Sexta-feira, 31 de Maio de 2019

Vilarinho Seco

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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Poema Infinito (458): Vibrações

 

 

Nomeio o vento e a sua passagem, as árvores e a sua condição, a alegria da infância, os primeiros frios de outono, as diversas flores que habitam as estações do ano. E também as cidades em construção, os gestos que as fazem emergir, o relento, o sol do dia mais próximo e as palavras que ainda são novidade. As multidões parecem florestas de braços caídos, condescendentes, apesar dos seus sentimentos aparentemente meigos. As paisagens multiplicam-se. As tardes parecem Santos crucificados pelo dever e pela fé. Os seus rostos estão nus como os rios. Os seus gestos são os estritamente necessários. Dentro de casa renascem as distâncias. É tempo de grandes descobertas. Os objetos parecem sítios minúsculos. Sentamo-nos e levantamo-nos como se fôssemos absolvidos pela magnanimidade dos sentimentos mais reservados. As pessoas parecem infelizes. As manhãs nascem para lá de nós, assemelham-se a memórias publicadas. A revolução já vai lá longe, pelos caminhos da perdição. As suas grandes questões nunca estiveram em mãos prudentes. Por isso as suas flores murcharam e foram substituídas por imagens semelhantes de plástico. O seu perfume complexo transformou-se em guerra e desilusão. Os camaradas tornaram-se imbecis e fecharam-se em gabinetes com as persianas fechadas. As suas vozes transformaram-se em insólitos pores do sol. E as crianças começaram a demorar ainda mais as suas vozes. A eternidade começou a medir-se por horas. Os velhos começaram a temer os dias. E o amor. E, sobretudo, as memórias. Diminuíram então as arcas e as crianças e escureceram as tardes ainda mais cedo. Até os lábios ficaram parecidos com frutos aborrecidos e maduros de mais. Os caminhos deixaram de ir dar a qualquer lugar. Os gestos começaram a nascer já ensinados, como se fossem coisas definitivas. E nas casas são já mais as esquinas que as paredes. A solidão é uma forma de sombra silenciosa, uma espécie da árvore onde os pássaros ficam prisioneiros. Bastam os pequenos gestos para as palavras mais frágeis se quebrarem como flores secas. As montanhas tornam as terras ainda mais distantes. A boca da noite é triste e incoerente. A claridade transforma a desgraça em loucura evidente. O amor, por vezes, pode ser amargo. As almas mais discretas deslizam de forma indecisa. A bruma da madrugada extingue os pássaros mais atrevidos. Os pequenos insetos perdem-se no interior das horas mais vagas. Vibra dentro de nós o som das despedidas. Os ventos de agosto levaram tudo, mesmo as árvores mais humildes. Os homens procuram uma outra forma de esperança. As paisagens estão mais cansadas e o rio mais imóvel. É tempo de as crianças soltarem os papagaios de papel. A vontade vai reconhecendo o desejo dos corpos estendidos, os seus segredos e os seus níveis de desespero. Tudo parece sobrenatural. Tudo resplandece até ao fim. Não é a geometria quem define a distinção entre as noções do bem e do mal. Imagino agora a dignidade dos mares, a circunstância dos sonhos, a parte invisível de tudo aquilo que é visível. A saudade ganha cada vez mais nitidez. Disfarço-me naquilo que sou. A manhã nasceu no meio da nossa alegria sossegada. O frio é agora uma pequena lembrança. O reflexo da realidade é uma espécie de revelação. Observo a oscilação das cores.


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Quarta-feira, 29 de Maio de 2019

Na aldeia

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Terça-feira, 28 de Maio de 2019

No horta

Barroso - Penedones, ETC, XT1 215 - cópia copy.j

 


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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

444 - Pérolas e Diamantes: Nem Ulisses conseguiu

 

 

Ler Faulkner ou Saramago exige esforço. O seu tom autoirónico e de autoenaltecimento criaram um estilo. Por vezes podemos confundi-los com velhos vagabundos que alimentam pombos. Mas é engano. Os artistas costumam ser extremamente vaidosos e estranhamente endiabrados.

 

Dizem que faz parte da dignidade de um ser humano o longo sofrimento e o orgulho desprezível. Tretas.

 

Se a Humanidade é uma criação de Deus, estou em crer que o Criador acha que fracassou. Há quem confunda brutalidade com beleza.

 

A procura do sentido da vida remete-me para a velha história de Nicolau de Cusa. Este monge afirmou que quantos mais lados acrescentarmos a um polígono regular inscrito num círculo mais ele se parecerá com o círculo. Mas, teoricamente, é cada vez menos um círculo, porque um círculo só tem um lado. Para resolver o paradoxo, Nicolau disse que só podemos eliminar a distância entre os dois através de um ato de fé. É o tal salto no escuro.

 

O problema é quando finalmente encontramos o inimigo e o inimigo somos nós.

 

Por vezes sinto-me uma avestruz a sair de uma fábrica de frangos. Tudo o que sei é que já não sou um pintainho.

 

Penso que a minha cidade deixou de pertencer ao futuro. Mas eu sou um pessimista.

 

Tenho de admitir: sou um agnóstico do progresso. Mas também sei que o velho mundo ordeiro não é coisa em que se possa confiar, nem sequer para escrever um livro. Os sons da modernidade, em vez de harmonizar o que era discordante, criaram ainda mais discórdia.

 

Não é à toa que vivenciamos a nossa irrelevância. De facto, a irrelevância pode ser divertida até ao momento em que deixa de o ser.

 

A democracia dá ares de esgotamento. Votamos no partido com que alinhamos, mas ele já nada nos diz interiormente. Aqui chegados, lembro-me sempre que há duas maneiras de tirarmos um penso-rápido.

 

Os radicais acham que para se mudar o mundo é necessário dizer “não” a tudo e dessa forma se encerra o assunto. Mas eu, depois destes anos todos, sei que não é possível mudar nada se não se estiver disposto a dizer sim.

 

Ter variedade de escolha não é o mesmo que ter liberdade de escolha. Sobretudo quando são as outras pessoas a determinar essa escolha e não nós. Não é nada agradável ser uma espécie de exemplo ilustrativo de um argumento qualquer.

 

É da ciência antiga: as pessoas generosas são más negociantes.

 

Quando começa a ambição, terminam os bons sentimentos.

 

Se podemos dizer tudo o que nos apetece é porque aquilo que dizemos não faz diferença nenhuma.

 

As minhas certezas estão carregadas de dúvidas. E as minhas dúvidas estão, cada vez mais, carregadas de certezas.

 

Já os políticos mais apreciados e queridos pelo povo são os que desenvolveram a arte de dizer sim para conseguir chegar ao não e os que aprenderam a dizer não para conduzir a um sim. São ainda capazes de se dizerem apreciadores, e cultivadores, de uma tal pobreza honrada, enaltecendo o velho relógio da sala que nos remete para uma abastança já desaparecida. Gostam de dizer enfaticamente, lembrando Balzac, que compreender é igualar.

 

A social-democracia é a mãe de todas as vaidades. E de todas as desculpas. E de todas as justificações.

 

O pudor, mesmo disfarçado, possui os seus requintes. Isto gostam de repetir os que apreciam os bons lugares-comuns, como o tal de que não foram eles que escolheram a política, mas que foi ela que os escolheu.

 

É a crua realidade dos factos: vivemos entre o deslumbramento do homem executivo e do socialismo agnóstico.

 

Além disso, todos acreditamos em milagres. E esse é o principal milagre.

 

Em “A Minha Luta”, Karl Ove Knausgard reflete sobre o nosso tempo, sobre o fosso que existe entre o que se deve pensar e o que verdadeiramente se pensa, entre o que se devia sentir e o que sente realmente. E também entre o que o mundo devia ser e o que é. Ou seja, entre a ideologia e a realidade, entre a política e a literatura.

 

Cresci a sonhar com a possibilidade de fazer algo heroico. O radicalismo parece levar-nos a esse caminho. Mas sei agora que os heróis não existem, a não ser no papel.

 

Nem Ulisses foi capaz de fugir ao seu destino.

 

Na vida, ser sensível é mau, muito mau. Mas um escritor não consegue viver sem esse defeito.

 

PS – Descobri porque gosto muito, mas mesmo muito, de Bach, sobretudo das fugas. Apesar de revelarem uma estrutura altamente cerebral, quase matemática, estão carregadas de emoção.   

 


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Domingo, 26 de Maio de 2019

Até já...

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Sábado, 25 de Maio de 2019

Cantorias - Abobeleira

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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

No Douro

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Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Poema Infinito (457): Pequena história de quase nada

 

 

Dizem, os que dizem ter fé, que no princípio era o verbo. Há outros que afirmam que no princípio houve a grande explosão e que, a partir daí, o universo se encontra em expansão. Provavelmente, isto tudo que existe sempre existiu. Tudo aquilo que se vê e não vê. No entanto, o que nos interessa é que os homens abençoados amam a terra como se dela tivessem nascido, falam com os pássaros e praticam o riso. As suas palavras fundem o metal. Os seus olhos são a memória do mundo. Dizem que Zaratustra tinha uma voz reflexiva e que dentro de si a religião nasceu quando Deus morreu. A sua voz provocava visões. Já Adão nasceu de um pedaço de barro que, tombado na relva, esperava que Deus fizesse o que tinha prometido num dia de raiva. Do futuro nasceu a terra, do escuro nasceu o homem. Ao grande Júlio César, os mais atrevidos chamaram-lhe o putanheiro careca e diziam que ele era marido de todas as mulheres e mulher de todos os maridos. Roma vestiu-o de púrpura, que era a única toga dessa cor em todo o Império. Cingiram-lhe na testa uma coroa de louros. Depois proclamaram-no ditador vitalício. Essa foi a sua marca mortal. O seu bem-amado Marco Bruto apertou-o dentro de um forte abraço e cravou-lhe nas costas a primeira punhalada. Outros punhais se seguiram. No corpo tombado nem os escravos se atreveram a tocar. Mal José saiu do quarto de Maria, o anjo entrou-lhe pela janela. Gabriel crê em tudo. Até naquilo que lhe dizem para dizer. José aceita. Maria sente que é predestinada. O seu prestígio provém da virgindade. São José passa a acenar-lhe de longe enquanto enxota a pomba que a engravidou. Nenhuma mão de homem a tocará. Maria foi concebida sem pecado, quer dizer que também a sua mãe era virgem. Passado muito tempo, os crentes em Espanha rezavam uma prece infalível: São José, tu que tiveste sem fazer / faz com que eu faça sem ter. Eva era matreira, mas não pecadora, pois ainda não sabia o que era o pecado, por muito suculenta que a maçã fosse. Já Maria Madalena era uma mulher da vida que se fez Santa. As mulheres, impuras por herança de Eva, conspurcaram a música sagrada, que passou a ser entoada por meninos ou por homens castrados. Misteriosos são os caminhos do Senhor. Nasceu depois um menino que batizaram de Jesus e a quem chamavam o Messias. Não se lhe conhece profissão ou residência. Dizia que era filho de Deus. E que tinha descido do Céu para incendiar a fé dos homens. Foi foragido no deserto, alvoroçava aldeias, bairros e cidades. Seguiam-no ladrões, malfeitores e gente de má vida, miseráveis, escravos, loucos, bêbados e até prostitutas, porque ele não se cansava de lhes prometer o paraíso. Dizem que até fazia prestidigitação, pois curava os leprosos, os paralíticos e os cegos. Era bom a multiplicar os pães e os peixes e a transformar a água em vinho. Era um fora da lei porque nunca respeitou a autoridade de Roma, nem a velha tradição judaica. Por causa disso, o seu pai avisou-o de que uma Cruz o esperava. Depois morreu. Dizem que Nossa Senhora nesse dia se desesperou como nunca o tinha feito. Dizem que o Cristo ressuscitou. Junto ao rio cantam agora os galos, enquanto em Jerusalém amanhece. Xerazade ensinou o mundo de que foi do medo de morrer que nasceu a arte de narrar. E assim viveu mil e uma noites num palácio em Bagdade, nas margens do rio Tigre.


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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

Semana Santa - Barroso

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 - D

 


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Terça-feira, 21 de Maio de 2019

Na conversa

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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

443 - Pérolas e Diamantes: Dá gosto...

 

 

Dá gosto ver um pm risonho ir à tv falar com convicção de como acha aquilo que tem de achar ao mesmo tempo simpático e inoportuno, sendo que, na sua dicotómica visão, as duas interpretações são possíveis. Ele até é, eles até são, rapazes sossegados. Dizem mesmo invejar a nossa situação de simples transeuntes. As pessoas gostam de recordar os seus tempos esplendorosos, mesmo que para isso tenham de inventar uma nova vida, uma outra infância, ou mesmo qualificações académicas industriosas. O seu tom é minimamente sentimental, ou parece. O seu sorriso é objetivo. É objetivamente subjetivo. E tranquilo. É temporariamente intemporal. Reconcilia-nos com o cão e com o gato. Com o leite de soja. Com o adoçante. Com o café descafeinado. Com a cerveja sem álcool. Com o tabaco aquecido. Com os carros elétricos. Com o fio dental. Com as escovas de dentes elétricas. Com os livros em formato digital. Com os implantes mamários e dentários. Com as unhas de gel. Com os saltos altos, com os saltos baixos e com os saltos médios dos sapatos. E com as lentes de contacto. E com os óculos ray-ban. E com os jeans rotos dos jovens da classe média alta. E com os fatos lustrosos da classe média baixa. O problema é quando os telespectadores começam a fazer greve, provavelmente porque se tornaram muito sentimentais por causa da separação dos casais de meia idade que tomam pequenos-almoços como se vivessem permanentemente no Palace. Apesar de ser engraçado, o sr. pm tem sentido de honra. Honra lhe seja feita. Os seus sentimentos são genuínos. E, mais do que isso, possuem significado. Toda a realidade é uma questão de... justamente porque é transitória... além de permanecer verdadeiramente... e adaptar-se com uma rapidez incrível às novas condições de vida em sociedade. Em nós, telespectadores, o que mais nos assiste, e resiste, são os sentimentos, o que nos transforma em indestrutíveis conservadores revolucionários, em sociais-democratas leninistas, ou nuns democratas-cristãos que lavam os pés aos islamitas, como prova de humildade e fé. Mesmo Voltaire aceitou no seu tempo, e sem se revoltar, o suplício da roda. O sr. pm possui a honra da palavra dada e dos princípios. Nos ficamo-nos pelos sentimentos. Se nos deixarem, claro está. O seu sorriso cativante passa por cima das diferenças. O sr. pm nem as sente. De facto, muitos de nós têm o privilégio de pertencer à casta de contribuintes que pagam a educação, a saúde e tudo o resto. É claro que, apesar de tudo, é bom ouvir o sr. pm no aconchego das nossas salinhas de estar a induzir-nos na verdade. É bom sentir que tanto o sr. pm como cada um de nós pertencemos ao mesmo povo. A arte é sempre mais bonita do que a natureza. A verdade é que quando bebemos mais meio copo de vinho espumante já não sabemos se ele está a falar a sério ou a brincar. Queremos crer que a imitação é real. Só pode ser. Por vezes, até nos apetece ir buscar a bandeirinha que agitámos na última campanha eleitoral. Apesar do pouco prometido que foi cumprido, a nostalgia atravessa-nos como a música pimba que animou o comício de encerramento. Ou a caravana automóvel que espantou a passarada e pôs os cães das aldeias a ladrar como se fossem militantes ou simpatizantes do partido adversário. E as esferográficas lá ficam guardadas nas gavetas onde acabarão por borrar tudo de tinta. São também simpáticos os moços de recados que o defendem por tudo e por nada. Acreditam eles mais nele do que ele próprio acredita em si. A verdade é que a velha bandeira do partido sobreviveu a vários moços dos recados. Já serviu de mortalha a muito egrégio militante.  E a sua memória lembra que não se devem esquecer os bons e velhos costumes, apesar das tempestades do progresso. Mas o que interessa é que o sr. pm continue a ser capaz de tomar as rédeas da governação do país e satisfaça as necessidades práticas dos militantes do partido. O país não existe sem o partido, nem o partido existe sem o país. E, claro está, ambos necessitam da simpática liderança do sr. líder. Continua a ser difícil colocar as boas ideias em palavras. Também é difícil gostar do chefe da oposição, que, por definição, é sempre uma pessoa desagradável. O caminho até ao poder é sempre longo e, algumas vezes, nem se alcança o fim. Lá chegará o tempo de, também ele, desconfiar de si próprio.


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Domingo, 19 de Maio de 2019

Em Torgueda

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Sábado, 18 de Maio de 2019

Ao portão com um sorriso

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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019

Quaresma

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 095

 


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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Poema Infinito (456): O voo dos pássaros eternos

 

 

Os pensamentos aquecem os nossos corpos até à temperatura do desejo. Já não precisamos de ser empurrados pelos deuses da inspiração. Entretanto, o dia evapora-se lentamente. As nossas bocas contam histórias que correm como água em terreno sedento. A mística é a substância deste tempo. Já é passada a época das grandes inundações, dos príncipes assassinos, das histórias que devoravam os homens e as mulheres. E as crianças. Os maus jogos acabam todos empatados. Mas tudo começa de novo. Agora podemos voltar a falar dos olhos que viram as enormes janelas do Templo de Salomão, da conclusão das aventuras, dos aviões que acompanham lá do alto a misteriosa simetria das religiões, os incêndios do tempo e das gramáticas, a linguagem extensa das bibliotecas, dos públicos metafóricos, da higiene das paisagens, do frio extenso das paragens. Faz parte dos erros infantis desperdiçar os gestos da dança, a alegria transitória dos bailes, a nobreza do agrado, a admiração pelos paralelepípedos. Há tanta água em volta de Veneza que nos dá prazer pensar nos desertos, na profundidade inconsequente do Mediterrâneo, nas grandes cidades que a História construiu e destruiu. As regras de conduta definem a moral dos mestres. Os anjos do desassossego repetem em tom meigo as parábolas que fazem parte das cidades. Uma grande cidade não é aquela que tem mais cidadãos. Os néscios não usam fórmulas, mas a picareta. E avançam. E avançam. E avançam. Os bons aprendizes da sabedoria estudam as lições essenciais. Os sítios mais bonitos são os que cabem numa curta narrativa. As extremidades dos países são quem define a sua verdadeira importância. O nosso tem dois lados que dão para terra e outros dois que caem no mar. É uma terra quase simpática. Quase não aparece no mapa-múndi. Resultou de um gesto ligeiramente perverso de um filho em relação à sua mãe. Foi a luta amorosa o que nos fez sair do labirinto. Os caminhos são infinitos. Tudo é infinito. Mas tudo acaba. Os sonhos choram agora de forma lúcida. A experiência pode transformar-se numa forma de consolo. A água fina desce sobre as flores. O céu é puro porque é indiferente. Todas as alturas são formas de perguntas. Nelas está o medo, o orgulho e o desencanto. Lembro-me da avó abrir a porta, de  a sentir perder alguma dor. Sinto a sua presença nos lugares que habitou. Olho a sua ausência no meio do silêncio, o seu rosto desprotegido, o universo profundo da sua saudade. A habilidade das suas mãos veio de muito longe. E também o seu sorriso suave. Consome-me o conhecimento da sua ausência. Agora entretenho-me a decompor e a recompor o desejo. Tudo é, ao mesmo tempo, inútil e exaustivo. O desejo completa a coragem. É doloroso o momento em que os pássaros caem, quando a voz do imprevisto faz eco nos nossos ouvidos. Junto aos jardins o mundo é feliz. Ou parece. Daqui consigo ouvir a abertura dos silêncios. Os olhos descobrem sozinhos a sua própria ilusão que, muitas vezes, se transforma no seu oposto. A maior parte das estrelas é invisível. Algumas lembranças são como ondas mansas, como flores frescas, como pássaros pousados na folhagem. A saudade de um sorriso é uma espécie de eternidade invertida. Os meus olhos continuam prisioneiros dos pássaros eternos que voam dentro dos teus.


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Quarta-feira, 15 de Maio de 2019

Cozinha Barrosã

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Terça-feira, 14 de Maio de 2019

Pastor

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Domingo, 12 de Maio de 2019

442 - Pérolas e Diamantes: Homarídeos para todos os gostos

 

 

Um dos meus sonhos de viagem – e que me desculpem o Axel e a Marina – é ir ao Festival de Lagosta do Maine (EUA). Até porque isso não é para qualquer um. Eu, por exemplo, não conheço ninguém que lá tenha ido. A originalidade continua a fascinar-me.

 

No total, o público pagante ultrapassa a centena de milhar. Um anúncio na CNN aclamou o evento apelidando-o de uma das melhores galas gastronómicas do mundo. E o cartaz costuma ser convidativo: concurso de beleza anual da Deusa Marítima do Maine; Corrida de Caixotes em Memória de William G. Atwood; Competição Culinária para Amadores; atrações, barracas de feira de diversões, barraquinhas de comida; e, sobretudo, os 12 mil quilos de lagosta do Maine acabados de apanhar e preparados na Maior Panela para Lagostas do Mundo, servidos na Tenda Principal de Alimentos da FLM.

 

Também se podem degustar crepes de lagosta, folhados de lagosta, lagosta salteada, salada de lagosta Down East, sopa de lagosta, ravióli de lagosta e bolinhos fritos de lagosta.

 

Para os mais elitistas, do palato, claro está, é possível encontrar lagosta à Thermidor num restaurante mais formal chamado Black Pearl, no cais noroeste do Harbor Park.

 

Na FLM podemos deparar-nos com panfletos, com receitas e dicas sobre comida e factos divertidos a propósito de lagostas.

 

A lagosta pode comer-se assada, grelhada, cozinhada a vapor, salteada, na chapa ou no micro-ondas. Mas o método mais simples é cozê-la.

 

Se tiverem as lagostas, o resto é fácil. Precisam de uma panela que devem encher com cerca de dois litros e meio de água. O ideal é ser água do mar. Mas se for água da torneira devem acrescentar duas colheres de sopa de sal por cada litro. Põem  a água a ferver, enfiam as lagostas, uma a uma, na panela, tapam-na e aumentam o calor até a água ficar outra vez a ferver. Depois reduz-se o calor e deixam-se as lagostas a cozer em lume brando.

 

As lagostas que estão dentro da panela devem ficar escarlates. Se quiserem testar as lagostas devem puxar-lhes por uma antena, se a arrancarem da cabeça com um mínimo de esforço, estão prontas para serem comidas.

 

O problema pode surgir às pessoas mais sensíveis quando se começa a ouvir uma coisa parecida com gritos, até porque as lagostas têm de ser cozidas vivas.

 

Apesar de existir um mito populista dizendo que o assobio estridente que se ouve são os gritos da lagosta, a verdade é que o som corresponde ao vapor que escapa da camada de água do mar situada entre a carne da lagosta e a carapaça.

 

No festival há ainda T-shirts com lagostas, bonecos de lagostas com cabeça de mola, brinquedos insufláveis para piscina em forma de lagosta e chapéus de lagosta acopladas com grandes pinças escarlates que se bombeiam graças a molas.

 

Afinal, o que é uma lagosta? Basicamente é um inseto marítimo gigante. David Foster Wallace diz que são como homens do lixo do mar, pois alimentam-se de coisas mortas. Embora também se alimentem de alguns mariscos vivos, de determinados tipos de peixe feridos e, às vezes, umas das outras.

 

Em termos taxonómicos, uma lagosta é um crustáceo marinho da família dos homarídeos que se caracteriza por possuir cinco pares de patas articuladas, com o primeiro a terminar numas grandes pinças que servem para subjugar a presa. São ao mesmo tempo caçadoras e necrófagas.

 

Mas também são boas para comer. Pelo menos é o que a classe privilegiada pensa.

 

No entanto, até ao século XIX, as lagostas eram consideradas comida para a classe baixa, consumida pelos pobres e até por quem estivesse encerrado em instituições de caridade.

 

Na América, no seu duro contexto penal, havia colónias com leis específicas onde se proibia que se dessem lagostas aos presos mais do que uma vez por semana, por ser considerado cruel e invulgar. Regime penal que obrigava pessoas a comerem ratazanas.

 

Esse estatuto da lagosta derivava da sua fartura no mar da Nova Inglaterra.

 

Hoje em dia, a lagosta é considerada coisa sofisticada, uma iguaria, um nadinha abaixo do caviar.

 

Os panfletos do festival referem que a carne de lagosta tem menos calorias, colesterol e gordura saturada do que a galinha.

 

A lagosta é, essencialmente, uma comida de verão.

 

Apesar de eu não gostar de lagosta, tudo isto escrevo porque tenciono conservar a amizade dos estimados leitores. E viajar. Para longe.


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No túnel

Lisboa - Rua Presidente Arriaga - Vasco 091 - có

 


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Sábado, 11 de Maio de 2019

No miradouro

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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019

Na cozinha

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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019

No forno

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Terça-feira, 7 de Maio de 2019

No monte

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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

441 - Pérolas e Diamantes: Girondinos e Jacobinos

 

 

Como dizia Flaubert, as frases também são aventuras. A arte, para o bem e para o mal, é uma evasão, até porque o peso da realidade é imenso.

 

Por vezes, o pensamento criativo pode ser mais importante do que o conhecimento. Um erro não corrige outro. Há na política muita gente que se julga líder mas não passa de entrave.

 

A política neoliberal assemelha-se ao homicídio mais difícil de resolver: o que é cometido para esconder outro crime.

 

O tempo por vezes faz magia e consegue que aquilo que era invisível fique visível.

 

Uma coisa temos segura: os cães ladram sempre, tanto os do lado deles como os do nosso.

 

O poder democrático assenta no exercício recíproco de influências entre os dignatários do regime,  a que alguns apelidam de bloco central. Os jacobinos costumam reunir o comité central. E os outros, os girondinos, ou outras, engordam o cilício com a sua carne ternurenta. O seu misticismo é voluptuoso. O seu jejum é uma forma de iguaria requintada. Costumam ser os heróis, ou heroínas, da conversa fiada, repleta de vozearia, ênfase e hipérboles. 

 

São as unidades mínimas de carícia. O povo entretém-se a deitar mão ao vazio. A classe média enche-se de desassossego, fazendo surgir a insatisfação.

 

Apesar da sua aparente origem comum, o zelo religioso costuma dar-se mal com as contradições dialéticas, pois criam situações de dependência. É como a sopa de peixe temperada com âmbar, à velha maneira dos Pomorches, devoradores de pomuchel, conhecido entre nós como bacalhau.

 

Por vezes a realidade cai em cima de nós como uma tempestade de primavera.

 

O campo continua bonito, as árvores estão verdes e as roseiras estão em flor, mas isto é agora usufruído apenas através das fotos ou da televisão. Deslumbramo-nos com a natureza através da janela. Já não saímos à rua.

 

Os problemas costumam surgir quando nos queremos afastar da teoria e nos aproximamos da prática. Trabalhar junto das bases não é fácil. O povo pode parecer tolo, ou até sê-lo, mas tem boa índole. Quer do ponto de vista teórico, ou, até, do funcional.

 

Aí se colhe a experiência, se desperta a confiança, se pratica a beneficência e se começa, finalmente, a perceber a economia.

 

Ter um discurso um pouco elaborado é, nos dias que correm, como pronunciar obscenidades em latim: ninguém percebe, nem quer perceber. Ninguém sabe ou quer saber. Para quê discutir ideias? O que o povo deseja é comer bom e barato e ter um carro novo amigo do ambiente. E a vida espiritual despacha-se com uma ave-Maria seguida de um padre-nosso.

 

Os girondinos, não acreditando, nem tolerando a geringonça, foram tocar os sinos desabaladamente para assustar a populaça que começou por não compreender a desgraça anunciada. O mundo por vezes dá voltas e torna-se confuso. O facto é que nem Belzebu chega nem a gente almoça.

 

A verdade, é que da deceção se passou à exaltação. E, como é lei da vida, da exaltação se passará a deceção, sem que a ceia da conciliação tenha lugar. Os encontros fortuitos são sempre gerados pela casualidade.

 

Os girondinos costumam ficar nervosos quando chove. E também quando faz sol. Para eles, o mundo é perfeito quando há sol na eira, chuva no nabal e o povo se entretém a rezar o terço. A devoção a Nossa Senhora é imensa. É terna. É eterna.

 

Daí o estado de depressão girondina.

 

Mas a resposta é simples: os jacobinos concluíram que mais vale um pássaro “geringonceiro” na mão do que três a voar.

 

Os girondinos, acabrunhados, deixaram-se mesmo enovelar numa espécie de inércia culposa. Até o seu penteado chefe se tornou num viciado da imobilidade.

 

E eles, os pobres girondinos, pensam lá para os seus botões: é impossível saber se foi por nós ou por causa de nós, o que aconteceu. A vida, por vezes, é cruel.   

 

Mikhail Chichkin escreveu que “a harmonia universal é um regulamento destinado a ensinar aos neófitos que tudo é uma rima”.

 

Será a social-democracia uma suave monotonia?

 

Será a democracia-cristã um paroxismo de raiva?

 

Já nada os acalma, nada os satisfaz: nem os brinquedos, nem os alimentos, nem as bebidas.

 

Será a mágoa contagiosa?

 

O socialismo, por agora. É só sorrisos. E abraços.

 

E também drama. As eleições estão aí.

 

Os sermões vão-se suceder como as canções no festival.


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Domingo, 5 de Maio de 2019

Na Abobeleira

Matança Abobeleira dez 2015 087 copy - cópia c

 


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Sábado, 4 de Maio de 2019

Na aldeia

Santo Ovaia, etc 116 - cópia copy.jpg

 


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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019

No Barroso

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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

Poema Infinito (455): O ângulo da pureza

 

 

Consigo pensar em não pensar em nada. Consigo não pensar em nada. Consigo não pensar. Consigo. Nada. É difícil pensar a ausência. A roda gerou um tempo novo, modelou a velocidade dos nascimentos e preparou-nos para a dimensão dos mistérios. O verdadeiro enigma é o que eu sinto ao respirar-te. Deus inventou a eternidade quando o mais santo dos homens santos trocou as missas pelas viagens. Virou-se o feiticeiro contra o feitiço e o mundo perdeu a sua melancolia. Tudo voltou ao que era: os pássaros, as flores e os marinheiros remando para longe das suas embarcações. Tudo se transformou numa coleção de fotografias cheias de saudade. As feiticeiras recuperaram as madrugadas, os caminhos ficaram mais largos e o vento quebrou as formas do sono e do movimento perpétuo. Todo o esquecimento é feito de inércia. Os frutos das árvores da quinta são agora mais agrestes. O vento é mais amargo. São os meus dedos tristes aqueles que escrevem os sonhos claros e que imaginam o contentamento. A esperança está isenta de consentimento. São os lábios indecisos aqueles que modelam a frescura das rosas. Os campos estão plenos de bruma, as árvores parecem perdidas e as sombras lembram a trajetória e os contornos dos pensamentos mais audaciosos. Com o decorrer do tempo, tudo se faz tarde: os objetos, as cores, a esperança. A aldeia dorme dentro de mim completamente imobilizada. Já faz parte do meu desassossego. É outro tempo o tempo da poesia. Sinto a mordedura do sossego da madrugada. Todo o desejo me vem à boca. Não me ensinaram a ser árvore, a traduzir os silêncios, a transcrever as paixões. Sinto-me um menino a talhar o futuro a golpes de poeira. Ainda ali estão as pedras que não chegaram a ser casa. Contentaram-se em ser linguagem de chão. A respiração dos animais é agora mais lenta. Deus, por vezes, entretém-se a torcer as linhas do tempo. Por isso, os sete dias da criação foram transformados em infinito. Deus já não crê nos homens. A mulher deitou-se na sua própria sombra. Dela saíram pequenos pedaços de mistério. Aprendeu a fixar-se na paciência dos rios. Agora chora porque sente que perdeu a sua transparência. A luz infinita inverteu o percurso do mundo. Outra mulher atravessa o nevoeiro com as suas mãos de fogo. As suas palavras são como bolhas de água. Tudo parece confuso, até os murmúrios da água fria que banha os abetos da margem do rio. E o rio sofre. E a noite sofre. A noite parece uma mulher enlouquecida. E o dia também irá sofrer. A antiguidade possui o estilo memorativo da intimidade. Os lábios dos navegadores murmuram os sofismas do regresso. Muitos deles regressaram mesmo sem terem partido. Estavam habituados às divindades, às tensões percetivas, aos estigmas, à lucidez dos números, ao contágio temporal das orações. O silêncio pode ser uma herança incómoda. No entanto, podemos equilibrá-lo com sensibilidade, com lirismo, com ascese, dando-lhe a forma de uma claridade abstrata. Toda a moral tem de ser caligrafada para não invocar o desejo dos corpos em vão. É leve o voo das andorinhas. É leve o amanhecer. É também leve o movimento natural das paisagens. Já o movimento perpétuo da realidade é tão pesado como os remorsos. O sol da tarde começa a roer a planície. A superfície do tempo dá expressão aos rostos cansados. Tu és o meu ângulo de pureza.


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Quarta-feira, 1 de Maio de 2019

Na aldeia

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