Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015

259 - Pérolas e diamantes: maioria e minorias

 

 

Uma coisa conseguiram os esquerdistas liberais e os progressistas mais urbanoides: redefinir de novo a democracia, passando o governo da “maioria” entre cidadãos iguais para a repartição de poder entre grupos étnicos e outras associações de interesses.

 

O aparecimento de uma cultura de feroz individualismo deu lugar a um igualitarismo radical de estilos de vida e valores. Privatizou-se a moralidade e a defesa de muitos dos valores tradicionais passou a ser vista como um ataque à autonomia pessoal.

 

O igualitarismo radical defende que todos os estilos de vida têm o mesmo valor, tornando suspeita a própria noção de uma cultura de “maioria” ou das simples regras de comportamento normativas, apelidando-as de exclusivas, preconceituosas e opressoras.

 

Alguém fazer juízos de valor sobre diferentes formas de vida ou de comportamentos sociais é considerado discriminação. Todas as “minorias” se tornaram numa espécie de vítimas a ser defendidas. O próprio conceito de nação se encontra sob suspeita por ser a encarnação de uma identidade de “maioria” que, segundo esta gente, trata as “minorias” como estando um degrau abaixo da hierarquia cultural.

 

Os defensores desta forma de pensar consideram que a ideia de uma nação que representa e protege os seus cidadãos individualmente com base no facto de que todos aceitamos de igual forma uma identidade e conjunto de valores que nos irmanam é incorreta e que deve ser substituída por um simples instrumento político onde os grupos de interesse serão definidos pela afiliação étnica, ou raça, pela religião, género ou outro tipo de definição existencial.

 

O multiculturalismo tornou-se na ortodoxia reinante, onde não pode ser permitida a emissão de qualquer juízo de valor sobre a escolha do estilo de vida.

 

Ora isto mais não é do que um sucedâneo quase folclórico da contracultura dos anos 60, quando os legisladores atuais atingiram a maioridade e abraçaram calorosamente a funesta “cultura da vitimização” que se preocupa principalmente com as “minorias”, independentemente do seu tipo de comportamento, pois estão convencidos que a “maioria” os oprime.

 

Parece que a opinião da “maioria” os agrilhoa. Não ponderam sequer admitir que as “minorias“ também cometem iniquidades pois só elas estão do lado da razão, porque, bem vistas as coisas, ser da “minoria” não é uma condição, é uma virtude. É a teoria dos direitos sem deveres.

 

Mas, por muito que nos custe, são os deveres e as obrigações o que forjam uma comunidade.    

 

Direitos sem deveres fragmentam as sociedades em grupos de interesses competidores que lutam uns contra os outros pela supremacia. 

 

Nessa perspetiva, os únicos deveres a que estamos sujeitos são as obrigações referentes ao Estado em conceder direitos de grupo.

 

A nível individual, o cidadão é libertado das suas obrigações para com o Estado quando é posta em causa a sua inviolável autonomia.

 

Nalguns casos, alteraram-se unilateralmente normas morais sem a consulta da opinião pública, minando conceitos tão “arcaicos” como família, ordem social, cidadania e o próprio direito.

 

É um caminho perigoso esvaziar os valores essenciais da cultura ocidental com base no argumento de que os direitos da “minoria” devem assumir a precedência sobre os da “maioria”.  

 

Querem um exemplo? Pois aí vai ele. Marinho Pinto defendeu publicamente que os casais do mesmo sexo não devem poder co-adotar crianças. A sua tese é a de que “independentemente de as crianças poderem viver com casais homossexuais, elas têm o direito de ter no seu imaginário um lugar reservado para a mãe (pessoa que a carregou na barriga durante nove meses) ou para o pai que não tiveram, não podem ter dois homens, um deles a desempenhar o papel de mãe, não podem ter duas mulheres, uma delas a desempenhar o papel que compete a um pai”.

 

Os defensores das minorias logo vieram a terreiro apelidá-lo de “nazi e energúmeno”.  Este é o seu conceito de democracia. Marinho Pinto tem razão: “As pessoas só são democratas se nós concordarmos com elas, se discordarmos insultam-nos e agridem-nos.”

 

Dizem que todos os cidadãos têm os mesmos direitos, mas as “minorias”, ao que parece, têm mais direitos do que os outros.


publicado por João Madureira às 07:15
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