Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

221 - Pérolas e diamantes: a política e a dignidade

 

 

António Costa chegou a líder do PS igual a si próprio: falando de tudo com um sorriso nos lábios, mas dizendo muito pouco ou quase nada sobre o programa político do seu putativo governo. Por exemplo, afirmou que ia acabar com a sobretaxa de IRS, mas não disse quando, e prometeu promover uma “nova atitude” em relação à Europa, mas não explicou em quê.

 

No PS passou-se da timidez de António José Seguro ao vazio tonitruante de António Costa. A sua agenda para a década é um assumido enunciado de intenções.

 

Não se cansa de afirmar que a situação portuguesa se resolve com crescimento económico, mas não mostra como será feito esse crescimento.

 

O Obama do PS, com as promessas que vai fazendo de forma avulsa e descoordenada, poderá transformar a sua imagem de salvador de Portugal em falso milagreiro. A ver vamos.

 

É por demais evidente que estes quase quatro anos de governação PSD/CDS constituem uma legislatura falhada. A carga fiscal foi violentíssima, nomeadamente nos cortes feitos aos funcionários públicos e na forma profundamente injusta como se taxaram os pensionistas.

 

Além disso, o executivo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas cometeu um erro de palmatória: tentou aguentar as finanças públicas esquecendo a economia real.

 

O problema é que não foi por uma questão de falta de vontade, foi mesmo por incompetência e falta de maturidade.

 

Em Portugal não há incentivos para que os melhores fiquem por cá. Este continua a ser o país das cunhas.

 

Sinceramente confesso que não acredito em nenhum dos partidos do BCI (PSD/CDS/PS) para tratar do nosso futuro coletivo.

 

Não acredito neste governo porque falhou em tudo. Sobretudo nas reformas estruturais e nas da administração pública. 

 

Não acredito em António Costa porque o partido que ele lidera continua refém do velho aparelho, que sabe que apenas poderá subsistir se continuar a manobrar no segredo dos gabinetes.

 

A solução ou vem de fora deste triângulo de interesses ou não será solução competente e capaz.

 

A crise financeira e monetária deve-se muito mais à corrupção do que às más políticas.

 

O BCI é responsável pelo facto de as ideias já nada representarem e os valores estarem a desaparecer, por vivermos num regime de puro pragmatismo, negando assim a grande tradição democrática e republicana e o imprescindível espírito crítico.

 

As pessoas têm razões objetivas para começarem a desprezar a política. É compreensível. Mas também é extremamente perigoso. Se virarmos as costas à política, ela ficará nas mãos dos piores. É necessário convencer os elementos mais brilhantes e idealistas da nossa sociedade a ela se associarem.

 

De uma coisa podemos todos ficar cientes: a política só se torna digna se as pessoas dignas nela participarem.

 

Se a deixarmos nas mãos dos ignorantes, dos medíocres, dos prepotentes e dos corruptos, porque a consideramos detestável, então a própria política só pode tornar-se detestável.

 

 

PS – Para podermos fazer uma ideia concreta de quais são os buracos financeiros que vão ser tapados pelo empréstimo de dezenas de milhões de euros negociado pela CMC com os bancos, que os flavienses vão pagar com língua de palmo durante os próximos 14 anos, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, nos quais incluímos necessariamente o catavento político João Neves, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme. E à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo. Assim vamos todos conseguir dormir um pouco mais descansados.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, o risonho vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão insistentemente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu íntegro mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
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2 comentários:
De Luís Henrique Fernandes a 7 de Janeiro de 2015 às 18:32
“PoiS! PoiS!”


Perante o persistente e imensamente oportuno «Post-Scriptum» dos últimos textos do Dr. Augusto Ferreira, não aparecem por aqui “OS PONEYZINHOS DE TRÓIA”, nem «Lalõezinhos», nem «boys cor-de-rosa», nem esquerdalhos, nem direitalhos. Isto é, os que em tempo de campanha eleitoral afivelam estúpidos sorrisos e se passeiam pelas ruas com ares de semi-deuses; os que transbordam genica a erguer painéis com a fronha dos seus caciques; os que atoardam o sossego das ruas com ridículos vozeirões «altifalantados», com um ar de campeonato a ver qual o que mais besuntada lambidela dá aos botins do nabiço do seu «querido líder»; os que nem sequer sabem porque são do «seu» Partido, mas o defendem com mais cega ciumeira só para aproveitar o pretexto de se afirmarem.
Apesar da valentia das suas convicções políticas (sem, até, saberem o que isto é!), lêem este Post(al) e os “Post-scriptum”, ficam cheios de comichão, juntam-se, e , em rebanho, cada qual se mostra aos outros o mais indignado e o mais corajoso a combater o descaramento das verdades deste Post(al) e deste BLOGUE, e correm, rafeiramente curvadinhos, a alcovitar ao chefezinho do «seu Partido» (laranja, cor-de-rosa, cor-de-burro-a-fugir, ou cor-de-zebra-parada - e o cuidado não estraga-à-tábua)) a «cabala» deste (ou de qualquer outro) Blogue!
Mas encarar as realidades da CIDADE, meter na linha os enviezados estrategas do seu Partido sempre que dão primazia às golpadas em detrimento do benefício da Comunidade …”Qu’éto!” - que no aproveitar é que está o ganho!
Na nossa História Nunca a Política se confundiu tanto com a Hipocrisia como nas últimas décadas!
Os “poderosos” – aqueles que hoje detêm o Poder – parece não terem memória. Correm o risco de repetir a História.
Não conhecem, ou fazem que não conhecem os Flavienses, os Normando-Tameganos , ou o Povo Português. E julgam-nos adormecidos.
Porém….”a consciência dos povos adormecidos não desperta senão com actos de violência”!.....
A intriga, a prepotência, a burocracia, a impostura e a deslealdade são as próteses dessa administração Municipal e desse “Moco de pavo” - de fraco potencial e de nulo valor para o desenvolvimento da NOSSA TERRA - para se equilibrarem e perpetuarem no poleiro da sua incompetência.
Há comportamentos que na infância ou na juventude (em ambiente social, escolar, ou de actividade profissional) podem constituir ERRO. Porém, na idade adulta (da vida, do cargo profissional ou do político), deixam de ser ERRO e passam a CRIME.
A tão badalada «Auditoria», durante a campanha das Eleições autárquicas, não passou de uma rica treta de pantomineiros a quererem dar ar daquilo que nunca foram: “Sérios”!
E a persistência de comportamentos, neste caso do «pavão de Castelões», em cargo político, em nepotismo, arrogância, deslealdades, incompetências, e de duvidosa causa indigna e revolta qualquer cidadão com sentido de dignidade e de missão.
‘Inda por cima, anda o «pavão» pr’aí a falar do “Hoje” e do amanhã, por ressonância e má imitação.
Para ele o significado e o conceito de ambos estão resumidos apenas ao sustento do seu ego, doentio, rasteiro e daninho. Tem-se afirmado na vida pública apenas pelo patrocínio de terceiros, e jamais pelo mérito das suas aptidões. Mesquinho, sente-se ameaçado com o sucesso dos outros.
CHAVES sofre de uma aguda patologia crónica. Ou seja, a sua Administração Municipal está cronicamente doente e os seus sintomas são cada vez mais agudos.
A arrogância ficaria mal a César, mas muito bem a Vercingetórix.
A arrogância fica bem aos corajosos e aos oprimidos, mas menos bem, até mesmo mal, aos senhores do poder!
À arrogância do «pavão de Castelões» e de medíocres e hipócritas almas «penadas» e «apavonadas» do seu galinheiro, há que opormo-nos, eu próprio e Os Flavienses de Bem, com firmeza e confiança.
E, Quem Não Deve…..

M., 6 de Janeiro de 2015
Luís Henrique Fernandes


De herminiaparente a 7 de Janeiro de 2015 às 22:34
Muito interessante este artigo. Obrigada


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