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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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29
Abr08

Oração ao Homem

João Madureira

 

Passadas algumas dezenas de anos após o 25 de Abril e algumas centenas de anos sobre as perseguições e assassinatos religiosos levados a cabo pela Inquisição Católica, o grau de intolerância e incompreensão cega pelos que vivem à margem da igreja, mesmo que disfarçada e mitigada pelos sorrisos alarves dos néscios e pela indiferença epistolar dos beatos, não é negligenciável nem apela ao silêncio.

Mesmo nascidos e criados em ambientes familiares católicos, polidos pela doutrina, convivendo à mesma mesa com toda a carga de rituais que nos arrastam para a exclusividade da arte sacra e do calendário religioso, rodeados de amigos praticantes ou imitadores por inércia cultural, a viver a semana em horário exclusivamente religioso, onde os sinos tocam o Ave e os relógios dão horas em murmúrios de terço, sobe por nós acima - àqueles que ainda demonstram certa rebeldia -, um sentimento de recusa perante as historietas inocentes da explicação dos anjos e os santos, quando não dos pombos, que tanto podem ser o Espírito Santo, como Deus, como o seu filho que morreu na Cruz desculpando os homens mas culpando o Pai.

Todos sabemos que a senda dos que se arredam dessa orientação espiritual não é fácil. Mas é muito mais humano cada um confessar os seus pecados aos que ama, do que a desconhecidos que mais não possuem do que má consciência da raça humana e por isso a querem redimir de viver e condená-la ao pecado e ao arrependimento, ao arrependimento e ao pecado, até a consumação dos tempos.

Há os que sabendo-se irremediavelmente mortos, querem nesta vida desmistificar os mistérios da ignorância e do medo, enquanto outros se refugiam na eternidade duma alma pesada e tristonha e na ressurreição de um corpo velho e doente.

Alguém definiu que os homens livres, os mortais, são obrigados nesta vida a desatar o nó dos mistérios e a revelarem o heroísmo de amar o absoluto no relativo

Mas o que mais dói é que esta posição humana, baseada no desamparo, mas também na coragem, em vez de provocar o respeito discreto dos crentes, gera entre a turba a inquietação apostólica e o rancor fariseu.

Tenho a impressão que há por aí muito católico que, encostado à ladainha dos padres, tem saudade dos bons velhos tempos em que nas mesas fartas e cheias da Santa Inquisição se faziam auto-de-fé enquanto se comia e bebia à tripa forra.

Hoje, como sempre, não é o andar com a cruz de oiro ao peito que faz com que um ser humano se torne bom, humilde e tolerante. Em vez de um símbolo de paz e amizade, a Cruz torna a ser um apelo à intolerância.

A cristandade não quer melhorar o seu semelhante, antes pretende separá-lo da razão para melhor o subjugar.

 

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