Temos de ponderar os voos em altitude
Gosto do voo eterno das palavras vãs. Qualquer coisa me diz que não pesam no céu. Mas, mesmo assim, há que continuar a respirar para podermos ouvir as lágrimas dos abandonados. O sacrifício é extenuante. O vício é enorme. A vontade é mesquinha. O desejo é polivalente. Temos de ponderar os voos em altitude. As palavras mais pesadas surgem do sofrimento. As minhas mãos tentam sustentar os dias em que não vejo a fuga dos flamingos caras ao céu. Já é noite no meu território interior, contudo sinto a água a correr nos lábios com intenção de voltar a evaporar-se. Já te sinto nuvem. E é por isso que começo a caminhar mais rápido. Também a chuva é rápida. E lisa. Quando chove os loucos acalmam a sua lucidez.

