Segunda-feira, 2 de Novembro de 2015

263 - Pérolas e diamantes: melodrama pafiano

 

 

Leopoldo Brizuela, no seu melodrama lisboeta, escreveu duas frases que resumem muita da nossa cegueira: “De que cor é o céu? É da cor da nossa incapacidade de ver…”

 

Todos os homens públicos se afanam na inglória desdita de salvar, ou condenar, os pobres. Nunca admitem a hipótese de pura e simplesmente os deixarem em paz.

 

Caros leitores, um partido, ou melhor, uma coligação que não consegue diferenciar a verdade da mentira é porque já não crê que a sua mensagem seja autêntica.

 

Desde já peço perdão a todas as almas mais sensíveis e crédulas, mas creio profundamente que o célebre discurso do senhor presidente Cavaco Silva que indigitou, pela segunda vez, Pedro Passos Coelho como putativo primeiro-ministro de Portugal, foi escrito por um comité composto por Miguel Relvas, Assunção Esteves, Marco António Costa, António Barreto, Francisco Assis, Alberto João Jardim e o Darth Vader.

 

Atualmente é difícil sobreviver em Portugal. Mas os portugueses lá o vão fazendo com algum estilo e certa substância.

 

Anda por aí muita gente a falar sobre assuntos em relação aos quais não sabe muito, mas que fala como se comunicassem coisas deveras importantes.

 

Encontram-se disseminados na nossa sociedade muitos rancores e muitas invejas que, bem vistas as coisas, fazem sempre sofrer mais quem os tem do que aqueles a quem são dirigidos.

 

Entre os portugueses está espalhada a tendência de puxar os outros para baixo.

 

Existe um certo ressabiamento quando as coisas correm melhor aos outros do que a nós. Há muita gente com qualidade a quem tudo corre mal. E existe ainda outro tipo de portugueses a quem tudo corre bem. São os que têm uma sorte danada.

 

Dizem os mais espertos neoliberais que vivemos acima das nossas possibilidades. É bem verdade. O nosso destino deve ser uma mistura de país subdesenvolvido com um estado mínimo, miserabilista, amante da assistência, cultor da caridadezinha e amigo dos pobrezinhos.

 

Vivemos acima das nossas possibilidades na educação, na saúde e na segurança social.

 

Devíamos poupar a vida toda para comprar a casa em idade provecta, ir ao médico quando estivéssemos para morrer, andar de burro ou de camioneta, ir ao restaurante apenas nas bodas e nos batizados, fazer emigrar metade da família, ir a Fátima todos os anos, mas a pé, frequentar apenas escolas profissionais e trabalhar de sol a sol por uma malga de caldo e uma garrafa de tinto.

 

Esta gente cortou as tais gorduras do Estado e o que daí restou foi apenas um esqueleto. Quando esta crise acabar o país terá recuado décadas no seu desenvolvimento.

 

Todos os políticos que enriqueceram de um dia para o outro fizeram-no utilizando as amizades transversais entre os diversos partidos, pois possuem sempre grandes amigos no partido adversário, relação que é sempre recíproca. Essa é a garantia de que os mecanismos de proteção mútua funcionam.

 

Por isso é que os partidos políticos no nosso país detêm a hegemonia da representação política. Ninguém chega a autarca, secretário de estado ou ministro sem usar os aparelhos partidários e a sua rede de influência. A sua força de pressão é essencial.

 

Convém não esquecer que a tímida e pálida recuperação económica que dizem existir foi conseguida porque centenas de milhares de portugueses estão desempregados, ou foram obrigados a emigrar, porque perderam os seus salários, porque ficaram sem casa e sem carro para os entregarem ao banco, porque viram a sua empresa falir e porque muitos jovens não podem estudar pois pura e simplesmente os seus pais não possuem meios para os sustentar.

 

A classe média ficou pobre e os pobres ficaram ainda mais pobres. Este é o milagre de anos de governação PSD/CDS.

 

Sim, eu sei que não são os únicos culpados, mas também sei que foram os que estão no governo quem piorou as coisas de uma maneira quase insuportável.

 

Não consigo entender, e muito menos perdoar, quem transformou o desemprego em “flexibilidade do mercado de trabalho” e o corte do subsídio de Natal em “desvalorização fiscal”.

 

Nem eu nem cerca de 60% de portugueses que votaram contra a famigerada PàF.


publicado por João Madureira às 07:15
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