Sábado, 30 de Junho de 2018

Na aldeia

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Sexta-feira, 29 de Junho de 2018

Na aldeia

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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Poema Infinito (411): Os deuses não reparam

 

 

Fui com o vento Sul, carregando as sementes brilhantes, com os olhos empapados de desejo. Ouvi distintamente os soluços da minha mãe, os sorrisos cativos da Lua, os contos enrolados na noite, os gemidos dos salgueiros apaixonados, os balbucios das auroras trémulas e as lamentações dos espetros alucinados dos meus heróis de Banda-Desenhada. Cheguei então ao teu corpo. Rimo-nos aos gritos. Dizias-me que juntos podíamos polir as estrelas. Depois vieram as brisas, os duendes e o vento. As tempestades eram provocadas por flautas. Agora as lembranças são desenhadas com os trinados das aves que se abrigam nos ramos das árvores mais rudes. Pensávamos que as multidões possuíam a força e a clareza dos ventos. É inútil queixarmo-nos. Os deuses não reparam em nós. Até a luz corta rente as asas dos anjos. Nasce-nos uma espécie de tristeza molhada, que habita perto da nascente das ideias. A beleza ganha nova definição, quando os flocos de neve acariciam as rosas brancas. Daí brotam os arco-íris e as sombras transformam o manto branco num eterno sudário. Virá a seguir o degelo, a paz e os novos profetas que falarão da indulgência dos enganos e da esperança que se apaga e nos archotes que iluminarão, ou incendiarão, a Torre de Babel. Serão esses mesmos archotes que clarificarão os novos caminhos da terra. O azul é uma espécie de sonho que nos faz lembrar a inocência. O amor possui espinhos e outras coisas adormecidas. Também a água pura corre sobre a inércia das pedras. Em abril, as canções das crianças eram amenas e a sua alegria não tinha fundo. Caminhávamos na tarde entre as flores e as hortas, enquanto a água criava um novo caminho solitário. Os homens e as mulheres semeavam os campos. Os ciprestes da igreja floresciam. E nós contemplávamos os horizontes. Abril era então um mês divino que transportava em si o peso do sol e a essência dos ninhos. À noite, pronunciávamos o nome dos astros e bebíamos a luz do luar. Os nossos sonhos dormiam nos ramos mais altos das árvores, ou escondiam-se nos ocos dos troncos dos carvalhos. Agora sentimos mais forte o apelo das horas antigas e a pronúncia do nome dos sítios onde ficou algo da nossa infância. Pensávamos que iríamos mais longe do que nunca, mais longe do que as estrelas. Gostávamos de sentir a dolência da chuva mansa que nos inundava o corpo. Sabíamos que a paixão estava logo a seguir à primeira esquina do bairro. Com os dedos riscávamos o céu e imaginávamos pássaros feitos de luz que fugiam do ninho onde estavam prisioneiros. Os patos mudos pareciam cisnes feitos de ouro líquido. Pensávamos que o choupo velho do jardim movia os braços como se fosse o deus da tranquilidade. A tristeza agora vem em forma de carta, atravessando vagarosa os montes distantes. As rãs cantam nos charcos de outra maneira, os grilos já não saem do seu buraco. Os bosques, então repletos de sons, ficaram mudos. Neles apenas as aves mais poderosas voam a sua inquietação. Confesso que tenho sede dos aromas e dos risos de outrora, dos cantares que antecipavam as manhãs e faziam estremecer os remorsos quietos, ou das ondas provocadas pela esperança. Conforto-me com a alma dos ventos, com as árvores magoadas, com o sonho das distâncias, com a leveza da luz das auroras. Lembro-me que não sabia o que fazer com o teu olhar. Ainda hoje não sei. Nas tardes frias continuo a sentir o seu calor, a sua clareza. Esse era um tempo coberto de saudades em que a avó tecia os mistérios com o seu silêncio. Sinto de forma estranha as manhãs a murcharem, as folhas secas do tempo, os sonhos, os espectros quânticos das almas, o bicho da fruta das paixões, a voz queimada dos ecos, as migalhas que sobram dos beijos. O tempo desmorona-se.


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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Nas batatas

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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Na aldeia

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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

398 - Pérolas e Diamantes: O mérito, o demérito e a decadência

 

 

 

Confesso que não sou um apreciador de líderes políticos, nem um seguidor de quimeras e, muito menos, me entusiasmam os militares e a sua arte de se imiscuírem na política. É tudo uma questão de ADN, apesar do meu pai ter sido militar na Índia, defendendo a fé e o império, e depois GNR.

 

Mas abro sempre uma exceção quando se trata de Ramalho Eanes. A sua integridade e a sua honestidade são características dignas de registo.

 

Ele esteve à frente do país, como Presidente da República, logo a seguir ao 25 de Abril (de 1976 a 1986), ou melhor, para os defensores da liberdade sem peias ideológicas, logo a seguir ao 25 de Novembro, do qual foi um dos protagonistas. Tomou posse com apenas 41 anos. Tem agora 83.

 

Aderiu ao MFA porque o feria na sua honra e dignidade a difundida “inevitabilidade de sermos um país pobre”.

 

“Éramos um país pobre”, disse ele ao Expresso, “tínhamos de continuar a sê-lo, estávamos na cauda da Europa, tínhamos de continuar aí. Esse princípio de inevitabilidade foi posto em causa por esta solução política. E conseguiu fazer uma coisa fundamental: reconstruir de alguma maneira a Unidade Popular”.

 

Considera o senhor General que renasceu a convicção de que trabalhando em conjunto vamos todos viver melhor, pois há crescimento económico e redução do défice. No entanto, os sinais preocupantes seguem presentes: o investimento continua extremamente baixo e as grandes reformas não foram feitas. É necessário substituirmos a cultura interpartidária do conflito pela consensualização.

 

É que a dialética esquerda-direita, que foi extremamente positiva no seu tempo, perdeu consistência, peso, dimensão e efeito. De facto, igualdade e a solidariedade, os dois grandes desígnios da esquerda, descaraterizaram-se.

 

A igualdade, segundo Ramalho Eanes, “acabou num certo igualitarismo perverso e acabou por aceitar-se que a solidariedade se fosse transformando numa espécie de solidariedade assistencial. Não é essa a tradição da esquerda”.

 

O trabalho político também tem descido de qualidade, porque os partidos políticos se transformaram em clubes seletivos e fechados, emersos na partidocracia, no qual o que conta é o aparelho.

 

O mundo de hoje é dominado por uma mistura feita de individualismo, no plano social, e ultraliberalismo, no plano económico.  Ora, como se tem vindo a provar, para esta nova situação as medidas clássicas da esquerda não chegam e as que a direita defende são claramente insuficientes.

 

Além disso, uma sociedade incapaz de premiar o mérito tende a tornar-se decadente.

 

Em Portugal, a baixíssima natalidade vai trazer-nos problemas de toda a ordem, quer economicamente, quer socialmente. Desta forma não vai ser possível manter a segurança social. Dentro de poucos anos haverá três trabalhadores para dois reformados, o que é extremamente preocupante.

 

E a desertificação prossegue. A nossa população continua concentrada no Litoral, como se o Interior não existisse. E a nossa competitividade continua extremamente baixa. E a nossa dívida continua asfixiante.

 

O consumo, na sua perspetiva,  também é motivo de preocupação. A questão não está no seu volume, está no seu destino. “Há portugueses que se endividam para ir de férias. Compreendo que se faça isso para comprar casa, no limite para comprar um carro, mas para ir de férias? Os portugueses não estão a refletir convenientemente sobre o que é o estado real do país, que não é rico e não ultrapassou a crise, porque ela persiste. Esta crise não é igual às outras, é de rutura. Exige novas respostas, novos métodos, uma grande mobilização e, naturalmente, muitos recursos.”

 

Ou seja, tudo indica que os portugueses não aprenderam o que deviam com a experiência recente. A procura exagerada de crédito, especialmente destinada a consumos supérfluos, não é saudável, nem virtuosa... É simplesmente estúpida.

 

Fácil é concluirmos que os sucessivos governos após o 25 de Abril não cumpriram o seu papel em relação ao Interior. Permitimos que esta parte de Portugal se fosse paulatinamente desertificando, através da eliminação da representação de diversos serviços nas localidades nela inseridos. Não se fez uma política de natalidade e não se criaram incentivos à fixação dos jovens.

 

A esperança, segundo o ex-presidente da República, vem-nos da União Europeia, pois tem feito um trabalho notável, criando condições para o acordo de Paris sobre o clima. Acredita que a economia mundial e a europeia vão crescer a um ritmo que permitirá criar condições  extraordinárias para refazer a arquitetura europeia, dando-lhe uma estrutura “capaz de defender os valores matriciais através de uma operacionalização política sistemática”.

 

O intrépido general diz que quando se olha ao espelho, além de verificar que está velho, entende que está em paz consigo mesmo.

 

E termina a entrevista com uma confissão: “Posso ter cometido erros mas entendo que os cometi quase sempre com bom propósito, boa intenção, com uma correção ética preocupada.”


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Domingo, 24 de Junho de 2018

Na aldeia

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Sábado, 23 de Junho de 2018

Na aldeia

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

No museu

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Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

Poema Infinito (410): Indulgências

 

 

Ali está o velho pinheiro mutilado pela tempestade de outono. Ali está o velho tempo sem tempo para ser novo. Por vezes, o tempo envelhece subitamente como se quisesse morrer.  O casebre onde nos recolhíamos da chuva e das tempestades lá continua na outra vertente, de costas voltadas para a aldeia. Tal como o casebre, também a minha memória está vazia. Os sentimentos são como visões, deixaram de ser abstratos. A solidariedade do mal continua a meter-me medo. Parece que Deus agora se contenta em plagiar o Demónio. Nada satisfaz a feroz ironia do abismo. Dizem que o Demónio, como uma espécie de Deus invertido, devora imediatamente os seus crimes e transforma-os em eterna mobilidade. O ar sereno da noite deixa-nos ouvir distintamente os quartos de hora no relógio da aldeia. O tédio devora as palavras exatas, consome o tempo, faz a água dos rios fumegar. A aldeia afunda-se na solidão. As crianças já não regressam à escola com os livros na sacola. A aldeia espera o seu enterro. Os sorrisos dos velhos já não enganam. As horas são de uma certeza mortal. O silêncio é perfeito. Só a presença da incerteza divina continua a devorar os séculos e as suas improváveis consequências.  Continua a armazenar-se o vinho para dar cor à inconsciência. As brincadeiras transformaram-se em negócio. Dizem por aí que se devem prolongar as experiências para tranquilizar o tempo, para batizar a vergonha, para fixar a atenção, para serenar a consciência, para que o rigor deixe de ser inflexível. Lembro-me que fiz de ternura o meu primeiro esforço, que procurei na coragem o meu primeiro equilíbrio, que incorporei o sofrimento, que absorvi a primeira comunhão como a minha primeira indulgência. Comecei depois a protestar de alto a baixo. Não vale a pena ler os melhores livros se não fizermos um esforço por os compreender. Os sonhos de agora surgem em nós com a forma de conselhos, em forma de palavra de honra, cobertos de poeira, coroando as cabeças como se fossem o mesmíssimo Espírito Santo descendo sobre os apóstolos. E lá reluzem os erros e os anjos mais sólidos e os relicários das ideias dos poetas. A ilusão ainda é a mesma. A ilusão é eterna. Com a mania de darem cabo do Diabo, ainda vamos ficar sem Deus. Os imbecis ainda procuram misticismo nos lírios ou a inquietação em flores de papel. De nada lhes serve o calor do heroísmo. São ingénuos, dizem os ingénuos. Dizem que a música é uma espécie de verdade e que a verdade é uma espécie de música. Eu não acredito nessa segurança recíproca. É preciso trepar um pouco mais acima. Onde se põe agora o menino Jesus, onde se coloca a vaca, onde se instala o burrinho? Onde caralho se põem os reis magos e os pastores? O presépio já não tranquiliza ninguém, nem as bochechas rosadas do filho de Deus. José deu em bebedor. E a mãe do divino ser já não sai do casebre. As santas beatas continuam a assustá-la com a sua voz esganiçada. As palavras são uma nova forma de contrariedade. A tradição vem sempre fora de tempo. E a evolução é uma forma de angústia. O tempo da infância, de tão doce, tornou-se amargo. Agarramo-nos à vida como se ela fosse uma tábua algorítmica. Mas, todos o sabemos, não se podem calcular os milagres. Nem a inspiração. Nem a saudade. Os velhos parecem crianças enjeitadas, por isso a esperança vem-lhes em forma de espera. E quem espera...


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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Na aldeia

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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

na aldeia

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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

397 - Pérolas e Diamantes: Morrer de pé...

 

 

 

O nosso conterrâneo D. António Marto (o novo cardeal português) deu o mote: “O PCP tem uma visão humanista da eutanásia.” O próximo passo, estamos em crer, será, a seu tempo, a proposta de canonização de Jerónimo de Sousa, o beatificado secretário-geral do único baluarte do comunismo ortodoxo sobrevivente na Europa Ocidental.

 

Os jornais noticiaram que, sobre a eutanásia, Rui Rio está próximo de aceitar o referendo, pois viu-se metido numa embrulhada partidária, tendo os deputados do PSD, ao que se diz,  combinado os votos para a lei não passar.

 

Já no PS, o ilustre Ascenso Simões e mais uns quantos deputados do PS que gostam de se afirmar de direita, contrabalançaram os votos do PSD a favor da eutanásia, votando contra. No fim, tudo bateu certo: a proposta não passou.   

 

O líder do PSD contava com mais de 20 votos “sim”, que seriam importantes para posicionar o partido ao centro. Veio nos jornais que Rui Rio ficou bastante zangado com o desfecho da votação, pois deu-se conta de que membros da direção da sua bancada, contrariando a direção do PSD, convenceram deputados para que votassem contra, ou, votando a favor, dispersassem votos estrategicamente para não haver hipótese de a proposta do PS passar.

 

Rui Rio apelidou de “traição” o procedimento de Fernando Negrão que, durante o debate, apenas deu palco aos apoiantes do “não”. O líder do PSD entendia que se a eutanásia passasse por responsabilidade do seu partido, isso não seria um problema, mas uma oportunidade. Poderia ser um momento decisivo na afirmação de um PSD moderado, capaz de atrair eleitorado de centro e de centro-esquerda, pois, segundo pensa, se o PS crescer ao centro, pode ambicionar a maioria em 2019. E se o PSD conquistar parte desse eleitorado, pode ambicionar governar… com o CDS.

 

O mundo anda agora muito confuso. Entendê-lo é uma porra. Como diz o padre Melícias, na nossa altura, a gente entretinha-se com qualquer coisa. Qualquer grilo a sair de uma lura era uma festa.

 

Agora até os comunistas se vestem de santos, enquanto os outros democratas voam ao sabor do vento. As convicções foram chão que já deu uvas.

 

Sobre a eutanásia – excluindo o folclore argumentativo realizado pelos vários especialistas partidários que tanto falam de eutanásia, como de futebol ou de gastronomia –, li uma entrevista de Paulo Teixeira Pinto ao Expresso que me tocou profundamente.

 

PTP é jurista, ex-banqueiro, ex-político e ex-governante do PSD.

 

Sente-se que o homem sabe o que diz, até porque o problema não é, para si, apenas teórico.

 

Há 15 anos foi-lhe diagnosticada a doença de Parkinson. Assumiu então publicamente o desejo de “morrer de pé”, ou seja, de escolher o momento exato em que a sua vida termina. Mantém essa intenção e não reconhece, nem ao Estado nem ao Parlamento, legitimidade para decidir o que vai ser o percurso final da sua existência. Se essa atitude continuar a ser crime em Portugal, irá ao estrangeiro.

 

Lamenta que o mesmo país que foi pioneiro a acabar com a pena de morte, imponha agora “uma pena de vida”. Para si, o direito à vida não significa uma obrigação de viver. Nos casos de doenças incuráveis “talvez fosse bom falar num dever de compaixão”.

 

Mesmo sendo católico, e tendo pertencido à Opus Dei, diz que não vê conflito entre a defesa da eutanásia e as leis da Igreja.

 

Se tivesse de votar, votaria a favor de todas as propostas, para que baixassem à especialidade, pois não encontrou em nenhuma qualquer ponto crítico.

 

PTP defende que aqui não existem questões de direita ou de esquerda, pois o “Homem é uma unidade integra e única”.

 

De facto, e contrariando tanto comunistas, neoliberais como centristas, existe uma confusão de conceitos: “O direito à vida não é mesma coisa que o direito de viver. E, depois, o direito de viver não tem como pressuposto um dever de viver. Ou sequer de sobreviver”.

 

Cada pessoa tem o direito à sua vida e a viver como quer. Mas não existe o dever de sobreviver se não se quiser viver mais.

 

Para PTP há uma imagem que ilustra tudo isto: “Toda a gente concorda que, se um animal estiver a sofrer, tem direito ao chamado tiro de misericórdia. Normalmente, um cavalo com a pata partida é suficiente. Porque é que um homem com vontade própria, não pode beneficiar dessa misericórdia?”

 

Não é só compaixão, é misericórdia para quem já não aguenta sobreviver com uma doença irreversível, progressiva e incontrolável.

 

Claro que existe um conflito entre os ideais religiosos e a defesa da eutanásia, mas nesta, como em qualquer outra matéria, cada pessoa tem direito às suas crenças e convicções. No entanto, um preceito religioso não pode servir de critério normativo.

 

PTP recusa a ideia de que o que ele vai fazer com a sua vida dependa da votação de 230 deputados. Além disso, nenhuma inspiração metafísica o impede de pensar nisso.

 

Ouçamo-lo: “Deus criou o livre arbítrio para o Homem sem nenhum limite. O Homem tem que ser responsável pelo que escolhe, incluindo onde, quando e como quer morrer. Se houvesse um limite de não pensar na morte não seria um livre arbítrio. Para ser verdadeiro, o livre arbítrio tem de ser inteiro. Há alguma arrogância ao invocar, nestas questões, uma pretensa superioridade moral só porque se entende que o direito à vida é absolutamente inviolável e inquestionável. Não é. Era o que mais faltava o Estado ser agora o dono da vontade, do corpo e da vida dos seus cidadãos.”

 

Para PTP, o que se decidiu no parlamento não o vai impedir de fazer o que entender fazer. O destino da lei é-lhe indiferente. A aprovação da lei é apenas importante para salvaguarda do risco de incidentes sobre terceiros. “Só por isso o destino da lei é verdadeiramente importante. Não é por pensar que o legislador tem autoridade para decidir sobre mim.”


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Domingo, 17 de Junho de 2018

Berto e amigos em Covas do Barroso

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Sábado, 16 de Junho de 2018

Pai e filho no Barroso

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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Eu e o Berto ao espelho

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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Poema Infinito (409): Explosão

 

Lembro-me do interior do comboio e da explosão do choro familiar. O calor insuportável dos sentimentos fez-nos gelar os ossos. Agora é apenas um fenómeno de matéria transformada em luz. E depois em escuridão. Senti então o comboio a vibrar. Chegada a casa dos meus avós, a minha mãe atirou-se ao chão, naquela abençoada terra que estava possuída pela tristeza. Senti que em breve a terra deixaria de ser minha. O comboio explodiu dentro da minha cabeça. Depois do enterro, nada mais restou senão partir. No entanto, as coisas do mundo continuavam em mim com muita força: o alarido das crianças, os passarinhos a saltitarem através da neve ligeira de dezembro empurrada pelo vento, o amistoso calor da fogueira de casa onde os potes fumegavam, a luz da candeia inclinando as sombras que colidiam com o meu medo, o relógio de sol parado no tempo, a visita dos pássaros ao alto da torre do castelo, a água fresca da bilha em pleno verão bebida sofregamente pelo copo de lata. E também secar com a toalha o torso e os membros depois do banho na bacia grande e a roupa colada ao corpo a seguir a uma chuvada de junho. E as pérolas que eram berlindes. E os botões que eram moedas. E o espeto. E o pião. E a bilharda. E também o desejo. E a boa sorte. E alguém a lembrar-se de escrever sobre alguém que escreve. E os olhos perfurantes de alguém que repara que não estamos à vontade. E também a descoberta com o olhar de um ninho enquanto corremos atrasados para a sala de aula onde está sempre presente o cheiro a giz e a escalfeta. E os estorninhos em revoada pelos céus, o treino no chão, o som da nossa respiração ofegante por corrermos atrás do chamamento da mãe. E também o modo como a humidade nos olhos deixava ainda mais tremeluzente o extensíssimo campo de estrelas no céu e a dor nos pés de jogar futebol e o tal coração desenhado no vapor da nossa respiração espalmada nos vidros frios da janela em memória de quem amamos. E ainda atar os sapatos e dar um nó na corda do embrulho que vamos enviar para África onde os tios defendem Deus, a Pátria e a Autoridade. E sentir a mão da avó e a mão da mãe e a mão da nossa namorada e sentir o desejo do fim do dia e o começo do dia seguinte e sentir que teremos sempre mais um dia à nossa frente. Mas um dia vamos ter de dizer adeus a tudo isso. Chegam agora os gritos das corujas no escuro, as cãibras nas pernas na primavera, as massagens nas costas, os comprimidos tomados no início e no fim do dia. E então voltamos a lembrar-nos do gato com as patas traseiras paralisadas, o rascar das patas de frente do boi do povo, o vale coberto de nuvens rasgando-se ao meio pelo nascer do sol, as persianas das janelas que coam a luz intensa da manhã, a ferida da memória que nos dói, o que vimos, o que não vimos, o que nos resta de escolha. E ainda nos fere a incredulidade do tempo e o seu abrandamento, as águas vagarosas do rio, o caldo de energia, a perda dos nossos entes queridos, o instantâneo transbordar dos pensamentos, a excitação das bocas, o clarão da luz, a fraqueza dos corpos, a oração matinal do sol, a recuperação dos movimentos primordiais, a longa e triste eternidade das noites, a paciência em estado puro, a conveniência do amor, os sonhos tocados pela sinceridade, a boca ávida, as faces coradas, o sexo em riste. A inspiração e o fornicação são cada vez mais custosas.


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Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Na aldeia

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Autorretrato a P&B

barroso

 


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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018

396 - Pérolas e Diamantes: António Campos Bravo de Esmolfe

 

 

 

Li uma entrevista de António Campos ao jornal I onde afirma que uma parte da sua fortuna foi gasta na política. Depois do desperdício de dinheiro, este fundador do PS resolveu abandonar a política e regressar a Oliveira do Hospital, à casa onde cresceu, no seio de uma família abastada e republicana, prometendo bater-se para que os seus ex-colegas políticos não ignorem o interior do país.

 

É agora o maior produtor a nível nacional de um fruto que se chama maçã Bravo de Esmolfe.

 

Não ficou com saudades da política porque, para ele, são as causas aquilo que conta. Pensa que atualmente elas não existem.

 

O estimado camarada António Campos agora apenas vive “a causa do Interior”.

 

Assegura que é uma tragédia ter metade do país a desenvolver-se e a outra a empobrecer e a desaparecer. Vê o governo a reclamar todos os dias em Bruxelas a coesão e todos os dias a fazer discriminação em Portugal.

 

“Não foi só este”, diz ele, “mas este governo é igual. Não há diferença nenhuma”.

 

Vê-se que não é apreciador nem de António Costa nem da sua “geringonça”, que acha incapaz de sobreviver a esta legislatura.

 

Sente que os partidos políticos estão afastados das grandes causas.

 

Quarenta e quatro concelhos foram reduzidos a cinzas. E continua sem existir uma estratégia. Os apoios não chegam. É necessário haver reestruturação fundiária para instalar a agricultura e para poder colocar jovens.

 

Deve haver sensibilidade a nível nacional, pois o desenvolvimento do país não pode ser só concentrado à beira-mar.

 

Numa coisa tem razão, os maiores incendiários são aqueles que protegem e defendem a floresta que é amiga do fogo. A bagunça é total. O tão propalado ordenamento do território não existe.

 

Os seus melhores amigos foram Fernando Valle e Miguel Torga, com quem conviveu muito. 

 

No dia 25 de abril de 1974 foi para Lisboa fazer a mobilização para a chegada de Mário Soares a Santa Apolónia. Uma coisa, no entanto, o espantou: ver toda a gente a aplaudir. Descobriu, ele que tinha passado uma vida clandestina, que, de repente, havia milhões de democratas em Portugal que ele desconhecia. Foi talvez das coisas que nunca conseguiu encaixar.

 

Apreciei a parte em que António Campos falou da generosidade de Almeida Santos e da despreocupação de Mário Soares.

 

Segundo ele, Mário Soares nunca perdeu uma noite de sono, pois tinha a vantagem de chegar ao fim do dia e desligar da política com uma grande facilidade. Conseguiu juntar o entusiasmo que tinha pela política com o entusiasmo de viver. Bons tempos.

 

Lembra que convidaram Almeida Santos para “o eleitorado despejar o ódio que tinha havido por causa da austeridade. O Soares estava com 8 % e nós dissemos ao Almeida Santos: Tu candidatas-te e levas uma porrada monumental para abrir caminho para o Mário Soares”. Bons tempos.

 

Revelou que chegaram a preparar a candidatura de Almeida Santos à presidência da República. Como homem avisado, ele foi ouvir a opinião da mulher. Ela opôs-se violentamente.

 

De facto, Almeida Santos “era um homem de uma dimensão inacreditável e de uma cultura fantástica, mas não tinha ambições políticas nenhumas”. Bons tempos.

 

Recorda que Mário Soares, como político avisado, nunca gostou da unanimidade no partido. Por isso obrigava o seu amigo António Campos a arranjar sempre um sarilho para haver oposição. Daí o enorme valor do sótão de António Guterres. Ou seja, o sótão era visto com bons olhos pois tinha a função de picar os militantes desanimados para se organizarem contra eles. Organizados, eram facilmente controláveis.

 

O sótão do agora Secretário-Geral da ONU era muito acarinhado por António Campos. Bons tempos.

 

Já com o José Sócrates “era impossível criar pontes”. Segundo António Campos, depois de Guterres, “que não era capaz de dizer não, o PS precisava de uma liderança forte”. Por isso escolheram o Sócrates, porque era “o único gajo que era capaz de ter mau feitio”.

 

Numa coisa concordamos, nas críticas ao último primeiro-ministro do PSD. “Passos Coelho é um tipo mesmo de direita. Estava desenquadrado. Era um servidor de experiências políticas e a Troika fez o que quis. Eles aplaudiram e ainda queriam mais. Tenho uma opinião de que a ideia era vender o país todo”. Maus tempos.

 

Na sua opinião, hoje há uma fuga dos melhores da política, por razões salariais. O que não foi, manifestamente, o seu caso.

 

António Campos herdou uma grande fortuna. Quando andou pela política teve de vender todos os anos um terreno. Apenas ganhou dinheiro quando esteve no Parlamento Europeu. Uma parte da sua fortuna foi gasta na política, pois, segundo ele, na Assembleia Constituinte nem lhes pagavam. Estiveram lá muito tempo sem vencimento. Teve de emprestar dinheiro a muitos seus camaradas para poderem ir para casa. Bons tempos.

 

Uma coisa sabemos, se emprestou algum desse dinheiro a José Sócrates, vai ter de ir para a fila de espera para o recuperar.


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Domingo, 10 de Junho de 2018

ST

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Sábado, 9 de Junho de 2018

Olhares

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Sexta-feira, 8 de Junho de 2018

Croché

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Quinta-feira, 7 de Junho de 2018

Poema Infinito (408): O princípio dos dilúvios

 

 

Já me adaptei à ideia do Dilúvio. Noé continua a ondular dentro da sua campânula de madeira. O arco-íris adquiriu a forma de teia de aranha. As flores escondem dentro de si as cores para não serem olhadas e cortadas. Desenham-se novas ruas, constroem-se novos degraus para se subir às casas. As crianças parecem feitas de vidro, já não se confiam às comunhões, nem se aproximam dos altares. Raios e trovões rolam pelo meio das nuvens. Tentam aprender aquilo que nós decidimos ignorar. As mais nobres fábulas deixaram de fazer sentido. Os nomes tornaram-se mais agressivos. Na orla da floresta ajoelham-se os anjos, as sombras ficaram nuas, no lado do poente as crianças transformam-se em príncipes e princesas adoentados pelo tédio. Os sonhos das raparigas tilintam. Diversos animais circulam em volta dos moinhos. A minha mãe continua a pontear o pano da eternidade com as suas lágrimas. Os ramos e a chuva batem nas janelas da biblioteca. Junto ao açude, o mundo parece que avança, apesar do ar estar agora imóvel. Os pássaros calcorreiam o céu. O candeeiro ilumina o livro que releio. Entre as casas existe uma enorme distância preenchida pela bruma. A espessura do tempo transforma os abismos em marés profundas. Sou um mestre de silêncio. Junto ao rio reúnem-se os duendes filhos da lua e dos cometas. Perto do castelo, os poços incendeiam-se. Escrevem-se novas fábulas. Aborrecem-se os príncipes com a sua própria vulgaridade. Os poetas dedicam-se a aperfeiçoar as generosidades mais vulgares. Todos desesperam por amar, por decidir espantosas revoluções. Dizem aspirar à verdade. O vasto poder humano baseia-se no desejo. Está na hora de mandar incendiar os palácios. Degolam-se os animais de luxo. As multidões entram na cidade através do buraco que fizeram na muralha. A destruição rejuvenesce a crueldade. Os príncipes mais velhos morrem dentro dos seus próprios palácios porque deixaram de conseguir ter o desejo que a música sábia lhes transmitia. A necessidade do amor é fabricada por uma nova consciência. Os olhos dos homens mais maduros estão agora mais vagos. Os espaços mais largos do tempo enchem-se de semideuses espirituais, de molochs, de demónios sinistros. A terra santa está repleta de enormes avenidas. Os terraços dos templos desabaram. Observo a história como o fazem os exilados. Já não consigo desdenhar do caos como fazia antigamente. O desejo é agora mais dramático. Já nem a memória da infância me emociona. Tudo parece a continuação de algo que nunca aconteceu. Uma revoada de pombos atrapalhou-nos os pensamentos. Observo calado uma nova descontinuidade do tempo. Trocamos carícias com as mãos como se fossemos de novo para o exílio. Antigamente diziam que a alegria era divina, que o ceticismo alimentava o perigo. Sinto apenas que a ânsia é mais austera. Os tambores disparam sons. Os violinos inauguram uma nova harmonia. Sublevam-se os homens por causa do seu próprio destino. Dizem que se pode atirar o amor pela janela. Eu penso que é a sua indiferença que nos torna infelizes. As bruxas voltaram a reunir-se junto ao campanário. O vento cobre os atalhos do tempo. As pontes da aldeia ostentam as suas ruínas.  A água e a tristeza correm juntas no leito do rio. É a nossa necessidade líquida o que origina o princípio dos dilúvios.


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Sorriso

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Terça-feira, 5 de Junho de 2018

A roca e o fuso

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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

395 - Pérolas e Diamantes: Cães, crianças e funcionários públicos

 

 

Os animais e os seus direitos estão na ordem do dia. Existe mesmo um deputado eleito por um partido que se intitula das Pessoas, dos Animais e da Natureza.

 

O liberalismo deu nisto: cães tratados como crianças. Quando não melhor. Basta dar uma volta pela cidade, sobretudo pelos jardins, para observarmos dezenas de pessoas a passear os seus cãezinhos de estimação.

 

Há mais pessoas a passear e a brincar com cães que a passear e brincar com crianças.

 

Eu até gosto de cães, mas… no seu sítio, a guardar os rebanhos, os casais e as quintas. Por toda a cidade são visíveis os esplendorosos cocós dos canídeos. E dá gosto vê-los a urinar em todas as esquinas, ou na relva dos jardins, ou encostados a árvores e arbustos. É, na perspetiva dos seus donos, uma espécie de porcaria asseada e assética.

 

Agora até os vestem. Estimam-nos e mimam-nos como se fossem seres humanos. Mas não são. Existem mesmo boutiques que dizem saber como fazer um cão feliz. Personalizam os produtos, utilizando materiais de boa qualidade, trabalhados por mãos de artesãos portugueses, transformando-os em acessórios exclusivos.

 

Agora os donos dos canídeos podem dar-se ao trabalho (ou será deleite?) de escolher o tecido da cama do cão a combinar com a decoração do quarto. Bolas, ossos e outros brinquedos também são feitos à mão com os melhores materiais.

 

A funcionalidade é outra das preocupações já que os animais de estimação fazem, cada vez mais, parte da família. Vivem, todos eles, dentro de casa, juntamente com as pessoas. Já não existem cães sem-abrigo.

 

Nas lojas Ikea, a coleção de produtos para animais foi desenvolvida em cocriação com designers, amantes de animais e veterinários. E também através da observação das diferentes rotinas de cães e gatos.

 

Por exemplo, as tigelas próprias para a alimentação controlada foram desenhadas para se manterem presas ao chão, graças a uma base antiderrapante, com centro elevado para que os cães comam pequenas porções de cada vez, evitando-se o enfartamento, para o qual têm uma certa tendência. Há ração natural, snacks vegetarianos e queijo sem lactose.

 

As pessoas, cada vez mais obesas, dão muita importância à qualidade da alimentação, para os seus queridos animais não sofrerem dessas doenças.

 

Na relação com os animais de estimação, os donos gostam de refletir as suas preocupações e afinidades. Para os amantes do ciclismo, várias empresas especializadas lançaram recentemente uma espécie de cesto que permite levar o imprescindível amigo nos passeios de bicicleta.

 

Existem também aplicações e dispositivos que permitem seguir todos os passos de um cão. Ajudam a que o cachorro não se perca, mas também servem para controlar o nível de exercício, ou até o peso e a composição nutricional.

 

A novidade deste ano, segundo os entendidos, é uma cama que regista os níveis de atividade e controlo de peso. Existem coleiras que gravam informação relevante, como o número de telemóvel do dono.

 

Uma marca portuguesa introduziu no mercado um equipamento em que o cão fica ligado a um dispositivo que permite a localização pela rede GPS, sem necessidade de existir ligação de telemóvel. Através de uma aplicação móvel, o tutor consegue seguir todos os passos do cão, num alcance de 5 km, para sossego dos donos.

 

No entanto, à medida que os animais vão adquirindo um estatuto social de excelência, o povo português vai perdendo direitos e qualidade de vida. Sobretudo os funcionários públicos, que foram objeto de uma perseguição implacável por parte do governo de José Sócrates e, sobretudo, de Pedro Passos Coelho.

 

Podemos dizer que os cães passaram a ter a antiga vida dos funcionários públicos, enquanto os funcionários públicos passaram a ter a  antiga vida de cão.

 

Mas vamos aos números. Os salários no Estado perderam mais de um quinto do seu valor desde 2010, ano em que os ordenados dos funcionários públicos foram congelados. 

 

A inflação, a Caixa Geral de Aposentações, a ADSE e o IRS, por junto, levaram uma fatia adicional dos salários. Ou seja, em termos reais, os salários líquidos na Função Pública (medidos a partir da renumeração base) contabilizaram, nos últimos sete anos, perdas que chegaram a ultrapassar os 20%.

 

O agravamento do IRS, levado a cabo pelo atual funcionário do FMI, Vítor Gaspar, levou, relembremos, a um enorme aumento dos impostos.

 

É certo que esse agravamento afetou todos os contribuintes, mas, dada a progressividade dos impostos, penalizou os salários mais elevados. Que, na sua maioria, são ridículos, tendo em conta a média europeia.

 

Convém realçar que a Função Pública concentra, pela sua natureza, um número de trabalhadores em profissões com maiores exigências formativas, logo com salários acima da média. É esse o caso, por exemplo, dos médicos e dos professores.

 

Por essa razão, o agravamento do IRS – que ainda só foi parcialmente revertido com o fim da sobretaxa e as alterações nos escalões dos impostos – penalizou de forma mais acentuada muitos funcionários públicos.

 

Como se isso fosse pouco, nos últimos anos do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, houve uma confrontação (intencional por parte do executivo) entre o setor privado e público.

 

Colocaram-se trabalhadores contra trabalhadores. Dessa forma, toda a gente perdeu. O que também era um objetivo governamental.

 

Todos sabemos que os aumentos no setor público são o principal referencial para a negociação coletiva no setor privado.

 

O resultado desta confrontação foi o empobrecimento de todos.


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Domingo, 3 de Junho de 2018

Expressões

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Sábado, 2 de Junho de 2018

Expressões

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Sexta-feira, 1 de Junho de 2018

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