Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

205 - Pérolas e diamantes: da necessidade de ter ilusões

 

Passamos por um momento de rutura. É necessário meditarmos.

 

Os políticos pequenos têm duas características identitárias: possuem um grande talento para a demagogia e um outro, exíguo, para a causa pública, a verdade e o compromisso.

 

Eu sempre apreciei os homens de palavra, não os de muitas palavras.

 

Está claro que muito do que aprendemos, e aquilo que somos, advém do nosso modo de nos misturarmos com os grupos de proximidade. Também eu passei por isso. Todos passámos.

 

No entanto, tenho de admitir – por muito que isso me doa, e doa também a gente que me foi próxima –, que nunca me senti completamente integrado em nada.

 

Aprendi que os grupos demasiado identitários, e fundamentalistas, são constituídos por gente perigosa. E digo isso por um facto fundamental: é sempre mau acreditar cegamente numa ideia, principalmente quando se possui apenas uma.

 

O escritor chileno, Carlos Cerda, escreveu que sempre vivemos abaixo das nossas ilusões. Por isso as temos, para vivermos por cima do que seríamos sem elas.

 

Antigamente iludiam-nos com as ideias. Hoje iludem-nos com a economia. Daí o sermos vítimas de uma lógica inquisitorial e, como defende Gustavo Cardoso, no seu livro O Poder de Mudar, ainda vítimas de uma legitimação das elites.

 

O argumento principal do livro é que apesar da crise financeira nos ter apanhado recentemente, antes de ela existir já tínhamos passado por uma crise política.

 

Essa crise surgiu com o facto de os portugueses terem perdido a confiança no sistema e também com a incapacidade dos protagonistas políticos de correrem o risco de mudar e sobreviver.

 

Podíamos pensar que a solução poderia (poderá?) estar nos partidos que se afirmam ser contra o sistema. Mas também eles revelam elementos de conservadorismo.

 

Por exemplo, tanto o PCP como o BE, ou os seus derivados, temem fazer alguma coisa de concreto, pois sabem que essa é a forma de se exporem e de perderem aquilo que possuem.

 

Por isso se limitam aos protestos, sabendo que, por experiência própria, a gritaria das margens do sistema político irá, mais cedo ou mais tarde, desaguar no centro do próprio sistema.

 

A isto nos levou esta praxe política que se transformou numa espécie de mera gestão de ciclos eleitorais.

 

A ação política é hoje vista como a mera gestão de uma pastelaria de bairro.

 

Necessitamos, urgentemente, de pessoas que se dediquem à política por intuição, que a desenvolvam com inteligência e que a comuniquem pela crença.

 

Necessitamos de acreditar na energia fulgurante da verdade.

 

 

PS – Diz o filósofo que não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Mas nós ainda acreditamos que o político sério e honrado tudo faz para que as contas públicas sejam transparentes.

 

Por isso mesmo renovamos o apelo ao senhor presidente António Cabeleira, e aos seus distintos vereadores, João Neves incluído por inteiro, para que aprovem uma auditoria externa às contas da autarquia.

 

É que o buraco da dívida camarária é de tal dimensão que tememos que nos arraste a todos para dentro dele e nos devore.

 

Além disso quem não deve não teme e à mulher de César… o senhor presidente sabe, com toda a certeza, o resto do refrão.

 

Assim o saiba rematar, não apenas com as palavras, mas, sobretudo, com a ação. 


publicado por João Madureira às 07:45
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