Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Não sei se é do bem ou do mal...

 

 

Acho que foi Lincoln quem disse que na política, o bem e o mal estão sempre combinados, nunca aparecendo em estado puro, antes andando sempre combinados num processo de equilíbrio precário, cabendo ao agente político, num exercício atento, descobrir o sentido em que se inclina todo o processo de desenvolvimento.

Ora, sendo assim, ainda não consegui descobrir para que lado da balança se inclinam as políticas do actual governo. Mas desconfio que, e apesar de ser obrigatório fazer alguma coisa por Portugal, o caminho que a governação leva nos encaminha para a ruptura social.

A legitimação política democrática faz-se no bom senso, na partilha das expectativas, no equilíbrio das vontades, na visão de futuro.

Quando a argumentação política se baseia no poder visionário de um homem que apenas seduz os ressentidos socais, fomentando a divisão clientelar, o confronto profissional e dividindo de alto a baixo a sociedade em termos de uma luta feroz pelo sucesso, tende a abrir fissuras no ténue tecido social português, onde as elites ou são os ricos, ou são os que os servem em troca de ordenados chorudos.

A política deste governo é muito idêntica ao sucesso profissional de Armando Vara. Do balcão de atendimento de uma sucursal da CGD, e depois de servir o partido, foi catapultado para a direcção de um banco privado.

Num país moderno e desenvolvido tal era impossível. Por aqui ainda conseguimos fazer milagres que espantam o mundo civilizado.

A mim já nada me espanta, a não ser o facto de o Sol nascer todos os dias sem a prévia autorização de José Sócrates e do seu conselho de ministros. Pois, como todos sabemos, a noite já não se atreve a trabalhar sem picar o ponto.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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