Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020

No Barroso com neve

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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020

Poema Infinito (493): Mestrias

 

 

Continuo nas minhas tentativas de caligrafar a alma. Apercebi-me que as graduações são infinitas. Procuro a iluminação pelas palavras. A impassibilidade do real é um incómodo. Pequenos elfos vindos da floresta entraram-me pela casa dentro desarrumando tudo o que estava arrumado. Procuro a fuga por telepatia para as verdes colinas de África. O homem moderno perdeu a sua voz interior. Vive voltado exclusivamente para fora, esperando conquistar o exterior de forma implacável. As palavras são o lugar seguro do espírito. O destino é o meio da objetivação do acaso. É uma espécie de Big Bang ao contrário. Apesar dos sobressaltos da sua escrita, a sedimentação da poesia é lenta. A verdadeira arte não é o que se diz dela, nem mesmo o que parece ser. É antes aquilo que oculta. As epifanias incluem sempre o assombro e a reverência pela curiosidade. A tranquilidade está no vórtice. Os génios veem imperfeições que a outros parecem milagres. Da Vinci não terminou “A Adoração dos Magos” por causa disso. Aperfeiçoar a obra passou a ser intimidante. Os desafios da luz eram ainda mais complexos do que aprimorar as mais de sessenta personagens que tinham de reagir emocionalmente umas às outras. A sensação de narrativa tinha de ser coerente. Cada luz refletida, ou refratada, afetava a coloração e a gradação de cada sombra. O Mestre não conseguia ignorar uma questão de ótica. A reflexão da luz tinha de influenciar a luz e as sombras. E as emoções tinham de desencadear e refletir as emoções que afetavam as emoções dos que as emanavam. Este jogo de espelhos tornou-se irresolúvel. Mas a razão maior para a obra ficar inacabada foi que o Mestre preferia a conceção à execução. O futuro distraía-o do presente. O olhar do Comentador, apesar de apontar para Jesus, olha na direção de outra coisa. À semelhança de Leonardo, faz parte deste mundo, mas está separado dele. Na sua pintura os movimentos do corpo estão sempre ligados a movimentos de alma. Daí resulta a poesia. A força do olhar resulta sempre da força interior. A poesia é concebida de dentro para fora. Para isso, é necessário conhecer a anatomia da alma. Repito as palavras de Leonardo: “Digam-me se alguma coisa se completou... digam-me... digam-me.” Aproveito Vasari: Portugal trata os seus artistas como o tempo trata as suas obras. Mil livros. Mil estrelas. Mil sorrisos. A essência está dentro de nós. E linhas perfeitas dos voos das aves. E as lembranças. E o tempo incansável. Regresso às ausências. À saudade. Às casas. Ao som quente do lume aceso na lareira. A tarde ainda guarda muitos aromas. E o som de algumas palavras: pai, mãe, avô, avó, irmã, rio, vento, sol, rezas, contos, adivinhas, tojos, giestas, carquejas, pavias, maçãs, andorinhas, festas... E escola. E a luz no olhar dos meninos. E as letras escritas na lousa preta. Na porta ainda lá está pregada a ferradura do cavalo. Faz-me lembrar o Mestre. Dizem que Leonardo era tão forte fisicamente que enfrentava a violência de cara erguida. Conseguia vergar os outros à sua própria vontade. Dizem-no filho de Deus. Também entortava ferraduras e batentes de ferro como se fossem chumbo. Era tão generoso que alimentava todos os seus amigos, ricos ou pobres... Escuto o galope certeiro dos dias. Cada cavalgada leva ao seu destino. Ecce homo.


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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020

Neve

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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2020

Carinhos

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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020

478 - Pérolas e Diamantes: O nacional-populismo

 

 

Matheus Goodwin, um eminente professor de política na Universidade de Kent, apesar de reconhecer que figuras como Donald Trump e Marine Le Pen são perigosas, defende que a ansiedade de alguns grupos é legítima perante o falhanço das elites políticas.

 

A sua tese é desconfortável tanto para a esquerda como para a direita: o nacional-populismo não nasceu da crise nem de fenómenos de desinformação e não vai desaparecer tão cedo.

 

O nacional-populismo aspira a defender os interesses e a cultura do grupo nacional contra o que eles identificam como as elites corruptas, que apenas se servem a si mesmas, revelando pouco interesse em preservar a comunidade.

 

Na sua perspetiva, existem preocupações mais importantes do que as económicas: a perceção de ameaças à cultura nacional, à identidade nacional e ao modo de vida e ainda à ideia de que o grupo nacional está a perder face a outros.

 

Se analisarmos os votos em Trump e no Brexit, podemos verificar que eles estão enraizados em preocupações relativas a mudanças culturais e não apenas no crescimento económico ou nos salários.

 

O denominado nacional-populismo nasce de reclamações legítimas quanto à forma como a nossa sociedade está a mudar. É bom de ver que a maior parte das pessoas que vota nesses partidos não é fascista, nazi, racista, xenófoba ou intolerante.

 

Muitos deles sentem-se simplesmente excluídos do debate público. Apesar do seu evidente lado negro, o nacional-populismo dá voz a muitas pessoas que se sentem abandonadas no diálogo sobre o futuro de todos nós.

 

A maior parte das pessoas aceita a imigração e o multiculturalismo e outros aspetos de uma sociedade liberal, assusta-os é a velocidade desta globalização cultural. Desejam que as modificações se façam a uma escala moderada. Estas são, a nosso ver, uma queixa e uma visão legítimas.

 

Convém lembrar que no Brexit, um terço dos negros e de representantes das minorias votou pela saída da União Europeia. E que, nos EUA, um terço dos latinos e dos hispânicos apoiou Donald Trump.

 

É simplista pensar que o nacional-populismo se baseia na velha questão da supremacia branca. O problema é bem mais complexo.

 

Não é reconfortante observar o facto de existir tanta gente de esquerda a tentar desvalorizar estes movimentos como um regresso ao fascismo dos anos 30. A redução é totalmente imprecisa. Apesar de neles existirem extremistas, de uma forma geral, a maioria está adaptada ao regime democrático. 

 

A questão tem mais a ver com o facto de os defensores de uma democracia liberal darem prioridade aos direitos individuais, mas, muitas vezes, não prestarem a devida atenção aos laços que unem as pessoas das diversas comunidades.

 

Alguns dos dados que Matthew Goodwin utilizou para escrever o seu livro revelam que a maioria dos votantes nos partidos populistas considera a emigração uma coisa boa  e reconhece a força da diversidade. A preocupação está no ritmo da mudança social.

 

Convém perceber que se Donald Trump, Nigel Farage e Marine Le Pen são políticos que recorrem à xenofobia e, por vezes, ao racismo, não é líquido que as pessoas que votam nesses partidos partilhem essas ideias.

 

A primeira tentação é sempre assente na ideia abstrusa de banir e marginalizar os partidos populistas e excluí-los do debate democrático. A experiência europeia revela que essa é uma péssima estratégia, pois nas democracias em que foram banidos acabaram sempre por se fortalecer com o tempo, como se viu na Suécia e na Espanha.

 

A verdade é que os partidos mainstream não estão a ser capazes de lidar com as preocupações que estão a puxar pelo nacional-populismo. De facto, os verdadeiros liberais têm de realizar um melhor trabalho para poderem resolver as questões que levam as pessoas a votar nesses partidos, em vez de os ignorarem.

 

Como diz Matthew Goodwin: “O nacional-populismo é um sintoma, não uma causa.”

 

Não é tranquilizador observar o fenómeno crescente da demagogia populista. Mas não é difícil partilhar de alguma simpatia pela ansiedade de quem vota nestes movimentos.

 

Os trabalhadores apercebem-se que a famosa globalização não está a ser tão benéfica para eles como o é para outros. Sentem que têm sido constantemente excluídos do debate, não lhes sendo atribuído o respeito, a dignidade e o reconhecimento devidos.

 

Por muito que nos custe, Mário Centeno tem razão: “A redução do papel do Estado foi longe demais nas últimas décadas. Isso abriu caminho ao populismo radical.”


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Domingo, 26 de Janeiro de 2020

Na aldeia

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Sábado, 25 de Janeiro de 2020

Gerês

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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2020

Gerês

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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020

Poema Infinito (492): A cama dos olhares

 

 

Eu dou-me melhor com o caos. Sempre quis ser artista. O quadrado é sempre a pior representação de ser humano. A luz do lago sobe entre mim e as árvores. A paz é uma alma frágil. A pouco e pouco, o horizonte vai ficando mais nítido. O cume da torre da igreja ergue-se para a auréola cinzenta da madrugada. O fumo espalha-se por cima das casas. Os primeiros raios de sol assemelham-se a poeira pairando no ar. A pena do gaio ainda está dentro da caixa que o padrinho me deu nos meus anos. A luz da manhã brilha por entre as folhas tenras. O silêncio por detrás das portas ainda é maior do que nas ruas. O frio voltou. O gelo bordeja as poças de água. Durmo embrulhado no capote do pai, com as mãos cruzadas entre os joelhos, como ele fazia. Ainda tenho na boca o sabor a pão e a queijo que comi durante a tarde. A luz do entardecer enche de sombras os caminhos da Ribeira. Farrapos de nevoeiro estendem-se sobre o pequeno vale. Não se vê uma única pessoa. A faixa risada do entardecer a leste serve de cama ao meu olhar cansado. As ruas da aldeia possuem traços antigos das lágrimas. Pombas voltejam sobre os pombais arruinados. Encho o copo com a água da fonte que continua a correr por detrás da escola abandonada. As videiras deixaram de ser podadas. A vida é como a água, escorrega entre as pedras. Sonho em ti. Por isso te escrevo, pensando nas hortênsias luminosas com que brincam as crianças e na cerejeira da Clérga que no verão se enchia de frutos vermelhos e carnudos. Psiu, psiu, psiu, diz a alma da avó. A noite ficou inconsolável. Os pássaros adormecem fatigados e medrosos. A erva recebe o orvalho que pela manhãzinha se transformará em prata. Por essa altura, as formigas pretas começarão a percorrer os seus insondáveis caminhos. Nalguns lugares do monte ainda é visível o prestígio dos lagos imensos que cobriram estas terras. Lembro-me de as crianças brincarem com a estátua da fonte e também dos pássaros pousarem na sua cabeça e, depois do banho, voarem rumo aos seus destinos. Diante dela, agora ajoelha-se o silêncio e o pequeno deus dos mistérios insondáveis. Os homens e as mulheres sorriam como crianças. O meu tempo prolongara a tarde. Deito-me em cima de uma cama de fetos. O céu assemelha-se a um reflexo de luz. Um pânico súbito atravessa o ar junto ao rio. A poeira cobre as folhas frias. A luz matinal cintila nua como se tivesse chegado do Big Bang. A silhueta do amor tende para o infinito. Os teus olhos parecem brinquedos com que os nossos filhos brincavam. Costumavas guardar-lhes os segredos no teu regaço enquanto dormiam. A primavera parecia ser eterna. Os seus sorrisos caminhavam sempre na tua direção. Os seus beijos sabiam sempre a inocência virgem e eram tão livres como as papoilas no meio dos montes. Andei pelos caminhos das tuas esperas, escutando os dias, falando sozinho, escutando as horas, assobiando como o vento, curvando esquinas. Olho para o escuro e sinto a minha mãe mexendo nos potes, preparando a ceia, depois de trabalhar no campo. O avô contava histórias. Eu montava no cavalinho que o meu pai acondicionava nas pernas. À minha irmã saltavam-lhe os olhos de tanto falar com a boneca. Percebo agora o canto triste dos grilos e dos pássaros que eu engaiolava. Lembro-me. E o silêncio das memórias atordoa-me. Este silêncio não tem retorno.


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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020

No Barroso

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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020

Lameiros

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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020

477 - Pérolas e Diamantes: L’amore masculino

 

 

Uma semana antes do seu vigésimo sétimo aniversário, em abril de 1476, Leonardo da Vinci foi acusado de se envolver em sodomia com um prostituto. Aconteceu ao mesmo tempo que o seu pai teve finalmente um filho legítimo que se tornaria seu herdeiro.

 

A verdade é que Leonardo se sentia romântica e sexualmente atraído por homens e não revelava ter qualquer tipo de problema com isso.

 

O relacionamento que durou mais tempo foi com um jovem de ar angelical, mas com uma personalidade diabólica, conhecido pela alcunha de Salai (o pequeno demónio). Descreveram-no como “um jovem gracioso e belo, com um deslumbrante cabelo encaracolado com o qual Leonardo se deleitava”.

 

Walter Isaacson, na biografia que escreveu sobre o génio italiano, refere que nunca se soube da relação de Leonardo com uma mulher. O próprio chegou a fazer registos ocasionais sobre a sua aversão à simples ideia da cópula heterossexual. Num dos seus famosos cadernos escreveu: “O ato sexual do coito, e as partes do corpo nele empregues, são tão repugnantes que, não fora a beleza dos rostos, os adornos dos atuantes e o impulso mal contido, a natureza perderia a espécie humana.”

 

Convenhamos que a homossexualidade não era incomum no seio da comunidade artística de Florença, ou no círculo do mestre Verrocchio. O mesmíssimo mestre de Leonardo nunca casou, tal como Botticelli, que também foi acusado de sodomia.

 

Havia outros artistas conhecidos que eram homossexuais: Donatello, Miguel Ângelo e Benvenuto Cellini. Este último foi duas vezes declarado culpado de sodomia.

 

De facto, l’amore masculino (designação de Leonardo, segundo Lomazzo) era tão comum em Florença que na Alemanha a palavra Florenzer se transformou em calão para “homossexual”.

 

Na altura de Leonardo da Vinci, existia, entre alguns humanistas do Renascimento, um culto à volta de Platão, que incluía uma perspetiva idealizada do amor erótico por rapazes belos. Ou seja, o amor homossexual era celebrado tanto em poemas como em canções obscenas.

 

Apesar da licenciosidade dos costumes, a sodomia era considerada crime, como Leonardo veio penosamente a saber, pois foi várias vezes alvo de ações judiciais.

 

Entre 1432 e 1492, foram acusados de sodomia em Florença cerca de quatrocentos homens por ano. Destes, cerca de sessenta foram culpados e condenados à prisão, ao exílio, ou mesmo à morte.

 

Para a Igreja, os atos sexuais eram considerados pecado. Numa bula de 1484 equiparava a sodomia a “relações sexuais com o demónio”. E os padres não se cansavam de se insurgir contra ela.

 

Dante, o autor da “Divina Comédia”, ilustrada por Botticelli, que da Vinci venerava, relegou os sodomitas, misturando-os com os outros ímpios e usurários, ao sétimo círculo do inferno.

 

Esta atitude teve muito de hipócrita, pois Dante expôs os sentimentos contraditórios de Florença para com os homossexuais louvando, no seu poema eterno, um dos cidadãos que havia colocado naquele círculo, o seu próprio mentor Bruneto Latini.

 

Alguns estudiosos, seguindo Freud, defendem que em Leonardo os desejos  “homossexuais passivos eram sublimados”, reprimidos e canalizados para o seu trabalho. Basearam-se para isso em alguns dos seus escritos: “Quem não puser freio aos seus desejos libidinosos, coloca-se ao nível das bestas.”

 

Mas uma coisa é o que se diz e outra o que se faz. Não existe qualquer motivo para acreditar que Leonardo se tenha mantido celibatário.

 

Antes bem pelo contrário. A sua vida e os seus cadernos confirmam que não tinha vergonha dos seus desejos sexuais. Ao que tudo indica, gostava de divertir-se com eles. E daí não veio mal ao mundo.

 

Num dos seus cadernos, numa seção que intitulou “Do Pénis”, descreve com uma certa ironia, como o pénis tem uma mente própria, agindo de quando em vez, sem o desejo do homem: “Por vezes, o pénis demonstra um intelecto próprio. Um homem pode desejar que seja estimulado e ele continuar obstinado e seguir o seu próprio caminho, às vezes movendo-se sozinho sem a autorização do dono. Quer esteja acordado ou a dormir, faz o que quer. Muitas vezes, quando o homem o quer usar, ele tem o desejo contrário, e amiúde deseja ser usado e o homem não o permite. Parece, portanto, que essa criatura tem vida e uma inteligência separada do homem.”

 

A verdade é que os seus desenhos de homens nus tendem a ser obras de beleza afetuosa, muitos deles representados de corpo inteiro. Já os seus quadros com mulheres, por contraste, aparecem vestidas e exibidas da cintura para cima.

 

Apesar disso, e ao contrário de Miguel Ângelo, Leonardo revelava toda a sua mestria quando se dedicava a pintar mulheres. Mona Lisa e os seus retratos de mulheres são profundamente complacentes e psicologicamente introspetivos.


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Domingo, 19 de Janeiro de 2020

No sótão

S. André - março 2016 019 - cópia copy - co

 


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Sábado, 18 de Janeiro de 2020

São Sebastião - Couto Dornelas

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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020

São Sebastião - Alturas

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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2020

Poema Infinito (491): O voo limpo do silêncio

 

 

A casa onde se nasce é um organismo vivo dentro da nossa cabeça. Agora benzem-nos com a depressão. Procuro a verdade do tempo dos meus antepassados dentro da verdade do meu tempo. Utilizo o neorrealismo para combater o neorrealismo. O relevante é a imperfeição, não a representação. A imperfeição tortura a forma. O futuro faz parte de uma experiência anterior. O acaso é fruto do trabalho surrealista das mãos dos anjos. A limpidez do teu olhar entrou em mim com a força selvagem dos indomáveis. A simplicidade é a máxima obra-prima. E ali estamos nós no ateliê do Boulevard Saint-Jacques, na incómoda companhia de Mário Cesariny ai meus deus de Vasconcelos, a assistir à pintura de Helena Vieira da Silva e de esse tal Arpad, o húngaro (Deus os abençoe), preenchidos pelo estranhíssimo espírito das revelações inéditas. Todas as mãos dentro da água engelham. O dia cresce entre a terra e o céu. Dois bois deitados sobre a barriga olham de frente tudo o que fica longe. O seu pelo ainda tem restos de orvalho. O aroma verde dos campos distribui-se de forma harmónica. O mesmo sol aquece as terras antigas. Nem as nuvens se mexem. Nem os rios se ajeitam. O silêncio separou-se da realidade. As brisas são como lembranças. Na tua mão quieta pousam borboletas trémulas. A memória cobre o crepúsculo, as árvores e a inclinação desajustada dos corpos. Garças voam por cima do nosso sono. Adivinho a flutuação da espuma, as densas brumas da eternidade, o débil tributo do amor. Acredito no rigoroso acaso do nascimento do homem. Deus criou tudo isto a partir da sua cegueira, pois só um cego consegue criar tanta beleza sem dela se aperceber. Não é necessário ver para criar. Os dias felizes viajam rápido dentro de nós como se fossem nuvens empurradas pelo vento norte. Nesses momentos, a maioria das palavras são inúteis, ao contrário dos olhares que nos fazem fluir como a luz do sol. Cintilam agora os insetos mínimos ao pé dos ciprestes vagarosos. Mais logo, quando voar o silêncio, ficarei à escuta para ouvir a música da chuva e do vento. Quando os vultos humanos se aproximam do jardim, fogem os pássaros e as borboletas. Dissolvem-se no tempo todos os nossos vestígios. Apesar de o vento ser o mesmo, o movimento das folhas é diferente. Cordas de chuva caem sobre a cabeleira clara da manhã. O arco-íris salta para a manhã seguinte como se fosse uma serpente chinesa. Descanso os olhos sobre o vale que se acalma depois da tempestade. Os cães ladraram a noite inteira. Na madrugada, o canto dos galos rodeou toda a aldeia. A noite chuvosa destruiu as últimas flores. Os homens parecem arrependidos do seu tempo. Dizem que para eles perdeu todo o sentido. Sentem-se como cigarras no deserto. Os reis magos esqueceram a posição da sua estrela polar. Perderam-na na busca da sua utilidade. Não encontraram o menino. Coitado do menino. Coitados dos reis da magia. À mãe nasceram-lhe lírios nos pés. Ao pai, matou-o o remorso. Tenho os olhos molhados de lembranças: os ruídos, os silêncios atordoados, o caminho das uvas, a voz coada dos pássaros, o canto dos grilos, os tambores de lata, gnomos a descerem pelos raios de luar. Mil lírios. Um milhão de estrelas. As ausências são cada vez mais. São elas que me dessangram os caminhos. As suas sombras. As horas sem relógio. Os poemas brancos. A infinitude dos sonhos.


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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2020

Feira do Fumeiro - Boticas

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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2020

No Barroso

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 - D

 


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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2020

476 - Pérolas e Diamantes: Rei-Presidente Sidónio Pais

 

 

Os líderes míticos portugueses são personagens de romance. Todos eles. É também esse o caso do Rei-Presidente Sidónio Pais.

 

Em abril de 1928 foi eleito Presidente da República por sufrágio universal, na altura unicamente masculino. Enormes massas de povo juntaram-se a Sidónio, aclamando-o como um salvador.

 

A verdade é que ascendeu à chefia do Estado de forma discreta a partir do exercício da sua função de professor universitário. De facto, Sidónio Pais, ao contrário daquilo que muita gente pensa, não era líder militar, nem chefe de partido. O que faz deste episódio um dos mais estranhos da história política portuguesa do século XX.

 

A verdade é que a sua vida tinha girado muito em volta do jogo a dinheiro, em que se viciou, e também dos namoros extraconjugais. Em 1906, escandalizou a sociedade ao abandonar a sua legítima esposa e os cinco filhos para ir viver com uma amante, que, por acaso, também era casada.

 

Foi só em 1910, com a implantação da República, que Sidónio Pais alcançou a sua oportuna iniciação maçónica. Começou a acumular cargos: vice-reitor da universidade, presidente da Comissão Administrativa Municipal de Coimbra, administrador da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911), ministro do Fomento e das Finanças dos primeiros governos constitucionais (1911-1912) e finalmente embaixador na Alemanha (1912-1916).

 

O célebre escritor e político republicano João Chagas encontrou Sidónio em Paris, quando ele regressava a Portugal depois da declaração de guerra da Alemanha (março de 1916) e ficou mal impressionado pela sua magreza, pelo seu mau francês e pelos rumores sobre a sua movimentada vida sexual. Não teve dúvida em o considerar uma “personalidade insignificante”.

 

Dizem que foi o modo como era subestimado o que o ajudou na conjura em que acabou por se envolver em Lisboa, no verão do ano seguinte.

 

Os pormenores da conspiração de Sidónio Pais nunca foram claros.

 

Foi com o apoio de um amigo agricultor, António Miguel de Sousa Fernandes, que, seguindo a receita tradicional para sublevar a guarnição de Lisboa, contactou oficiais de baixa patente, sargentos e voluntários civis. A polícia, informada dos seus movimentos, não o prendeu porque nunca lhe deu importância.

 

No meio da bagunça que se instalou em Lisboa, nos primeiros dias de dezembro de 1917, mal se soube da rendição do governo de Afonso Costa, o povo assaltou e destruiu as casas e os escritórios dos ministros e de todas as sedes, centros escolares, cantinas e jornais do PRP,  na capital. Multidões bailaram e cantaram à volta das fogueiras onde ardia o recheio dos edifícios saqueados: “Tudo dança, tudo dança, \ Tudo dança, tudo gosta, \ Já caiu o Ministério \ Já morreu Afonso Costa.”

 

Foi então quando Sidónio se pôs ao comando das tropas revoltadas no Parque Eduardo VII, ao princípio nervoso, depois com determinação implacável, competência técnica e bom humor, sempre a fumar e a comer chocolates. A 11 de dezembro, de presidente da Junta Revolucionária passou a chefe do Governo.

 

Avisou que “iria vinte vezes ao parque Eduardo VII para combater a demagogia”. O povo começou a admirá-lo como um “teso”, um “valente”. A oligarquia política acreditou finalmente que ele falava a sério quando afirmou: “não sirvo para ser o guarda temporário do país”. De homem discreto passou a herói providencial.

 

Sidónio aumentou os prés, melhorou o rancho e multiplicou as paradas militares, onde o exército pode exibir um novo aprumo e o recente material de guerra.

 

Resolveu então romper com os partidos republicanos. “À revolução feita com os tiros dos canhões, teria de se seguir outra, mais difícil, com base numa reviravolta de espíritos”.

 

A 9 de maio de 1918, numa cidade em festa, em cima do cavalo e de espada desembainhada, assistiu a uma enorme parada da guarnição militar da capital, enquanto dois aviões sobrevoavam a cidade. Nos dias seguintes, o Presidente teve sucessivos banhos de multidão. A imprensa notou a “excitação do público feminino”.

 

A 14 de dezembro foi alvejado no peito com um tiro, em plena gare do Rossio. Há duas versões das suas últimas palavras. Para uns terá dito: “Não me apertem, rapazes”. Para outros, despediu-se com uma deixa mais teatral: “Morro bem, salvem a Pátria”.

 

Segundo Fernando Pessoa, o sidonismo salvaguardara o que de fundamental os republicanos tinham feito: a expulsão da dinastia e a negação de um papel político ao clero católico. E, sobretudo, tentara dar um passo fundamental na eliminação do tipo de políticos profissionais, bacharéis e caciques que governavam a república como já antes tinham governado a monarquia constitucional.


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Domingo, 12 de Janeiro de 2020

No Louvre

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Sábado, 11 de Janeiro de 2020

Paris

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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2020

Paris

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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2020

Poema Infinito (490): Os limites das brumas

 

 

Vivo nessa visão distanciada do real a que chamam lucidez. E, no entanto, consigo sobreviver-lhe. A lucidez, por vezes, pode ser eufórica. Afinal, por que razão Bernardim Ribeiro morreu doido no Hospital de Todos-os-Santos em 1532? Afinal, quem governava a cidade à base do medo, da culpa e do castigo? Os santos heréticos ficam sempre à porta das escrituras canónicas. Assim entende-se melhor a solidão. E a inquisição. Há sempre excesso de pedintes num país pobre. O mês mais traiçoeiro é o de abril, onde tanto pode nevar como fazer um sol de estio. É espantoso que os mesmos homens que fizeram o 25 de abril em nome do socialismo tenham acabado a servir o capital de forma tão amável. As revoluções com flores dão nisto. É difícil esclarecer o que não tem esclarecimento possível. Também as chaves, apesar da sua verticalidade, possuem uma poesia muito própria. Viver o desejo é diferente de viver o trabalho. Apesar do jardim das futilidades, continuo a venerar o sol que dá luz e cor aos dias. A invisibilidade é a principal característica divina. O mundo pós-moderno assemelha-se a uma exposição surrealista cheia de arcas góticas, castelos estranhos e excêntricos poemas negros. Incomoda-me o urbanismo formal dos paralelogramos. Por isso, o desespero cresce. E o desespero do desespero. A lógica acaba por assassinar a linguagem. Oiço atrás de mim um rumor de folhas pisadas. O pai andava assim. A parte mais agradável da vida é baseada na nossa própria imaginação, imaginando-nos, imaginando os outros. Depois tudo se desfaz em pó. A luz dança diante dos nossos olhos como se fosse pintada por Leonardo da Vinci. Os limites da bruma ficaram indistintos contra o azul do céu. As espirais da natureza dizem que estou dentro de um quadro do Mestre. O sol brilha do lado esquerdo da imagem. As sombras dos muros revelam um azul escuro especial. A perspetiva nebulosa é atmosférica, já as pedras irregulares são puramente imaginárias. A Madona Benois com o seu filhinho ao colo deleita-se com a sua curiosidade. A estupefação advém de tanto a mãe como o filho pressentirem a crucificação. A flor observada tem a forma de cruz. Também eu gosto do silêncio brumoso da luz do crepúsculo. É frágil e definitiva, a espuma dos dias. Compreendo melhor agora os anjos instrutores, o seu silêncio estrelar, o seu trabalho sobre-humano, as suas respostas invisíveis. Lembro-me de comermos em redor da mesa, junto à lareira. Comíamos e falávamos. As nossas sombras moviam-se pelo chão e pelas paredes. As nossas vozes e os nossos gestos eram de aconchego. As paredes seculares são agora mais densas e frias. No inverno costumava nevar. Os lobos aproximavam-se dos povoados. Sentíamo-nos vivos entre o vinho e as brasas. Envolvíamo-nos em ternura e em lã. As saudades não admitem pedidos nem dão respostas. Os seus olhos são feitos para chorar. Tristes dos anjos da guarda que foram criados para nada desejarem. Os telhados, agora limosos, cobriram palavras, camas, armários, cópulas, enfermidades, nascimentos e mortes. E também heroísmos e desilusões. Faz parte da nossa condição ter os pés no abismo. O arado que fecundou terras, agora abre os sulcos do esquecimento. Sobre a frágil ponte que une as duas partes da aldeia nasceu um arco-íris muito breve.


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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2020

Notre-Dame de Paris - Interior

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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2020

Notre-Dame de Paris

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Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2020

Louvre

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publicado por João Madureira às 09:38
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475 - Pérolas e Diamantes: Pode não parecer...

 

 

Pode não parecer, mas a história não é uma ciência. É antes uma espécie de género literário. Como diz Vasco Pulido Valente, o que a academia acha que são ciências – a sociologia, as ciências políticas e, sobretudo, as relações internacionais – não passam de fraudes.

 

As ciências sociais, ainda na douta opinião de VPV, possuem o mesmo estatuto ontológico de Deus: não existem.

 

Talvez por isso mesmo, VPV se tenha dedicado às crónicas em vez de perder tempo com a história, a sociologia e fraudes afins.

 

Em muitas delas zurziu em Cavaco Silva como em centeio verde. Ele que foi um dos primeiros entusiastas do homem de Boliqueime.

 

Escreveu que o dr. Cavaco, quando foi primeiro-ministro, fez muito mal a este país. Não percebeu que o necessário era fazer a reforma de Portugal. Apesar de ter muito dinheiro para modernizar Portugal, limitou-se a mandar fazer umas estradas. E também transferiu uns subsídios para a lavoura numa tentativa de acabar com a agricultura de subsistência. E, claro está, não acabou. Deu cabo foi da outra. Deu dinheiro a pessoas que tinham duas vacas para deixarem de ter duas vacas. Os donos das vacas receberam o dinheiro, compraram um carro e abriram um café. De repente havia cafés por todo o país e a agricultura de subsistência continuou.

 

Na sua opinião, que não é única, “Cavaco é muito inculto e começa por ser muito inculto politicamente”.

 

São três os impasses que bloqueiam a sociedade portuguesa: o da modernidade, o da competitividade e o da reforma do Estado.

 

Portugal é um país em constante modernidade. O slogan é perpétuo. E a razão é simples: uma país que não produz inovação está sempre a modernizar-se, insistindo na tentativa de chegar à modernidade que os outros geraram. Só que nós chegamos sempre lá tarde e a más horas.

 

Quando qualquer governante diz que vamos inovar, o que quer dizer é que devemos ir copiar a inovação dos outros. A lengalenga já vem desde o século XVIII. A nossa modernização nunca passou de imitação.

 

Imitando melhor ou pior, o problema é que tal prática deforma sempre o modelo pretendido.

 

No topo da hierarquia do Estado temos um senhor risonho, ligeiramente sassamelo, que tira milhares de selfies e dá beijinhos a tudo que mexe. Sobretudo velhinhas, a quem se abraça e enxuga as lágrimas.

 

Ora isto não é política, nem representação. Pois ele não representa nada. Nenhuma solução ou direção política.

 

É um presidente divertido.

 

O gráfico de pirâmide da sociedade portuguesa tem atualmente a forma de uma pera. Possui uma tira gorda no meio, formada pelos que caíram de cima e pelos de baixo que subiram. Na base está uma faixa mais pequena, mas relativamente larga.

 

Assistimos a uma proletarização preocupante da classe média. Essa é a nova força social que vota preferencialmente à esquerda: professores, médicos, advogados, investigadores, enfermeiros, informáticos, analistas, arquitetos, técnicos de diagnóstico, fisioterapeutas, etc. Uma coisa os caracteriza: alta qualificação técnica, mas sem o prestígio social que antigamente lhes correspondia. Sentem-se frustrados porque ou desceram ou não subiram socialmente. Uma coisa os atormenta: a brutal precariedade das suas vidas.

 

Normalmente falamos de precariedade no emprego. Mas há ainda uma precariedade mais importante: a da situação social.

 

Não. Não se trata de socialismo, mas de procurar uma vida nova. A decência. O direito a ter futuro.

 

Portugal, e a Europa também, sabe que necessita de reformas, mas não quer reformas. O facto é que os portugueses não suportam demasiada realidade. Normalmente, costumam fugir dela, ou fazer que não a veem. Este Estado, denominado de providência, transformou o cidadão normal numa espécie de ser irresponsável. Daí os dirigentes da democracia fazerem carreira em lhes mentir.

 

Mas o problema continua a estar no sítio do costume. Os nossos políticos são quase todos maus. E as militâncias partidárias também não primam pela qualidade. A obediência assenta facilmente nos medíocres. Daí os partidos se terem transformado num bando de papagaios, sempre prontos a obedecer ao chefe. E sempre por interesse pessoal. Daí se exprimirem essencialmente através da intriga. 

 

Nenhum regime político resiste à impotência. Já chega de medo e desleixo. De corrupção. Necessitamos urgentemente de atos positivos.


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Domingo, 5 de Janeiro de 2020

Montalegre

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Sábado, 4 de Janeiro de 2020

Poses

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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020

Barroso

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