haver maneira de melhorar a relação dos partidos com os cidadãos. O ritmo de vida parlamentar continua tão tradicional como o da Idade Média.

 

E, como se isso fosse pouco, o litoral esmaga por completo o interior. De facto, o melhor continua em Lisboa.

 

Necessitamos urgentemente de uma descentralização política que combata as cacicagens e que incentive a perspetiva da responsabilidade quando se trata de gastar o dinheiro que é de todos nós e que, por artes mágicas, vai direitinho para a conta bancária de uns poucos.

 

Está demonstrado que as estradas e as autoestradas, por si só, não chegam para atrair pessoas para o interior. É incompreensível como um país tão estreito e pequeno seja tão pouco solidário.

 

Não é possível continuarmos com esta percentagem de população a viver no limiar da pobreza e dizer que somos um país inclusivo, solidário e europeu.

 

Isto, apesar de possuirmos centenas de comentaristas/especialistas em saúde, incêndios, proteção civil, economia, finanças, justiça.

 

Precisamos de um Estado forte e de uma política enérgica, tão consensual quanto possível.

 

Portugal necessita de uma profundíssima reforma da floresta, o que pressupõe uma reforma do povoamento, da agricultura e da indústria.

 

Não basta às vítimas da tragédia dos incêndios os sorrisos e os abraços do Presidente da República e do Primeiro-Ministro.

 

A ação política necessita de pragmatismo.

 

Urge também gerir as instituições de forma equilibrada. É necessário, mas ninguém vai por aí.

 

 Todas as reivindicações são sempre de mais efetivos, sejam enfermeiros, pessoal auxiliar, professores, médicos ou polícias. Ora isso, todos o sabemos, não é possível.

 

Até as fronteiras políticas, nos últimos anos, ficaram mais diluídas. A esquerda marxista-leninista orientou-se para o centro e ficou conservadora e a direita entrou em pânico, perdendo o norte e o bom senso.

 

Só numa coisa parecem concordar: a de que o mundo já foi bom.

 

É mais fácil achar que tudo vai correr mal do que pensar que o futuro até pode ser muito interessante.

 

A política, mais do que nunca, deve ser orientada para os resultados e não para a vacuidade das ideologias. 

 

Todos esperamos que os políticos nos consigam libertar desta crise permanente e que não vão destruir mais emprego e roubar-nos o futuro.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Domingo, 11 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7219 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sábado, 10 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7211 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 9 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7209 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 8 de Março de 2018

Poema Infinito (395): A dimensão externa dos anjos

 

 

Alguém me grita ordens como se fosse um anjo. Depois aperta-me contra o coração. Continuamos a suportar impassivelmente o desdenho de Deus. A sua beleza é violenta. Os anjos começam a soluçar no escuro. Nem os homens nem os anjos são seres perspicazes. O mundo não consegue explicá-los. Nem Deus. É a fidelidade aos costumes. O vento vem cheio de noites e de espaço. A desilusão parece mais suave. Tem mais a ver connosco, com os corações solitários, com o abraço vácuo dos anjos. Respiramos enquanto as aves alargam os seus voos mais íntimos. As primaveras continuam a necessitá-los. Levantam-se as ondas num vasto mar de sargaços. O passado aproxima-se de nós. A janela está aberta. Tudo é uma missão. Mesmo os violinos estão nus, distraídos, tocando a sua música de expetativa e desilusão. A saudade assalta os amantes. Os sentimentos mais vagos julgam-se imortais. Os heróis ficam inacessíveis aos louvores e às quedas. O seu pretexto é nascer de novo. A natureza está cansada, como se houvesse duas vezes para cumprir o seu desígnio. As dores mais antigas tornaram-se férteis. Escutamos os exemplos do amor através da boca dos santos. Vozes e mais vozes. Orações enormes crescem do chão. O apelo dos anjos é enorme. Por vezes ninguém suporta ouvir a voz irada de Deus, a sua mensagem ininterrupta, a sua forma de silêncio, o rumor da morte dos jovens. O futuro humano é estranho. As mãos são agora infinitamente tímidas. Os nomes dos homens são como brinquedos partidos que ninguém consegue colar. Também os desejos são esquivos. Todos ambicionam sentir um pouco de eternidade, distinguir os erros. Sentimos a dor através de uma vibração estranha. A felicidade é apenas uma espécie de lenda. Deus convoca os anjos e os anjos invocam Deus. Os arcanjos definem a luz das estrelas. Os seus passos são violentos. Tudo começa a ser criado de novo: a articulação da luz, as horas, os cumes aurorais, as cadeias de montes, o pólen da divindade, a essência dos espaços, os sentimentos mais extáticos. A tua face aparece e desaparece nas gotas de orvalho que fortalecem a relva pelas manhãs. Os anjos apreendem a verdade como se fossem máquinas que misturam enganos e desenganos. Os seus rostos são cada vez mais vagos. A noite diz-nos coisas estranhas. Tudo parece ocultar-se atrás da vergonha e da esperança. Olhamos as árvores e as casas como se fossem espaços cósmicos. Os amantes perderam as provas do seu amor. As mãos tomaram conta dos corpos. Desaparece também o sentido das carícias. Sentimos então o susto da saudade. Os gestos mais humanos devem ser feitos com prudência, para Deus não desconfiar. Afinal somos feitos de matéria diferente. As donzelas virgens acalmam a sua solidão. Deus soprou a eternidade no escuro, arredondando as noites. O caos tornou-se ambulante. Desde então os nossos corações estão cheios de refúgios. Imaginamos as torrentes da origem, os sonhos mais febris, a intimidade do crescimento, a origem poderosa dos nascimentos. Os sorrisos e os desejos dissolvem-se em água. Sentimos crescer dentro de nós a inumerável fermentação do futuro. Por vezes a noite adquire um peso insustentável.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 7 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7197 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 6 de Março de 2018

Na aldeia

DSCF7180 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 5 de Março de 2018

382 - Pérolas e Diamantes: O prego e o parafuso

 

 

Inspirado nas palavras do músico de jazz Duke Ellington, posso dizer que só existem dois tipos de literatura: a boa literatura e a outra. O Vendido, romance de Paul Beatty, pertence, indiscutivelmente, à primeira.

 

Também eu já estou cansado, porque, tal como a Marpessa, chega de ver as mulheres negras a serem invariavelmente descritas conforme o tom de pele. “Não sei quê cor de mel! Não sei quê mais chocolate negro!” A sua avó paterna era cor de mocca, café com leite, castanho bolacha torrada.

 

A namorada do Me pergunta-se, e com razão, porque é que nunca descrevem as personagens brancas comparando-as com a comida e bebidas quentes? Porque carga de água é que não existem “protagonistas da cor do iogurte, branco casca de ovo, pele cor de queijo magro, branco leite magro, nestes livros racistas sem terceiro ato? É por isso que a literatura negra é uma merda”. Afinal, as pessoas brancas também têm cor de pele. Já pensaram nisso?

 

Kalaf  Epalanga, no seu livro Também os Brancos Sabem Dançar, deixa alguém desabafar: “Nós, angolanos, somos bons de discussão, pobres de argumentação e teimosos em mudar de ideias, porque não nos ensinaram a viver com a mudança, nunca somos chamados a opinar em concordância ou discordância com coisíssima nenhuma.”

 

O pai da sua esposa por conveniência, afirma, a dado momento, que chegou a acreditar em José Eduardo dos Santos, a quem apenas os inimigos lhe são leais. Ele sabe que os amigos são falíveis, mas os inimigos não. Dificilmente um inimigo trai a nossa confiança, pois se o fizesse estaria a contrariar a sua própria natureza. E olhem que sei daquilo que vos falo, por experiência própria.

 

Agora também eu brindo ao mau gosto, pois sei que os foleiros também têm coração. Todos nós sabemos que o que hoje é desdenhado e ridicularizado, que é foleiro, amanhã será moda. O povo tem destas manias. E não se lhe pode levar a mal.

 

Alguns dizem que tudo isso é kitsch, utilizando essa forma snob de dizer foleiro. Até a quizomba é foleira, bem assim como muitas outras coisas: o kuduro, o fado e o vira do Minho. O amor, por exemplo, também é foleiro. Quando o verbalizamos, por mais voltas que se lhe dê, soa sempre kitsch.

 

O meu pai, que era GNR, dizia que a arma mais poderosa que se pode carregar é a inteligência.

 

Segundo uma interessante metáfora que li no livro do músico e escritor angolano, membro da banda Buraka Som Sistema, “à distância, um parafuso e um prego parecem iguais, a diferença é que um precisa de uma chave de fendas e o outro de um martelo”.

 

Há quem acredite em Deus e no Diabo. Eu, pelo lado que me toca, não sei se Deus é para levar a sério, mas sobre o Mafarrico penso como Charles Baudelaire: “O maior truque que o Diabo já criou foi convencer o homem de que ele não existe”. Para quem é famoso, a lei será sempre condescendente. É mais importante ter uma boa marca do que bom material. Vivemos na era dos assessores.

 

Basta olhar para o estado das coisas que nos rodeiam para a inquietação tomar conta do nosso quotidiano. Já ninguém acredita que a paz no mundo se pode alcançar com poemas, sátiras, orações ou mesmo com granadas. A uns cega-os o fundamentalismo. Os outros usam uma venda de ceticismo que não lhes permite ver um boi à sua frente.

 

Sou capaz de perdoar, mas nunca de esquecer. Outros são capazes de esquecer, mas não de perdoar. Mas os verdadeiros bandalhos não são capazes nem de uma coisa nem de outra.

 

Esses são abstratos e cruéis. Não, não são brutais. São cruéis. Não conseguem ter um contacto íntimo com as pessoas e muito menos com a verdade. 

 

Pode-se levar um cavalo até à água, mas não se pode obrigá-lo a beber.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Domingo, 4 de Março de 2018

Festa dos Povos - Chaves

DSCF0713 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sábado, 3 de Março de 2018

Festa dos Povos - Chaves

DSCF0553 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 2 de Março de 2018

Festa dos Povos - Chaves

DSCF0691 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 13 seguidores

.pesquisar

 

.Julho 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9


23
24
25
26
27
28

29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Olhares

. No lagar

. Olhares

. Poema Infinito (414): A ...

. Delicadeza

. Sorriso

. 401 - Pérolas e Diamantes...

. Músicos

. Sorrisos

. Fumeiro

. Poema Infinito (413): A ...

. À espera

. Sorriso

. 400 - Pérolas e Diamantes...

. Na aldeia

. Na aldeia

. Na aldeia

. Poema Infinito (412): O ...

. Na aldeia

. Na aldeia

. 399 - Pérolas e Diamantes...

. No jardim

. Na aldeia

. Na aldeia

. Poema Infinito (411): Os ...

. Nas batatas

. Na aldeia

. 398 - Pérolas e Diamantes...

. Na aldeia

. Na aldeia

. No museu

. Poema Infinito (410): Ind...

. Na aldeia

. na aldeia

. 397 - Pérolas e Diamantes...

. Berto e amigos em Covas d...

. Pai e filho no Barroso

. Eu e o Berto ao espelho

. Poema Infinito (409): Exp...

. Na aldeia

. Autorretrato a P&B

. 396 - Pérolas e Diamantes...

. ST

. Olhares

. Croché

. Poema Infinito (408): O p...

. Sorriso

. A roca e o fuso

. 395 - Pérolas e Diamantes...

. Expressões

.arquivos

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.favoritos

. Poema Infinito (404): Cri...

.Visitas

.A Li(n)gar