Sábado, 29 de Fevereiro de 2020

Sorriso

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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

Na aldeia

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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Poema Infinito (497): Auréolas

 

 

 

O cosmos repleto de bons motivos e nós, humanos, preocupados em aprender e ensinar os bons modos. Ó divina indiferença, abençoada sejas. A linguagem religiosa chegou a Deus muito antes das metáforas. O cosmos está cheio de auréolas incómodas. A Criação foi um ato intempestivo. Deus, por vezes, tem também momentos de loucura. A par da energia escura, também a luz resplandecente se transforma em esquecimento. Afinal, o paraíso está vazio. A euforia do bem transforma-se em mal. Espero-te vestido de fogo. Dentro do amor está tudo aquilo que é possível entre nós. A ética prometeica obriga-nos a tentar corrigir o mundo. Talvez a sensibilidade do mal seja surreal e a beleza triste. Tudo é tão insólito. Num determinado momento, a divindade mais divina fabricou a primeira máquina de efabulação. Escreveram-se com ela as sagradas escrituras. Produziram-se palavras, expressões e enredos. Criou-se então uma espécie de realidade paralela. O tempo existe. O caos existe. A realidade também existe. O caos é a realidade ao contrário. A lua desponta subitamente, abrindo uma fenda invisível no céu escuro. Uma luz gélida tomou conta da alegria. A tristeza surge desta forma rápida. A poeira do passado atinge-nos enquanto avançamos aos ziguezagues. No jardim há flores e revólveres. O recreio da escola está agora cheio de encruzilhadas. Na fotografia da casa velha o cabelo descai sobre o sorriso da mãe. Também a coragem envelhece. As mulheres rezam o terço enquanto reparam, através da janela, que no céu os aviões traçam linhas horizontais. Mais tarde bordarão e coserão os botões que faltam nas camisas dos maridos. Algumas lavarão as mãos e perfumarão os sovacos e a vulva. O círculo de luz continua razoavelmente estável. Das janelas, antigamente olhava-se para fora. Agora olha-se para dentro. As pombas esvoaçam como lençóis. Nunca antes tinha reparado no brilho das amendoeiras em flor. Continua a arder dentro de mim o desejo de que me desejes. Vejo-te sempre quando leio histórias de ternura. E então penso em frases redentoras desenhadas com letras embebidas em beijos e estendidas pelos lençóis. Já sinto os espasmos quentes da tua genitália. Nascer para depois morrer. Os caminhos estão vazios. Os pássaros fecharam as asas. De novo o silêncio enxuga as lágrimas. O silêncio da noite onde as flores claras perdem todo o sentido. As cores também se gastam e acabam por abandonar a limpidez dos olhos das divindades. A que cheira o seu hálito? Salomão rega os lírios. O seu roxo é uma vaga esperança de amor eterno. Esse rei foi o primeiro que pendurou a luz dos jardins nos olhos da sua amada Lilith. A partir daí, o amor passou a ser sempre impreciso como a trajetória de uma gota a escorregar-nos na pele. Ninguém percebe o esquecimento, nem os beijos guardados, nem o verde que arde dentro dos teus olhos. Os campos estão inundados de saudade e o vento sopra as impossibilidades. Maio é o início de um beijo. Lembro-me dos céus grandes, das fadas presas ao papel, dos dias do desgosto, da tabuada, das pequenas sereias em escabeche, da contagiosa moléstia da saudade. O futuro estava arrumado no presente. Os sonhos possuíam escadas. Os anjos de então tinham caracóis. Os de agora só falam de fogo e insónias. O medo da morte é uma coisa imensa.


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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Procissão

Barroso - Solveira - S. André - março 2016 - D

 


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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020

Tudo treme

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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

483 - Pérolas e Diamantes: Os mestres de culinária

 

 

Estou em crer que a memória é caprichosa. Aprendemos que o respeito pelos senhores começa pelo modo como se vestem os seus criados.

 

Nós gostamos da sopa, mas apreciamos sobretudo o momento de saborear o prato principal. Geralmente é a partir daí que ficamos mais bem-dispostos e começamos a contar piadas.

 

As pessoas espertas dizem respeitar a disciplina. Já as pessoas inteligentes rejeitam-na por lhes parecer uma ameaça existencial.

 

Nestas coisas das oportunidades da vida nunca sabemos bem se estamos a nadar contra a maré ou a seu favor. Pelo que, na maioria das vezes, tendemos a fazer um pouco das duas.

 

Há por aí muita gente disposta a fazer qualquer coisa por dinheiro. Existem também muitas pessoas dispostas a fazer coisas por despeito ou egoísmo. Mas existe também gente que faz coisas por um ideal e não aceita dinheiro, venha ele de onde vier, nem que lho enfiem nos bolsos à força.

 

Há aqueles que andam de óculos de sol mesmo que sejam míopes e não necessitem deles. Existe outro tipo de gente que utiliza sempre os óculos corretamente graduados para ver a realidade.

 

Andamos à procura de encontrar sentido nesta falta de sentido. Quem quiser perceber a política tem de ser entendido no absurdo.

 

A política falha quando temos de confrontar o mito com a realidade. A maioria das pessoas passa a vida a fazer coisas sem acreditar, a fingir.

 

Aprecio as convicções autênticas, não aquelas que são impulsionadas por motivações de ganho, inveja, vingança ou autopromoção.

 

A grande maioria dos católicos acredita que foi Cristo quem inventou a ganância e a água-pé.

 

Talvez seja por isso que os políticos de agora são bem mais agradáveis, sorridentes, polidos e até mais gordinhos do que os de antigamente. São fofinhos, como dizem as mulheres mais ternurentas e as crianças bem criadas. A fome dos políticos é muito agradável. Por isso é que grande parte das crianças pretende ser, quando for grande, mestre de cozinha. As estrelinhas Michelin são dos troféus internacionais atualmente mais cobiçados. 

 

Antigamente comiam-se tortulhos com carne. Agora não, a coisa fia mais fina. Confecionam-se pratos deliciosos com boletos vulgares, boletos anelados, boletos-ásperos, cantarelos e sanchas. Tortulhos não porque fazem mal ao coração. E também porque são proibidos em França e na Alemanha. Os mais requintados apreciam mesmo uma sopinha escura de cogumelos com miúdos de lebre, à maneira dos alemães. Afinal também somos europeus. E bem sucedidos. 

 

Temos até um presidente que é bom a cultivar rosas sem se picar nos espinhos. O que não é fácil para quem se fartou de plantar laranjeiras e depois de as podar.

 

Aquele seu amor quase infantil pela pátria e pelos portugueses não é fingido. Faz parte da sua dedicação à causa da liberdade. E é, acima de tudo, uma questão de princípios.

 

Acho que todos nos revemos no seu falar amavelmente nasalado, que não revela nenhuma origem social ou regional, e na sua lengalenga hipoteticamente triste e lamentosa.

 

Seguindo a definição do chefe da Feitoria João Rodrigues (dono de uma estrela Michelin), Rebelo de Sousa é, bem vistas as coisas, um bom chefe de cozinha pois possui todas as qualidades que o qualificam para tal desempenho: é uma pessoa generosa, sabe exigir, tem disciplina, organização, técnica, e sabe dar. Sobretudo beijos às velhinhas e sandes de queijo aos sem abrigo.

 

Temos também um primeiro-ministro que lamina bem cogumelos em frente das câmaras da televisão do programa da Cristina enquanto assobia uma modinha, ou duas, e sorri como somente ele o sabe fazer.

 

Não sei porquê, mas, por vezes, apetece-me, em troca das suas partilhas culinárias, oferecer-lhes pegas para a cozinha, pois aventalinho já eles possuem.

 

Depois, quando os oiço falar em liberdade, com aquele sentimento todo, penso que a deles é muito melhor do que a minha, do que a nossa. A deles é respeitável. A nossa é de brincadeira. Estou em crer que são diferentes. Muito diferentes. O melhor é cada qual ficar com a sua e fazer bom uso dela. Claro está, se a nossa não atrapalhar a sua e a dos seus.

 

Por vezes, estas coisas ditas pós-modernas têm o sabor de velhas histórias requentadas.


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Domingo, 23 de Fevereiro de 2020

A mulher e o burro

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Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Ao sol

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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

Na aldeia

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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

Poema Infinito (496): Luz difusa

 

 

Num casebre com telhado de palha vivia uma mulher e um homem que queriam a mesma coisa. Costumavam trocar de papéis e de desejos. Porque eram muito antigos sonhavam ser imperadores, papas e, por poucos momentos, o tal homem pregado na cruz que não se cansava de sofrer para a salvação dos outros. No meio da opulência, um pouco de sofrimento apimenta a vida. Era ela uma sereia invertida e ele um pescador de desejos desmedidos. Sonhavam ser invencíveis na guerra. Especialmente ele, que era um valente cobarde. Também queria construir e atravessar pontes sobre os rios mais largos, habitar palácios com torres que tocassem as nuvens, conduzir carros puxados por pégasos e construir muitas arcas de Noé que andassem debaixo de água. E, por fim, governar o mundo, dominar a natureza e elevar-se aos céus como o Deus dos deuses. Também queria voar, erguer-se até as estrelas. Ela então disse-lhe que parasse de desejar e se desse por satisfeito em ter tais sonhos, pois o esplendor acaba, as torres e as pontes e as máquinas voadoras desmoronam-se, os diques rebentam, a terra treme e as montanhas cospem fogo. E acabará por chegar o tempo do grande frio e da nova idade do gelo, que tudo cobre. Até a morte. Nada do que consideramos sagrado existiria se o homem se tivesse limitado a ficar contente com aquilo que tem. A atividade do homem leva ao caos. Por isso as mulheres são mais desmedidas no seu desejo de construírem a ordem. É o vício do poder do homem que oprime o mundo. Então a mulher que habitava a cabana com telhado de palha olhou fixamente para o seu alucinado marido e disse-lhe que o bosque estava cheio de cogumelos e que, por isso, tinha de se confiar na natureza e recolher em cestos o que ela tão generosamente lhes oferecia. E um sol de outono iluminou-lhes o caminho com a sua luz dourada. E a floresta transformou-se numa catedral. Até que um dia o tal homem sonhador se tornou num perito em cogumelos. Mas a perícia por vezes é como a pólvora nos paióis, provoca explosões mortais, vitimando quem se distrai. Deixou de duvidar. Morreu de tanta certeza. Foram os cogumelos, tão bonitos como contos de fadas, os que o envenenaram de vez. A mulher e os filhos, com a tristeza, apanharam amanitas que fazem sonhar e suspender o tempo, liberando-se e reconciliando-se com as contradições mais vigorosas. Foi então quando a mãe descascou a cabeça do cogumelo, a partiu aos bocados, comeu um bocado e deu o resto aos filhos. Ficaram imóveis à espera do efeito. E ele, por fim, chegou. Começaram a falar uns com os outros com palavras vestidas de púrpura. A realidade transformou-se num vasto campo de oximoros. A mãe chorosa disse: Excetuando nós, tudo o resto é inventado. O conto é real. A imaginação está espalhada por esse universo fora até ao infinito. Os desejos partem por esse mundo fora à procura do seu duplo sentido. As crianças, perdidas, quando encontraram o caminho de saída da floresta já eram adultas. A mãe, velhinha, continuava a ter a sua boca cheia de determinação. O tempo deixou de passar por aquela floresta. Apesar de os bosques estarem cheios de míscaros amarelos e boletos, a mulher e os seus filhos nunca mais foram a eles. Deixaram de procurar a felicidade. Ficaram com o amor do avesso. Tudo e o seu oposto foi reduzido a um único ponto que absorveu a luz difusa que neles transparecia.


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No trabalho

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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

No pasto

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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

481 - Pérolas e Diamantes: O triunfo da mediocridade

 

Claro que todos temos direito à nossa opinião. Era o que mais faltava. Mas, entendamo-nos, ter direito a ela não quer dizer que a opinião de uma pessoa tenha tanto valor como a de outra. Por exemplo, a opinião de um ciclista sobre esse tipo de desporto tem de valer mais do que a minha, já que não o pratico.

 

Há muita gente zangada por aí e é avisado não nos colocarmos na sua linha de fogo. Quase sempre os mais ignorantes são os mais atrevidos. A ignorância consegue conferir razão a quem a não tem. A sabedoria costuma assentar em algumas justificadas incertezas, dúvidas e consensos.

 

Também existem os que assumem uma humildade fingida, revelando, provavelmente, uma finalidade quase pedagógica. Sobrevoam as instituições procurando uma pretensa autoridade académica. Mas a realidade condu-los, quase sempre, à sua medíocre cátedra. Dizem que se comovem com os livros. É mentira. O seu espírito está saturado de fingimento. Quando lhe fazem um convite cultural, costumam desculpar-se com a saúde da mãezinha que vive noutras terras. Ou então com os netos.

 

Nas letras, como na política, a troca de fichas é muito grande. Quase ninguém se entende. Quase ninguém as entende. Nivelam-se os bons com os médios e estes com medíocres. Muitos até conseguem ser premiados. A literatura atual é feita de verbetes, falsetes e revela uma falta de sensibilidade e gosto que roça a indigência cultural.

 

Desconfio sempre daqueles que escrevem mais do que aquilo que leem.

 

Como defendeu Samuel Johnson, é muito melhor ser maltratado do que esquecido, até porque é muito mais fácil ter desígnios do que agir.

 

Aos zangados faltam-lhes estímulos emocionais. Andam sempre à procura de desculpas.

 

Todos precisamos de experienciar. Coitados dos que necessitam de se enfurecer para se sentirem vivos.

 

Há pessoas que não gostam de coisas velhas, mas também não gostam das novas. Gostam é de se chatear. De se zangar.

 

Os homens passeiam os cães e os jovens costumam ir para os jardins mostrar o seu ar enfadado, as calças rotas nos joelhos, enquanto enfiam o olhar nos ecrãs dos seus telemóveis inteligentes. Alguns namoram, mas com gestos estudados.

 

Outros vibram e dizem amar por antecipação.

 

Há ainda uns outros que dizem atribuir demasiada importância à leitura, desenvolvendo uma espécie de obsessão neurótica pela leitura e pelos seus supostos benefícios morais.

 

Não apreciam plantas, flores, mas penduram na parede a reprodução emoldurada dos girassóis de Van Gogh.

 

A frivolidade descontraída das conversas não é em si mesma um problema. O problema está na sua permanente continuidade.

 

Querem ver.

 

Primeira: Um estudo realizado nos Países Baixos revelou que as mulheres que ingerem uma dieta rica em fruta e legumes têm mais probabilidades de ser mães de meninas.

 

Segunda: Uma loja em Lisboa prometeu roupa de graça às primeiras cem pessoas que aparecessem no primeiro dia de saldos vestidas apenas com roupa interior.

 

Walt Disney já tomou de assalto os governos ditos democráticos do Ocidente. Os donaldes, os patetas, os tios patinhas, as minies, os irmãos metralha e os miqueis governam-nos com a frivolidade costumeira.

 

É também confrangedora a monocultura dos nossos académicos e das ditas elites. Sente-se uma certa vibração no ar que pode possibilitar a violência. Como já disse, anda por aí muita gente zangada.

 

A coexistência é amarga, rancorosa, ressentida.

 

Tornou-se evidente que a esquerda portuguesa é uma intrujice e a direita não passa de um anacronismo. Já o centro é o zero absoluto. Nem sim, nem sopas. Já não existem fronteiras, mas apenas zonas económicas.

 

Com a retórica do serviço público, os políticos procuram essencialmente a sua própria promoção social. E falam-nos, ad nauseaum, com a máxima sinceridade, a máxima responsabilidade e a máxima solidariedade. Iludem-nos desde o zero até ao infinito.

 

A definição doutrinária da direita e da esquerda vive na perpétua guerra de alecrim e manjerona entre pequenos grupos, que, pretextando uma qualquer dissidência ideológica, se juntam à volta de pequenos caciques.

 

Perante a desordem democrática, a mediocridade triunfa.


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Domingo, 16 de Fevereiro de 2020

Nuvens

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Sábado, 15 de Fevereiro de 2020

Água

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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

Músico

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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020

Poema Infinito (495): Estremecimento

 

 

Lembro-me de a minha irmã brincar com os bodrelhos mexendo nos pequenos seixos como se fossem rebuçados e depois começar a rir enquanto a senhora Marquinhas da Ajuda fazia chorar os pecadores por causa do sofrimento que traziam dentro de si enquanto diziam que não suportavam a vida e ela falava então com o seu marido assassinado à queima roupa ao virar uma esquina da vila onde tinha ido tratar de negócios pois os vivos são capazes de fazer coisas más uns aos outros e o pai parecia um pássaro abrigado debaixo das folhas mais finas das árvores estremecendo com os raios de sol que se escapavam quando as folhas se assustavam com os estalos dos ramos secos e as árvores eram gigantescas e as nuvens também eram vastas como a indiferença e o sofrimento e então a avó punha-se a falar sozinha dizendo que o falecido avô sempre lhe parecera um homem simpático e bom amigo do seu amigo e que não morreu na guerra por um triz ajudado pelas rezas da comadre Marquinhas mas que agora tudo lhe parecia mais estranho como por exemplo as vozes das pessoas que falavam através das paredes do quarto e que a sua velha mãe lhe aparecia em cima dos arbustos vestida como uma nossa senhora mãe dos pobres e depois a minha irmã mais velha punha-se a dançar descalça no relvado juncado de florzinhas amarelas e vermelhas e azuis fazendo lembrar lamparinas flutuantes e ria e ria e ria e contava histórias inventadas por si enquanto o louco da aldeia que era o mais lúcido de todos se punha a olhar para o rio como se aquela água calma e pura o fascinasse mais do que tudo em seu redor regressando depois a casa apitando como o comboio que ligava Chaves à Régua e posteriormente tudo parecia ficar perfeitamente calmo ou perfeitamente razoável enquanto o amigo do meu pai que se chamava Mário já falava na necessidade do suicídio porque as pessoas eram más e também que as mentiras inventadas pelas pessoas faziam com que o mundo perdesse o seu sentido e pedia que lhe dessem a mão para o impedir de cair cair cair nas chamas e que via na parede rostos que se riam dele chamando-lhe nomes maus apontando-lhe os dedos da maldição e respondia a vozes discutindo com elas e ria e chorava num crescendo de exaltação dizendo que tinha de regressar e depois o pai chegava junto dele e punham-se os dois a olhar para o céu estremecendo e franzindo a testa esperando que o sentido da verdade os alcançasse e a mãe leva-lhes duas cadeiras para se sentarem e repousarem antes de voltarem ao esforço de elucidarem a humanidade sentindo debaixo deles a terra a tremer e flores vermelhas a começarem a crescer dentro da carne enquanto se ouvia vindo do alto do monte um som estridente que se assemelhava muito à voz de Deus quando pegou fogo às sarças e se pôs a falar com Moisés como se ele fosse um velho pedinte que cantava canções de embalar a cobras e todos se lembraram dos pássaros a chilrear e das rodas dos carros a chiarem e dos gritos da mulher louca que habitava a casa mais afastada do centro da aldeia e apesar de tudo isto a beleza jorrava de todos os lados de forma instantânea e a beleza coincidia com a verdade e então a avó pôs-se a cantar uma espécie de ode ao tempo com palavras brancas e imortais enquanto o Mário continuava invocando o seu destino com a cabeça entre as mãos e o rosto sulcado pelo desespero ao mesmo tempo que a luz se estendia pelo chão fora como se fosse água.


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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

Arcos

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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020

Pedras e pessoas

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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

480 - Pérolas e Diamantes: Capitalismo, aparelhos e clientelas

 

 

Os comunistas numa coisa têm razão: o problema é sempre o capitalismo. O dito capitalismo produz muita riqueza mas distribui-a mal. Um filósofo avisado disse algo como isto: quando o capitalismo vai bem, metade do Planeta tem fome; quando o capitalismo vai mal, o Planeta inteiro tem fome. Quer isto dizer que o capitalismo é um paradoxo.

 

Do ponto de vista económico, não existe alternativa ao capitalismo. A solução reside na capacidade de o manobrarmos de forma a torná-lo mais humano.

 

Por muito que lhe custe, a esquerda tem de saber criar modelos económicos que giram riqueza e só depois reparti-la. Ou seja, tem de aprender a criá-la.

 

É claro que a esquerda tem razão quando fala em justiça social. O problema é que a economia não funciona melhor existindo planeamento central.

 

Todo o planeamento centralizado contraria o que entendemos como natureza humana, pois limita a inovação, estimula a preguiça e conduz à subserviência.

 

Basta olhar para a Venezuela para entendermos onde nos leva uma economia estatal que pretende mandar em tudo.

 

Sem tentar ser demagógico, é bom lembrarmo-nos que Keynes, ao mesmo tempo que defendeu políticas que estimularam a criação de empregos e o combate à pobreza, considerou que “existem justificações sociais e psicológicas para significativas diferenças de rendimentos e riqueza”.

 

A sua defesa da intervenção do Estado na economia foi no sentido de salvar o capitalismo e não de o superar. Convém não esquecer que era um liberal.

 

O planeamento falha na maioria das vezes porque é impossível saber quando uma crise vai acontecer. Além disso, a inovação inclui sempre risco, probabilidades acrescidas de falhanços, concorrência. E também falências.

 

O socialismo real, construído a Leste, difundindo a ilusão de mais segurança e igualdade, apenas limitou a liberdade e construiu um futuro de pobreza.

 

É raro o português que se diz entusiasmado e convicto no dia das eleições. O sentimento é que escolhemos entre um mal maior e um mal menor.

 

Claro que a realidade também tem o seu peso: somos um país pequeno e com uma economia muito aberta, produzimos aos ziguezagues e qualquer aumento do consumo interno aumenta o défice e a dívida.

 

Os números positivos da nossa economia são ainda anémicos, o que equivale a dizer que é necessária muita prudência. A concorrência com o exterior é muito desigual.

 

É frequente a obsessão pela igualdade criar mais desigualdade. Não podemos limitar a ambição e a criatividade. O controlo excessivo é uma fixação leninista que conduz à mediocridade. O Estado move-se sempre devagar. E quanto maior é mais devagar se movimenta.

 

A vida democrática implica riscos e responsabilidades.

 

No entanto, todos verificamos que neste país tudo está feito para ser administrado e gerido pelos amigos, companheiros ou camaradas.

 

A lógica é simples: os partidos são geridos pelos seus aparelhos e o Estado é gerido pelos partidos. Os que dominam dividem entre si as prebendas.

 

O tal “regime de substituição” a que os governos recorrem servem para fazer nomeações permanentes e colocar nos devidos lugares os “boys” e “girls” a um ritmo frenético.

 

Os nossos partidos são partidos de Estado, muito deles criados quando a nossa democracia nasceu, em abril de 1974. Ou seja, o Estado criou com urgência alguns partidos ditos democráticos. Por isso continuam a viver encostados a ele. É a sua carga genética.

 

Atualmente, as carreiras partidárias fazem-se em lugares do Estado, os lugares ditos políticos, que incluem as assessorias e os contratos de fornecimento de serviços ao Estado. Alguma da legislação apenas é feita com o intuito de justificar a sua existência. Depois “os sábios” do regime são contratados pelos órgãos de informação para iludir os pacóvios, justificando “os senadores”. Alguns conseguem até alcançar o mais alto cargo da nação bajulando o poder e os poderosos.

 

O problema é que os lugares para distribuir já não chegam, por isso os partidos, todos eles sem exceção, precisam de criar mais. Pegaram agora na boa ideia da descentralização e começaram a vendê-la ao público.

 

O Estado tem de crescer para tranquilizar a sofreguidão dos partidos.

 

Quando os lugares estiverem preenchidos, logo virá a regionalização, outra boa ideia que a sofreguidão da clientela partidária tratará de destruir.

 

Não podemos esquecer que foram os banqueiros, os grandes escritórios de advogados, as lideranças partidárias, os ministros, ex-ministros e empresários espertalhuços os que nos levaram à bancarrota.

 

O PS está de barriga cheia e o PSD, coitado, apenas deseja umas sobras na mesa do Orçamento.

 

Só não sabemos onde isto nos irá levar.


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Domingo, 9 de Fevereiro de 2020

Barroso com neve

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Sábado, 8 de Fevereiro de 2020

Neve

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Sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2020

Reflexos

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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020

Poema Infinito (494): Refração

 

 

As vozes de Babel são consistentes. A sua confusão é benigna. Milhões de ecos tocam  transitoriamente o momento. Saboreio intransitivamente as reflexões. Posso chegar a qualquer hora. Esta espera tem pouca luz. Os teus olhos, hoje, queimam como brasas. A sua cintilação é rápida. As aves não deixam vestígios. Apesar de indemnes, multiplicam-se os factos. E a religião profunda da razão. Guardas como um tesouro a luz assimilada do tempo. Desde a manhã que hastes de fumo ondulantes sobem para o céu. O sol fende os nossos gestos. George Braque costumava pintar peixes de cabeça azul. Depois retalhava-os em cubos de uma densidade aflitiva. Aprendi com os cegos a beleza táctil das madrugadas, a perceber a sinuosidade triste das rugas, a música amadurecida de Mozart, as curvas que descem até ao ventre, a solidão das lágrimas, o centro geográfico do preto, a superfície das ondas. Inventei uma espécie de engrenagem que ultrapassa as palavras. Uma flor de ambiguidade fálica sobe pela página em branco. Explico-te a teoria do sorriso. A sua refração. A maneira como se dilata e encolhe. Esvazio a tarde do sol que me enche. Sinto crescer dentro de mim o desejo. A saudade vai-me levando para o vazio. As horas são imensas e os beijos instantâneos. É vagamente irónica a instabilidade dos sorrisos. Já a tua subtileza é supersónica. Os excessos são sempre ambíguos. E húmidos. Sinto em mim vários fragmentos do Big Bang, o ar alaranjado do dia, a esfinge das casas em ruínas. Sinto-te em mim, cruzada pelas tempestades, nos interstícios libertários das memórias, onde o tempo desce, onde as névoas são mais doces, onde os filhos são eternos, onde as madrugadas são longos caminhos, onde o tempo morre constantemente. Os dias inclinam-se dentro de nós como se fosse inverno. O espaço entre o nascimento e a morte é curto. Os horizontes oscilam dentro da sua firmeza. Fico sem saber se sou eu quem galopa certeiro rumo à aurora. O azul não consegue explicar o silêncio do universo. Distraio-me com a voz do tédio. Trepo as vinhas. A névoa faz mais longos os caminhos. Lavo o rosto na água dos sonhos. Depois sinto o perfume dos teus lábios. Lembro-me dos cabelos da mãe ondulados pelo vento, o cheiro a rosas dos seus vestidos. Do estremecimento das suas angústias. Das sombras verdes nos seus olhos. Atravessa-me a sua memória ferida. A sua fragilidade de pássaro. A dilatação das suas narinas quando chorava. Foi com ela que aprendi a linguagem destes lugares, a lei caótica das paisagens, a serenidade líquida dos rios. A aldeia acordou nervosa dentro da madrugada. Das glicínias escorre uma espécie de orvalho. As uvas parecem miraculosas. O silêncio fixou-se nas paredes como se fosse musgo. A imagem dos avós fixou-se no inverno.  Neles era mais difícil nascer o amor. Costumavam deitar-se cedo, olhando para as janelas, tentando ver ao longe a fraca iluminação das estrelas, afeiçoando os sonhos que tardavam, esculpindo de novo o velho vocabulário, tornando as sílabas visíveis, medindo a morte. A sua realidade era feita de recordações, de dias súbitos e de pássaros a ciciarem das árvores, fazendo desesperar o escuro mês. A neve aguça ainda mais a luz de inverno. A memória é como uma catedral fechada. Os rumores ferem como cristais. As veias estão fatigadas pelo ibuprofeno.


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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020

Reflexos

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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020

Em Chaves

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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020

479 - Pérolas e Diamantes: A Luisinha

 

 

Logo de início, a guilhotina teve três nomes característicos: a Máquina, a Viúva, a Barbeadora. Logo após ter decapitado o rei Luís, passaram a chamar-lhe Luisinha. Só depois adquiriu o seu nome definitivo.

 

Dizem que Guillotin protestou, mas fê-lo em vão, alegando que aquela lâmina mortal, suspensa num espécie de portal alto sem porta, emoldurando o vazio, que semeava o terror e atraía multidões, não era obra sua. Ninguém prestou atenção a este médico inimigo declarado da pena capital.

 

Apesar de tudo aquilo que argumentou, as pessoas continuaram a acreditar que ele era o pai dessa peça de aço afiado que se tornou na atração mais popular das praças de Paris.

 

E as pessoas, a maior parte delas, continuam a acreditar que Guillotin morreu guilhotinado. É mentira, pois o médico exalou o seu último suspiro deitado na sua cama, com a cabeça colada ao corpo. Este artefacto mortal, com comando elétrico na sua versão ultramoderna, continuou a cortar cabeças até 1977. A sua última vítima foi um emigrante árabe executado no pátio de uma prisão de Paris.

 

Durante a Revolução Francesa, eram os proprietários de terras que incendiavam as próprias colheitas para a sabotar. A fome começou a rondar as cidades. Os reinos circundantes ergueram-se em pé de guerra, tentando combater o seu contágio, pois ela desrespeitava as tradições e ameaçava, como refere Eduardo Galeano, “a santíssima trindade da coroa, da peruca e da sotaina”.

 

Dentro de portas, e acossada de ambos os lados, a revolução fervilhava. O povo seguia circunspecto o que se fazia em seu nome. Poucos assistiam aos debates. O tempo urgia. Era preciso tomar lugar nas filas para conseguir o que comer. As divergências levavam ao cadafalso. Cada fação era dona da verdade absoluta. Exigiam para si o poder absoluto. Os discordantes eram apelidados de contrarrevolucionários, aliados do inimigo, espiões estrangeiros e traidores da causa.

 

Os girondinos, representantes da alta burguesia, acossados pela revolução, defendiam posições moderadas. Já os jacobinos, representantes da pequena e média burguesia, constituíam o partido mais radical, liderado por Robespierre.

 

Instalou-se então a ditadura jacobina.

 

Foi nessa altura que se começaram a guilhotinar pessoas que eram contra a revolução. As execuções tornaram-se espetáculos populares, pois aconteciam diversas vezes ao dia, em atos públicos. Depois do rei, chegou a vez da sua mulher, Maria Antonieta, perder literalmente a cabeça.

 

Marat não morreu na guilhotina porque uma louca o apunhalou quando tomava banho.

 

Saint-Just acusou Danton, dizem que inspirado por Robespierre.

 

Danton foi condenado à morte. Pediu então que não se esquecessem de exibir a sua cabeça perante a curiosidade pública e deixou os seus tomates de herança a Robespierre, afirmando que ele iria precisar deles.

 

Passados apenas noventa dias, Robespierre e Saint-Just foram decapitados.

 

Dessa forma desesperada e caótica, a república trabalhava, sem se aperceber, para a restauração da ordem monárquica. A revolução que anunciou a liberdade, a fraternidade e a igualdade, acabou por abrir o caminho ao despotismo de Napoleão Bonaparte, que, contrariando a ideia inicial, acabou por fundar a sua própria dinastia.

 

O hino mais famoso do mundo nasceu de um momento famoso da história universal. O seu autor, Rouget de Lisle, compô-lo numa só noite. Decorria o ano de 1792, com as tropas prussianas a avançarem contra a Revolução Francesa. Em defesa da revolução acossada, o exército do Reno partiu para a frente. O hino de Rouget insuflou coragem às tropas. Não se sabe bem porquê, deu a volta à França, acabando por aparecer na outra ponta do país. Os voluntários de Marselha marcharam para o combate entoando essa canção motivadora, que passou a ser conhecida como “A Marselha”. Toda a França fez coro. Ao seu som, o povo invadiu o Palácio das Tulheiras.

 

Rouget de Lisle foi preso por ser suspeito de traição à pátria, ao ter discordado da guilhotina. Quando saiu da cadeia, vinha sem farda e sem salário.

 

Passou a deambular pelas ruas, corrido pela polícia e comido pelas pulgas. Quando afirmava ser ele o pai do hino revolucionário, riam-se na sua cara. 


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Domingo, 2 de Fevereiro de 2020

Vilarinho Seco com neve

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Sábado, 1 de Fevereiro de 2020

Barroso com nevoeiro

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