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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

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31
Out22

O candeeiro, o sapato, o santo e o risotto

João Madureira

Apresentação3-2 - cópia 3.jpg 

Porque os meus olhos já necessitam de ajuda para poder ler a LER comprei um candeeiro novo com lente de aumento. Tenho-o junto ao sofá. Possui uma lente que aumenta três vezes e, graças ao ponto bifocal, chega a ampliar 5 vezes. Vem equipado com 12 luzes led (tecnologia de baixo consumo energético) e com um braço flexível para podê-lo inclinar como me der jeito. É leve e por isso posso deslocá-lo para onde quero. Funciona a pilhas ou a electricidade.

 

Foi com a sua ajuda que consegui ler o discurso alternativo de Manuel Villaverde Cabral, onde o sociólogo, historiador e político afirma que “se não há revolta é porque os papás estão a aguentar”. Li uma bonita história de Rogério Casanova intitulada “O Coelhinho Tomé e a Crise na Floresta Mágica”, onde “todos os animais estavam muito contentes com a situação pois as agências de notação de risco Libelinha & Noitibó tinham examinado demoradamente a probabilidade de incumprimento dos empréstimos subjacentes aos produtos e não encontraram problema nenhum; o rating dos produtos era tão bom como o rating do pôr-do-sol”. Inteirei-me ainda que os cães aparecem, sobretudo, nos livros que não são sobre cães. Pois eles saltam nos romances de Jack London, nos de John Steinbeck, nos de Charles Dickens, onde por vezes os homens são mais cães que os próprios cães, nos de Thomas Pynchon, onde um cão chega mesmo a ler Henry James. Já para não falar do Garryowen, um cachorro que só aparece num capítulo do Ulisses, de James Joyce, passado num bar, e que se limita a rosnar.

 

Tudo isto e mais alguma coisa anotei com letra bem desenhada no meu caderno de notas para discutir com o meu amigo T., que, agora reformado, decidiu dedicar-se à literatura.

 

Curiosamente, por alguma razão ditada pelo subconsciente, quando cheguei junto dele, em vez de lhe ler estes meus apontamentos, li-lhe um outro relacionado com São Tomás de Aquino. Mas antes de escrever o pensamento do senhor Santo, informo os estimados leitores que estudou teologia em Colónia e em Paris, onde foi discípulo de Santo Alberto Magno que o "descobriu" e se impressionou com a sua inteligência. Era na altura conhecido como o "boi mudo". Dele disse Santo Alberto Magno: "Quando este boi mugir, o mundo inteiro ouvirá o seu mugido."

 

Vamos agora dar lugar a um mugido seu: “As acções intensas fortalecem um hábito. Não a mera repetição. A intensidade favorece o aperfeiçoamento moral. Uma força de vontade intensa e perseverante. Eis um elemento da seriedade. A constância. Eis um dos elementos. Uma intencionalidade bem vincada. Um fito por nós escolhido.”

 

O T. olhou para mim e encolheu os ombros. Li-lhe então as minhas anotações retiradas da revista dirigida pelo Francisco José Viegas. Ele encolheu de novo os ombros. Eu perguntei-lhe se não tinha compreendido as citações ou se simplesmente não lhe interessava a mensagem. Ele tornou a encolher os ombros. Decidi pedir um café. Foi então quando ele puxou do seu bloco de notas e, dirigindo-se a mim, replicou: “Ora diz-me lá como se chamam as partes do teu sapato?” “Da minha bota, quererás tu dizer”, corrigi eu. “Ou isso”, persistiu ele. “E para que raio deveria eu conhecer o nome das partes do meu calçado?, questionei-o para podermos avançar na direcção certa. Ele disse: “Que nos interessam os mugidos do Santo boi se não dominarmos a nomenclatura básica dos ofícios que nos vão permitir sobreviver à Crise. Temos que regressar ao básico. Temos de tornar a aprender a trabalhar a terra, a tratar da floresta, a plantar o jericó, a podar as árvores, a rachar a lenha, a criar o porco, a fazer as chouriças, a cozer o pão, a tratar das galinhas e dos coelhos, a remendar as calças, a cerzir as meias e as camisas, a fazer os sapatos e a consertá-los.”

 

Depois do T. falar ficámos um bom pedaço a meditar. Ele meditou olhando para a praça e eu meditei olhando para a chávena vazia. Finalizada a meditação, veio a insistência: “Ora diz-me lá como se chamam as partes do teu sapato?” “Da minha bota, quererás tu dizer”, corrigi novamente eu. “Ou isso”, insistiu ele. “E para que raio deveria eu conhecer o nome das partes do meu calçado?, argumentei para podermos adiantar conversa.

 

Então, com a sua voz de papagaio, respondeu “porque sim” e começou a lição: “Parte inferior plana, sola e tacão; parte interior, pala e atacador; tira de cabedal que bordeja a orla superior do sapato (“bota, T., bota e não sapato”) abaixo do atacador, cano; parte rija sobre o calcanhar, contraforte; peça em forma de meia-nau, entre o cano e a tira acima da sola, enfranque; tira acima da sola, vira; parte frontal que cobre o peito do pé, gáspea; perfurações de ambos os lados, acima da pala onde se enfiam os atacadores, ilhós; protecção metálica em cada ponta do atacador, agulheta. E é tudo.”

 

“É tudo e não é pouco! E, já agora, espera aqui por mim que vou ali ao sapateiro do beco a ver se me empresta, ou vende, um par de sovelas e um rolo de fio. Não posso deixar esmorecer o entusiasmo que em mim criaste. Já me imagino carregado de inspiração a coser as solas das botas junto ao meu candeeiro com lente de aumento. Eu de um lado do sofá a enfiar o fio pelo buraco feito pela sovela e a minha mulher do outro a fazer croché enquanto o senhor presidente da república reeleito nos comove com mais uma das suas passeatas para português ver. O mundo pode ser um sítio encantador. E a vida um evento curioso.”

 

PS – Receitas para ajudar a combater a crise.

Risotto de lagosta: ingredientes (para 2 pessoas de apetite médio, ou médio-baixo) – 1 lagosta com 475 gramas previamente cozida; 1 colher de sopa de azeite; 56,23 gramas de manteiga; ½ cebola de Loivos finamente picada; 1 dente de alho, também finamente picado; 1 colher de chá de folhas de tomilho, picadas; 182,5 gramas de arroz arbório; 160 ml de vinho branco gaseificado, de preferência Murganheira Reserva; 637 gramas de caldo de peixe a ferver; 1 colher de chá de grãos de pimenta verdes ou rosas em salmoura, escorridos e toscamente picados; 1 colher de sopa de salsa fresca, picada.

Confecção: Prepare a lagosta (torça-lhe as patas e rache-as; corte o corpo ao meio; remova as entranhas do animal e deite-as fora; retire a carne da cauda e pique-a. Reserve-a com as patas. Num tacho, aqueça o azeite e a manteiga, junte a cebola e refogue, junte o alho e refogue mais 29 segundos. Adicione agora o tomilho. Baixe o lume, junte o arroz e envolva no azeite e na manteiga. Frite e mexa durante 3 minutos até os grãos ficarem translúcidos. Adicione o vinho e deixe cozer durante 1 minuto. Mexa. Junte o caldo a ferver. Continue a mexer. Junte mais líquido de cada vez que o arroz necessite. Coza até o arroz ficar cremoso. 5 minutos antes do final da cozedura, junte as patas e a lagosta. Retire o tacho do lume e, continuando a mexer, junte os grãos de pimenta, o resto da manteiga e a salsa. Transfira para pratos individuais aquecidos e sirva de imediato.

27
Out22

Poema Infinito (636): Ruínas

João Madureira

IMG_4383 - cópia 2.jpeg 

Ruínas. Está tudo em ruínas. O fogo desbastou a colina. A tarde cai, dourada. Velha. Casas abandonadas. Caixilhos das janelas desfeitos. Vidraças partidas. Plantas trepadeiras a devorarem as paredes. A aldeia parece uma civilização medieval extinta. Não estou sozinho, viajo com os livros. Tu caminhas ao meu lado, por esta rua. Ainda não nos cruzámos com ninguém. O disco amarelo, e depois vermelho, do sol desce no horizonte por entre a bruma violeta. O rio parece um rego de água. Caminhamos para sul, em paralelo com o rio. Descemos em linha reta. O azul do céu é tão suave que até dói. Terrenos baldios. Ervas daninhas, altas. Troncos delgados de árvores. Uma magnólia prodigiosa ocupa o espaço lateral do jardim. Levantou todo o chão, derrubando paredes vizinhas. O tempo dá saltos bruscos. Depois paralisa. Os profetas também são vulneráveis ao desânimo, à vaidade e à ambição. Alguém cuida das suas ovelhas e apanha figos. Desenvolvem-se formas inesperadas de amargura. Coisas luminosas envoltas em crueldade. A saudade já não dói tanto, mas ficou esquisita. Muito mais esquisita do que aquilo que já era. Um enterro sobe a ladeira. Quase todos choram. E os que não choram, suam. E as saudades a caírem-me dos bolsos. As saudades, as memórias, o lenço e as moedas. E as vírgulas. E os cravos de inverno a matarem saudades. Deus e o Diabo na terra da chuva. Chuva nas ruínas. Chuva nas terras. Chuva nos olhos e nos caminhos e nos telhados das casas. Chuva nos rostos. Chuva nas mãos. Chuva nas campas. Chuva na tristeza. Chuva nas redundâncias. Chuva no leito do rio. Chuva na respiração das ovelhas e na aflição dos pássaros. As ervas oscilam e pingam gotas das suas pontas. A amoreira fendida por um raio ainda ali está a meter medo. Por aqui só há velhos, almas inquietas e galos a cantar a qualquer hora do dia. Depois silêncio. E ruínas. E uma foice pendurada na parede. Tudo parece molhado, mudo, perturbador. Ruínas. Chuva nas ruínas. Chuva de ruínas. Chuva de desespero. Chuva nos preceitos. A avó vestia-nos nos domingos reflexos como se fôssemos a principal devoção de Deus. As mulheres com vestimentas florais e os homens com a forma perfeita da cupidez. E lá íamos, juntos ou separados, aguentar com os sermões, com a concordância, com os olhares perfeitos e com as almas em leque. Há sempre uma réstia de calma antes da tempestade. Os olhos enfurecidos da tristeza já não se dirigem a nada. Apesar das palavras tranquilizadoras, parecemos animais domésticos brutalizados. A lâmina da foice pendurada na parede resplandece. Alguém andou a afiá-la. E nós a empurrar palavras para as meter dentro do baú. As palavras ainda estão húmidas. E tristes. Estão velhas e gastas. Algumas perderam o sentido. Já não sabem em que livro entrar. Ou de que oração sair. Muitas delas gotejaram do sânscrito, do latim, do árabe, do grego, do aramaico e do persa. Daqui vejo Cannaã e o Larouco. Tudo precisa de palavras, sejam elas de onde forem, menos a sensualidade. Aí desfazem-se na boca como o açúcar. Ou perfuram como a luz. As que possuem uma alegria quase infantil escapam-se-nos das mãos e tentam fugir para o terraço para poderem brincar. Vamos atrás delas respirar a brisa da tarde. A decisão está tomada: chegou a hora do mergulho. Eis o impulso. Finalmente.

24
Out22

610 - Pérolas e Diamantes: Nós queremos é consommé, porra...

João Madureira

Apresentação3-2 - cópia 2.jpg 

 

É bom olhar com olhos de olhar para a frente. Sempre que nos é possível. Olhar de lado é má educação. A ironia é incompatível com qualquer tipo de empenhamento. Não perdoa. Nem pode. E mesmo se pudesse. A militância foi-se. Foi chão que deu uvas. Foi-se. Os ingénuos estão todos integrados. Os ingénuos e os hipócritas. Os poetas desintegraram-se. A vidinha submergiu-os. A banalidade, para o bem e para o mal, fascina-nos. Eu agora vivo de lugares-comuns, mas fora de contexto. A nossa memória é a do esquecimento. Há quem considere isso uma virtude. Eu julgo que é, sobretudo, cobardia. Crianças precoces são mitos. O imaginário esquerdista também é mistificação. Ou quase. Os que se querem projetar como figuras públicas não passam de anedotas. Está no seu feitio levarem-se a sério. As conversas da treta são muito bem pagas no nosso país. E até na nossa terrinha. E a cultura da treta, também. Mas a política dá-lhes a dimensão de coisa séria. Continuam os eventos do croquete, os desfiles dos bombeiros, as apresentações tipo agadoisó, as feiras das varandinhas. A sopa de pedra passou a ser servida, agora, como consommé. O sabor é parecido, muito parecido mesmo, mas o aspeto é diferente, mesmo muito diferente. E isso faz diferença. Toda a diferença. Sobretudo a quem come com os olhos. E emprenha pelos ouvidos. A verdade é que nos vamos perdendo no que se relaciona com aquilo que nos é pedido, enquanto munícipes. Afinal, o que é suposto nós fazermos? O efeito surpresa, em vez de nos adiantar na senda do progresso, vai acabar por nos atrasar. Isso dizem os cegos do Restelo que não conseguem ver os efeitos visuais projetados pela CIM. Claro que isso pouco importaria se a televisão transmitisse alguma coisa de interessante, mas não, o nosso serviço público dá-nos ainda mais croquetes, sopas insossas, música irritante e desfiles de bombeiros. Claro que com tanto contratempo e tanta contrariedade qualquer dia também vamos soçobrar enquanto munícipes. O nosso estoicismo tem limites. Apesar do entusiasmo ainda ser elevado, qualquer dia começa a esmorecer. E depois não há quem nos aguente. Esta coisa da nova política, da nova atitude e da nova moral tem já sabor a requentado. Oiço isto desde a minha juventude e as coisas não tomam caminho. E não é só porque os burros velhos já não tomam andadura. Os novos também já nascem com as pernas entorpecidas. A hortaliça murcha logo ao sair da estufa. E a que não murcha não tem sabor nenhum. É sempre tudo mais do mesmo. A verdade é que já não há pachorra para esta gente que todos os dias nos conta a velha história da autoestrada para o progresso, da riqueza e do bem-estar. Apareceu nas televisões, uma nova estirpe de catedráticos desavergonhados a apregoar técnicas que ajudam a avaliar e a pesar os fenómenos sociais e dizem mesmo possuir a ciência certa para criar a solução milagrosa que desculpa tudo. E olhem que não é feitio, é mesmo defeito. Estamos sempre paralisados entre duas certezas: a deles e a nossa. Ninguém pode errar tantas vezes. Acreditar neles já não é uma questão de fé, é mesmo burrice. Vivemos sob o jugo das dúvidas certas. E vamos todos caindo na astenia dos sentidos e no depauperamento dos princípios. Depois das promessas, começa tudo a cair, devagar, devagarinho. E o povo, para não chorar, ri com o seu sorriso amalgamado. E os que nos guiam, pobres coitados, sempre encafuados em reuniões onde se fala sempre mais do que se produz. Faz parte da tradição discutir-se muito e fazer-se pouco. Mas sempre se faz alguma coisa. De política o estritamente necessário, já dizia o velho Salazar. O resto é conversa e subsídios comunitários, vitelinha cozida com legumes e peixinho fresco grelhadinho. As finanças e a economia vão mal, mas podiam ir pior. Sempre assim foi e sempre assim será. A tradição ainda é o que era. Os portugueses só querem luxos sem trabalhar. Podem ser boas pessoas, mas são muito dados às festas e aos arraiais, às minis e aos copos de tinto. Não se pode ter tudo: folia e progresso, festas e desenvolvimento. Morra Marta, morra farta. Esta vida são dois dias. Nós queremos é ser felizes. Porra. Nós queremos é ser felizes. Porra.

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