Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

214 - Pérolas e diamantes: no melhor pano cai a nódoa

 

O poeta W. H. Auden compôs uma quadra com estes versos premonitórios: “Eu e o público sabemos / O que na escola toda a criança aprende: / Aqueles a quem se faz mal / Fazendo o mal retribuem.” Podemos dizer que é uma lei da vida.

 

Outra sua lei é a de que apenas a traição é intemporal.

 

Só que a verdade é como uma ave de rapina: dá sempre muitas voltas antes de bicar.

 

Mas nunca nenhuma batalha foi ganha por aqueles que se limitam a ser espectadores.

 

Todos os políticos são inseguros, anseiam que os admirem. Por isso quando fazem algum elogio é porque estão à espera que lho retribuam com outro.

 

Mas todos sabemos que a política, como muito bem costuma dizer baixinho o superagente Smiley: Não se pode comer, não se pode vender nem se pode dormir com ela.

 

Já Goethe dizia que “no princípio era a ação”. Essa também é a minha filosofia: O que pensa um homem é problema dele. O que verdadeiramente interessa é aquilo que ele faz.

 

Serve este pequeno naco de filosofia da treta como prelúdio para o que se segue. 

 

O jornal i noticiou que “o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional decidiu em agosto contrariar a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC) de escolher apenas uma empresa para selecionar futuros gestores dos fundos europeus”.

 

A princípio, a agência tinha decidido adjudicar todo o trabalho à empresa que apresentasse a melhor proposta. Concorreram três, ganhou apenas uma, de acordo com a lei. O problema foi que a empresa que ganhou o concurso não foi a esperada. Pelo menos pelo senhor secretário de Estado. Ele apostava numa empresa de um ex-autarca do PSD do Porto.

 

Vai daí, o governante decidiu contrariar o modelo escolhido e mudou as regras estabelecidas, dando indicações para que se contratassem as empresas que haviam ficado de fora, porque, voltamos a lembrar, tinham apresentado preços mais altos.

 

Ou seja, adjudicou-se o mesmo serviço não só à empresa com o serviço mais barato, como decidido pela agência, mas também a todas as que participaram no concurso, onde estava a tal do ex-autarca do PSD.

 

Uma delas mostrou-se desde logo indisponível para participar, mas não foi a do citado militante do PSD.

 

Ficaram assim duas entidades a executar o mesmo serviço. E o Estado, em vez de pagar cerca de 40 mil euros à que ganhou o concurso, passou a ter de remunerar mais 60 mil euros à empresa excluída à partida. 

 

O curioso é que o senhor secretário de Estado mantém desde há alguns anos ligações políticas com o ex-autarca do Porto e, mais curioso ainda, não é que em 2005, o agora secretário de Estado foi indicado pelo ex-autarca do PSD, então dirigente da Junta Metropolitana do Porto, para ocupar um dos lugares cimeiros daquela instituição!

 

O visado, contactado pelo citado jornal, não respondeu a qualquer questão colocada.

 

Talvez porque, no seu douto critério, “a comunicação social tem sido um dos responsáveis da degradação do regime democrático”.

 

Ou dito de forma mais explícita, por Alberto João Jardim: “Há aqui uns bastardos na comunicação social. Digo bastardos para não dizer filhos da puta.”

 

 

PS – Péricles escreveu: O segredo da felicidade é a liberdade; o segredo da liberdade é a coragem. Por isso, senhor presidente da Câmara de Chaves, mais uma vez o desafiamos, a si e aos seus distintos vereadores, a aprovarem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia, pois quem não deve não teme e à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.

 

Com essa sua gentileza, com toda a certeza que passaríamos todos a dormir um pouquinho mais tranquilos.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o simpático vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará efusivamente, uma auditoria realizada às contas do seu próprio virtuoso mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
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