Sábado, 31 de Agosto de 2019

No elevador

Lisboa - R.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 30 de Agosto de 2019

S. Lourenço

chaves, sapateiro, ribeira 206 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 29 de Agosto de 2019

Poema Infinito (471): O sossego

 

 

Um Cristo sequinho olha para mim como se tivesse fome. Sei que ele partiu lá de longe para outras terras ainda mais distantes. Dizem que não foi homem de desistir. As suas palavras serenas não conseguiram semear a paz. Tateio as paredes perseguido pelos seres da escuridão. Oiço o ar a desembocar no labirinto. Com ele, todo o cuidado é pouco. Aconchego-me no frio da cama. A mãe morreu devagar, pensando que já ninguém pensava nela. Os seus olhos encheram-se de imagens desfocadas. A sua memória estava repleta de retalhos. Os infelizes anseiam por desastres. O tempo vai e volta como se fosse um só. Absorvo-me no cruel exercício da abstração. A fragilidade é uma forma de punição humana. A curiosidade dos outros adquire a forma de pedradas. É uma outra configuração de hostilidade. As paredes de granito grosso amortecem os gritos do exterior. Chegam até nós os sons reduzidos de uma voz decepada. Nem sempre se acerta com o destino. Era frequente a avó conversar com o sossego, transformar os objetos em uso, caminhar as distâncias de forma sábia, respeitar as estranhezas, atenuar os acessos de loucura dos vizinhos, arredondar as más notícias, equilibrar os sorrisos, compor os insucessos, fazer engolir os maus orgulhos aos desprezíveis. Depois da morte do avô, acendeu-se-lhe no olhar uma luz difusa de sofrimento. Os seus olhos começaram a penetrar a escuridão. Os anos morderam-lhe ainda mais um pouco a sua singela beleza. Nos se demorava nem no riso, nem no choro. Poupava nas emoções. Não desperdiçava nada. Apenas não poupava no silêncio. Ria-se algumas vezes para que a raiva não a cansasse em demasia. Conseguia limpar as coisas interiormente. Apesar da magreza, o espaço crescia dentro dela. A justeza encontra causas, não desculpas.  A ação compensava-lhe os motivos. Eu costumava rir-me com as suas fantasias, com os seus entendimentos e com as minhas obsessões. As palavras só interessam quando queremos compreender. Comecei a alinhavar invenções e a desenvolver esquisitices. Arranjei feitio para a vergonha. Nela tudo era transparente, menos o desgosto. O extremo da paisagem que daqui observo parece o infinito. A memória força-me a arranjar personagens que anteveem o destino. É da tradição os velhos avisarem os novos sobre as tristezas da idade. As nossas conversas estão repletas de curvas. Há palavras que levantam iras e outras que impelem ao perdão. Nas noites de verão, a obscuridade possui outra leveza. Há pessoas que arreliam as brisas e as afastam dos jardins. A história não costuma registar esquecimentos. As ofensas costumam vir carregadas de pólen. Querem parecer inofensivas. A razão não se esconde atrás de segredos. A desilusão costuma magoar mais do que a culpa. Quando se ouve bem ganha-se confiança. A arte está em oscilarmos e não nos desequilibrarmos. Também eu já tive a minha ocasião de pássaro, inventando grandes paixões, coisas gloriosas, esvoaçando de espanto, debicando raios de luz. Agora penso nos enigmas, na clareza dos perigos, na falência dos sonhos. Os sonhos têm agora asas grosseiras. Distraímo-nos demasiadamente com o mal. A bondade emagreceu, curvou-se, ficou cheia de dores. Percorro devagar o caminho de casa. No quintal, a folhagem ganhou a cor vermelha da fatalidade.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

No Louvre

_JMD1045 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 27 de Agosto de 2019

No Louvre

_JMD1026 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 26 de Agosto de 2019

457 - Pérolas e Diamantes: É costume...

 

 

É costume ouvirmos falar os presidentes dos EUA em nome de Deus. O que nenhum deles revelou ainda é a forma como costumam eles comunicar com Ele. Se por processos tecnológicos ou por telepatia. Em 2006, mesmo sem sabermos da Sua concordância, ou da falta dela, Deus foi proclamado presidente do Partido Republicano do Texas.

 

Ao que se sabe, o Todo-Poderoso primou mesmo pela ausência na época da independência. A primeira Constituição nem sequer o mencionava. Perguntaram a Alexander Hamilton qual a razão para tal esquecimento. Explicou que não necessitavam de “ajuda externa”.

 

George Washington, no seu leito de morte, não quis orações, nem sacerdote, nem pastor nem outra coisa parecida.

 

Benjamim Franklin afirmava que as revelações divinas eram pura superstição. Thomas Paine gostava de dizer que a sua mente era a sua igreja, já o presidente John Adams considerava que “este seria o melhor dos mundos possíveis se não houvesse religião”.

 

Tomas Jefferson considerava os sacerdotes católicos e pastores protestantes como “adivinhos e necromantes” que tinham dividido a humanidade em dois: uma metade de tontos e outra metade de hipócritas.

 

A Enciclopédia francesa (l’Encyclopedie), marcou com a sua sabedoria o “Século das Luzes” que, de alguma forma, lhe ficou a dever esse nome. O papa de Roma mandou queimá-la e determinou a excomunhão de quem quer que tivesse um exemplar de obra tão blasfema.

 

Diderot, d’Alembert, Jaucourt, Rousseau, Voltaire e mais alguns dos seus autores, arriscaram ou sofreram mesmo prisão e o exílio para que este trabalho coletivo pudesse influenciar, como influenciou, a história futura das nações europeias.

 

Passados que são dois séculos aqui ficam, por sugestão de Eduardo Galeano, algumas definições que são um convite ao pensamento.

 

Autoridade: “Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros.”

 

Censura: “Não há nada mais perigoso para a fé do que fazê-la depender de uma opinião humana.”

 

Clitóris: “Centro do prazer sexual da mulher.”

 

Cortesãos: “Aplica-se àqueles que foram colocados entre os reis e a verdade, com o fim de impedirem que a verdade chegue aos reis.”

 

Homem: “O homem não vale nada sem a terra. A terra não vale nada sem o homem.”

 

Inquisição: “Moctezuma foi condenado por sacrificar prisioneiros aos seus deuses. Que teria dito se visse alguma vez um auto de fé?”

 

Escravidão: “Comércio odioso, contra a lei natural, no qual alguns homens compram e vendem outros como se fossem animais.”

 

Orgasmo: “Existe alguma coisa que mereça tanto ser conseguida?”

 

Usura: “Os judeus não praticavam a usura. Foi a opressão cristã que forçou os judeus a transformar-se em prestamistas”.

 

Nessa altura, os judeus não possuíam pátria. Também não tinham hino. Os alemães entoavam um que colocava a Alemanha uber alles, acima de todos.

 

Regra geral, os hinos foram compostos para confirmarem a identidade de cada nação através de ameaças, de insultos, de autoelogio, da glorificação da guerra e do dever honroso de matar e morrer.

 

Raramente falam de mulheres. Mas, como todos sabemos, são femininos os símbolos da Revolução Francesa: mulheres de mármore ou bronze, belos seios nus, com barretes frígios e empunhando bandeiras ao vento.

 

Também sabemos que a Revolução Francesa proclamou a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”. O que pouca gente sabe é que uma militante revolucionária, de seu nome Olympe de Gouges, propôs a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”. Pela ousadia, foi presa. O Tribunal instituído pela revolução que ela ajudou a triunfar julgou-a e condenou-a à guilhotina.

 

Junto ao cadafalso onde foi executada, Olympe perguntou: “Se nós, as mulheres, podemos subir ao patíbulo, por que razão não podemos subir às tribunas públicas.”

 

O parlamento revolucionário decidiu mesmo fechar todas as associações políticas femininas e proibiu que as mulheres discutissem com os homens em pé de igualdade.

 

As companheiras de luta de Olympe de Gouges foram fechadas em manicómios pois só podiam estar doidas.

 

Nem a mulher do ministro do Interior se conseguiu salvar. Manon Roland foi condenada pela sua “tendência contranatura para a atividade política”. Tinha traído a sua natureza feminina, que lhe mandava cuidar do lar e  parir filhos valentes.

 

A guilhotina acabou-lhe com o desvario.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Domingo, 25 de Agosto de 2019

Chaves

DSCF2466 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Sábado, 24 de Agosto de 2019

Barroso

_JMF1396 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

Barroso

_JMF1348 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019

Poema Infinito (470): Do lado do espaço

 

 

O lado positivo do amor resulta da predisposição. Gosto de jogar o jogo da intimidade e do repouso. A vida respira. Sinto os sítios com renovada ansiedade. O cio abre-se à liberdade. Depois é o desejo que se evade. É débil a oferta dos afetos. Acostumas as tuas mãos à tristeza da água. Os nossos olhos estão gastos de saudade. Por aquele caminho muito jumento passou a caminho do velho moinho. Colhiam-se amoras nas silvas. Dos campos já não retornam ternuras. Deus entornou o cálice da eternidade. A cor iluminada das lágrimas comove todo o tipo de inquietação. Dormem as sombras longe das estrelas. Os gritos são lisos e frágeis. Os suspiros vagarosos. Esta solidão provoca tonturas. O medo vibra. É débil a oferta dos afetos. A guerra é uma espécie de círio pascal que não para de arder. A paz é impura e gelada. O ódio é duradouro. Os homens são como os dias transitórios. É infindo o outono. O seu tecido veste o tempo. O tempo é uma aranha que constrói a sua teia com as horas a consumir. Durmo como um peregrino vagaroso e febril. Impõe-se então o mar com os seus gestos firmes e a sua profunda atração. Chega a névoa entre as árvores. As águas abrem linhas pelo meio dos aloendros. Duvido do tempo incerto. As terras estão de pousio. Os bois ruminam. As carroças já não sabem ir nem como regressar. O inverno matou as profissões que tinham acesso ao ar. Já não há quem ande lá por fora. Os animais pastoreiam sozinhos, limitados por cercas. As ribeiras tanto secam como transbordam. Os frutos apodrecem dentro da sua madura tristeza. O inverno repete-se. Continua a chacina dos animais. Os temporais devoram os caminhos das serras. Os sinais de ruína acumulam-se. Recordo as mãos dos lavradores a abrirem os sulcos na terra com os seus arados, os grãos de centeio a caírem como chuva na terra, os semeadores a progredirem nos sulcos, os seus vultos a movimentarem-se de impaciência. E também a vibração fixa dos olhares. Agora os fornos do povo estão frios. Os céus parecem curvados de tristeza. O desejo já não faz parte das suas vidas. O silêncio parece deter a próxima floração. Crescem as arestas. A chuva abafa os ruídos. Daqui vê-se o caos. A estabilidade das estradas de asfalto. Os declives. O ócio. Os mais velhos continuam com o vício de fumar saudades. Chupam o cigarro até ao fim. As janelas parecem arder por dentro. O esquecimento mata as lembranças. Qualquer dia Deus deita-lhes a mão. As saudades ardem mal.  Ali está a avó sentada como se fosse o sol-pôr. As suas mãos parecem uma tapeçaria. Os seus últimos dias foram feitos de linho. À sua despedida vieram pássaros lá das alturas e pousaram no corrimão da varanda. A mãe desfez a sombra com as mãos. E bordou nuvens. E lágrimas. E a dor que todos sentíamos. As palavras transformaram-se em círios. O presente e o passado deixaram de fazer sentido. O futuro deixou de existir. Sinto que preciso do campo. Das folhas e das brisas. Dos rios transparentes. A luz deixou de ter a firmeza de antigamente. O dia ficou claro. O vento serenou. Lembro-me como a avó comia os figos com pão. Caminho pelo campo verde como se caminhasse na lua. Passam os anjos com as suas espadas de silêncio por cima das muralhas. Sinto que pertenço a um outro espaço. A tarde sussurra tristeza. A dor transborda. O mundo acaba de acabar.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019

Barroso

_JMF1347 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

Loivos

_JMD1398 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

456 - Pérolas e Diamantes: A força do que tem de ser

 

 

Pois é, caros amigos, toda a perspetiva implica um julgamento. Toda a ordenação revela uma atitude e um temperamento. Segundo os românticos, as revoluções costumam começar sob o signo da fraqueza, da profanação e do insucesso. Uma vez em andamento, a torrente revolucionária caracteriza-se pela bestialidade. A demência torna-se contagiosa.

 

A bestialidade resulta da inépcia e da imbecilidade. As revoluções, para mal dos nossos pecados, acabam por ser causa e consequência da tolice humana que encoraja e que acaba inexoravelmente por esmagar. A sua grandiosidade está no drama e no apocalipse que geram. Por isso são amadas por uns e detestadas por outros.

 

Para os românticos como Flaubert, as suas personagens principais podiam ser definidas como Frédéric (A Educação Sentimental): portadores de “uma prodigiosa cobardia”, de uma inesgotável “pusilanimidade”, um “homem de todas as fraquezas”.

 

E as revoluções aconteciam porque os convidados de Dambreuse “teriam vendido a França, bem como o género humano, para garantirem a sua fortuna, livrarem-se de um incómodo, de um embaraço, ou mesmo por simples baixeza...”

 

O autor de Madame Bovary gostava de dizer que “dentro de cada revolucionário existe um agente da polícia”.

 

Os políticos de agora parecem submetidos à sua ambição, à sua vaidade de novos-ricos, muitas das vezes sem honestidade e elegância.

 

É verdade que a prosperidade traz consigo uma espécie de embriaguez. O poder tanto engrandece como destrói.

 

Os políticos profissionais, sobretudo os intitulados revolucionários, apesar de dizerem amar o Homem, não têm (não temos) a certeza de gostarem de indivíduos.

 

Não raro, os revolucionários poderosos como Lenine, em defesa dos interesses da “causa”, fizeram com que as condições de vida da gente simples se deteriorassem ainda mais para dessa forma produzirem o cataclismo final.

 

Foi nesse desprezo pelas condições de vida da gente comum que estiveram as origens do autoritarismo para o qual a revolução teve a sua propensão tão trágica.

 

O compromisso com a causa superior do povo, muitas vezes à custa de um evidente autossacrifício, foi sempre o atributo essencial desses heróis de ficção. Até nos livros de Álvaro Barreirinhas Cunhal (Manuel Tiago), as personagens com interesses estéticos ou voltadas para as questões alheias à “causa revolucionária” são homens supérfluos, alienados pela sociedade burguesa.

 

Os revolucionários mais intrépidos tiveram como principal mentor Nechaev, autor do “Manual do Revolucionário”, com 26 artigos. O primeiro reza assim: “O revolucionário é um homem dedicado. Não tem sentimentos pessoais, nem assuntos particulares, não tem emoções, apegos, propriedade e nome. Nele, tudo está subordinado a uma única e exclusiva fixação, um só pensamento e uma só paixão – a revolução.”

 

E assim se criaram máquinas humanas de destruição maciça. Pois a sua doutrina dizia que “todos os sentimentos familiares estúpidos e ternos, amizade, amor, mesmo toda a gratidão e honra, devem ser sufocados, e em seu lugar é preciso estar a paixão fria e resoluta para o trabalho da revolução”.

 

Convenhamos que, tal como a mensagem cristã ou a islâmica, a boa nova marxista deixou de representar a salvação.

 

Apesar do logro, a verdade é que o socialismo “científico” não foi o fim da História, mas sim o fim de uma estória.

 

O marxismo, apesar de ser uma via de razão, não é a razão toda. Nem pouco mais ou menos.

 

A verdade é que os neomarxistas, e os novos seguidores de Maurras, pediram emprestadas a retórica e as táticas populistas. Agora não é ao centro que está a virtude. É nos extremos. Na propaganda, todos os gatos são pardos.

 

O grande equívoco dos comunistas, e dos fascistas, foi terem olhado para as massas apenas como material humano necessário para os seus planos revolucionários. Por isso, as suas experiências cruéis só podiam resultar em fracasso.

 

Orlando Figes numa coisa tem razão: “Não foi o marxismo que fez de Lenine um revolucionário, mas sim Lenine quem tornou o marxismo revolucionário.”

 

Por isso começou como um agitador de província, acrescentando a sociologia marxista às táticas golpistas do “Vontade do Povo”, o partido do seu irmão.

 

Todos agora sabemos que o capitalismo triunfou sobre o comunismo porque a maioria dos operários especializados e instruídos sempre esteve mais inclinada a melhorar a própria vida dentro do sistema do que a procurar derrubar esse sistema.

 

Pois é, o que tem de ser tem muita força.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Domingo, 18 de Agosto de 2019

No Barroso

Barroso - Penedones, ETC, XT1 220 - cópia copy.j

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito (1)
Sábado, 17 de Agosto de 2019

No Barroso

Barroso - Penedones, ETC, XT1 085 - cópia copy.j

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito (1)
Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

No Barroso

Barroso - abril 2006 260 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 14 de Agosto de 2019

Poema Infinito (469): O labirinto

 

 

Não existe no mundo pior coisa do que a caridade. A conversa começa a entreter o fastio. Cada instante é perpétuo. Regresso à zona tímida das palavras, onde estão os ninhos das sereias. Suspeito das ansiedades caseiras. A energia dos restos começa a dissipar-se. A água pesada petrifica os sentimentos. Clareia no caminho a intensidade dos instantes. Tenho dificuldade em caminhar por entre as acácias da infância. Sinto ferver o ruído funesto dos aciprestes. A sua seiva deixou de ser um bálsamo. Sinto o modo delicado de escorregar no teu corpo luminoso. O sol chispa na superfície da água. As árvores das margens desenham janelas no seu fundo. O tempo demora a chegar ao pé de nós. As mulheres parecem estar presas nas varandas, mantendo as casas à tona do esquecimento. Por vezes sinto-me a tocar noutro mundo. As tábuas do soalho da velha casa da avó rangem. Assemelham-se a suspiros. Alguém peneira farinha na casa ao lado. Foge o tempo pelo meio dos dedos cansados. Sinto-me excitado com tanta tranquilidade. As conversas à hora de jantar têm a forma de raízes. A imaginação incha com a vontade das histórias. A memória continua a vacilar, a encher-se de esforço, a repetir prólogos, a ir adivinhando razões desdobradas, a fixar-se nas portas da razão. As palavras continuam a avançar. A atropelar-se. A deixar-se ir. Depois transformam-se em enguias. A sala esvaziou-se dos suspiros. A alegria humedeceu. Continua o entusiasmo pelas mentiras. A morte da avó começou numa espécie de desvanecimento. As conclusões já ela as tinha tirado há muito. Conhecia perfeitamente as confissões dos santos, as suas confidências e até as suas crueldades. Repetir paixões é uma outra forma de melancolia. A avó recusou-se sempre a mostrar as indecências ao avó.  Ao exagero sucedem-se as catástrofes. Deus costuma olhar para o outro lado, onde mora a impaciência e a dor. Com o vendaval e a chuva muitas árvores aterraram. A primavera apareceu de um dia para o outro. Na natureza, por vezes, a ordem contraria as circunstâncias. A avó costumava enfrentar os crepúsculos. Dizia que detestava trocar de lugar. O avô fugia dos banhos de luz. Já o senhor António andava a tecer a corda com que se havia de enforcar. Os segredos envenenam os sentimentos. Ninguém reparou nos pequenos pormenores, nos exíguos desempenhos da sua loucura. Nem a avó, que estava vazia de pecados. Entre um espaço e outro nada existia, apenas o infinito. Ninguém se pode agarrar a um torvelinho desses. O pai, até morrer, exercitou o retardamento dos ímpetos de cólera. Foi roído por dentro. As certezas já deixaram de ter significado. A arte de iludir é consequência da arte de agradar. Quando escuto com mais atenção consigo distinguir alguns dos murmúrios que por aqui ficaram, colados às paredes, em cima das mesas, dentro das gavetas. Também oiço o vazio. Sorrio. Não me apetece chorar. Tudo agora revela excesso de premeditação. Enche-se a boca de palavras e não se consegue dizer nada. Cada um constrói a sua própria fome e a sua fartura. Esta nova realidade necessita de ser alimentada de outra forma. O sítio das palavras parece um despropósito. A beleza, por vezes, traz agarrada a si o medo. Escuto tudo o que é imenso pelo ouvido da avó. Aconchego-me dentro do seu labirinto.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito

No Barroso

Barroso - abril 2006 193 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

No Barroso

_JMF7644 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito (1)
Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019

455 - Pérolas e Diamantes: A fé e os desejos

 

 

Nietzsche, apesar de considerar o curso de teologia maçudo e de ter grande interesse na filologia clássica, entrou para a faculdade de teologia. Ao mesmo tempo tentou corrigir a sua ignorância do mundo juntando-se a uma confraria de estudantes (Burschenschaft). Esperava discussões eruditas e debates parlamentares, mas deu consigo a levantar canecas de cerveja e a entoar as canções básicas da confraria. Descreveu essa atividade intelectual como um movimento confuso e desconcertante de excitabilidade febril.

 

Mas a rotina impôs-se. Como em todas as confrarias, ajaezava-se à maneira, fazia vénias em todas as direções e marchava ataviado com as faixas e os bonés da irmandade, cantando com energia. Os destacados membros da confraria frequentavam os bordéis de Colónia. Mas o nosso estimado filósofo contratou um guia para lhe mostrar a catedral e outros locais célebres.

 

Pediu então ao guia que o levasse a um restaurante. O guia pensou que o motivo de pedido tão insólito se devia ao facto de Nietzsche ser um rapaz envergonhado. Em vez disso, levou-o a um bordel.

 

Ou seja, de repente encontrou-se rodeado por meia dúzia de criaturas vestidas de ouropéis e escumilha que o olhavam fixamente. E expectantes. Perfeitamente atónito, e impelido pelo instinto, resolveu fazer aquilo que sabia: sentar-se ao piano e tocar um ou dois acordes. A música, segundo confessou, acelerou-lhe os membros e passados uns instantes estava lá fora ao ar livre.

 

Isso é o que sabemos de forma oficial. Mas alguns creem que Nietzsche não se limitou a tocar alguns acordes ao piano e sair, tendo ficado lá dentro para os fins habituais, pois contraiu sífilis, de onde resultaram os seus problemas posteriores de saúde física e mental.

 

Na Páscoa subsequente ao incidente do bordel recusou-se a receber o sacramento da comunhão, na igreja.

 

Podemos dizer que Nietzsche, não estando ainda a sofrer de uma perda total de fé, já carregava grandes dúvidas.

 

Nietzsche escreveu então à sua irmã: “Toda a verdadeira crença é, realmente, infalível; realiza aquilo que cada pessoa crente espera encontrar nela, mas não proporciona o menor apoio para o estabelecimento de uma verdade objetiva... Aqui os caminhos dos homens separam-se. Se quiseres alcançar a paz de espírito e a felicidade, então tem fé; se quiseres ser um discípulo da verdade, então, procura.”

 

Os desejos, quando satisfeitos, só dão lugar a mais desejos.

 

Em Basileia era um jovem que se vestia de velho para personificar a sabedoria, era um estudante universitário a fazer-se passar por professor, era um filho exasperado a fazer-se passar por um bom filho perante uma mãe irritante e também um filho amante e dedicado à memória do seu falecido pai cristão mas que entretanto estava a caminho de perder a fé cristã.

 

Foi na Suíça que encontrou Wagner, onde o grande compositor, a expensas do rei Luís, compunha as suas sinfonias e, em momentos de descontração, ordenava ao seu fiel criado Jacob que o conduzisse num barco a remos por entre os bandos de cisnes brancos de Lohengrin que cruzavam o lago, até ao local onde se formava o eco com que Guilherme Tell provocava o seu pérfido adversário, Landvogt Gesser, gritando insultos que soavam pelas montanhas num escárnio sem fim. Wagner, segundo Sue Prideaux (Eu Sou Dinamite – A Vida de Friedrich Nietzsche), gostava de berrar obscenidades com o seu forte sotaque de Saxe e ria a bandeiras despregadas quando o eco lhas devolvia.

 

Eu isto até compreendo. O que não consigo perceber é o facto de as fêmeas dos animais não terem vómitos durante a gravidez. Os humanos, em muitos aspetos, são uns animais falhados. Por isso é que as mulheres ganham corpo e contam as luas.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Domingo, 11 de Agosto de 2019

O cabrito

Soajo .jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Sábado, 10 de Agosto de 2019

No Couto de Dornelas

DSCF2230 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito (1)
Sexta-feira, 9 de Agosto de 2019

ST

barroso - volta por SAlto 009 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 8 de Agosto de 2019

Poema Infinito (468): Voos e descortesias

 

 

Os palácios assistiram sempre a traições, incestos, roubos, assassinatos. Nasceram neles os romances góticos. A poesia heroica. A literatura distraída. Nos casebres dos pobres transformava-se o esforço em milagre. A mãe borda flores de martírio na toalha do altar. Está sentada na sua pose de estátua passageira. Se repararmos bem, nos seus olhos voam algumas andorinhas da sua infância e corre alguma da água do rio. O pai parece um cata-vento. Os dois receiam a sua utilidade. Julgam-na inútil. A sua felicidade é feita de desilusão. Os seus filhos parecem anjos franzinos. Por vezes, os modos não correspondem aos afetos. A inspiração é uma espécie de estremecimento de ternura. Enervo-me quando tenho de entender. A ordem necessita de vontade. Toda aprovação esconde um sorriso disfarçado de uma outra coisa. Exige-se a inconveniência dos pequenos escândalos e a perplexidade dos aplausos. As personagens costumam encarnar no corpo do criador. Por isso se amam as máscaras. Nelas é sempre possível aplicar energia e hábitos sensatos. Os gregos sabiam bem o que faziam. A mãe acredita em fantasmas. Ela própria chocou alguns. Os beijos dos amantes podem ser vingativos. Quando assim acontece, os olhos cintilam de raiva. Os pássaros debicam as cerejas e afeiçoam-se ao desaparecimento. Falta ousadia às memórias mais recentes. A mãe enchia-se de nos contar e recontar histórias. A saudade é uma manta de retalhos. A vida por vezes necessita de folhetins e de confidências e de episódios sórdidos e exaltantes. A cortesia é uma espécie de nudez. Assobio baixo para não despertar a deceção. A mãe chorava muita lágrima por conta do desespero. A sua aflição costumava morrer antes de chegar a algum lado. Ninguém escolhe as manhãs que lhe toca viver. O peso da tarde aqueceu o ar. Procuro nas fotografias mais antigas o vestígio do tempo que não vivi. Há na casa vazia um excesso de espaço e de odores. As recordações mais densas foram embrulhadas em lençóis de linho. Viver é estar sempre disponível para novas ficções. Os rouxinóis, no meio das rosas, fazem parte dos romances consoladores. Dentro deles, as palavras apenas têm um sentido. Gosto de histórias construídas com pedaços de outras. Ulisses conhecia a sua própria história antes de a viver. A memória da avó parece repor o tempo. A do avô inclina-se cada vez mais para a obscuridade. Lembro-me de o seu riso bravo encher toda a casa. As palavras passaram a cobrir várias noções de família. Lembro-me de a mãe despejar em cima de mim a sua atenção. Passei a confundir aceleração com derrapagem. Dizem que a luz negra tudo devora. Convém poupar as crianças à tragédia do tempo. Lembro-me de tudo acontecer devagar. De me fixar nos perfis dos Santos, de desconfiar da solidez da terra e da rotina do seu movimento de rotação. Foram as esquinas do tempo que começaram a separar os irmãos. O amor começou a perder a sua precisão. A noção de destino humano transformou-se em pó dos caminhos. Os palhaços transformaram-se em anjos. E os anjos transformaram-se em palhaços. A sua trajetória é cada vez mais ambígua. A história é tudo imaginação. É como um mau sonho de Nabucodonosor. Tiro de cima de mim o peso da infância. Aprendi devagar a amar Zaratustra. Volto a acostumar as minha mãos à brincadeira da água.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 7 de Agosto de 2019

No Louvre

_JMD1034 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 6 de Agosto de 2019

O anjinho

DSCF5397 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 5 de Agosto de 2019

454 - Pérolas e Diamantes: “No Armário do Vaticano”

 

 

Uma pessoa atreve-se a ler o livro de Frédéric Martel, “No Armário do Vaticano”, e deita as mãos à cabeça. É pá, até um agnóstico fica com os cabelos em pé.

 

O livro está baseado num enorme número de fontes. A investigação prolongou-se durante quatro anos. Foram inquiridas 1500 pessoas no Vaticano e em trinta países, entre elas 41 cardeais, 52 bispos e monsignori, 45 núncios apostólicos e embaixadores estrangeiros, além de mais de duzentos padres e seminaristas.

 

O livro revela a face escondida da Igreja Católica e o sistema em que se sustenta, desde os seminários até ao Vaticano, que, pelo revelado, assenta numa vida homossexual escondida e sobre a mais radical homofobia.

 

O Papa Francisco, quando pronunciou que “por detrás da rigidez há sempre qualquer coisa escondida”, e, “em numerosos casos, uma vida dupla”, queria sintetizar que, assim como os juízos de Deus são insondáveis, também a esquizofrenia da Igreja o é. Ou seja, quanto mais um prelado é homofóbico em público, mais provável é que seja homossexual na vida privada.

 

A tese do livro é que existe um segredo que liga o celibato dos padres, a interdição do preservativo pela Igreja, a cultura do segredo em torno do tema do abuso sexual, a demissão do papa Bento XVI, a misoginia do clero, o fim das vocações para o sacerdócio e os ataques ao Papa Francisco: Sodoma.

 

A cidade bíblica de Sodoma terá sido destruída por Deus por causa da homossexualidade dos seus habitantes. Ou seja: atualmente é no Vaticano que se encontra uma das maiores comunidades homossexuais do mundo.

 

Um padre franciscano avisou o autor do livro de que dizer a verdade sobre o “armário” e as amizades particulares no Vaticano era a forma perfeita para ninguém acreditar nele. Falarão em invenção porque por lá a realidade ultrapassa a ficção.

 

Amiúde, refere o autor, vários prelados, pequenos e grandes, tentaram engatá-lo recatadamente. 

 

O livro, verdade seja dita, não visa a Igreja em geral, mas um “género” particular de comunidade gay.

 

Cito: “Muitos cardeais e prelados que oficiam na cúria romana, a maioria dos que se reúnem em conclave sob os frescos da capela Sistina, pintada por Miguel Ângelo – uma das cenas mais imponentes da cultura gay, povoada de corpos viris, rodeado pelos Ignudi, esses robustos efebos desnudados –, partilham as mesmas “inclinações”. Parecem uma “família”. Com uma referência mais disco queen, um padre segredou-me: “We are family!””

 

Os homens do Vaticano, que cá para fora projetam uma imagem de piedade, levam uma vida bem diferente em privado. As aparências de uma instituição talvez nunca tenham sido tão enganadoras. Como enganadoras são as profissões de fé sobre o celibato e os votos de castidade que escondem uma realidade completamente diferente.

 

Quando o papa Francisco chegou ao Vaticano pensava que havia por lá umas ovelhas tresmalhadas. Mas o que descobriu foi que se tratava de um sistema. O rebanho era basto. Representando a grande maioria.

 

Para Francisco não é tanto a homofilia que é insuportável, mas antes a hipocrisia vertiginosa dos que pregam uma moral estreita e ao mesmo tempo têm um companheiro, aventuras, e, por vezes, acompanhantes pagos.

 

Francisco repete com frequência críticas duras à cúria romana, apontando o dedo aos “hipócritas” que levam “vidas escondidas e dissolutas” e a todos aqueles que “maquilham a alma e vivem de maquilhagem”.

 

O autor encontrou nos palácios do Vaticano clérigos que lhe apresentaram sem pudor os seus companheiros como sendo seus assistentes, substitutos, minutadores, motoristas ou os seus criados de quarto. Quando não os próprios guarda-costas.

 

O tema do livro é a sociedade íntima dos padres, a sua fragilidade e o seu sofrimento ligado ao celibato forçado, transformado em sistema.

 

A dimensão gay não explica tudo, como é evidente, mas é uma chave de leitura decisiva para quem quiser compreender o Vaticano e as suas posturas morais.

 

Também o lesbianismo é uma importante chave de compreensão da vida dos conventos, das religiosas em clausura, das irmãs e das freiras.

 

Mas o mais importante é que a homossexualidade é uma das chaves para explicar o encobrimento institucionalizado de crimes e delitos sexuais que atualmente se contam às dezenas de milhar.

 

Para grande parte dos entendidos, a Igreja tornou-se sociologicamente homossexual a partir do momento em que proibiu que os padres se casassem.


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Domingo, 4 de Agosto de 2019

Gente bonita em Chaves

Santos 2015 (1) 364 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Sábado, 3 de Agosto de 2019

Luís em Santiago

DSCF5139 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 2 de Agosto de 2019

No Louvre

_JMD1023 - cópia copy.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:00
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 13 seguidores

.pesquisar

 

.Setembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Na Póvoa de Varzim

. Em Paris

. 460 - Pérolas e Diamantes...

. Póvoa de Varzim

. Póvoa de Varzim

. Bragança

. Poema Infinito (473): Dis...

. Porto

. Paris

. 459 - Pérolas e Diamantes...

. Na aldeia

. Farinha de milho

. Fato

. Poema Infinito (472): O a...

. Na aldeia

. Sorrisos

. 458 - Pérolas e Diamantes...

. Em Lisboa

. No elevador

. S. Lourenço

. Poema Infinito (471): O s...

. No Louvre

. No Louvre

. 457 - Pérolas e Diamantes...

. Chaves

. Barroso

. Barroso

. Poema Infinito (470): Do ...

. Barroso

. Loivos

. 456 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. No Barroso

. No Barroso

. Poema Infinito (469): O l...

. No Barroso

. No Barroso

. 455 - Pérolas e Diamantes...

. O cabrito

. No Couto de Dornelas

. ST

. Poema Infinito (468): Voo...

. No Louvre

. O anjinho

. 454 - Pérolas e Diamantes...

. Gente bonita em Chaves

. Luís em Santiago

. No Louvre

. Poema Infinito (467): A a...

. Louvre

.arquivos

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.favoritos

. Poema Infinito (404): Cri...

.Visitas

.A Li(n)gar