Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2015

222 - Pérolas e diamantes: regressão

 

Muito bem diz o jagunço Riobaldo, herói do Grande Sertão: Veredas, “uma coisa é por ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias… Tanta gente dá susto se saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons…”

 

Também o acompanho na sua ideia de que “muita gente não me aprova, acham que lei de Deus é privilégios, invariável.”

 

Afinal isto já vem de longe: “Quem desconfia fica sábio.”

 

E nós desconfiamos. A maioria dos flavienses desconfia. E muito. Desconfiamos das palavras e dos atos do presidente da Câmara de Chaves.

 

A política para o senhor arquiteto possui a lógica da batata. Ele vê virtudes onde apenas existem defeitos.

 

A sua “obra” é um amontoado de promessas vagas e esdrúxulas.

 

Seguindo este caminho, a população do nosso concelho verá chegar o fim do mandato autárquico do PSD com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

 

O que aconteceu, e está para acontecer em Chaves, é o descalabro. A situação financeira é desastrosa. O município de Chaves está numa situação de emergência financeira. Por isso vai contrair um empréstimo de dezenas de milhões de euros para conseguir continuar a disfarçar que cumpre alguns dos seus compromissos básicos. Ou seja, empurra a dívida com a barriga lá mais para a frente.

 

Quem vier a seguir que feche as portas do município e apague as luzes, um pouco à semelhança do que hoje vai acontecendo nas ruas e avenidas da cidade e em algumas aldeias.

 

Em doze anos (+ um) de mandato autárquico PSD, João Batista e António Cabeleira, conseguiram o impensável: elevar a dívida, que era cerca de 14 milhões, para mais de 60 milhões de euros. Conseguiram o “milagre socrático” de quadruplicarem a dívida camarária, com um imponderável sorriso no rosto, e de não assumirem a sua inteira responsabilidade pelo facto. Para estes senhores, a verdade em política vale zero.

 

Mas possuem as suas medalhas. Ou melhor, António Cabeleira – pois João Batista anda a fazer que faz e a dizer que diz, sentado na sua cadeira de Secretário da CIM –, carrega-as dentro da pasta para que não as vejamos. Mas elas estão lá, a pesar-lhe a ele e, sobretudo, a pesar-nos a nós.

 

O Pólo de Chaves da UTAD foi encerrado. O senhor presidente emitiu um lamento.

 

A Unidade de Cuidados Continuados cessou o seu funcionamento. O senhor presidente sibilou um lamento.

 

O Hospital de Chaves perdeu, e continua a perder, valências e pessoal. O senhor presidente emitiu um ligeiro lamento. Isto apesar do governo ser do PSD, do presidente da República pertencer ao PSD, do parlamento possuir uma maioria do PSD, e do ministro da Saúde ser do PSD.

 

As Termas estiveram encerradas durante um ano, ou mais, prejudicando a economia local em cerca de meia dezena de milhões de euros. O senhor presidente esboçou uma desculpa esfarrapada e exalou outro lamento.

 

O edifício da Fundação Nadir Afonso, investimento que rondou aproximadamente uma dúzia de milhões de euros, afinal já não vai servir para os fins destinados e acordados com a família do Mestre, sendo desqualificado para albergar um suposto Museu Nadir Afonso, sem honra nem brio e sem destino percetível. O senhor presidente atamancou uma desculpa esfarrapada e sussurrou novo lamento.

 

E de lamento em lamento, lá nos vamos transformando numa vila periférica e cinzenta.

 

Resumindo: a gestão autárquica de António Cabeleira não tem estratégia nem projetos para o médio e longo prazo e no pequeno prazo navega à vista. 

 

Triste é que os flavienses assistam ao triste espetáculo da sua terra ser irremediavelmente vencida e desqualificada e continuem de braços cruzados, como se não fosse nada com eles.

 

Será esta regressão irremediável? Compete aos flavienses responder.

 

PS – Para que todos os flavienses fiquem a ter uma ideia aproximada do dinheiro que foi gasto pela CMC durante os últimos 12 anos, em propaganda política e o que efetivamente foi gasto em obras necessárias e estruturantes na cidade e no concelho, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da autarquia, António Cabeleira, mais aos seus distintos vereadores, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprovem uma auditoria externa às contas da CMC.

 

Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos.

 

PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aceitar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi famoso presidente, até 2013, o sorridente vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme.

 

Estamos certos de que aquele que tão teimosamente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu inatacável mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
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1 comentário:
De Luís Henrique Fernandes a 12 de Janeiro de 2015 às 12:51
“Acagaçados”

Como (se) sabe, e toda a gente dá conta e entende, este (o tal «pavão de Castelões», Tótó Cabeleira) e o outro presidente (o tal padre de Vila da Ponte, o Baptista das concertinas) da Câmara Municipal de CHAVES, mai-los vereadores de hoje e de ontem, andam «cagados» de medo só em pensar na auditoria às Contas que todos andaram a fazer!
Como gente tão ordinária e cretina que são, aproveitam bem as funções em que se infiltraram para disfarçar o «cagaço» que os atormenta.
Na realidade, trata-se de gente, política, social e moralmente, covarde, demasiado cretina, absolutamente incompetente, e infinitamente vergonhosa para a Política, a Cidadania e para os Flavienses!
Infelizmente para os Portugueses, este padrão de comportamento, de personalidade, espalhou-se epidemicamente «à pala», à sombra, da Democracia, ou, antes, do 25 A!
Os caciques dos Partidos Políticos, que tanto se indignaram com a perpetuação no poder pelos ditadores, quiseram, afinal, dar o dito por não dito, e até mostrar aos ditadores que, «democraticamente», conseguiam estar no poleiro mais tempo que «salazares»! Para isso, em nome dessa «vitalicidade», não se importaram de admitir e promover gente da mais reles e incompetente que há entre os Portugueses!
E agora Portugal é o «bobo da corte» da “Europalândia», o gozo franciscano de países africanos e sul-americanos e a risota de escárnio dos asiáticos!
Ai se a Catalunha fica independente! Logo os Portugueses serão repartidos pelas capitais de Pontevedra, Madrid e Sevilha!
Então é que este «jardim» ficaria bonito!


Luís Henrique Fernandes


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