Domingo, 30 de Junho de 2019

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Sábado, 29 de Junho de 2019

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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

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Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

Poema Infinito (462): Solidão

 

 

Começo a perceber a importância das coisas desnecessárias. O tempo não cresce sempre de maneira uniforme. As recordações são como imagens de gente que corre sem sair do lugar. É vã a tentativa de me separar da minha sombra. Custa-me ver os quadros incompletos virados para a parede como se estivessem de castigo. A imagem da proteção é sempre iridescente. De repente vi-me rodeado de um grande sossego. Deus alimenta-se de sonhos e de crânios vazios. Os rios continuam a batalhar, mesmo que por vezes de forma subterrânea. O tempo parece que chora, vergado pelo descontentamento. É estranho o vento soprar em agosto. Nos montes, florescem as saudades. As flores silvestres nascem agora de forma inconstante. Primeiro perdemos a distância, agora perdemos também a metódica duração dos passos que nos levavam até ela. Já não entendo as canções, apenas consigo interpretar alguns murmúrios. Os rostos mudam de lugar sem mudarem de expressão. A ternura teima em ser lavrada. Toda a esperança elabora a sua própria biografia. Algumas vezes é a glória que escreve a história, outras é a história quem define a memória. Os caminhos de regresso estão cada vez mais sombrios. Os dilúvios bebem a cor das estrelas. A sua luz parece mais instável. A vida tende para Eros, para o seu infinito. Para a sua destruição. Um tédio imenso engole tudo. Sinto a mão da mãe pousada sobre o meu cabelo de criança como fazendo parte da eternidade. Troco o sacrifício pela iluminação. O êxtase da tarde espera por nós. Ouvimos o sotaque inútil das palavras obscenas. O jejum já vem de longe. Não vale a pena tentar perceber o tempo, nem a viagem ligeira das almas. Tudo o que o tempo tem o tempo o gasta. Apenas a inquietude permanece a mesma. O frio repousa dentro dos livros mais antigos. As ruas da aldeia estão vestidas de caras tristes e monótonas. Uma espessa névoa húmida acerca-me da infância. As recordações são como vidros ásperos. O engano também pode ser insistente. A culpa move-se como uma cobra. Agora é o tempo dos crepúsculos. Também há rigor na imperfeição. A culpa pode transformar-se em amor e ganhar a nitidez das estrelas. Lembro-me de os ceifeiros cantarem e de o ar agitar as searas do centeio. Nesse tempo, a terra respirava. Ainda não havia ausências. Tudo era. Tudo estava. Agora a memória é branca, sem destino, mesmo que por vezes faça algum sentido. As crianças matavam os monstros e depois fugiam através de labirintos guiados pelos sorrisos das mães. Os poemas eram feitos de desordem e danados para a brincadeira. Até o silêncio da noite adquiria a velocidade mágica dos encantamentos. O tempo estava carregado de inocência. Os velhos esperavam pelos novos. E os novos esperavam pelos velhos. Depois as palavras começaram a arrefecer e os astros a ficar em silêncio. Só a sinceridade continuou a falar claro como a água. Apenas as pequenas histórias são consequentes. O desassossego continua ansioso como sempre foi. É o andar que faz os caminhos mais simples.  As janelas das casas abandonadas sofrem agora a violência do sossego. O tempo adquiriu a densidade da monotonia. Os labirintos emaranharam-se e transformaram-se em grutas profundas. Tudo adquiriu a mágoa das distâncias. As epifanias atravessam o universo repletas de caos e eternidade. Cada estrela possui a sua própria solidão.


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Quarta-feira, 26 de Junho de 2019

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Terça-feira, 25 de Junho de 2019

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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

448 - Pérolas e Diamantes: Prosélitos e terapias

 

 

Quando tinha vinte e poucos anos, Leonardo da Vinci foi acusado de “cometer sodomia na pessoa de Jacopo Saltarelli”. Nessa altura, a homossexualidade pagava-se com o fogo.

 

Foi absolvido por falta de provas e, para bem da Humanidade, regressou à sua vida.

 

Pintou obras-primas que inauguraram o esfumado e o claro-escuro na história da arte. Escreveu contos, lendas e receitas de cozinha. Desenhou perfeitamente, e pela primeira vez, os órgãos humanos, estudando a anatomia nos cadáveres. Confirmou que a Terra girava.

 

E, para que se saiba, inventou o helicóptero, o avião, a bicicleta, o submarino, o para-quedas, a metralhadora, a granada, o morteiro, o tanque, a grua móvel, a escavadora flutuante, a máquina de fazer esparguete e o ralador de pão.

 

Aos domingos, com o dinheiro que ganhava, comprava pássaros no mercado e abria-lhes as gaiolas.

 

Há pessoas que se revelam naturalmente educadas, mesmo quando abordam assuntos escabrosos. Como existem outras que são grosseiras até quando dão os bons-dias. No fundo, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

 

Dizem que Leonardo nunca abraçou uma mulher. Mas todos sabemos que pintou o retrato mais famoso de todos os tempos: A Gioconda.

 

A arte nasce sempre de uma forma de solidão fecunda.

 

Agora a arte é outra. Uma ideologia tão diversa que apenas é única numa coisa: a idiotice.

 

Como diz António Vitorino de Almeida: Há que temer bastante mais certos encómios do que a própria boçalidade dos atolambados que enveredam pelo insulto soez e pela consequente recusa das “intrínsecas qualidades”.

 

Dizem que o compositor Mahler, um judeu que se fez batizar já homem feito, quando um dia recebeu a visita do maestro e seu assistente Bruno Walter, no seu retiro de férias – que na realidade era o seu laboratório artístico –, verificando que ele se colocara na varanda a contemplar a paisagem, levou-o para dentro de casa argumentando que escusava de olhar, porque tudo o que dali via estava na sua Sinfonia.

 

Em parte das suas nove sinfonias – obras monumentais com introdução frequente da voz, quer a solo, quer em coro –, utilizou instrumentos que não eram nada habituais na orquestra sinfónica, tais como xilofone, harmónio, guitarra, badalos de vacas e até um martelo para bater no estrado de madeira dos percussionistas.

 

O problema maior, como esclareceu Gilles Deleuze, é quando somos apanhados no sonho dos outros, pois não há nada a fazer, já que não nos podemos safar acordando.

 

A religião é uma crença supersticiosa e as terapias alternativas são como drogas. Os profetas da new age não se cansam de nos falar dos benefícios da homeopatia, do reiki, da medicina quântica, do comunismo temperado, da cinesiologia, da magnoterapia, do nacionalismo internacionalista, da sanação holística, do bom fascismo, da bio-energia, da fé redescoberta, dos adivinhos, dos curandeiros de todos os géneros e da terapia sexual alternativa.

 

O dito homem pós-moderno é barro em estado puro pois pode-se modelar à nossa vontade. É pau mandado, um convencido que anseia brilhar, despido de caráter e de iniciativa. Ou seja, faz o que lhe mandam e costuma dizer que a mais não é obrigado. Confunde habitualmente classe dominante com classe dirigente.

 

Alguns deles ainda se entusiasmam com a aventura dos bolcheviques. Gostam de ver filmes antigos.

 

Como escreveu Raymond Aron, a verdade é que a pretexto de substituir o governo dos homens pela administração das coisas, o socialismo real administrou os homens, incluindo o seu pensamento.

 

Uma coisa ficou provado com a impulsão do comunismo: os homens manipulam pela técnica as forças naturais, mas não as forças sociais. Os planificadores sociais do Leste revelaram-se impotentes.

 

Estamos a assistir ao fim das grandes ideologias e ao renascimento das ideias.

 

Claro que continua a haver razões para não estarmos satisfeitos com esta realidade imperfeita. Era o que mais faltava! Claro que podemos, e devemos, criticar as injustiças de certas instituições e a mediocridade da maioria das vidas. Mas uma coisa é certa: os prosélitos  dos amanhãs que cantam são incapazes de opor à sociedade existente a imagem de uma sociedade radicalmente diferente.


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Domingo, 23 de Junho de 2019

Paris - Trocadero

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Sábado, 22 de Junho de 2019

No Louvre

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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

No Louvre

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Quinta-feira, 20 de Junho de 2019

Poema Infinito (461): Entre o pasmo e a arrogância

 

 

Tanto o bem como o mal começam sempre de um estado de vaga exaltação. Inventario a tristeza. Os espíritos que se alimentam de álibis fogem da sua própria autenticidade. A hipertrofia das formas resulta sempre num princípio de desintegração. O polimorfismo atrai o vazio. Os Santos dissolvem-se em orações. O meu misticismo resulta de eu não acreditar em nada, apesar de querer acreditar em tudo. A religião não precisa de Deus, por isso é que por vezes o exclui. A escrita antiga começou como registo da ordem dos sacrifícios. O sentido das flores, de todas elas, é estiolar e reduzir-se a uma desengraçada caixinha de sementes. No inverno, pisar as poças cobertas de gelo produz uma crepitação alegre, porque antes de rachar o gelo fino geme. Lembro-me de um bailado: peito de pé esticado e em evidência, costas direitas, pernas direitas como um compasso. Costas de novo. Cabeça. É proibido deitar a língua de fora. Regresso a mim com o delírio e com a esperança profunda dos grandes lírios empunhando as espadas de astros que me deram. Apesar da chuva e do vento e do sol, as janelas e as portas já não são como dantes. Parecem poluídas de amargura e desalento. O pasmo e a arrogância continuam a provocar vendavais. A mágoa prolonga o entardecer. O tempo realça os mistérios. Misturam-se os sons e os perfumes. As cores amontoam-se nos quadros, a luz geme reclamando de nós um novo ânimo. A coragem ascende e depois tomba. As canções enaltecem o declínio, a incerteza, as ilusões. Todo o entusiasmo se desvanece como se fosse nevoeiro. Os barcos fazem-se ao mar com a evidência duvidosa dos instantes e dos rumos. Fixamos os mistérios. Sofremos as amizades como se fossem castigos. As grandes horas possuem a beleza dos crimes redentores. O medo é uma espécie de grande vergonha. Encontro então a nação: grandes estradas, arvoredos que ardem no verão, rios poluídos, torres desertas rodeadas de turistas que parecem vespas sem ferrão. Dói este sossego dos limites, o amor fatigado, as conversas sem assunto, o afeto finito pela verdade. Tenho saudade das toalhas bordadas pela mãe, dos grandes livros de imagens, das lendas facetadas, dos malfeitores que habitavam os grandes romances, das portas de cristal que guardavam os sonhos, dos barquinhos que deslizavam no céu à luz do luar, dos meninos que brincavam descalços à beira do rio, do anel perdido entre as mãos das meninas bonitas, dos banhos de azul, das viagens circulatórias, dos audaciosos decotes das princesas dos filmes antigos, da neblina matinal dos dias de primavera, das gavetas secretas, das portas falsas dos mistérios, das estantes repletas de ócio. Continuo com pena das belas adormecidas que nunca chegam a acordar. Os seus príncipes são demasiado preguiçosos para as despertarem. Viciaram-se no ópio e deliram dentro dos seus próprios esquecimentos. São príncipes sem honra, presos nos palácios, rodeados de filigranas douradas, de carícias enlanguescidas pelo delírio da luz que atravessa os vitrais. Até o vento que os costuma acompanhar desce sobre o vale sem agilidade. A luz da felicidade não sabe onde se há de refletir. As maiores derrotas acontecem logo depois das grandes vitórias. As princesas das fantasias já se desencantaram das flores.


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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

No Louvre

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Terça-feira, 18 de Junho de 2019

No Louvre

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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019

447 - Pérolas e Diamantes: Divagações

 

 

Não sei se hei de ficar triste ou contente, pois descobri que partilho o meu dia de aniversário com mais nove milhões de pessoas na Terra.

 

Tudo é uma questão de fé. Até a fé o é. E mesmo a Mafia, que resulta apenas de uma alteração de Mia Fida, que significa “Minha Fé”: aquilo em que creio, o meu credo.

 

A ironia é uma espécie de escape perante a contrariedade. Ou perante a incredulidade dos imbecis.

 

É um aforismo agustiniano: Uns têm sorte, outros têm paciência. O que tarde se aprende não traz experiência, traz desilusão.

 

Andam para aí a peneirar a verdade para com ela fazerem bolinhos de retórica. A receita é a de sempre: dar com uma mão o que depois tiram com a outra.

 

Raymond Aron meteu o dedo na ferida quando referiu que “as ideologias ditas de esquerda encobrem muita mitologia e mistificação”.

 

A esquerda muitas vezes tem razão. Muitas vezes não. Nisso é como a direita.

 

O que custa mais ver na esquerda é a mentira por omissão. Os seus propagandistas omitem sempre o que não lhes interessa, até a verdade.

 

Raymond Aron pôs um ponto final nessa filosofia da hipocrisia: “A política ainda não descobriu o segredo para evitar a violência. Mas a violência torna-se ainda mais desumana quando se crê ao serviço da verdade, a um tempo, histórica e absoluta.”

 

Desinteressamo-nos da política quando lhe percebemos os limites. Mas não é por isso que nos deixamos absorver pela indiferença.

 

Há um certo sincronismo na amizade: faz-nos sentir que o mundo tem algum sentido.

 

Ao que se sabe, Descartes morreu vítima da necessidade de se levantar antes de amanhecer, cerca das cinco da manhã, por ter de ir ler à rainha Cristina da Suécia lições de filosofia.

 

Já Stendhal aprendeu a escrever com simplicidade e clareza por ter estudado as ordens de batalha de Napoleão.

 

Meus caros amigos, por alguma razão o músculo mais forte do ser humano é o da língua.

 

Também eu fui vítima de terrorismo. Eu e todos aqueles que ouvimos contar as mais famosas histórias infantis, que mais não eram do que um arsenal de armas psicológicas contra a gente miúda. Hansel e Gretel lá estavam para nos avisar de que serão abandonados pelos pais; o Capuchinho Vermelho informava-nos de que cada  desconhecido pode ser o lobo mau que nos comerá; a Gata Borralheira obrigou-nos a desconfiar das madrastas e dos meios-irmãos. Já o Ogre, dos contos de Perrault, foi o mais eficiente de todos pois ensinou-nos a obediência e espalhou o medo entre a cristandade.

 

E também nos ensinaram muitas mentiras. Afinal, os europeus não inventaram quase nada, limitando-se a copiar os chineses e guardando o segredo bem guardado. Foi a China quem inventou quase tudo. A seda nasceu lá, há cinco mil anos. Foram eles que descobriram, denominaram e cultivaram o chá. Foram também os chineses os primeiros a extrair sal de poços profundos, a usar gás e petróleo nas suas cozinhas e nos seus candeeiros. Criaram os arados de ferro e as máquinas semeadoras, debulhadoras e ceifeiras, dois mil anos antes dos ingleses mecanizarem a sua agricultura. Inventaram a bússola mil e cem anos antes de os barcos europeus começarem a usá-la. Descobriram que os moinhos de água podiam dar energia aos seus fornos de ferro e de aço, mil anos antes dos alemães. Imprimiram livros seis séculos antes de Gutenberg e dois séculos antes usaram tipos móveis de metal nas suas imprensas. Inventaram a pólvora há mil e duzentos anos e o canhão um século depois. Há nove séculos, criaram máquinas de dobar seda com bobinas movidas a pedal, que os italianos copiaram com dois séculos de atraso.

 

Inventaram ainda a porcelana, a roca , o leme, a acupuntura, o baralho de cartas, o futebol, a lanterna mágica, a pirotecnia, o papagaio de papel, o papel-moeda, o relógio mecânico, o sismógrafo, a laca, a pintura fosforescente, os carretos de pesca, a ponte suspensa, o carrinho de mão, o guarda-chuva, o leque, o estribo, a ferradura, a chave, a escova de dentes e outras minudências.

 

Viver no século XXI é uma mistura de verdade com relativismo, que nos permite misturar ironia e sinceridade, construção com descontração e esperança com melancolia.


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Domingo, 16 de Junho de 2019

Couto Dornelas

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Sábado, 15 de Junho de 2019

Couto Dornelas

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Sexta-feira, 14 de Junho de 2019

Couto Dornelas

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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

Poema Infinito (460): A tensão da luz

 

 

Enredei-me na luz, na tua luz, e a minha tensão amorteceu. Os fios de claridade assemelham-se a veludo. Por vezes, o crepúsculo dura mais tempo do que parece. O tempo enevoado cheira a erva húmida. Deslizo agradavelmente o olhar palas montanhas. As coisas em redor vêm ao meu encontro. Sinto-me ausente. Dói-me aquilo que não sei dizer. Foram as crianças que me ensinaram o que é a ironia. Apesar de querer ir, continuo a ficar. Sobre a mesa da sala lá estão os panos de renda estreita, os folhos, os trabalhos concluídos pelas mãos quase azuis da mãe. Os regressos podem ser tranquilizadores. Ou inquietantes. As bátegas de chuva uniram o céu e a terra. Resta-nos ainda a expectativa. Foi a brisa que nos juntou. Vejo a chuva mergulhar suavemente no rio e a gotejar sussurradamente nas folhas dos salgueiros. O silêncio é incomensurável. Uma suave cortina de névoa vai tomando conta da luz, das árvores e dos caminhos. A doçura do teu olhar cria em mim uma espécie de tensão quase insuportável. A beleza também pode adquirir contornos indefinidos. Encontro-me e afundo-me na intemporalidade do que é fugaz. O tempo faz com que tudo se alargue e se decomponha. Procurar a rima é um ato medíocre de desespero. São cada vez mais as urtigas e os dentes-de-leão que crescem junto aos muros dos caminhos. A posteridade tem os seus custos. A História paga-se. Junto das ruínas da velha igreja a poeira dança na luz oblíqua. Também por ali esvoaçam pombos assustados com o silêncio. Nas empenas e nas torres, os penitentes medievais flagelantes retorcem-se contra as tentações da carne. Já nem os pecados são o que eram. Tudo agora é inócuo. Mesmo Deus. E os anjos. As aparições já não se dão pela manhãzinha, mas ao lusco-fusco. Com pequenos golos de vinho, pão e presunto, percorremos o caminho caras ao passado. As insurreições fazem parte dele. E também os ícones de Lenine. A capacidade de contrição dos crentes não tem fim. Não tem limites. Nem se lhe conhece princípio. A paz imatura do conformismo dura já há demasiado tempo. A avó, quando estava triste, impunha o silêncio atrás de si, o leite azedava no fervedor e os vidros mais sólidos costumavam estilhaçar-se com a sua sombra. Mesmo a alegria dos outros murchava. Até as horas mais resistentes se partiam ou ficavam embaraçadas. Nessas alturas, a jovialidade dos verões costumava tombar dos muros para o chão. A cristandade continua a basear-se em períodos alternados de glutonaria e jejum. Mesmo quando perdeu a virgindade, a avó não perdeu a serenidade. Árvore a árvore, cresce a encosta. A infelicidade tem raízes profundas. Os mais velhos tropeçam agora nas suas memórias. Alimentam-se de saudades e bolachas. A sua paciência humana já coalhou. A luz fluorescente dos seus olhos é cada vez mais hesitante. O eco das aldeias vazias é ensurdecedor. Com as mãos tentam proteger o tempo que ainda lhes resta. O corpo falha. A cabeça ainda não. Ou não tanto. Nunca tanto se tornou tão pouco. Dizem que é a lei da vida. A manhã pousa nos seus ombros como se fossem estátuas de granito. Parecem cristos pantocratores com a mortalidade a pairar-lhes sobre as cabeças. Para quê correr se não se vai a lado nenhum. A tristeza cada vez pesa mais. As palavras chegam-nos cada vez mais incompletas. As recordações são agora o limiar da nossa consciência.


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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

Couto Dornelas

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Terça-feira, 11 de Junho de 2019

S. Caetano

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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019

446 - Pérolas e Diamantes: Densas banalidades

 

O que mais me incomoda nos portugueses é a sua “tendência natural” para as meias tintas, para a conciliação ou mesmo para a subserviência.

 

Eu aprecio a insubmissão e todas aquelas pessoas que ostentam o orgulho de decidir. Viver apaticamente é frustrante. Aprecio quem vive de inquietação, abalado pela ironia e duvidando da inércia.

 

O problema nas nossas vidas costuma acontecer quando, como Macbeth, nos damos conta de que o bosque que pensávamos quieto se começa a mexer.

 

Bem sentidos, os espaços que nos são queridos podem ser, ao mesmo tempo, limitados e infinitos. Deles, podemos alcançar o mundo.

 

Não sei porquê, mas os membros das elites de agora possuem sorrisos indecisos, como se em vez de olharem para as pessoas se olhassem a um espelho permanentemente colocado à sua frente. Gostam muito de jogar, o que acaba por ser um derivativo para a agressividade dissimulada. Fingem recusar o luxo. Costumam utilizar um tom assumidamente entediante: o da hostilidade dos privilegiados para com os privilégios.

 

E lá se vai o mundo rural onde se costumavam viver as várias experiências de uma sabedoria diferente. Já poucos são os que sabem em que altura do ano canta o rouxinol ou chilreia a cotovia, como se faz o pão, como se secam os figos, como se cora o linho, como se ceifa o trigo ou o centeio, como se plantam e arrancam as batatas, como se munge uma vaca, como se alimenta um reco, como nascem os vitelos, como se junguem os bois ou se pisam as uvas no lagar.

 

Ao que dizem os livros dos deuses, foi sentado no seu trono no Olimpo que Zeus escolheu o deus do comércio. A escolha foi quase imediata, só podia ser Hermes. Ofereceu-lhe então um par de sandálias com pequenas asas de ouro e encarregou-o de promover o intercâmbio mercantil, a assinatura de contratos e, ainda, de salvaguardar a liberdade de comércio. Hermes foi escolhido por ser aquele que melhor mentia.

 

Ao que tudo indica, os políticos pós-modernos foram amaldiçoados pela Deusa Hera, mulher oficial de Zeus, que numa cena de ciúmes amaldiçoou a ninfa Eco, que tinha muita graça, pois as suas palavras pareciam nunca ter sido antes ditas por nenhuma boca. Eco sofreu o pior dos castigos, pois foi privada de voz própria. Desde essa altura é incapaz de dizer, apenas consegue repetir. Os tempos modernos transformaram essa maldição numa grande virtude.

 

Passei os meus anos de juventude empenhado na defesa da ideia de um mundo melhor. Depois reduzi-o à escala de uma região e de uma cidade. A seguir estreitou-se ainda mais. Agora esse ideal tem o tamanho de nada.

 

Para um jesuíta dizer meia mentira e já dizer meia verdade. Mas eu não vou por aí.

 

Agora penso como Aristófanes, um escritor conservador que defendia as tradições como se acreditasse nelas, que a única coisa sagrada é o direito ao riso.

 

Sinto-me a viver numa cidade onde nada acontece e por isso tudo é importante. Apesar disso, a sua beleza triste continua a seduzir-me.

 

Subo e desço as ruas velhas e já não vejo as crianças a brincar. Mas a velha melancolia ainda por lá anda. As ruas imobilizaram-se no tempo. E não foram só elas.

 

As pessoas parecem-me indiferentes e as árvores domesticadas.

 

Ao Tâmega sucedeu-lhe o mesmo que ao Douro, não encontrou cantores. Galarins desse género só os teve o Mondego e o Tejo. Como diria a Sibila: por aqui as epopeias foram raras e as musas mimosas, mas não ardentes. Em vez do tanger melodramático das guitarras, por cá apenas soaram o repique ou o dobrar dos sinos.

 

Ao que consta, Camilo Castelo Branco gostava de quem sabia chorar. E até se tornou um escritor especialista nesse tipo de romances. Eu não consigo apreciar os especialistas das lágrimas. Sempre desconfiei deles. Desses e dos que ostentam o riso fácil e chocalheiro. Desconfio que são vinho da mesma vasilha. É tudo pinga contrafeita.

 

Dizem por aí os apologistas do politicamente correto que vivemos num tempo de grandes verdades. A mentira já vem de longe e fez-me lembrar um desabafo da escritora Agustina Bessa-Luís: “Já disse numa dessas entrevistas que as grandes verdades não me impressionam. Estamos a viver numa sociedade de verdades engarrafadas. Se as bebermos, não sei se não serão uma zurrapa.”

 

Para mim o cair da tarde em Chaves ainda continua a ser uma hora irreal. Mas as conversas não deixam de ser densas de banalidades.

 

Camilo costumava dizer que quem aniquila a velha nobreza é o ridículo da nova.


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Domingo, 9 de Junho de 2019

No Barroso

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Sábado, 8 de Junho de 2019

SF13 - Montalegre

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Sexta-feira, 7 de Junho de 2019

SF13 - Montalegre

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Quinta-feira, 6 de Junho de 2019

Poema Infinito (459): O vazio

 

 

Hoje sou eu e o vazio. O vazio e a sua visão panorâmica. A sua mensagem é reflexiva. Pensar,  dor, mas também prazer. É um vício. Amamos perder tempo para ganhar tempo. Afasto as cortinas para poder ver com nitidez os meus pensamentos. Esforço-me por entender os outros. Mas não os entendo. Mas esforço-me. O vazio ali está à nossa espera. É preciso preenchê-lo, mas não com mais vazio. O vazio está repleto de si próprio. Eu acredito. Acredito que não acredito.  Apagar o vazio cria ainda mais vazio. A dor espalha-se. O vazio espalha-se. O vazio que a dor provoca.  O tempo espalha a dor e o vazio. O vazio espalha o tempo. O vazio é tudo. O vazio é nada. O vazio é como o amor. A felicidade é uma espécie de tristeza que passa rápido. É difícil condensar todas as dimensões da satisfação. A satisfação também é uma espécie de vazio, mas preenchido. Viver a felicidade é outra das formas do vazio. É como a felicidade de viver a felicidade. É como sofrer o luxo confortavelmente. As comparações podem ser obscenas. A obscenidade é uma forma de vazio. Produz o vazio. O pavor cria  ainda mais vazio em torno do vazio primordial. O Big Bang nasceu do vazio e para lá caminha, expandindo-se. As pessoas costumam construir enormes parágrafos de vazio. E depois choram porque se sentem vazias. As tuas mãos tocam com suavidade o meu vazio. Sinto o seu carinho. A sua ternura. A sua fome. Deus tem inveja do prazer. Deus também é vazio. Deus criou o vazio e mora dentro dele. Esconde-se nele. As pessoas adoram Deus. E Deus adora o vazio. Até a matéria é feita de vazio. Passamos a vida a esperar. Temos de acreditar. Temos de acreditar no inacreditável. Nenhuma religião vive sem pecado. A religião acredita no vazio e no espaço da sua fé. E na luz que abre caminho através do vazio. A ansiedade é permanente. E também a compaixão. E o deslumbramento. O vazio é a dor perfeita. É uma espécie de rotina maravilhosa. Nada resiste ao tempo. Nada resiste ao vazio. Depois, no meio do vazio, há momentos que não devemos perder. Que não podemos perder. Todas as vidas se dissolvem em ausência. A ausência é outra das formas do vazio. É a ironia a que me faz resistir ao vazio. Dentro de mim reina o caos. É o caos quem cria o vazio. E a mágoa. Dizia a avó que a mágoa era contagiosa. Isso depois de ficar viúva. A viuvez é o vazio pela metade. Oiço agora o rumor das flores, o murmúrio das ervas e o grito das aves que saem do vazio. As estrelas parecem agora mais próximas. Assemelham-se às melodias desconsoladas da infância. O vazio é também uma espécie de beco sem saída. Uma arte limpa. Uma forma de respiração silenciosa. No vazio pode tentar-se indefinidamente. O vazio de agora é diferente do de antigamente. É mais inútil. É existencial. Ninguém percebe o seu destino. O que verdadeiramente dói é aquilo que não se vê. O sentido da vida é inexplicável. Também o vazio é absurdo. E aí estão à nossa frente os terraços do tempo, a Babel dos suspiros, a sábia experiência da violência praticada no paraíso. Toda a sabedoria regressa ao caos. Sinto-me como um mendigo à procura da infância. A chuva é uma espécie de rumor. Caiu antes da noite. A manhã nasceu bela. As crianças sorriem ainda na sua fase de anjos. O mundo começa a reduzir-se. A memória do amor é ridícula. Algumas das pontes da aldeia ameaçam ruína. Do outro lado fica o vazio. Foi lá que nasceu.


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Quarta-feira, 5 de Junho de 2019

SF13 - Montalegre

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Terça-feira, 4 de Junho de 2019

SF13 - Montalegre

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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

445 - Pérolas e Diamantes: As boas almas e o socialismo

 

 

Já Balzac dizia que as boas almas raramente acreditam na maldade e na ingratidão. Para isso, necessitam de sofrer rudes lições antes de reconhecerem a extensão da corrupção humana.

 

É da ciência popular: os lobos não se comem uns aos outros. Nós é que demonstramos todos os dias a inocência dos cordeiros.

 

O que interessa é nunca mentirmos às nossas convicções. E desconfiar daqueles que defendem qualquer cruzada a favor da igualdade sem, no entanto, se julgarem iguais a ninguém.

 

Existem pessoas a quem tudo lhes é permitido e desculpado. Podem fazer os mais diversos disparates, mas nelas tudo fica bem. Tudo justifica as suas ações. Mas há outras que o mundo julga com extrema severidade. São aquelas que têm de fazer tudo bem, as que não podem errar, nem falhar, nem sequer deixar escapar uma qualquer tolice. As primeiras banalizam-se e triunfam. São as que chegam ao poder. As outras fazem o mundo sobrevier.

 

O padre espanhol que aparece no final do livro “Ilusões Perdidas”, de Balzac, abriu-me os olhos para o entendimento da sociedade que nos rodeia.

 

De facto, os grandes cometem quase tantos atos de cobardia quanto os miseráveis. Só que o fazem de maneira diferente: cometem-nos na sombra e ostentam as virtudes. Já os pequenos desenvolvem as virtudes na sombra e expõem as misérias à luz do dia, por isso são desprezados.

 

A discrição é a sigla dos ambiciosos.

 

O socialismo estagnou. A sua luta, e a sua força, em prol da justiça já foi chão que deu uvas. Por isso, a extrema-direita está a emergir de forma acelerada e a conquistar as almas dos descontentes, dos expostos, dos revoltados.

 

Falar hoje de socialismo é quase tão irrelevante como falar do tempo ou discorrer sobre o estado da arte contemporânea.

 

Sim, eu sei, possuo uma veia negativa. Mas sou capaz de fazer ligações. A maioria gosta de as negar. Eu costumo ficar atento. Só isso.

 

Depois dos pássaros, nos beirais, se chamarem uns aos outros nos dias de sol, chega sempre a altura do vento soprar forte. 

 

O socialismo dos socialistas atuais está imbuído da mesma tristeza trágica que trespassa os filmes de Woody Allen. Ou o sentido trágico de Tchékhov. Não perguntam nada, não se questionam em coisa nenhuma. Carregam apenas os aspetos. Mas a sua benignidade já deixou de fazer parte do nosso imaginário.

 

A ideologia deixou de estar centrada nas pessoas para se focar na natureza. Agora é mais o aquecimento global. Tudo o resto é secundário. Parece que estamos todos a correr para nos enfiarmos na boca do inferno, ao estilo de Bosch.

 

Houve tempo em que eles transportaram dentro de si a imagem do futuro, atravessando o ódio e o medo. Depois atropelaram-se, quando tentaram passar do escuro para a claridade. Já não conseguem alcançar o que diziam ser o seu destino.

 

Vivemos tempos infelizes e conturbados. Estamos a resvalar para a zona dos países de média pobreza. Os contemporâneos dão frequentemente mostras de indiferença. Alguns até se viciaram na crueldade.

 

Já não se presta a devida atenção aos sistemas económicos e políticos, já não se fazem juízos estéticos, já não se questionam as hierarquias sociais.

 

O socialismo pós-moderno é como o yoga: uma forma de imobilidade comercializada. Uma forma de autoatualização burguesa.

 

O socialismo pós-moderno é procrastinador. Os seus seguidores parecem canários alegres dentro da gaiola. Por isso os seus voos são curtos.

 

Apesar da benignidade do altruísmo, de pouco serve marrar contra as falhas humanas.

 

Pelos vistos, até a esquerda da esquerda renunciou às mais amplas liberdades proletárias em nome dos arreios da classe média. Daí a geringonça, que, apesar das suas mais-valias, não é um manancial de progresso.

 

O socialismo foi durante muito tempo uma espécie de ideal universal de beleza feminina. Mas, como é natural, envelheceu. Os seus cabelos são agora grisalhos, o seu traseiro engordou, o corpo criou estrias. E o seu rosto ficou cheio de rugas. Aprendeu mesmo a enfiar o dedo pela garganta abaixo para provocar o vómito. Agora anda nisto: entre a bulimia e a anorexia.


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Domingo, 2 de Junho de 2019

Em Chaves

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Sábado, 1 de Junho de 2019

Na aldeia

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