Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

209 - Pérolas e diamantes: o direito a ser decente

 

Tal como a jornalista inglesa Lara Pawson, também eu aprendi que as democracias bem-sucedidas permitem que as pessoas se manifestem, mas os governantes não reagem. É aqui que reside a perfeição do processo: deixar que a população proteste à vontade, mas ignorá-la por completo.

 

Ninguém imagina o que é ter-se talento para fazer algo e não o poder fazer. Ou pelo menos imaginar que se possui essa vocação para fazer algo e, no entanto, não a conseguir realizar.

 

Alguns meus amigos possuem tanto talento que nem se quer se dão ao incómodo de fazer alguma coisa de útil para a sociedade.

 

Eles dizem-me que as coisas que parecem diferentes na realidade são iguais. Eu oiço e nada respondo. Mas desconfio que as coisas que parecem o mesmo é que na realidade são diferentes.

 

Cada vez estou mais convicto de que os homens de bem não conseguem prosperar. E na nossa terra ainda menos. Quem teima em ser impoluto, leva mais porrada do que um liteiro.

 

Mas a mim ensinaram-me em pequeno que um homem tem o direito a ser decente.

 

Por aqui parece que apenas existem duas soluções: ou nos conformamos ou fazemos de conta que nos conformamos.

 

Conheço gente que diz cobras e lagartos de muitos seus conhecidos, ou correligionários políticos, mas, quando estão juntos, parecem unha com carne e estão sempre a sorrir, a bater nas costas ou a aplaudir.

 

Já não há valores, só há preços. E estou em crer que o preço da frontalidade está em época de saldos.

 

Depois veem-nos sempre apelar à conciliação e ao diálogo. Mas são sempre esses os que já têm a faca e o queijo na mão e o assunto cozinhado.

 

Quando oiço falar os nossos principais responsáveis autárquicos fico sempre com a sensação desagradável de que falta ali alguma coisa. Como quem assiste a uma missa em latim.

 

E rio-me sempre baixinho dos que pensam que o poder é uma virtude positiva. Esses acabam sempre por gostar automaticamente daqueles que o possuem, pois gostam de permanecer agradáveis e incolores.

 

Mas como não há mal que sempre dure, esperamos sinceramente que deste poder autárquico, daqui a uns anos, nada mais reste do que apenas recordações.

 

Olhando para trás, apenas me apetece dizer como o personagem Paco Gay, do livro de Gonzalo Torrente Ballester, Onde os Ventos Mudam: “Ai, a terra, a terra! Se nos apanha, dá cabo de nós.”

 

 

PS – Para que todos os flavienses fiquem a ter uma ideia aproximada do dinheiro que foi gasto pela CMC durante os últimos 12 anos, em propaganda política e o que efetivamente foi gasto em obras necessárias e estruturantes na cidade e no concelho, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da autarquia, António Cabeleira, mais aos seus distintos vereadores, incluindo necessariamente João Neves e João Moutinho, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprovem uma auditoria externa às contas da CMC.

 

Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos.


publicado por João Madureira às 07:00
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