Quinta-feira, 30 de Abril de 2020

Poema Infinito (506): A horizontalidade dos dias

 

 

Entro na casa dos pais e reparo nos velhos utensílios que foram guardados. Apercebo-me do poder das coisas mais vulgares. Aqui a tristeza flutua. Sente-se. Sinto-a. E depois pousa, como o pó. A avó repetia muitas vezes: não te esqueças que és pó. Talvez de estrelas, o que não é melhor consolo, penso eu agora.  A tristeza continua a flutuar. Por vezes, até as coisas perfeitamente iluminadas parecem totalmente inúteis. O vento norte está a subir pelos montes e traz com ele o cheiro a chuva. Há quem corra para conseguir tapar a sua sombra, perseguindo uma espécie de fosforescência que dizem vislumbrar dentro do escuro. O vento não passa de um sussurro. O teu olhar quer libertar-nos da solidão. Atravessamos agora o reino das teorias. Desdobramos as memórias como se fossem mapas. A manhã levanta o dia. Antigamente, os deuses estremeciam e costumavam atirar uns aos outros fragmentos de solidão como se fossem pedras. Aos anjos doíam-lhes os mamilos e a falta de outras coisas. Por isso não conseguiam amar, como os humanos. E tinham fúrias repentinas, como os eunucos. E humidades ténues, entre pernas. Mas nunca tinham pressa. Nem andavam de comboio. Eram como bichos caprichosos. Depois, os vírus extinguiram-nos. Ontem acordei colorido, eu que sou quase a preto e branco. A verdade é que a minha inocência nunca parou. Também o que poderia nascer daí? Estamos a aceitar demasiadas coisas ruins. Lembro-me que a avó cobria a cabeça para atravessar as ruas e ir à igreja. Mesmo quando as rosas se libertavam do botão e se tornavam escarlates. Nessa altura os natais estavam fechados dentro do frio. Apesar disso, os pássaros eram positivos e os seus voos acendiam chamas dentro dos nossos olhos. As fadas tanto encantam como, depois, desencantam. Por vezes a inveja é pura. É por isso que a bondade quase sempre sobra, tal como o papel de jornal depois de lido. Éramos abandonados no verão em camionetas que nos levavam para as colónias de férias. As manhãs eram dolorosas e as tardes horizontais. A solidão era tão salgada e fria como a água do mar. Parecia que o desgosto não tinha fim. Nem o princípio. Tropeçávamos na areia. E depois trepávamos à árvore do tempo para colhermos os seus bonitos frutos. O seu sabor era tão doce que amargava. E depois o tempo trouxe outro tempo. Deus parecia uma necessidade. A vida era regulada pela carência, pelo sol, pelo vento e pelo sino. Havia nomes que pareciam cruzes. E cruzes que pareciam nomes. E nomes que choravam. E outros que sorriam. Alguns nomes não eram nomes, mas esquecimentos. Esses eram os mais crus. Os invernos assemelhavam-se a olmos tristes e calmos. Os ramos pareciam tão definitivos como a verdade. Agora as cidades e as aldeias parecem mais pequenas. Foram definitivamente transformadas pelas ausências. E a velha igreja evidencia com toda a clareza o lado inútil e inacessível da persistência. O cansaço roda como um cilindro. Os dias definem-nos como se fossem espelhos. Apareceu-nos a esperança em forma de milagre. As coisas nunca são bem como parecem. Apesar dos sorrisos, tudo está carregado de raiva. A luz cai em lâminas na terra da eira. O sexo necessita de várias agilidades. A nossa agilidade possui a engrenagem do crepúsculo. O fogo é mais lento e os gestos são mais trágicos. O crepúsculo possui ainda alguns pedaços de alegria.


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Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

Tâmega - Chaves

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Terça-feira, 28 de Abril de 2020

Poldras de Chaves

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Segunda-feira, 27 de Abril de 2020

Vai-me custar partir... Amizade... Epístola Terceira...

 

 

Vai-me custar partir

 

– O que é a beleza?

– Não sei.

– Vai-me custar partir.

– Porquê?

– Por causa da beleza das nuvens.

– Então não partas. Fica.

– Não posso. Sou mortal.

– Então deixa-te ficar mais um pouco.

– Sim.

– Não te aflijas.

– Vai-me custar partir.

– Porquê? Por causa da beleza do céu e das nuvens e dos teus olhos.

– O que é a beleza?

– Não sei. Apenas sei o que é belo e aquilo que não o é. E para isso não há uma definição. É mais uma intuição. Qualquer pessoa intui aquilo que é belo. A beleza não é um conceito, é um sentimento.

– Afinal tu sabes o que é a beleza.

– Ai sim?

– Sim.

– A beleza é um sentimento.

– Achas? Tu própria o disseste.

– Isso que eu exprimi é apenas intuição. Por isso é belo.

– Achas?

 

 

Amizade

 

Há cerca de uma semana, o meu amigo Matias foi passear o cão e ele fugiu-lhe. Era um cão de raça. Foi muito caro. Era um animal de estimação. Como se fosse da família. Dele, claro. Que eu cá não me perco com esses animais. Era um cão que rosnava mais do que ladrava. Costumes de parentela. Andava sempre muito lavado, perfumado e penteado. Estamos a falar do cão do Matias. Porque o Matias, propriamente dito, é bem mais desleixado. Não é que seja mau tipo, é apenas um pouco sovina para os amigos. Mas com o cão não olhava a despesas. Nós, os seus amigos, por vezes ficávamos um pouco zangados por tratar melhor o cão do que a nós. Mas o Matias é mesmo assim. É ele e o cão, depois a família mais chegada, depois outra vez o cão e só depois os amigos. Estou em crer que o Matias é mais cão do que o próprio cão. Agora anda desfeito. Ele sem o cão não é nada. Nem dorme, só dá voltas e mais voltas em redor da cidade em busca do animal. No último desfile etnográfico em C., o Matias desfilou vestido de romano com um outro cão ao lado. Mas um carro, mesmo no final do desfile, passou-lhe por cima. Foi nesse mesmo dia que o Matias comprou o cão que agora lhe desapareceu. Já lá vão sete dias e o cão não aparece. Ele anda doido. De noite até ladra, imitando o cão, para ver se ele responde ao seu apelo. Nós já lhe dissemos que não lhe fica nada bem andar a ladrar à noite pelas ruas da cidade. Mas ele não nos liga. O seu estado inspira-nos algum cuidado. Por isso fazemos votos para que o cão do Matias regresse ao lar são e salvo.

 

 

 

Epístola terceira

 

Escrevo-te cá de baixo, mas mesmo de baixo, debaixo de chuva, debaixo de vento e debaixo de uma depressão estupenda. Estupendamente estúpida, hieroglífica. É que estou mesmo em baixo. Aqui todos me tratam por pá, pá isto, pá aquilo, pá aqueloutro, pá para a frente, pá para trás. E eu não estou nada habituado a este tratamento que, ao mesmo tempo que parece íntimo, resulta numa perfeita imbecilidade informativa e informal. De informal tem pouco, tem mais de desleixo, de não te rales, de displicência e de frustrante indiferenciação social e humana. Fora isto, estou bem mal. Estou desnorteado. Ando desaustinado. Amorfo. Tenho saudades de tudo o que por aí existe e continua a existir mesmo sem mim. Até já tenho saudades das pedras da calçada. Tenho sentidas saudades de falar com os amigos. Sim, eu sei que são poucos e maus, mas, mesmo assim, são os meus amigos. Tenho muitas saudades de descer a rua Direita e depois subir a de Santo António. E tenho muitas saudades da minha doninha. Por favor não te esqueças de lhe escovar os dentes e de lhe dar banho de imersão. Ela adora banhos de imersão. Fora isso, tenho muitas saudades tuas. Mas, reconheço, a opção deste retiro espiritual tem muito de esquizofrénico. Ainda não consigo pensar no Largo das Freiras sem me arreliar. Eu adorava aquele sítio. Foi durante décadas o mais dileto e acarinhado ponto de encontro de vários grupos de amigos que ali se juntavam para conviver, dizer umas larachas e discutir o sexo dos anjos. E por aí ficávamos até altas horas da madrugada, só pelo prazer do convívio, de nos ouvirmos uns aos outros, por sentir que estávamos vivos e que alguém nos considerava necessários na sua vida. Alguns já morreram. E não há memória que doa mais do que lembrarmos vários amigos já desaparecidos sem os podermos associar ao seu espaço preferido. Sem os lugares, a memória é irrisória, não se fixa, não se completa. Com o desaparecimento das Freiras, esses meus amigos morreram duas vezes. E eles não mereciam isso. O respeito pela memória é bem mais importante do que algum progresso. Muito do denominado progresso atual é muito parecido com um retrocesso. A memória, digo-te do fundo do coração, é fodida. PS – Não te esqueças também de alimentar convenientemente o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus). Mas cuidado, não te piques. É que ele é muito sensível.


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Domingo, 26 de Abril de 2020

Em Chaves

Rebentão - Família - Março 2016 071 - cópi

 


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Sábado, 25 de Abril de 2020

No Barroso

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2020

Amigos no Barroso

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2020

Poema Infinito (505): Poesia do Big Bang (Primeira)

 

 

Depois de os judeus chegarem a Jerusalém, a história deixou de ser contínua. Primeiro criou-se o mundo. Depois Deus pôs cá, nesta sua criação anacrónica, que então era um paraíso, Adão e Eva. Noé sobreviveu ao Dilúvio. E a humanidade teve a sua génese na Torre de Babel. E Moisés teve uma vida cheia de trabalhos. E canseiras. Sempre de um lado para o outro, aos mandiletes de Deus. Até que por fim lá conquistou a Terra Prometida. Esdras, Neemias, e até Ester, apesar de relatarem acontecimentos sob o domínio persa, acabam por perder, e nos fazer perder, o sentido de uma história que até podia ser coerente. Quase toda a narrativa hebraica é escrita num estilo simples e lacónico. Nela não existe emoção e as personagens não possuem aspeto. As deduções são por isso superficiais. Ninguém naquela altura sabia lá muito bem de quem era a terra. Faziam-se muitas alianças para conquistá-la. E as mulheres eram muito cobiçadas, sobretudo as filhas dos patriarcas e dos chefes tribais locais. E alguns senhores casavam-se em virtude de terem circuncidado cem filisteus. Frequentemente, os homens eram apanhados por acontecimentos que não conseguiam controlar. E as suas vidas e os seus amores eram destruídos nos momentos em que não tinham qualquer poder para mudar as coisas. Paltiel ficou inconsolável. Já David exerceu a sua crueldade a eito, provavelmente por causa de Mical. O papiro e os blocos de argila foi onde os escribas de Deus começaram a escrever as narrativas da sua evidência. O estilo da saga foi descoberto pelos israelitas e por si desenvolvido de forma sofisticada e lacónica. Nesses tempos bíblicos, os reis compravam montes na Samaria por dois talentos de prata. E neles construíam cidades. Alguns faziam o mal mesmo em frente dos olhos do Senhor. E ele não se importava. Só ficava verdadeiramente irado quando o seu putativo povo adorava os ídolos vãos, que não eram nem bons nem maus. Eram como restos de histórias que ou não têm princípio ou não possuem fim. Os assírios chamavam a Israel a casa de Omeri, porque o consideravam um rei importante, talvez por causa dos seus crimes e do seu mau génio. E dos seus atos e dos seus feitos. Israel começou por ser uma terra de ímpios. Mesmo no tempo de Jerobão e do mesmíssimo Salomão. Depois aboliram-se os santuários locais onde os ídolos podiam ser adorados e centralizaram os cultos de devoção num único lugar: Jerusalém. Por isso derrubaram os altares, quebraram os monumentos, queimaram os bosques sagrados e abateram as imagens dos seus deuses, fazendo desaparecer da terra a sua lembrança. O Senhor guiou muitas vezes Moisés fazendo com que o tabernáculo se movesse seguindo uma nuvem de fogo, que ora o mandava parar ou então seguir viagem. A vida era sobretudo dedicada à pureza, à adoração e à liturgia. Devemos recordar que Deus, quando criou os céus e a terra se movia em espírito sob a superfície das águas. Depois mandou fazer a luz e, vendo que ela era boa, separou-a das trevas. Isto logo no primeiro dia. Depois fartou-se de dizer coisas e de dar ordens aos engenheiros celestiais. Criando tudo o resto nos cinco dias seguintes. Depois da obra concluída, repousou ao sétimo dia. E gostou tanto do que fez que relaxou de toda a obra da criação. Depois dessa tarefa, e do intenso trabalho, pôs-se a olhar para o seu feito. Até hoje não mexeu mais uma palha.


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Quarta-feira, 22 de Abril de 2020

Músicos em Santiago de Compostela

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Terça-feira, 21 de Abril de 2020

Barroso

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Segunda-feira, 20 de Abril de 2020

488 - Pérolas e Diamantes: Os Galegos em Lisboa

 

 

O professor Fernando Venâncio gosta de nos lembrar que um crescente conhecimento do passado e do presente galegos é bem capaz de minar alguma das nossas certezas. E dá alguns exemplos triviais.

 

Proclamamos com orgulho desmedido que se não fossem os portugueses o Mundo teria ficado sem três maravilhas: a saudade, o infinitivo pessoal e as cantigas de amigo. E destas efabulações fizemos doridos fados e engenhosos ensaios. “É um espetáculo deprimente. Porque tudo isso, e bastante mais, trouxemo-lo do fornecido celeiro de origem, onde já se tinha inventado a saudade (a palavra e a coisa), onde já o infinitivo pessoal fizera corrente (e, à cautela, se assegurara o futuro do conjuntivo) e onde se começava a internacionalizar a cantiga de amigo, o género mais “in” de toda a largura norte da Península.”

 

Rodrigo Vaz, coordenador do livro “Os Galegos nas letras portuguesas”, define-os como um povo generoso, sempre pronto a servir de intermediário de recados de amor, que foi para Lisboa ver se governava a vida, tentando passar o mais discretamente possível. Como se fossem transmontanos, digo eu.

 

Lembra-nos que este esforçado povo foi presença marcante nos últimos séculos em toda a capital portuguesa, tendo exercido as mais variadas profissões, todas exigentes do ponto de vista físico: estivadores, aguadeiros, mariolas, amoladores e carregadores, bolseiros e pitrolinos.

 

Depois subiram de condição e passaram a servir de empregados de mesa. Mais tarde chegaram a ser proprietários de tascas, restaurantes e negociantes imobiliários. Nos últimos anos podemos ver os mais afortunados com o estatuto de grandes empresários.

 

No século XVII era frequente encontrá-los nas esquinas da Rua Augusta, à espera de clientes. E também no largo hoje denominado como Chiado, então conhecido como Ilha dos Galegos.

 

Tinham os galegos (nem que fossem transmontanos, digo eu) muitos aspetos positivos enumerados pela princesa Ratazzi (ai estas princesas) no seu livro “A Formosa Lusitânia”, numa tradução de Camilo Castelo Branco, definindo-os como: Os melhores criados, mais trabalhadores, honestos, briosos e fiéis, além de bons carregadores, aguadeiros e padeiros. “Se a gente precisa de um portador fiel, chama um galego.”

 

É geralmente reconhecido que os galegos são os responsáveis pela implantação, em Lisboa, de vários petiscos que ainda hoje fazem parte da ementa dos alfacinhas.

 

Rodrigo Vaz disso nos dá conta. Desde logo a meia-desfeita, prato assim denominado por ser uma dose para duas pessoas que, por ser partilhado, ficava mais barato; a mão-de-vaca, que tal como a meia-desfeita, se baseava na utilização de grão-de-bico (até porque o grabanzo galego ou o ervanço beirão eram a matéria principal na confeção do caldinho de grabanzo, uma invenção de João do Grão que muito nome e fama lhe vieram a dar); também as “iscas” que os galegos começaram a servir com “elas” (batatas fritas às rodelas); ainda o caldo verde, cuja base é precisamente a couve galega; o bitoque, que tomou o nome de um galego atarracado que o começou a servir; além do famosíssimo prego, assim denominado por ser feito com as pontas da carne; e do apreciado caldo de camarão.

 

Convém referir ainda a importância dos galegos na higiene da capital portuguesa, pois sem o seu trabalho, ela seria mais suja e mais insalubre. Estes nossos irmãos foram fundamentais na distribuição de água e na criação do primeiro serviço de bombeiros, que se revelou de capital importância numa época em que havia muitos incêndios, especialmente durante o verão.

 

Revelaram também a sua importância no transporte dos doentes para os hospitais, na deslocação dos mortos para os cemitérios, na construção do Aqueduto das Águas Livres, no tempo do Marquês de Pombal, e ainda na reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755 e nos trabalhos do convento de Mafra, não esquecendo que foram os pioneiros da Companhia das Águas, como o confirmam os registos que dão conta dos 3000 galegos que, no século XVIII, se forneciam em 29 chafarizes.

 

Em Lisboa, ligada aos galegos está desde há muitos anos a capela de Santo Amaro, no Alto de Santo Amaro, conhecida como a capela dos Galegos, por estes venerarem este patrono dos membros superiores e inferiores, que, bem vistas as coisas, é a ferramenta essencial para o seu trabalho.


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Domingo, 19 de Abril de 2020

Chaves em quarentena X

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Sábado, 18 de Abril de 2020

Chaves em quarentena IX

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2020

Chaves em quarentena VIII

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Quinta-feira, 16 de Abril de 2020

Poema Infinito (504): O axioma do tempo

 

 

Quando nos proibiram de comunicar, traduzimos as tonalidades do vento e com elas sussurrámos curiosidades, decisões e inquietudes. Quando desconhecemos o destino, as viagens não são lentas nem rápidas. São. Esse axioma faz parte da teoria do tempo. Quando vou para outras terras, costumo levar no olhar vestígios da minha. O sol do paraíso também pode ser tórrido. E a água gelada. E os caminhos podem ir dar a nenhures. Depois de uma longa viagem interior segue-se agora a vez de uma grande incógnita. Os velhos falam através das paredes como se estivessem presos. E à noite gemem deitados nas suas camas. A sua impotência é intensa. A loucura faz-lhes companhia. O tempo não necessita de ser tão cruel. O velho arado está tão gasto que já não consegue lavrar a dura terra onde antigamente se semeavam as palavras. Os pássaros fazem gritar as sombras, assustando-as, impedindo-as de voar. Um dia decidimos dividir o mundo, mas não conseguimos. Disseram-nos que tínhamos chegado tarde àquela vontade. Depois adormecemos ao som das chamas da fogueira. A menina acordou translúcida. O sol reflete-se na palma das suas mãos. O azul nasce dentro dos seus olhos. São as forças ocas que dominam o universo. Regem-se pela lei do vazio. E pela da desintegração. Por isso olhamos insistentemente a consistência vegetal e a ténue luz do crepúsculo para percebermos qual é o mecanismo universal que determina a vida. E a razão de estarmos aqui tão acompanhados e tão sós. A antiga memória é enorme. Todos os seres humanos são momentâneos. Todos possuem caras religiosas. Já não se constroem pirâmides, mas muros. Vivemos no tempo dos mal amados, das histórias improvisadas, das bombas de cólera e plástico e do restante lixo orgânico. Estão já muito distantes os jardins de BoccMaltese0accio, com breves e pulcros amantes, percorrendo lentamente os diversos momentos da licenciosidade. As cidades são os novos mitos, cheias de ruídos, manchadas de passeios, com gargantas húmidas por onde passam minhocas chamadas metro, cheirando a refugado de civilização. Nos jardins petrificam-se as estátuas dos filósofos e dos poetas e dos militares que ganharam a fama por mandarem matar seres humanos. Os deuses estão ao preço da uva mijona. A solidão é mecânica. O erotismo flácido. Tudo arde por excesso de higiene. Todos parecem querer mudar de decoração, credo e de deus. Louvado seja Deus. Nunca houve tantos amorais tentando impor a sua moral. Tentando interpretar os sonhos ainda antes de serem sonhados. As antiquíssimas araucárias correm perigo de contaminação. E os seres humanos rodeiam-se de sinais e de hipóteses e de assombros e de viagens e de prolongados silêncios. Depois mergulham no mar da invisibilidade. Os voos dos pássaros passaram a ser clandestinos. Mas voltemos ao início. Ao momento de regarmos as flores. À correção das raízes. À suspensão do mundo e do medo e dos gestos. Tudo se torna plano. Temos os dedos sujos de terra. A eternidade repousa já no inferno. O céu parece um fogo-fátuo. O nevoeiro costuma preceder as grandes aparições. Florescem os aromas e os desejos e a intransponível música de Bach. Wolfgang Amadeus Mozart acompanha ao piano a sinfonia incompleta da solidão. As teclas tocam de forma irreversível. Os chineses continuam a domesticar os pássaros. Não há quem os tire da gaiola.


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Quarta-feira, 15 de Abril de 2020

Chaves em quarentena VII

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Terça-feira, 14 de Abril de 2020

Chaves em quarentena VI

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2020

Epístola segunda

 

Escrevo-te ainda de C. Por aqui continuo a gastar os meus parcos rendimentos mas faço-o cada vez mais com redobrado prazer. O prazer de gastar, de nada deixar a ninguém, nem sequer à Misericórdia, nem a nenhuma outra instituição, seja ela de caridade, cultural, cívica, militar ou protetora dos animais e afins. Por cá a gente atrapalha-se nas ruas. São tantos os que por aqui andam de um lado para o outro que parece que o ar para respirar nos falta. Este formigueiro em constante movimento por vezes põe-me louco. Como louco fiquei quando soube que o canguru que deixei à tua guarda desapareceu na noite. É que eu tinha uma consideração peculiar pelo animal. Além de ser de estimação, era um ser estranho, mas profundo. Eu costumava falar muito com ele. E ele ouvia-me com muita atenção, interesse e bonomia. Interlocutor assim nem mesmo tu o consegues ser. Digo-te que ando um pouco desconfiado que foste tu quem o deixou fugir. Bem, fugir não, pois o animal não era de fugidas. Estava muito habituado à minha casa. Andava pelo jardim com muito estilo, cantava lindas canções de embalar que ouvia à governanta, assobiava com bastante intensidade e tocava muito bem o tambor. Por vezes até tratava da horta e tinha um carinho especial pelo talhão dos tomates e das cebolas. Desconfio que o expulsaste de casa ou o vendeste ao circo. Se tal fizeste juro que to farei pagar em duplicado, pois sou muito bem capaz de te esganar a catatua que te trouxeram do Brasil e depois assá-la e comê-la na companhia do meu cão de caça. Que te desfizesses do esquilo esquizofrénico ainda vá que não vá, agora expulsares-me o canguru da quinta ou vendê-lo ao circo, isso é uma afronta muito séria à minha pessoa e à nossa profunda amizade. E sabes bem que uma amizade pode resistir a tudo menos aos golpes baixos e aos ciúmes. Como me dói muito a cabeça, vou-me até ali à farmácia comprar umas aspirinas. Despeço-me até à próxima, enquanto aguardo que me restituas o canguru, senão vai ser o cabo dos trabalhos para nos tornarmos a dar como irmãos. Que é aquilo que somos na realidade. Envio-te este postal com um pedido de desculpas, é que no quiosque não havia outro e este é um pouco enigmático, mas nalguma coisa tinha de escrever. PS - Peço-te encarecidamente que continues a dar de comer e beber aos meus queridos animais. Especialmente à serpente coral do Texas (Micrurus tener).


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Ali e a semiótica

 

 

O meu amigo Mário revelou-me que anda triste porque agora já não consegue encontrar indivíduos. Confesso-vos que não percebi bem o queixume. Eu sou mais terra a terra. Ele é que gosta de pensar sobre o que os outros pensam ou não pensam, sobre o que significam determinadas palavras fora do contexto ou dentro dele, de refletir sobre a arbitrariedade das ideologias totalitárias ou sobre a indiferenciação ideológica e política que atravessamos. Fora isso, é até bom rapaz, um eficaz chefe de família, um atinado adepto do F. C. Porto e um rigoroso praticante de desporto, nomeadamente das corridas de karting. Na segunda-feira passada abandonou na mesa do café os seus amigos mais chegados. E isto porque, segundo o próprio, sendo todos de orientação política, futebolística e religiosa diferente, agora estão sempre de acordo. Parecem parvos, diz ele para quem o quer ouvir. Atualmente dizem e defendem todos o mesmo. E repete muitas vezes a frase: “Cada vez existem mais pessoas com as mesmas ideias.” E isso é assustador. Eu também acho que é. Mas penso que não é motivo suficiente para abandonar a mesa das suas amizades. Mesa que frequentou e animou durante 20 longos anos. Foi ali que debateu a questão da semiótica do marxismo, a tática e estratégia da guerra do Iraque na perspetiva de um chinês xintoísta, a liberdade aparente dos ricos, a penúria simbólica dos deputados europeus, a ontologia das operações matemáticas, a liberdade sexual em contexto cibernético, o direito internacional dos cães de caça, a influência da cor dos olhos na reprodução assistida, a importância da linguagem no crescimento dos antúrios e por aí fora, passando pela requalificação da Galinheira, o simbolismo da curva do Caneiro, a inteligência sofisticada dos embriões dos caracóis e o egocentrismo das estrelas-do-mar. A mãe do Mário disse-me que o filho falou na sua barriga, quando andava grávida de sete meses. Por isso ele é tão predestinado.


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Céu muito nublado

 

– Não vás com tanta velocidade.
– Achas que sou oligofrénico?
– Não. Nem por isso. Mas o que é que tem isso a ver com a velocidade?
– Tudo tem a ver com tudo.
– Não sei se és oligofrénico ou não. Tenho a certeza é que aceleras muito dentro das cidades.
– Só dentro das cidades?
– E fora delas. Tu aceleras em qualquer lado.
– Mas achas mesmo que sou oligofrénico?
– O que tu és é maluco.

– Então achas que sou mesmo oligofrénico.
– O que tu és é um chato.
– Modera-te. Oligofrénico sim, chato nunca.
– Que nuvens tão escuras.

– Não disfarces.
– Vem aí uma trovoada das grandes.
– Não desvies a conversa.

– Deixei a roupa a secar na varanda e vai molhar-se toda.
– Eu preocupado com a minha oligofrenia e tu pensas só na tua roupa! És uma ingrata.
– A roupa também é tua e dos garotos. E a ingratidão tem as costas largas.
– Tens razão, as nuvens são mesmo ameaçadoras.
– Eu não te disse?
– Achas que sou mesmo oligofrénico?

– Não, não acho. O Mundo é que não te compreende.
– Assim está melhor. Mas não dizes isso só para me agradar, pois não?
– Não.

– Não?
– Não.
– Escusas de ser tão evasiva.
– Eu não sou evasiva, sou sincera e curta de palavras.
– Então achas que não sou oligofrénico? Não dizes nada?
– Vai mais devagar que isso passa. Temos muito tempo para chegar.
– Mas não disseste que querias chegar a casa rapidamente para apanhares a roupa que se pode molhar?
– Que se lixe a roupa. Eu quero é chegar a casa tranquila e inteira.
– Achas que sou oligofrénico? Achas ou não? Diz a verdade.

– …

– Está bem, eu vou reduzir a velocidade. Começou a chover. Eu gosto da chuva. E tu?
– Olha, liga o rádio.
– O teu basta.
– Achas que sou oligofrénico?
– I’m singing in the rain…


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Domingo, 12 de Abril de 2020

Chaves em quarentena V

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Sábado, 11 de Abril de 2020

Chaves em quarentena IV

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2020

Chaves em quarentena III

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Quinta-feira, 9 de Abril de 2020

Poema Infinito (503): A intransmissibilidade do tempo

 

 

O dia ascende, minucioso. Há agora uma nova estratégia da crueldade. A luz cai em lâminas sobre os lençóis. Tudo o que vemos nas fotografias já passou. Sobre as flores do jardim desliza a alegria e o canto das cigarras e as princesas que querem perder a virgindade andando de bicicleta ou montando a cavalo. Alguém cortou os sonhos ao meio. Cesário Verde amadureceu antes de tempo. Ninguém vive apenas para si próprio. Tudo cabe dentro das casas. Sobretudo os nomes antigos. E as toalhas. E os lençóis. E os coitos. Coitados dos coitos. Os coitos agora rangem. Coitados dos corpos. E dos sexos. E dos orgasmos. Agora cavalgamos devagar, enrolando na cabeça os líquenes e a iluminação do Natal. A nossa sensibilidade corporal aumentou. Agora até a chuva nos fere a pele. São demasiado rústicos, os nossos deuses. Abrem os braços como se estivessem longe, medindo os caminhos de regresso, as flutuações dos montes, o crepúsculo, a curva dos voos dos pássaros, a transformação sonora do cantar dos galos. Tudo agora tem a forma de uma despedida e o cheiro das ausências. E o riso doido das lágrimas. A verdade agora é muda. A verdade não importa. A verdade inventa-se.  As horas diluem-se no tempo. Nesse templo que tudo engole. A paciência é uma coisa inútil. Pode até levar-se ao colo. Ou dentro do bolso, para qualquer lado. As nações nasceram falsas. Já não conseguimos substituir as cores às memórias. A vida transborda de eletricidade. Einstein ensinou-nos que o tempo difere de local para local. Cada um tem o seu tempo próprio, que é intransmissível. Todo o ouro veio das estrelas supernovas. Tudo nos está a fugir das mãos. Tanto as coisas demasiado grandes como as demasiado pequenas, apesar de estarem ao nosso lado, não as vemos. A imagem da mãe atravessou a sala e pôs as flores na jarra que está colocada precisamente no sítio onde o sol incide diretamente. O som do sino da igreja deslocou-se para norte, para se misturar etereamente com as nuvens e com o fumo que sai da chaminé das casas. Os círculos cor de chumbo dissolvem-se no ar. E as horas também. Há um tempo que passa. Existe um outro que passa muito depressa. E há ainda outro que nunca acabará de passar. Encostamo-nos ao frio. Ouvimos o orvalho. O bosque está cheio de odores, de pequenos estalidos. De pirilampos que parecem estrelas. Há sonhos onde não existe nada, onde não se perscrutem olhares, por mínimos que sejam. Nem gestos. Lembro-me da imensidade irremediável do dia de ontem. Dos corredores. Dos gritos. Das escadas. Dos sons altos. Das más horas que quase não se ouviam. Quase não se sentiam. Quase não existiam. E da permanência dos aviões no céu. E da noite na aldeia que, à medida que foi acontecendo, se foi assemelhando a um pergaminho. Senti depois no meu olhar desolado o teu olhar ferido que tentava argumentar aquela ausência definitiva. O conceito de mãe é inviolável. Os corpos agora argumentam cansaço. Dizem que possuem uma espécie de segunda beleza, que, bem vistas as coisas, não é beleza nenhuma. Somos animais de pequenas ações. A rapidez do mundo é líquida. E nós somos os seus navegantes imóveis. Só o teu corpo é navegável. Os deuses são relapsos. Argumentam de lado, como se quisessem fugir. Tudo o que era leve ficou pesado. O nevoeiro, as auroras, os ossos. O silêncio.


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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020

Chaves em quarentena II

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Terça-feira, 7 de Abril de 2020

Chaves em quarentena I

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Segunda-feira, 6 de Abril de 2020

487 - Pérolas e Diamantes: Nós até temos potencial

 

 

Nós até temos potencial para sermos pessoas decentes. Aprendemos desde jovens que nunca podemos discordar dos superiores e nunca devemos concordar com os subordinados. Apesar de querermos ser estimados por ambos.

 

Nós adoramos clichés e simplificações revestidos de uma boa dose de verdade. Democracia é mesmo assim: devemos gostar das pessoas em abstrato e não em concreto

 

A nossa revolta, ou indignação, manifesta-se com ligeiras quebras de disciplina. Nós tentamos sempre manter as coisas dentro dos limites.

 

Quando decidimos ir para a frente pensamos que podemos voltar para trás. Gostamos de aguentar. Aguentamos até na hesitação. Mas não aguentamos os paradoxos.

 

Os portugueses têm tendência para apreciarem tiranos com voz doce.

 

Uma coisa nos distingue de muitos povos do mundo: a vulgaridade. E a docilidade. Somos muito compreensivos.

 

Algumas vezes a nossa presença de espírito faz-nos ter razão, mesmo quando a não temos. E isso acaba por confundir-nos.

 

Nós, por cá, gostamos muito de pertencer a panelinhas ou grupos para que na confusão geral se safem os protegidos. Os melhores de nós adoram organizar e dinamizar o “Clube dos Chatos”.

 

Nós somos muito de arrumar as coisas, desarrumá-las e voltar a arrumá-las de novo.

 

Gostamos muito de rezar, menos por esperança e mais para mostrar respeito.

 

A verdade é que continuamos a ver o Sol acima da linha do horizonte. E somos capazes de aguentar uma tempestade e ainda nos rirmos disso.

 

A verdade é que também temos sido heróis na resistência à hostilidade dos outros. Apesar de insistirmos na arte da ilusão, continuamos a caminhar de cabeça erguida. Continuamos a manter uma certa fé na humanidade.

 

E vivemos confortáveis no meio de centenas de insignificâncias que dão algum sentido à vida. Nós somos daqueles que prensam os trevos de quatro folhas nos meios dos livros pensando que eles dão sorte.

 

Caros compatriotas, ao contrário daquilo que nos dizem, a pobreza é degradante. A realidade e sempre permeável. O entendimento através da perspetiva das classes sociais é sempre enganadora.

 

Estar habitualmente entre pessoas que partilham os mesmos pontos de vista é não só redutor, como basicamente estúpido. Ninguém consegue aprender ouvindo o seu próprio eco.

 

Mas por que razão desejamos parecer-nos com as pessoas que desprezamos?

 

A verdadeira sabedoria resulta sempre de um certo sofrimento.

 

Quer queiramos ou não, o país continua a ser provinciano. E não existe nada mais ridículo do que a leviandade dos benzedores que se querem armar em curandeiros dos aprendizes de feiticeiro.

 

Todos nós sabemos que a esponja totalitária costuma funcionar em momentos dramáticos. Sempre foi assim. E sempre assim será. Mas todos sabemos o resultado da sua praxis: ilibar os culpados e condenar os outros.

 

Os medíocres pensam que a ordem está sempre na ponta do bastão e que a inteligência e a cultura são potencialmente perigosas, ou diabólicas.

 

A maioria dos nossos dirigentes e estadistas não passam de epifenómenos, mal saem das luzes da ribalta já ninguém se lembra deles.

 

Nós passamos do fatalismo à exaltação, e vice-versa, com uma facilidade digna de estudo.

 

A verdade é que a esquerda radical ao investir cegamente contra a União Europeia faz o jogo do neofascismo. E ele, como todos sabemos, é um vírus perigoso. O problema é que essa esquerda é, também ela, geneticamente virulenta. Apesar das mutações ensaiadas, tanto o neofascismo como o esquerdismo leninista, não deixaram de ser letais quando chegaram ao poder. 

 

A ofensiva antieuropeia continua a ser uma espécie de ato gratuito e desastroso planeada por políticos revanchistas, populistas ou fracassados.

 

A União Europeia não pode ser um espaço de oposição inconciliável entre sindicatos e empresas, entre povos e nações ou entre tecnocratas e intelectuais. Tem que ser uma realidade política que nos englobe a todos. A todos sem exceção. Só dessa forma deixaremos de ser provincianos.

 

Mas uma coisa temos de exigir, que essa União Europeia, quando nos escreve, seja clara e se deixe, definitivamente, de nos enviar cartas com trechos onde não sabemos se nos elogia ou nos ofende. Ou as duas coisas ao mesmo tempo, o que não deixa de ser patético.


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Domingo, 5 de Abril de 2020

Ponte Romana - Chaves

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Sábado, 4 de Abril de 2020

Voo

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

Tranquilidade

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