Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

227 - Pérolas e diamantes: bem prega Frei António (AC/NV-fm)

 

As entrevistas são, como sabemos, usadas em forma de panfleto. Por isso é que os políticos as escolhem para propagandearem as suas meias verdades, quando não mentiras inteiras.

 

Usam-nas convenientemente para, das suas já gastas posições políticas, insinuarem novidade. Prefere-se a entrevista para dar aos leitores/eleitores um arzinho da sua graça, insinuando um mínimo de espontaneidade.

 

A entrevista é uma forma teatral do senso comum. Pretende-se com ela que os eleitores/leitores possam raciocinar muito pouco. É uma forma de oralidade com ninguém vivo e verdadeiro lá dentro. Excetuando aquelas que nos causam estranheza e nos espantam. Mas essas são pouquíssimas e nenhuma pertence a um político, muito menos de província.

 

Os políticos falam para dentro das suas palavras e das suas verdades até se bastarem. Depois vão praticar os seus atos políticos e administrativos que, quase sempre, desmentem as promessas, destinados a satisfazer as suas clientelas político-partidárias. E por aí se ficam com um sorrisinho travesso nos olhos.

 

E foi em forma de entrevista que as lideranças do PSD e do PS flaviense se digladiaram, e digladiam, quais frangos eriçados, na comunicação social.

 

Os segundos acusando os primeiros por estarem em estado de negação e os primeiros culpando os segundos de não possuírem memória.

 

Ambos os partidos foram, e continuam a ser, apesar das manobras dilatórias, responsáveis pelo destino da nossa terra durante as últimas quatro décadas, com os resultados que todos sabemos.

 

Os socialistas “atreveram-se” mesmo a acusar a gestão do PSD de pouco ou nada ter feito pelo desenvolvimento do nosso mundo rural.

 

Só que os camaradas socialistas realmente não possuem um passado político brilhante nesta matéria.

 

Além disso, o passado só é válido se o presente o reconhecer. O que não é manifestamente o caso. Bem antes pelo contrário.

 

Por isso, António Cabeleira resolveu vir a terreiro desmentir o líder do PS, e o seu companheiro de retrato jornalístico, e apelar à memória dos flavienses.

 

Acusou Nuno Vaz e Francisco Melo de terem feito parte da equipa da gestão socialista da CMC, um como chefe de gabinete e o outro como secretário.

 

Durante os 12 anos que durou o mandado socialista na Câmara de Chaves, lembrou António Cabeleira, o PS nunca viu mérito na feira de fumeiro de Montalegre porque não organizou nenhuma em Chaves. Limitando-se, na sua perspetiva, a organizar festas onde nada se vendia ou se expunha, servindo tais eventos apenas para se comer e beber de graça. Não existindo, por isso, nenhuma visão estratégica nem preocupação com os produtos locais.

 

Sobre a brilhante proposta de Nuno Vaz para que cada produto tenha a sua feira, AC refere, em tom de mofa, por certo, que levando à prática a ideia do seu adversário, a CMC teria de realizar a feira da alheira, a do salpicão, a do chouriço, a das compotas, e quem sabe, a feira da compota de pêssego, de abóbora, de amora, etc.

 

Lembrou que o PSD iniciou os processos de certificação de produtos regionais, como é o caso do pastel de Chaves, pois nada lhe veio do passado.

 

Recordou que Nuno Vaz assistiu impávido e sereno à certificação do Presunto de Barroso com uma área geográfica extensível ao território do concelho de Chaves, o que impediu poder registar a marca de Presunto de Chaves, pelo simples facto de não ser possível haver dois registos de um mesmo produto.

 

António Cabeleira, falando sempre em nome do PSD e nunca no da Câmara de Chaves, pois, ao que parece, o PSD é uma instituição que se sobrepõe à autarquia flaviense (diz-me como falas, dir-te-ei quem és), lembrou que o seu partido construiu o Mercado do Gado; iniciou a organização do concurso nacional das Raças Mirandesas, Barrosã e Maronesa; em 2014 criou a 1ª feira de Portugal do Porco Bísaro de Chaves; sobrevindo-lhes ainda a incrível ideia da fundação da Feira do Cão de Gado Transmontano e ocorrendo-lhes a inaudita criação (ó excelsa glória!) da Confraria de Chaves.

 

Se nos for permitido o conselho, e pegando no exemplo do senhor presidente AC relativamente à proposta de NV sobre as feiras de produtos locais a realizar, atrevemo-nos a sugerir que as feiras do gado devem ser extensíveis ao gato de companhia autóctone do Centro Histórico de Chaves, à galinha pedrês flaviense, ao coelho bravo do Brunheiro, ao galo da Veiga de Chaves, à perdiz de Montanha, ao pavão raiano, ao rafeiro de Aquae Flaviae e, para terminar em apoteose, ao burro Altotameguense.  

 

A acabar, o nosso querido e estimado presidente lembrou que o PSD tem estratégia (nós acrescentamos que talvez seja por isso que a CMC anda à deriva). Pena é que o ex-chefe de gabinete socialista, NV, tenha pouca memória, esquecendo-se da tremenda ausência de políticas socialistas para o meio rural. 

 

O presidente da autarquia flaviense lembra que “é preciso ter memória”, pois “Chaves necessita de uma oposição diferente, uma oposição que reconheça os seus fracassos e consiga destacar os méritos dos outros”.

 

De facto, António Cabeleira tem memória, e boa, por sinal. Pena é que não revele outras qualidades, como, por exemplo, a de ter coragem para aprovar uma auditoria às contas da Câmara Municipal de Chaves, para podermos saber como se consegue protagonizar uma gestão política autárquica do BCI que endividou o Município Flaviense em mais de 60 milhões de euros.

 

 

PS – Diz o filósofo que o irresponsável também trabalha contra si mesmo.

 

Porque sabemos que nem o senhor presidente da Câmara de Chaves, nem os 3 vereadores do PSD, e muito menos o trio de vereadores do PS, trabalham para aquecer, e muito menos contra si mesmos, vimos mais uma vez solicitar a vossas excelências a aprovação de uma auditoria externa às contas da nossa autarquia, pois quem não deve não teme e à mulher de César… etc.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, o jubiloso vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão continuamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até celebrará fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu inatacável mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
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