Segunda-feira, 30 de Abril de 2018

390 - Pérolas e Diamantes: A verdade intermitente e a mentira profunda

 

 

 

O amargurado, bilioso e sempre crítico empresário do setor farmacêutico, Pedro Ferraz da Costa, antigo líder da CIP, deu uma entrevista ao jornal I para falar mal do nosso país, dos nossos governantes e, sobretudo, dos nossos trabalhadores.

 

Enquanto lia a entrevista, não sei bem por que razão, veio-me à ideia a célebre quadra do poeta popular António Aleixo: Para a mentira ser segura / E atingir profundidade / Tem de trazer à mistura / Qualquer coisa de verdade.

 

Como a economia, contra todas as suas previsões, está a crescer 2,7 % ao ano, Ferraz da Costa considera que poderíamos estar a crescer acima dos 4%, se quiséssemos. Na sua perspetiva não crescemos “porque os objetivos governamentais são esses”, não crescer. Além disso, este doutorado em reacionarismo empresarial considera que “Portugal nunca teve o crescimento económico como o seu principal objetivo”.

 

Depois enunciou algumas evidências, a tal verdade intermitente: A necessidade de criação de possibilidades e de crescimento profissional para os mais jovens, até porque “hoje vive-se mais anos e qualquer dia trabalha-se até aos 80 anos”. As empresas, talvez as suas, não sabemos, “são quase lares de terceira idade”. Será que a CIP e os seus empresários não terão a maior parte da culpa?

 

Uma das causas, como não podia deixar de ser, está relacionada com a carga fiscal. E deu um exemplo: “Nos Estados Unidos, uma empresa que investe não paga praticamente impostos.” Ora pois, aqui está o busílis da questão: as empresas pagarem impostos.

 

Apesar da ainda grande percentagem de desempregados, Ferraz da Costa considera que não há falta de mão de obra em muitos setores, há bastante tempo. Será que vivemos no mesmo país?

 

Logo após proferir o dislate, passou à verborreia: “Qualquer empresa que queira contratar pessoas não consegue. E essa dificuldade é sentida tanto na agricultura, como no turismo, indústria e serviços. É por toda a parte. Nós temos aqui algumas áreas na nossa atividade (farmacêutica) onde não crescemos mais porque não encontramos pessoas.”

 

Até aqui ainda vá que não vá, mas o remate é que é surpreendente. Pergunta: “Mas porque não têm qualificação necessária?” Resposta: “Porque não querem trabalhar.”

 

Questionam-no então sobre se será necessário fazer uma reforma profunda, nomeadamente no ensino? Ele responde: “Mas o país não faz isso nem coisa nenhuma. Por falta de estratégia e também porque ninguém quer chatear ninguém.”

 

A resposta paradigmática sobre o seu pensamento resultou da pergunta sobre a grande precaridade que existe no emprego em Portugal. Na sua inspirada perspetiva, “se não houver muita procura, a precaridade não conta porque as pessoas saem de um sítio e vão para outro. Além disso, é uma questão que não preocupa as novas gerações. Eles não querem um emprego para a vida”.

 

Não sabemos o que é que o leva a ser tão perentório na sua resposta. Quem é que não aspira a ter um emprego fixo e permanente?

 

Claro, depois socorre-se da caricatura para desancar a formação de adultos. “Tenho uma atividade agrícola até com alguma dimensão e tive dois tratoristas que foram por obrigação tirar um curso. Quando lhes perguntei como correu, responderam que tinha corrido bem e que nem sequer tiveram tratores durante a formação. Foi tudo dado na sala de aula.”

 

O perigoso e insultante não está verdadeiramente nas suas palavras, mas sim na ideologia que se esconde por detrás delas. Nada no seu pensamento é inocente. Nada.

 

Ora reparem: “Nos EUA, apesar do folclore em torno de Donald Trump, a economia está ótima.” Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

 

Além disso, é contra o aumento do salário mínimo. E por duas razões: A diferenciação salarial, na sua opinião, tem “um efeito de estímulo à qualificação profissional das pessoas”.  E também porque quando “começamos a ter o salário mínimo muito perto do salário médio reduz-se fortemente esse estímulo para os que já estão empregados como também para os que vão entrar em idade ativa”. 

 

Se calhar, senhor Ferraz, o problema não está no salário mínimo, que é muito pequeno. Está, sobretudo, no salário médio que é miserável para um país que se afirma europeu.

 

Lá para o fim fez o que tanto gosta, deu umas caneladas valentes nas tíbias dos sindicatos, sobretudo na CGTP.

 

“Os sindicatos atuam muito por chantagem: ou fazem as coisas como nós queremos ou então fazemos greve.”

 

Traz também a geringonça atravessada na garganta, pois admite que “foi mau para o país encontrar uma solução política deste género”. Mas, como uma vidente vingativa, profetiza que “o governo não vai conseguir terminar o mandato e será obrigado a convocar eleições antecipadas.”


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Domingo, 29 de Abril de 2018

Cavalos e cavaleiros

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Sábado, 28 de Abril de 2018

Cavalos e cavaleiros

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018

Ponte Romana

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Quinta-feira, 26 de Abril de 2018

Poema Infinito (402): A louca memória das fotografias

 

 

A escuridão tornou-se claridade. O lume encontra-se dentro dos limites da sua iridescência. Escrevo o mundo a partir das trevas. Vamos ter de escolher a melhor maneira de ardermos. As sílabas mais sujas foram já incineradas. A tristeza das árvores é agora mais evidente. Quando me levantei, as janelas já estavam abertas e a luz começava a espalhar-se por toda a casa, cobrindo os objetos e o mobiliário, devolvendo-lhes as formas, os pesos e respetivas volumetrias. Acordou tudo aquilo que era quotidiano. Até as petúnias murchas vibraram nas jarras. A sala agitou-se. A cidade entrou de repente pela porta dentro. Permaneço na penumbra do sono. Ainda não saí de casa e já estou irremediavelmente longe de ti. Até os suspiros estão deslocados. O mundo parece despedaçar-se. Os delírios estão repletos de penumbras e incertezas. Agarro-me então à memória que é outra forma de asfixia. A noite costuma colar-se aos gestos. Pesa-me agora mais a luz do dia. O pior de tudo é a falta de tempo. As ilhas desprenderam-se definitivamente do mar. Desço as mãos à procura do teu sexo. Os nossos corpos continuam a ser coerentes. A sua luz ainda é reconhecível. Tenho sede de ti, desse tipo de sede que nunca encontra a sua água. A dúvida é outra forma de esperança. A vida encheu-nos de afazeres mesquinhos. A desilusão assemelha-se ao infindável tricot da minha mãe. O vento arrastará a primavera para outro sítio, longe deste silêncio. Talvez a casa passe a amanhecer de outra maneira. Impregnaram-me de culpa. Sinto a velocidade do tempo. Os barcos afastam-se silenciosos como chegaram. Os sonhos são mais indecisos. Este mar não se consegue localizar nos mapas. Começo a ter visões, a aperceber-me das pequenas formas flutuantes, da geometria abaulada dos dedos, da incandescência do desejo, da inquietação da indiferença, das cicatrizes provocadas pelas lágrimas. Os lábios dos deuses murmuram presságios. Os sonhos são fotografias que deixaram de nos olhar. Habitam-me novas sombras, um tempo mais remoto, uma nova linguagem desconhecida. Turva-se-me a memória de tudo. Não quero corrigir o passado. Tenho a tua voz exatamente gravada na minha memória e não a consigo perceber. Já não reconheço a maioria das paisagens, apenas os intervalos da erva fresca. É quotidiana a morte de Deus. É infinita. As vozes deslocam-se pelas paredes, os corpos tremem e cintilam. A cidade silencia as suas ruínas. Por vezes conseguimos alcançar alguns sorrisos. Temos a idade do momento em que nos conhecemos. Dormimos dentro das fotografias antigas, para sentir a sua solidão, os seus murmúrios, para desvendar a cumplicidade dos olhares cruzados, a recordação do calor e do desejo que crescia dentro dos corpos. Houve tempos em que passeámos pela cidade como se fossemos imagens azuis. Lembro-me que as tuas mãos flutuavam diante de mim como se fosses um anjo do prazer e da demora. O pavor da saudade é igual à noite, falta-lhe a mesma coragem. Temos ainda a memória dos dias difíceis, da violência das noites, dos sonhos não sonhados, das vozes traduzidas em escrita. A solidão da adolescência continua a ser a foz aveludada de um rio sagrado. O tempo amareleceu o rosto e as mãos das fotografias. A cor sépia ficou doce como a tua definição. É inútil falarmos das razões da última viagem. A memória enlouquece até as imagens mais aciduladas.


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

Bailando

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Terça-feira, 24 de Abril de 2018

Passeando

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

389 - Pérolas e Diamantes: Humor e Confrarias

 

 

À boleia do “reaccionário com dois cês” Ricardo Araújo Pereira, aprendi com Milan Kundera o quanto valia o humor na época do terror estalinista. Tinha ele 20 anos.

 

O escritor checoslovaco disse que conseguia sempre identificar as pessoas que não eram estalinistas pelo modo como sorriam. Essas, referia, eram as que ele não precisava de temer. “O sentido de humor era uma maneira fiável de nos reconhecermos.”

 

Desde então, confessa Kundera, sente-se aterrorizado diante de um mundo que tem sucessivamente perdido o sentido de humor.

 

No entanto, em Portugal, os políticos, neste caso, os deputados das ilhas, gostam de nos fazer rir com as suas piadas. Então não é que esses intrépidos representantes do povo ilhéu são reembolsados por viagens que não pagam!

 

Carlos César, esse herói socialista dos arquipélagos, e presidente do PS, é um dos parlamentares a quem a Assembleia da República paga as viagens, mas que depois levanta o subsídio de insularidade.

 

Ou seja, segundo o Expresso, sete deputados pedem de volta ao Estado dinheiro que não gastaram, recorrendo ao subsídio de insularidade para residentes nas ilhas. Cinco são do PS, um é do PSD e outro do BE (este último já renunciou ao mandato por causa da notícia). Ainda há quem tenha vergonha na cara.

 

Dos doze deputados das ilhas, apenas Rubina Bernardo, do PSD, disse não pedir reembolso.

 

Mas o sentido de humor das elites nacionais forjadas na dura luta dos combates políticos não se fica por aqui.

 

Durão Barroso foi o orador convidado na abertura do I World Opera Fórum, em Madrid. Neste encontro reuniram-se 250 especialistas mundiais em ópera.

 

Barroso é, por incrível que pareça, membro do Conselho Internacional do Teatro.

 

Para o consultor do grupo financeiro multinacional sediado em Nova Iorque, Goldman Sachs, a “ópera pode contribuir para a diversidade” e é um símbolo da Europa e da sua história.

 

Durão Barroso é mesmo um patusco com boa voz e um sentido de humor verdadeiramente operático.

 

Incapaz de deixar o seu sentido de humor por mãos alheias, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República e o rei nacional dos afetos, falando numa cerimónia de comemoração da Batalha de La Lys, uma das maiores derrotas militares portuguesas de sempre, disse, aparentemente sem se rir: “Somos fortes no nosso território e fora dele. Somos fortes mesmo nos momentos mais difíceis. Acabamos por vencer sempre.”

 

Tenho de vos confessar uma coisa, para mal dos meus pecados também eu pertenço a uma Confraria. Entrei nela pela mão do Conde Rostov, quando ele ainda habitava no sumptuoso Hotel Metropol. Tinha sido condenado por um tribunal bolchevique a prisão domiciliária, pois era um cavalheiro sem profissão que ocupava o seu tempo com jantares, conversas, leituras e reflexão. O seu principal crime foi o ter escrito um poema que incomodou muito quem mandava. Também ele esgrimia a sua pena. E tinha um sentido de humor muito apurado, coisa que provocava pesadelos nas autoridades policiais soviéticas.

 

Tal como a maçonaria, a Confraria dos Humildes é uma irmandade muito unida, cujos membros se deslocam sem sinais exteriores que os identifiquem. No entanto, reconhecem-se com um olhar.

 

Claro que, tal como as outras confrarias e demais organizações similares, também a dos Humildes caiu em desgraça. Apesar de partilharem uma certa perspetiva. Todos os confrades sabemos que a beleza, o poder de influência, a fama e o privilégio nos são emprestados e não concedidos. Por isso não nos deixamos impressionar.

 

Os da Confraria dos Humildes não se deixam apanhar pela rapidez da inveja, nem pela facilidade da ofensa. Nem sequer espiolham os jornais à procura do seu nome. Preservam o empenhamento de viver entre os seus pares, mas acolhem a lisonja com prudência, a ambição com comiseração e a condescendência com um sorriso íntimo.

 

Claro que alguns se queimam como as traças, teimam em aproximar-se demasiado da luz.

 

A República dos Sovietes tinha razão. A arte é o subordinado mais artificial do Estado. Não só é criada por indivíduos caprichosos que se enfadam com a repetição ainda mais depressa do que a receber ordens, mas também é humilhantemente ambígua.

 

De uma coisa eu sei, a Confraria dos Bolcheviques era admiravelmente criativa. Nos primeiros tempos da União Soviética, os bolcheviques depararam-se com a incómoda realidade de terem de tolerar a ideia de cadeiras douradas e cómodas Luís XIV nas mansões das estrelas de cinema ou até nos apartamentos das elites. E como é que isso podia ser feito sem trair a ideologia? Simples. Pregavam no fundo de cada peça de mobiliário de categoria uma placa com um número gravado. Esse número destinava-se a identificar a peça como parte do enorme inventário do Povo. Desta forma, um bom bolchevique podia dormir descansado, sabendo que a cama de mogno em que se deitava não era sua. Ou seja, apesar do seu apartamento estar mobilado com valiosíssimas antiguidades, ele tinha menos posses do que um sem-abrigo.

 

PS – Como barrosão adotivo, foi com um sorriso rasgado no rosto que li a notícia de que a paisagem agrícola do Barroso foi declarada património mundial. Os autarcas de Montalegre e Boticas receberam em Roma o certificado de reconhecimento do sistema agro-silvo-pastoril barrosão como “um sistema importante do património agrícola mundial”, do ponto de vista da diversidade.


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Domingo, 22 de Abril de 2018

Neve

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Sábado, 21 de Abril de 2018

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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Poema Infinito (401): A pureza dos contornos

 

Hoje o dia nasceu vago. Fez-me pensar nos homens que desertam sem saber bem para onde. As pancadas do tempo batem-me forte ao lado do coração. A coragem já não é tão ampla. Sinto agora o lado trágico da nudez. Os pássaros ensinaram-me a ter paciência, a relativizar o orgulho. Os olhares são mais incertos. Apesar disso, o azul é mais nítido. Tudo é agora mais útil. E mais fútil. A angústia é como uma pedra no peito. Houve tempo em que desafiávamos os prestígios e provocávamos os prodígios. O tempo era então mais neutro. Imitávamos o desejo. Desenhávamos o pólen e as flores maltratadas. E Deus como se fosse um menino às riscas. Víamos a bondade através da luz dos vidros. Rasgávamos os erros e as incertezas. Os contornos eram puros. A avó dava vinho e brasas ao avô nos dias mais frios. As montanhas cresciam como vulcões. No inverno, o pão era mais nosso. As saudades continuam a arder mal. O frio é mais lento. Já ninguém marca o seu rasto na neve. O esquecimento é mais do que certo. As silvas tomaram conta dos jardins. Os remorsos parecem uvas verdes. A casa já não cheira a quente. Tudo agora é fosco. Tudo agora engorda, até a paciência. As dores parecem vergastadas. Agora já tolero as rosas e a palavra amor. A geometria da morte é vertical. Sinto por vezes a ternura a atravessar o meu corpo. A lucidez toma conta do meu olhar. Observo no orvalho e luz do meu destino. Os caminhos perecem falsos e velhos. Nas cadeiras da sala senta-se agora o destino como se fosse uma velha senhor inglesa que só sabe tomar chá, expondo os seus modos finos. Insinua-se a tarde. As palavras que escutamos são corretas, possuem a insinuação da harmonia. Chove agora muito mais dentro dos livros. A saudade parece um rio pálido. As pessoas fazem um grande esforço para deter o vento. A terra está mais desesperada e a culpa mais atenta. Ainda se lavram as terras para aprofundarem os dias. O silêncio amadurece nas árvores como os frutos. Alguém semeia mistérios em vasos. Dizem que os segredos são agora mais equilibrados. As distrações são mais demoradas. O tempo enche-se de trepadeiras. Alguém se esqueceu de uma princesinha na floresta. E ali ficou até se esgotarem as noites. Os mistérios brilham menos. As andorinhas trazem agora vértices nos bicos. As sombras levam mais longe as suas linhas. O tempo entra em nós pelo lado dos espelhos. Desocupo a memória para não morrer de saudade. A maior parte das horas do dia estão encerradas no relógio de parede. Semear estrelas é agora mais doloroso. Molda-se a esperança como se fosse granito. A tristeza possui um aroma pesado. A bondade germina dentro das pessoas caladas. Sentimos que os caminhos ficaram mais leves, parecem talhados pelas tardes de outono. A aldeia ficou mais exata. Os cães voltam a casa dos donos. O sol fechou o dia. A voz da noite ergue-se nos ermos. Os nossos amigos partiram. Está na hora de arrumarmos as cadeiras. A noite começa a esculpir a extensão do sono. Os campos dão certeza à solidão. O dia bebeu-nos como se fossemos um vinho sossegado.


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Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

Neve

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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018

388 - Pérolas e diamantes: A culpa e o medo

 

Ainda não sei se foi bom ou mau, ou ambas as coisas em conjunto, mas estarmos várias décadas na dependência de Espanha afetou-nos a autoestima.

 

Perdemos a independência para Espanha e, mais tarde, transformámo-nos numa espécie de protetorado inglês. Como diz Mário Cláudio, depois transfiguramo-nos num “território sangrado pela emigração”.

 

“Portugal tem sido um país em permanente despedida. Tivemos sempre relações complexas num império em que nos revemos sempre muito mal. As colónias de África foram votadas ao abandono durante séculos. Depois fizemos uma guerra, que foi a última guerra colonial, para não as perdermos.”

 

Mesmo sendo um país pequeno, ainda hoje não sabemos muito bem quem somos. O Norte aponta para a Europa. Já o Sul, que é cada vez mais mediterrâneo, aponta claramente para o Norte de África.

 

Somos uma encruzilhada de muitos valores, uma mistura grossa entre a forte tradição judaico-cristã e o caráter celta que nos transforma em irmãos mais próximos dos galegos do que dos alentejanos. E isso provoca problemas e cisões.

 

É evidente a existência de duas regiões distintas, uma a norte do Mondego e outra a sul. Concordo com o escritor nortenho quando diz que há “uma vocação autonomista, pelo menos em termos sentimentais, muito maior a norte do que a sul”.

 

De facto, ainda pouco mudou desde os tempos de António Nobre, que definia Lisboa como a secretaria do país. Ainda continuamos a ir lá baixo para resolver os problemas. Nós queixamo-nos. Já os alentejanos e algarvios são muito mais apáticos. Ou tolerantes, se preferirem.

 

A tensão mais evidente existe na área desportiva, mas também é evidente na área cultural. O Norte e o Sul lutam diariamente pelo protagonismo.

 

Diz-se, e com alguma razão, que a qualidade de vida a norte é superior à de Lisboa, pois, para o bem e para o mal, a capital “é uma declinação da América Latina e do terceiro mundo”. 

 

No entanto, a expressão “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, já não traduz a verdade. Ou talvez nunca a ela tenha correspondido. A concentração de riqueza, por exemplo, é muito maior a norte do que a sul. Os detentores do capital estiveram quase sempre mais a norte. Basta lembrar os Belmiros, os Amorins e respetivas famílias.

 

Ainda não estamos preparados para a independência, ou talvez nunca o estaremos, mas uma regionalização profunda e coerente pode ser a tal alternativa interessante.

 

Temos de lembrar o que aconteceu no século XIX para compreendermos o desenvolvimento do Norte. Foi no Norte onde emergiram as grandes ideias: o liberalismo, a revolução liberal e depois o romantismo. Até o Eça de Queiroz nasceu no Norte. O Camilo Castelo Branco, apesar de ter nascido em Lisboa, viveu quase toda a sua vida no Norte. O Antero de Quental, o António Nobre e até o Oliveira Martins, estiveram sobretudo ligados ao Norte.

 

Mas também todos sabemos que “os corredores de São Bento”, costumam representar um risco de desregionalização, pois quando as pessoas vão para lá com a intenção de defender os interesses da nossa região, passado pouco tempo, costumam perder o norte. São trucidadas pelos jogos do poder.

 

Em Lisboa abundam os rapazes e as raparigas que, apesar da sua avó andar de luto perpétuo ou o seu avô se encostar ao cabo da enxada, regar a horta, ou falar da seca ou da molha, não conhecem uma oliveira, um castanheiro ou um carvalho. Perderem as suas raízes culturais. São versados apenas em centros comerciais.

 

Portugal continua tendencialmente conservador. Sei que há por aí sinais de tolerância em relação à diferença. Eu penso que é mais indiferença. Por exemplo, estou em crer que a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, não aconteceu em Portugal por causa da adesão da população, mas sim porque essa mesma população se está verdadeiramente nas tintas.

 

Há no nosso país um verdadeiro défice cultural. As pessoas preferem não pensar nas coisas. Utilizam o sistema do deixa andar. São capazes de se sentar à mesma mesa, festejar, ser amigos, mas depois fartam-se de cortar na casaca do que está fora.

 

Todos sabemos que a grande percentagem das pessoas que votam o fazem por questões de ordem afetiva ou por puro clubismo e não porque apoiam as ideias do partido a, b ou c. Mas também temos de reconhecer que os nossos políticos fazem todos os possíveis para que as ideias que transmitem sejam tudo menos claras. Ou então fazem promessas quase sempre absurdas ou impossíveis de cumprir. Quando estas estratégias falham socorrem-se então de uma linguagem que ninguém consegue entender.

 

Continua-se a viver, como especifica Mário Cláudio, entre a culpa e o medo, que são, como todos sabemos, dois dos sentimentos mais destrutivos do nosso quotidiano.


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Domingo, 15 de Abril de 2018

No Porto

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Sábado, 14 de Abril de 2018

No Porto

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

No Porto

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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018

Poema Infinito (400): Indeterminações

 

 

Corre pavorosa a água no rio da aldeia. A água mistura a gente e as coisas. Ouve-se o tempo a vir. Escuta-se o tempo a ir. A tarde fica indeterminada. Os velhos continuam a jogar as cartas na mesa da taberna. As crianças brincam com os comboios que encontraram no sótão. E choram com o choro das mães quando bordavam a culpa dos soldados nos panos de linho, quando elas tinham medo das lanças e da culpa e da vergonha e do remorso e das sombras disformes e dos passos que tinham então o tamanho do infinito. Continuamos a fechar os olhos na tentativa vã de encontrar Deus. Alguém arranca os brinquedos das mãos das crianças. Os seus olhos assustados parecem a piedade que dantes sufocava tudo. Custou-nos aprender a ter emoções, a ver as pessoas partirem, a pensar o universo como se fosse uma cela. Uns rezam para partir. Outros fazem-no para ficar. A dúvida e o desespero são idênticos. Todos temos um jardim na infância. Todos o sentimos de forma prolongada como se nos seus bancos se sentasse a tristeza. Escrevo agora poemas em linha reta, cheios de paciência, calados. Todos sofremos a angústia das pequenas coisas. Agora escutamos a voz pecaminosa dos semideuses da vacuidade, o seu perfil erróneo, os seus titubeios, a sua mesquinhez. Prometeram-nos o sossego da noite e o ladrar esparso dos cães. Apenas sentimos ao de leve a pressão da felicidade. O seu murmúrio é monótono. Morde-nos a inquietação. Lembro a fotografia das mãos paradas da minha avó, a crença das mães, a injustiça da maldade, o sol deitado nos campos. Por vezes atingi-nos a vontade de nunca chegar a casa, de nos desviarmos do caminho. O desejo torna-se indefinido, provavelmente lúcido, mas indefinido. Por vezes, o tempo fica consequente. Há ainda a imaginação do amor e do bem. Tudo em intervalos regulares. Até a justificação necessita de ser modificada. Há explicações que não explicam nada. Nem a paciência do universo, nem a presença esquiva da inocência, nem a vida dos nomes, nem a microbiologia das desilusões, nem a minúcia das futilidades. E muito menos a conclusão teórica dos apocalipses. Sobe-nos a febre com os sentimentos. Existe agora uma nova noção das coisas. Uma nova maneira de sentir. Agora o orvalho é mais plácido, a nudez já não possui silêncio e a realidade transmite-se por espasmos. Apesar disso, as máquinas são mais doces e o seu barulho mais imóvel. Agora pressentem-se melhor os momentos e os pensamentos são mais mansos. Pressagiam-se melhor as estruturas e a lucidez tem a forma de um clarão. As indecisões são mais nítidas, as palavras mais incertas, os vícios mais heroicos e os sinais mais cinzentos. No entanto, as armas continuam a deslizar para o aniquilamento. Na hora do crepúsculo, as almas adquirem a estrutura superior do silêncio. Os nossos passos produzem ecos estranhos. As janelas estão mais tristes e a luz parece mais adormecida. Atá as correntes de ar levantam o pó produzido pelos pensamentos. As posições dos corpos são definidoras do seu equilíbrio. No entanto perderam a sua intuição. As árvores continuam a enformar as alamedas, a dar-lhes sombra, a acentuar-lhes a extensão. Também as portas da igreja continuam a ser incoerentes. A sequência dos passos leva-nos agora ao verdadeiro caminho. A borboleta não consegue fugir ao sentido figurado da luz. Junto ao muro, o pedreiro continua a trabalhar, pisando as folhas secas.


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Quarta-feira, 11 de Abril de 2018

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Terça-feira, 10 de Abril de 2018

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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

387 - Pérolas e diamantes: A Anita e a Alice

 

 

 

Ainda hoje me indignam as pessoas que, em defesa de uma ideologia, negam a verdade. Ou a deturpam. Ou a invertem. O que vem a dar no mesmo.

 

Como explicou Orwell, o comunismo foi o grande criador da pós-verdade. Até pessoas como José Saramago e Eduardo Prado Coelho esconderam atrás da palavra revolução a morte de milhões de pessoas às mãos dos algozes comunistas. O ensaísta, e putativo teórico revolucionário Eduardo Prado Coelho, chegou mesmo a utilizar, para esse fim, a expressão “remoção burocrática de populações”.

 

Essa pequena imprecisão marxista-leninista devastou populações, países e até quase continentes inteiros. Houve, é certo, várias revoluções, sobretudo nas palavras. Mas, ao nível dos factos, elas não foram além da superficialidade.

 

Só recentemente se começaram a editar, a ler e a compreender os grandes críticos da desonestidade intelectual que o comunismo foi, como Camus, Popper e, principalmente, Orwell.

 

Sobretudo a literatura dita comprometida e revolucionária caiu no estilo vago e pseudopoético para esconder a forma clássica de violência e de tirania. 

 

No entanto houve intelectuais que tentaram restabelecer, quase sozinhos, a ligação entre a “esquerda” e a liberdade, entre a “esquerda” e um mínimo de flexibilidade e honestidade. Desfazermo-nos da vulgata marxista continua hoje a ser o cabo dos trabalhos.

 

Mesmo pessoas como Marcelo Rebelo de Sousa, que logo depois do 25 de Abril, utilizou, nos seus escritos, uma linguagem totalmente marxista. A sua capacidade de ser camaleão originou o atual campeão dos afetos.

 

Sophia de Mello Breyner, pelo contrário, teve a coragem de acusar o PCP de criar “o fascismo do antifascismo”, através do cerco mental que, nos tempos do fascismo e mesmo no período revolucionário, destruía qualquer tipo de honestidade intelectual, sobretudo na apreciação das obras de Agustina Bessa-Luís, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Natália Correia e Ruben A., autores que foram gozados, diabolizados ou silenciados pelo “meio” literário, controlado pelo partido de Álvaro Cunhal (Manuel Tiago), que também gostava de meter as mãos na massa para atacar os escritores lacaios da burguesia.

 

Houve também alguns diletantes que fizeram questão de, perante situação tão caricata, desculpar-se argumentando que o seu compromisso com o país era mais estético do que ético ou cívico. Ou seja, o seu compromisso com a defesa da liberdade não passava de uma espécie de verniz diluído em acetona. Eram pessoas que suportavam a realidade muito a custo. Definiam-se, entre cigarrilhas cubanas e uísque velho, como irrealistas.

 

Cristalizou-se então o conceito, que de certa forma ainda hoje vinga, de que a palavra “direita” significa centralismo estatal e liberdade individual e que “esquerda” só pode ser sinónimo de liberdade coletiva e descentralização. Ou seja, uma espécie de salazarismo invertido.

 

A esquerda democrática veio então a jogo, pela voz de Mário Soares, defender um estado descentralizado que não tratasse os portugueses como crianças e servido por funcionários contratados pela competência e não pela fidelidade canina ao chefe do partido.

 

Mas construir um mundo novo em cima das ruínas do antigo traz problemas insanáveis. Foram os partidos do sistema que trataram de destruir os valores por eles propalados enfiando legiões de oportunistas do aparelho partidário nas instituições dirigentes do Estado.

 

Se a “direita” em Portugal continua intolerante, conservadora, subdesenvolvida, provinciana e tacanha; a “esquerda” é inflexível, tem má-fé, insultando invariavelmente os adversários, ou dando-lhes sermões. Continua a rejeitar compreender e argumentar.

 

A “direita” será a Anita e a “esquerda” a Alice no País das Maravilhas.

 

A “direita” continua a rever-se no cavaquismo, na defesa da política através da tecnocracia, aceitando de mão dada uma espécie de menoridade moral e intelectual, interiorizando o complexo de que a “esquerda” tem ideias enquanto a “direita” só sabe fazer contas.

 

António Araújo defende que a grande clivagem da sociedade portuguesa não é ideológica ou religiosa, mas sim social. A clivagem não é entre “direita” ou “esquerda”, crentes e não crentes, é entre pessoas que alegadamente têm pedigree e as pessoas que alegadamente não possuem esse pedigree. Elites versus nativos.

 

O estatuto numa sociedade democrática é conquistado, não herdado. Portugal já não é uma choldra imutável e irreformável, como pensava Eça de Queirós. Em todos os indicadores mensuráveis, a vida política, social, económica, cultural e educativa dos portugueses melhorou consideravelmente. E isto, quer queiramos, quer não, é obra de todos.


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Domingo, 8 de Abril de 2018

Na aldeia

barroso - volta por SAlto 128 - cópia copy - co

 


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Sábado, 7 de Abril de 2018

Árvore na neve

DSCF2789 - cópia copy - cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 6 de Abril de 2018

Neve no jardim

DSCF2386 - cópia copy - cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 5 de Abril de 2018

Poema Infinito (399): A coloração das ruínas

 

 

 

Possui o teu silêncio uma geometria fixa em forma de hexágono, uma espécie de música esférica que define os diversos pontos cardeais que não deixam de rodar e de se fundir. Esse silêncio fecha os nossos lábios. No meio da água quente do vulcão, Deus enreda os seus pés como se fossem cobras. Os seus sentimentos transformaram-se em cinza. O seu destino é agora um enorme vazio. A luz entra em erupção. Abro a janela aos desejos do sol. Os seus olhos metamorfosearam-se em anémonas. Sinto a falta do teu amor. A exaustão do tempo é uma nova forma de loucura. Os dedos ferem as raízes da alma. Os animais insones afastam-se do crepúsculo. O musgo começa a cobrir a floresta. Tudo passa tão rapidamente. Tudo faz parte de uma outra metafísica. Buscamos novos conceitos e novas ideias. Uma vegetação abstrata atravessa a floresta. Os viajantes já não sentem as pedras, nem as folhas, nem a erva que cresce pelos caminhos. Os novos viajantes têm uma imaginação apressada, cheia de aforismos, de reflexões e de matérias estéreis. A luz antiga é agora mais cética. As ruas estão vazias, apenas alguns bêbados, à porta do café, discutem para se manterem acordados. Depois calam-se à espera que as horas avancem. As sombras tomam conta da aldeia. O vento agita os arbustos. A solidão vagueia pelas ruas. Os frades, nas celas, sonham com a eternidade. Outros homens ouvem o vento infinito enquanto as suas mulheres abrem os vestidos como se fossem janelas. O sexo pode ser entediante. Ninguém abre a porta. Os dedos das mulheres hesitam em acender a luz. A obscuridade indica-lhes o caminho. Elas sonham então com danças lentas, queixam-se da solidão. Algumas das palavras soltas entreabrem a porta e fogem para a rua. Tudo se torna indeciso. O desejo provoca dúvidas. As ninfas afirmam-se agnósticas e encharcam-se de limpeza. Corre a água pelo meio das memórias, uma água fria que transforma os cisnes em mulheres expostas. As palavras caem agora como estrelas candentes. Os poemas parecem linhas exatas. Vejo-te através do espelho da memória. O tempo já não nos acrescenta nada. Os nossos olhos mantêm a mesma inquietação. No entanto, os nossos rostos são agora mais abstratos. As portas da manhã começam a abrir-se. O seu desenho perde-se na tradução. Lembro-me bem da tua luminosidade, da luz vagarosa do teu amor, da explosão tátil do teu sexo. Há agora demasiado brilho nos frutos, como se fossem de plástico. Reconheço as estrelas pelos sinais. Lembro-me devagar dos feixes de luz, do mar azul, do reflexo denso da luz inquieta, do big bang, do relento do vale, da cara das estrelas, da vontade incoerente das fotografias, dos vértices do tempo, dos longos círculos do desejo, dos movimentos domésticos da paixão, dos processos de mutação das mulheres, das conversas longas, dos cabelos brancos da tarde, do relento, da exaustão. O tempo é agora a nossa segunda pele. É normal falarmos com os pássaros, cortarmos a escuridão em pedaços, abrirmos brechas no futuro, lembrarmo-nos do cintilar de Paris. Fazes-me recordar a alegria. É de novo o tempo das amendoeiras em flor. As revelações são agora mais lentas. Tentamos vencer o tempo da dor. Muita luz ainda há de vir antes de nos irmos embora. Os exercícios de memória são agora mais longos. Desejo que os detalhes nos sejam concedidos. Um pontinho mínimo nesta vasta arena cósmica continua a brilhar. Da janela do quarto continuo a observar os desenhos coloridos das ruínas de Pompeia.


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Quarta-feira, 4 de Abril de 2018

No Barroso

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 174

 


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Terça-feira, 3 de Abril de 2018

No Barroso

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 149

 


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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018

386 - Pérolas e diamantes: As dificuldades e o desejo

 

 

 

Este mundo pós-moderno não deixa de nos surpreender. Cientistas, talvez fartos de chorarem quando cortam a cebola para o refogado enquanto as suas esposas praticam ioga, criaram  uma espécie de cebola doce, chamada sunion, que se diferencia das outras porque não provoca lágrimas quando é cortada.

 

Na Alemanha, fartos das crianças hiperativas, com transtornos de défice de atenção, cerca de 200 escolas começaram a usar coletes cheios de areia, que podem pesar até 6 kg, para as acalmar e mantê-las sentadas. Os críticos, que os há espalhados por esse mundo fora, dizem que os coletes são uma espécie de camisas de forças.

 

O crítico de TV, Eduardo Cintra Torres, referiu que “as instituições que se arrogam de serem as maiores defensoras das criancinhas (…) estão-se nas tintas há anos para programas que exploram criancinhas em cantorias ou cozinhados e para a presença de criancinhas na publicidade, mas acordaram com a Supernanny como se fosse o terramoto de 1755”.

 

De facto, vivemos numa civilização em que há uma aceleração do tempo. Tudo tem de ser rápido. O problema é que a natureza não funciona assim.

 

O eurodeputado e ex-bastonário dos advogados, António Marinho e Pinto, arguto como é, já se deu conta disso. Diz que somos como os iogurtes, por isso o seu prazo está a chegar ao fim.

 

Já Gustavo Ambrósio, dedicado militante da JS, disse ao Público que “na Juventude Socialista não há uma eleição, há uma sucessão”.

 

Por seu lado, o sociólogo António Barreto, referindo-se aos processos de corrupção, constata que “de recurso em recurso, de adiamento em adiamento, de chicana em chicana, de impossibilidade em provar, de dificuldade em demonstrar, não haverá responsáveis nem culpados”.

 

Talvez por isso se perceba o manifesto da psicóloga e investigadora Ana Alexandra Carvalheira. Sabendo que cabe a cada um o desafio de encontrar o seu bem-estar erótico, deixa a mensagem de que não se renuncie à atividade sexual, por ignorância, falsas crenças ou medo. Do mal, o menos. Na intimidade lá haveremos de encontrar o ponto de equilíbrio. 

 

As sociedades ocidentais estão cada vez mais velhas, mas o desejo não deve morrer na praia, como a esperança perdida em que os criminosos sejam condenados pelos crimes que praticaram.

 

Os temas mais pesquisados nos sites sobre amor e sexo são sobre a sexualidade na idade sénior, o desejo masculino e o orgasmo feminino.

 

As dificuldades com o desejo e a excitação sexual, sobretudo nas mulheres, mas também nos homens e nos jovens, são os problemas que mais preocupam as pessoas que consultam a psicóloga.

 

Na sua opinião, o erotismo é como as impressões digitais, cada um tem o seu. O que é erótico para uns pode ser pornográfico para outros. Além disso, uma intimidade com excessiva proximidade e familiaridade podem perturbar e destruir o erotismo que se encontra ameaçado em várias frentes. É necessário existir espaço para o sentido do eu.

 

A banalização do sexo é uma ameaça ao erotismo. Outra é a falta de tempo e de espaço. O imediatismo e a pequenez do lugar privado podem comprometer o que de melhor existe numa relação sexual. 

 

Não se pode querer tudo ao mesmo tempo. Segurança e aventura, conforto e risco, são coisas contraditórias. O erotismo, defende Ana Alexandra Carvalheira, exige a conciliação entre o compromisso, a segurança e a liberdade.

 

Um estudo seu de 2014 sobre o interesse sexual masculino concluiu que os indivíduos situados na faixa etária entre os 30 e os 40 anos tinham o desejo sexual mais perturbado devido ao stresse profissional, à ascensão na carreira, ao casamento, aos filhos e aos divórcios.

 

Parece ainda haver uma tendência para interpretar a sexualidade como uma patologia, perspetiva que se aproxima dos interesses da indústria farmacêutica, que é o motor da investigação a nível mundial.

 

Outro problema reside nos rapazes que nunca chegam a homens, definidos pela expressão “boys will be boys”. No sul da Europa, muitos só largam as saias da mãe já para lá dos 30 anos, o que dificulta muito as coisas. O médico e psicanalista Coimbra de Matos afirmou que “os homens que ainda namoram com a mãe não conseguem copular (ele utilizou o vernáculo) com mulher nenhuma”.

 

Também os seniores enfrentam vários e difíceis desafios. Um deles, segundo Ana Carvalheira, reside na capacidade de sobreviver aos estereótipos, como o de que “a sexualidade e o desejo acabam aos 50 ou com a menopausa. Muito pelo contrário, é possível abrir-se à novidade, enriquecer o património erótico – que vai para lá do coito vaginal – e salvar o erotismo!”

 

Outro facto é o de que há muitas mulheres mais velhas que estão sós. Há mais viúvas do que viúvos. Existe uma assimetria demográfica. Ou seja, existem menos homens em faixas etárias avançadas.  E existe ainda o medo, enfrentado pelas mulheres, de serem trocadas por outras mais novas.

 

Temos informação a mais. Agora é tudo muito cerebral. No entanto, convém não esquecer de que o erotismo precisa do toque e do cheiro.


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Domingo, 1 de Abril de 2018

Delicadeza

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