Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

260 - Pérolas e diamantes: o medo

 

 

Nos tempos dissolutos que vivemos, as invetivas alastram enquanto os argumentos minguam.  Este é o tempo dos homens úteis dentro da sua inutilidade. Cesteiro que faz um cesto faz um cento.

 

Os atuais membros do poder – os tais de Bilderberg –, são tão dissimulados que nos contam a verdade para nos enganarem. A afirmação da narradora do romance Os Enamoramentos, de Javier Marías, é pertinente: “É ridículo que depois de tantos séculos de prática, e de incríveis avanços e inventos, não haja ainda uma maneira de saber quando alguém mente; é claro que isso nos beneficia e prejudica a todos por igual, talvez seja o único reduto de liberdade que nos resta.”

 

Na época da vertigem da informação, e da rapidez no seu acesso, a gente que manda sabe que não nos pode manipular com a mentira, por isso tenta neutralizar-nos com a verdade, ou melhor, com a sua aparência, até porque a aparência da verdade não é a própria verdade, mas também não é a mentira. Os mentirosos de agora não mentem, antes partem a verdade em segmentos e servem-na em bonitas salvas de prata. 

 

Mas isto já vem de longe. O poder económico tem-nos atados de pés e mãos. O presidente norte-americano Theodore Roosevelt, que se debateu no início do século XX com os que então detinham o monopólio económico e pretendiam o controlo político, afirmou: “Por trás do governo aparente está entronizado um governo invisível que não deve lealdade nem reconhece responsabilidade alguma perante os cidadãos”.

 

E Franklin D. Roosevelt, também presidente norte-americano, declarou que na política nada acontece por acaso, pois cada vez que surge um acontecimento com toda a certeza que foi previsto e levado acabo da maneira prevista. Ou seja, em política tudo o que parece é.

 

Foi também Theodore Roosevelt que nos ensinou: “O mundo divide-se em três categorias de pessoas: um número muito pequeno que produz os acontecimentos, um grupo um pouco maior que assegura a sua execução e vigia como acontecem e, por fim, uma ampla maioria que não sabe nunca o que aconteceu na realidade”.

 

É agora claro para todos que as crises não acontecem por acaso. Mas afinal para que servem elas? Ou melhor, a quem servem? Por que carga de água é que os bancos utilizam o dinheiro dos cidadãos para os resgatar?

 

O primeiro a fazer é instalar o medo nos mercados, pois o medo é o gerador mais potente de riqueza para certos centros de poder.

 

Cristina Martín Jiménez, a autora do livro O Clube Secreto dos Poderosos, a propósito dos temidos resgates, escreve que para se resgatar alguém é necessário tê-lo previamente raptado.

 

Para se resgatar um país é necessário primeiro sequestrá-lo. E outra questão se coloca de imediato: Como é que se realiza um plano de resgate para a economia real quando, como lembra Cristina Jiménez, na realidade a economia financeira se baseia em dívida virtual?

 

De facto, pouco ou nada do que os denominados especialistas afirmam encaixa na realidade.

 

Ouvimos milhentas vezes os diretores da Comissão Europeia dizerem que aprovaram planos que pretendem apoiar a economia e proteger o emprego perante a eminente recessão, tentando minimizar o impacto da crise sobre o emprego, o poder de compra e a prosperidade dos cidadãos.

 

Metade das afirmações são mentira e a outra metade é pura incompetência dos mandantes. O que aconteceu, como todos sabemos e sofremos, foi precisamente o contrário.

 

Vieram então com o argumento de que é necessário refundar o sistema financeiro, pois de outro modo vamos para o abismo. É o medo. O argumento do medo.

 

A intenção dos poderosos de Bilderberg é gerar o medo para que as nações e os cidadãos aceitem sem reclamar as suas soluções.

 

No seu livro, Cristina Martín Jiménez, dá o exemplo paradigmático de um dos grandes “mercadores do templo”, George Soros, que ganhou mil milhões de dólares numa semana de setembro de 1992 especulando com a libra esterlina, ao obrigar o Banco de Inglaterra a desvalorizá-la. Passado um mês apareceu nos jornais fotografado com um copo na mão encimado por um título a cinco colunas: “Ganhei mil milhões com a queda da libra esterlina”.

 

Numa entrevista publicada no XS Semanal, a 3 de agosto de 2008, o mesmo Soros, afirmou: “Sim, sou especulador. Especulo no terreno das finanças, mas também no das atividades beneméritas e no da filosofia”.

 

Esta crise tornou as palavras do terceiro Presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, de uma atualidade desconcertante: “Considero que as entidades bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que as forças militares”.


publicado por João Madureira às 07:15
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