Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

265 - Pérolas e diamantes: coisas do Mafarrico

 

 

A política tem apetência pelas leis da simetria.

 

Todos sabemos que o diabo, por ser calculista e dissimulado, é muito dado à intervenção política. Por isso é que a gente de direita o encosta à esquerda e o pessoal da esquerda o cola à direita.

 

De facto, o demónio tanto é um funcionário humilde e cumpridor das ordens que lhe dão sem discutir, acreditando servir a pátria, mesmo praticando as suas patifarias reacionárias, descobrindo estupefacto que aprecia a ordem e a hierarquia, sendo por isso profundamente conservador.

 

Como, por outro lado, o mafarrico é também um exaltado cidadão que contesta todas as ordens impostas pela sociedade burguesa e os seus lacaios, menos as do diretório partidário a que é fiel, crendo servir o seu povo, mesmo executando os seus desaforos revolucionários, ou libertários, ou igualitários, descobrindo que ama a organização, a comunidade e a Internacional, sendo por isso profundamente progressista.

 

Tanto a direita como a esquerda são, à imagem e semelhança do seu mestre, velhas raposas matreiras, protagonistas de muitas vitórias e outras tantas derrotas, e também capazes de apresentar as últimas como se das primeiras se tratasse.

 

A verdade é que Mefistófeles deu sempre uma mãozinha a todos os grandes líderes.

 

Mas numa coisa temos de convir, agora já não se mune dos velhos instrumentos de tortura e por vezes até agita nas mãos o seu raminho de oliveira.

 

Estou em crer que atualmente é tão centrista que reza para que a breve trecho seja possível um bloco central em Portugal. E quando o diabo reza é porque já está por tudo. Os extremos que se cuidem. Valha-nos Deus.

 

O mafarrico é mafarrico porque nunca acredita plenamente em ninguém, nem em Deus, e parte sempre do princípio de que cada verdade contém em si mesma uma mentira.

 

Foi ele quem nos ensinou que a utopia comunista não residia na teoria mas antes na maneira de a transpor para a prática. Como são disso prova irrefutável os milhões de vítimas contabilizados pelas organizações internacionais.

 

A submissão, uma vez interiorizada, atrofia o ser humano até ao fim da sua existência. O diabo sabe-o melhor do que ninguém.

 

O mafarrico não sabe discutir, argumentar e fundamenar. Apenas é capaz de mandar e obedecer.

 

O diabo é mesmo malvado porque só existe na alma de cada ser humano. Os ataques terroristas em Paris são disso o máximo exemplo paradigmático.

 

Por vezes transforma-se num insuportável comentador televisivo, ou num dos inenarráveis apresentadores de concursos para mentecaptos ou ainda num dono de televisão que diz prestar um serviço público quando não permite que se difunda mais do que lixo telenoveleiro envolto em papel celofane.

 

Travestido de personagem bíblica, divaga sobre sermões da montanha, camelos que não entram, com vossa licença, no cu da agulha; sobre parábolas de ricos avarentos que morrem sequinhos como as palhas; no milagre da multiplicação dos pães, dos peixes, dos chouriços e dos tachos, panelas e potes para a gente séria dos aparelhos partidários; nos porcos desalmados que se lançam ao vazio estragando tanto presunto, febras e rojões, questionando o auditório com a irrazoabilidade de para se salvar alguma coisa ter de se perder tanta outra.

 

Por isso é que o diabo nos tenta com a sua tese de que se Cristo viesse de novo à Terra, a História da Humanidade não sofreria qualquer alteração.

 

O diabo é tão dissimulado que criou uma espécie de síntese entre a verdade e a sonegação de determinados factos sem nunca se poder afirmar que está a mentir. 

 

Convém não esquecer – pelo menos eu não esqueço – que foram os diabretes da direita neoliberal, liderada por Passos Coelho e Paulo Portas, que durante quatro anos de “ajustamento”, e de forma silenciosa, iniciaram a dissolução dos principais organismos do Estado, estigmatizando os funcionários públicos, cortando forte e feio nos salários, congelando as promoções e progressões nas carreiras, desmotivando de forma intencional e assertiva todos os que trabalham na administração central, regional e local.

 

Mas parece que chegou o tempo do esconjuro. Não sei é, se os exorcistas são capazes de tamanha tarefa.

 

Vade retro Satanás!


publicado por João Madureira às 07:15
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