Domingo, 12 de Maio de 2019

442 - Pérolas e Diamantes: Homarídeos para todos os gostos

 

 

Um dos meus sonhos de viagem – e que me desculpem o Axel e a Marina – é ir ao Festival de Lagosta do Maine (EUA). Até porque isso não é para qualquer um. Eu, por exemplo, não conheço ninguém que lá tenha ido. A originalidade continua a fascinar-me.

 

No total, o público pagante ultrapassa a centena de milhar. Um anúncio na CNN aclamou o evento apelidando-o de uma das melhores galas gastronómicas do mundo. E o cartaz costuma ser convidativo: concurso de beleza anual da Deusa Marítima do Maine; Corrida de Caixotes em Memória de William G. Atwood; Competição Culinária para Amadores; atrações, barracas de feira de diversões, barraquinhas de comida; e, sobretudo, os 12 mil quilos de lagosta do Maine acabados de apanhar e preparados na Maior Panela para Lagostas do Mundo, servidos na Tenda Principal de Alimentos da FLM.

 

Também se podem degustar crepes de lagosta, folhados de lagosta, lagosta salteada, salada de lagosta Down East, sopa de lagosta, ravióli de lagosta e bolinhos fritos de lagosta.

 

Para os mais elitistas, do palato, claro está, é possível encontrar lagosta à Thermidor num restaurante mais formal chamado Black Pearl, no cais noroeste do Harbor Park.

 

Na FLM podemos deparar-nos com panfletos, com receitas e dicas sobre comida e factos divertidos a propósito de lagostas.

 

A lagosta pode comer-se assada, grelhada, cozinhada a vapor, salteada, na chapa ou no micro-ondas. Mas o método mais simples é cozê-la.

 

Se tiverem as lagostas, o resto é fácil. Precisam de uma panela que devem encher com cerca de dois litros e meio de água. O ideal é ser água do mar. Mas se for água da torneira devem acrescentar duas colheres de sopa de sal por cada litro. Põem  a água a ferver, enfiam as lagostas, uma a uma, na panela, tapam-na e aumentam o calor até a água ficar outra vez a ferver. Depois reduz-se o calor e deixam-se as lagostas a cozer em lume brando.

 

As lagostas que estão dentro da panela devem ficar escarlates. Se quiserem testar as lagostas devem puxar-lhes por uma antena, se a arrancarem da cabeça com um mínimo de esforço, estão prontas para serem comidas.

 

O problema pode surgir às pessoas mais sensíveis quando se começa a ouvir uma coisa parecida com gritos, até porque as lagostas têm de ser cozidas vivas.

 

Apesar de existir um mito populista dizendo que o assobio estridente que se ouve são os gritos da lagosta, a verdade é que o som corresponde ao vapor que escapa da camada de água do mar situada entre a carne da lagosta e a carapaça.

 

No festival há ainda T-shirts com lagostas, bonecos de lagostas com cabeça de mola, brinquedos insufláveis para piscina em forma de lagosta e chapéus de lagosta acopladas com grandes pinças escarlates que se bombeiam graças a molas.

 

Afinal, o que é uma lagosta? Basicamente é um inseto marítimo gigante. David Foster Wallace diz que são como homens do lixo do mar, pois alimentam-se de coisas mortas. Embora também se alimentem de alguns mariscos vivos, de determinados tipos de peixe feridos e, às vezes, umas das outras.

 

Em termos taxonómicos, uma lagosta é um crustáceo marinho da família dos homarídeos que se caracteriza por possuir cinco pares de patas articuladas, com o primeiro a terminar numas grandes pinças que servem para subjugar a presa. São ao mesmo tempo caçadoras e necrófagas.

 

Mas também são boas para comer. Pelo menos é o que a classe privilegiada pensa.

 

No entanto, até ao século XIX, as lagostas eram consideradas comida para a classe baixa, consumida pelos pobres e até por quem estivesse encerrado em instituições de caridade.

 

Na América, no seu duro contexto penal, havia colónias com leis específicas onde se proibia que se dessem lagostas aos presos mais do que uma vez por semana, por ser considerado cruel e invulgar. Regime penal que obrigava pessoas a comerem ratazanas.

 

Esse estatuto da lagosta derivava da sua fartura no mar da Nova Inglaterra.

 

Hoje em dia, a lagosta é considerada coisa sofisticada, uma iguaria, um nadinha abaixo do caviar.

 

Os panfletos do festival referem que a carne de lagosta tem menos calorias, colesterol e gordura saturada do que a galinha.

 

A lagosta é, essencialmente, uma comida de verão.

 

Apesar de eu não gostar de lagosta, tudo isto escrevo porque tenciono conservar a amizade dos estimados leitores. E viajar. Para longe.


publicado por João Madureira às 20:36
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publicado por João Madureira às 07:00
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