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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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11
Jan08

De que é que falamos quando falamos de Portugal

João Madureira

 

Vem tudo nos jornais.

Ferro Rodrigues, lá de longe, acusa o Governo do seu partido de “arrogância quando pede sacrifícios”.

Manuel Alegre, lá do Centro do país, mas ligeiramente ao Sul, e em processo lento de afastamento do PS, qualificou o ex-líder do PS de “conformismo” face às civilidades do executivo de Sócrates, pois “quando ele diz que não há alternativa, no fundo está de acordo com as políticas”.

E Alegre põe palavras, porque elas são a sua ferramenta de trabalho, e deixa transparecer o que lhe vai na alma: “Eu, como socialista, não me conformo que haja dois milhões de portugueses no limiar da pobreza e que as desigualdades se tenham aprofundado”.

Entrementes Ferro Rodrigues explica que o PS é “hoje um partido com pouca vida própria”.

Mas Manuel Alegre corta cerce: “O que divide Ferro Rodrigues de José Sócrates é uma questão de estilo e não de conteúdo”. Quem diria!

No Portugal das finanças, que é o motor da economia, e como ambas são números, Miguel Cadilhe afiançou: “Sou um bom presidente para o BCP”.

E se por um lado os dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza se questionam sobre se viver em Portugal vale a pena, cerca de 25 empresários e gestores portugueses declararam ao Sol que “Portugal vale a pena”.

Todo o quarteirão proclama que ganha bom dinheiro e que Portugal, finalmente, recupera do seu atraso em relação à Europa.

Entretanto o Ministério Público abriu um inquérito-crime sobre o BCP, isto enquanto o petróleo chegava aos cem dólares.

Agora algo completamente diferente. No Público de 4 de Janeiro li uma reportagem que falava de uma americana que possui uma quinta no Irão. Louie Firouz trocou o EUA pelo Irão para se casar com um jovem aristocrata, ainda o país vivia ao estilo ocidental. Depois veio a revolução de 1979 e a sua vida mudou radicalmente. Hoje, com 75 anos, e viúva, cria cavalos. E não pensa deixar o Irão.

Agora a sério. George Clooney, o actor do “Capuchinho”, que no intervalo dos filmes se dedica a causas nobres e altruístas, deixou-nos um recado: “Ajudar os pobres não é apenas uma obrigação moral, é uma inteligente política de segurança”.

E porque a história já vai longa, aqui deixo três poemas. Não são meus, mas são agradáveis.

O primeiro, dedicado a Manuel Alegre, é de Fernando Pessoa e reza assim: “No baile em que dançam todos / Alguém fica sem dançar. / Melhor é não ir ao baile / Do que estar lá sem lá estar.”

O segundo, dedicado a Ferro Rodrigues, também é de Fernando Pessoa e diz assim: “Toda a noite ouvi os cães / P’la manhã ouvi os galos. / Tristeza – vem ter connosco. / Prazeres – é ir achá-los.”

O terceiro é um poema Zen, dedicado a José Sócrates, da autoria de Herberto Helder e discorre do seguinte jeito: “A verdade é como um tigre que tivesse muitos cornos, / ou então como uma vaca a que faltasse o rabo.”

 

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