Segunda-feira, 2 de Março de 2015

229 - Pérolas e diamantes: ping-pong - AC versus NV

 

 

Tocqueville acreditava que as democracias modernas gerariam menos crimes e mais vícios privados. Talvez daí resultem as públicas virtudes.

 

Montaigne e Pascal defendiam que a força da virtude de um homem ou da sua capacidade espiritual se mede pela sua vida vulgar.

 

Já Herzog, o polifacetado personagem do romance de Saul Bellow, nos adverte que em todos os agregados humanos existe um grupo de gente que é profundamente perigosa para os restantes. E não se refere aos criminosos. Para esses possuímos sanções castigadoras. Refere-se, isso sim, aos dirigentes. Invariavelmente, as pessoas mais perigosas procuram o poder.

 

O mesmo Herzog lembra-nos que todas as tendências morais consideradas mais elevadas se encontram sob suspeita de serem fachadas enganadoras. Coisas que se honram com velhas palavras, mas que traímos ou negamos intimamente.

 

Caros políticos presidentes de comissões políticas das oposições, presidentes das câmaras, presidentes dos governos, presidentes das repúblicas e fauna similar, estas regras dos impostos sobre tudo o que mexe vão fazer de nós uma nação de contabilistas.

 

A vida de cada um de nós está a transformar-se num negócio. Esta é provavelmente uma das mais nefastas interpretações históricas do sentido da vida humana a que o Homem já assistiu. Mas tem de ficar claro, de uma vez para sempre, que a vida dos homens não é um negócio.

 

Parafraseando os Monty Python, vamos passar agora para uma coisa completamente diferente.

 

A Câmara de Chaves, superintendida por António Cabeleira e João Neves, num gesto de boa gestão, muito ao jeito dos verdadeiros social-democratas, vai aumentar o preço da água.

 

Mal a notícia foi tornada pública, logo a cara-metade do poder autárquico flaviense, o PS, por iniciativa do seu líder concelhio, Nuno Vaz, resolveu entreter-se de novo com as conferências de imprensa. E marcou uma. O PSD, através de António Cabeleira, para não lhe ficar atrás, agendou outra. Começou então o ping-pong ideológico entre a esquerda e a direita, entre o PS e PSD. 

 

NV avisou os eleitores/leitores de que este aumento é uma agressão ao magro orçamento da generalidade das famílias flavienses. Defendendo que o aumento não seria necessário se a Câmara tivesse pago pontualmente a fatura da água à empresa respetiva e dessa forma não fosse obrigada a pagar os respetivos juros de mora.

 

A seu lado, um vereador do partido mexia nos papéis, fazendo cara de preocupado.

 

Imbuído de todo o sentido de responsabilidade, NV resolveu mostrar a sua efetiva inclinação para a política partidária, informando-nos que, na prática, a fatura da água sofre um “brutal” aumento, pois cada família flaviense na prática paga 3 euros pela tarifa fixa da água, 3 euros pela tarifa do saneamento e 3 euros pela tarifa do lixo. Ou seja, paga todos os meses à Câmara de Chaves 9 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender a profunda clivagem ideológica entre o PS e o PSD.

 

AC, eufemisticamente, fala de apenas um “aumentozinho”, pois o preço apenas se amplia em seis míseros cêntimos, passando dos 49 para os 55 cêntimos o m3, fixando-se a tarifa de disponibilidade não em 2 euros, nem nos 4 euros, que é o intervalo possível, mas no meio, ou seja nos 3 euros, quando em 2014 era de 2,65 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender melhor a enorme diferença ideológica entre o PSD e o PS.

 

Não se dando por satisfeitos com o elevado nível do debate político e ideológico encetado ao nível do preço da água no nosso concelho, resolveram trazer à liça o exemplo perfeito da prática política em Vila Real, no que à água diz respeito, claro.

 

NV lembrou que se a gestão da CMC tivesse tido juízo hoje estávamos a falar da redução das tarifas, como aconteceu no município de Vila Real que desagravou em 8%, e não, num só ano, de um brutal aumento de 14%. O socialismo em Vila Real, segundo NV, é um maná caído dos céus.

 

AC diverge da fundamentação ideológica do seu adversário político, pois, na sua leitura, as tarifas praticadas em Vila Real, são superiores às de Chaves. E argumenta, talvez inspirado em Sá Carneiro, ou Eduard Bernstein, que se compararmos as tarifas praticadas nos dois concelhos, em Chaves, sob a gestão social-democrata, já contando com o aumento, 5m3 custam 5,75 euros, enquanto em Vila Real, sob o jugo da gestão socialista, o custo é de 7,16 euros. Nos consumos de 10m3, em Chaves, o custo, no ano passado era de 9,75 euros, passando agora para 10,50 euros. Enquanto em Vila Real é de 11,16 euros. 

 

Apesar dos arrufos e dos cêntimos que os dividem, está visto que a gestão autárquica do PSD é da confiança da oposição PS e que a oposição PS é da inteira confiança da gestão PSD.

 

Isto tem de levar uma volta. Mas tem mesmo.

 

 

 

PS – Para que os flavienses não fiquem com a impressão, incorreta, por certo, de que o acordo estabelecido entre o PSD de António Cabeleira e o vereador eleito em nome do MAI, não foi a derradeira tentativa para que a prometida, e devida, auditoria externa às contas da CMC não vingasse, aqui fica mais uma vez o nosso apelo ao senhor presidente da autarquia flaviense, e aos seus distintos vereadores, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprove uma auditoria externa às contas da CMC. Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o simpático vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará efusivamente, uma auditoria realizada às contas do seu próprio virtuoso mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
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