Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

250 - Pérolas e diamantes: mudar de direção

 

 

Está provado que uma oportunidade leva diretamente a outra, assim como o risco atrai mais risco, a morte origina mais morte e a vida gera mais vida.

 

E como sabemos que uma coisa está viva? Pois vemos se respira.

 

Como a maior parte das desgraças, também a europeia começou com uma espécie de felicidade aparente.

 

A sorte continua a ser o requisito final das coisas verdadeiramente interessantes.

 

Mas jamais podemos cair no erro grego de, enquanto cordeiros, entregar a faca ao açougueiro europeu.

 

Portugal tem de acordar do sonho mau, não acordar para um, substituindo as trevas pela obscuridade, trocando simplesmente Passos Coelho por António Costa.

 

Uma coisa são as promessas destes senhores e dos respetivos partidos, outra bem diferente é o seu cumprimento. O que eles dizem e a realidade costumam ser duas coisas completamente diferentes.

 

Adriano Moreira tem razão quando afirma a sua convicção, que partilho, de que é necessário cada organização política rever a sua definição formal, para ver se a definição ideológica de cada partido ainda é aquela que orienta a sua intervenção atual. Pois estou em crer que nem o CDS é democrata-cristão, nem o PS é socialista e muito menos o PSD é social-democrata.

 

A reforma do Estado tem de se iniciar nos partidos. Temos de contrariar a inércia reinante.

 

Por essa europa fora diminui todos os dias a relação que existia entre as sociedades civis e os respetivos governos. Esse facto é medido pelo nível da abstenção em todas as eleições que se efetuam. A Europa trocou a crença dos valores pela confiança dos mercados.

 

Não é bonito vermos os nossos governantes discutirem nas instituições europeias com os empregados das organizações.

 

Nos últimos quatro anos empobrecemos enormemente.

 

O problema político a que temos de dar resposta é fácil de enunciar: é necessário restituir o pão na mesa e o trabalho aos portugueses.

 

O trágico é que estamos a sofrer as consequências das decisões europeias sem termos participado nelas. Os portugueses sentem o seu país mais exíguo, com uma relação desigual entre objetivos e recursos. 

 

O nosso voto tem de ser confiado a quem tenha uma visão, uma estratégia e uma ambição para o país. A alguém que nos apresente ideias mobilizadoras e que consiga congregar os cidadãos da República. Que faça emergir nos portugueses o seu melhor.

 

Que nos faça sentir o orgulho em ser portugueses. Que não transija em matéria de ética e de corrupção. E que o afirme sem rodeios nem tibiezas. Uma pessoa, que defenda a justiça social e a repartição, que seja impiedoso com os corruptos e seja fiel aos princípios democráticos e republicanos.

 

Que nos liberte definitivamente da condição porque passou Bocage de “sucinto almoço, ceia casual e jantar incerto”.

 

Para terminar, deixo aqui a Fábula Curta de Kafka para que a sua leitura sirva de exemplo aos distraídos.

 

"Ai de mim!", disse o rato, – "o mundo vai ficando dia a dia mais estreito". – "Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair". "– Mas o que tens a fazer é mudar de direção", disse o gato, devorando-o.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | favorito
Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.


.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 14 seguidores

.pesquisar

 

.Abril 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9


26
27

28
29
30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Poema Infinito (454): O f...

. No Barroso

. No Barroso

. 439 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. ...

. No Barroso

. Poema Infinito (453): A n...

. No Barroso

. No Barroso

. 438 - Pérolas e Diamantes...

. São Sebastião - Couto Dor...

. Na aldeia

. São Sebastião - Couto Dor...

. Poema Infinito (452): Hes...

. São Sebastião - Couto Dor...

. No Couto de Dornelas

. 437 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. No Barroso

. No Barroso

. Poema Infinito (451): Os ...

. No Barroso

. No Barroso

. 436 - Pérolas e Diamantes...

. Na Feira

. Na aldeia

. Olhares

. Poema Infinito (450): O d...

. Vaca atenciosa

. BB

. 435 - Pérolas e Diamantes...

. ST

. ST

. ST

. Poema Infinito (449): Inc...

. ST

. Na aldeia

. 434 - Pérolas e Diamantes...

. Na aldeia

. Mulheres

. Na aldeia

. Poema Infinito (448): O g...

. Na aldeia

. Na conversa

. 433 - Pérolas e Diamantes...

. No elevador do CCB

. Em Paris

. Em Paris

. Poema Infinito (447): Des...

.arquivos

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.favoritos

. Poema Infinito (404): Cri...

.Visitas

.A Li(n)gar