O silêncio…

Animais irrompem pelas barreiras do frio e respiram por delírios carregados de devassidão. Têm cabeças cruéis fervilhando de sombras, perfurando pedras de som por entre a transparência da pele. As nervuras das agulhas pungem a paixão dos paredões de luz. O vazio das vírgulas multiplica-se na desarrumação do silêncio. As asas vingativas dos insectos arquejam na altura das montanhas. As tensões vingativas dos corpos incendeiam o delírio das imagens poliédricas. Também o vácuo vertical irradia cerimónias ásperas de enlevo. São as vozes do vazio quem multiplica as pétalas do silêncio. O silêncio celebra as aparições claras. O silêncio ferve. O silêncio coloniza o vazio. O silêncio invade os parques varridos pelos animais obscuros. O silêncio dorme a teu lado como uma maldição. O silêncio…

