Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

305 - Pérolas e diamantes: fogos, subvenções vitalícias e meditações no parque

 

 

O senhor secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou no parlamento que a indústria do fogo dá dinheiro a muita gente. Ou seja, o que é flagelo para uns é negócio chorudo para outros. Há muitos interesses por detrás dos incêndios.

 

Talvez a solução não esteja em deitar dinheiro por cima dos fogos como quem esparge água (benta?), pois já vimos que não resulta. Todos os anos a tragédia é idêntica.

 

Estou em crer que os incêndios são, sobretudo, um caso de polícia judiciária. Investiguem-se os interesses, e os interessados, nos terrenos, na indústria e serviços ligados ao combate a incêndios e na madeira e de certeza que encontrarão as mãos enluvadas que controlam e incentivam os incendiários.

 

Ascenso Simões, ex-secretário de Estado do Ministério da Administração Interna, assumiu entretanto que houve “erro grave” nas decisões de há uma década. Segundo AS, há dez anos tudo podia ter mudado, mas o Governo de então rejeitou um plano arrojado argumentando que não tinha dinheiro para obra tão ambiciosa. No entanto, os técnicos garantem que custaria menos do que um Canadair. O ministro da AI da altura, e atual primeiro-ministro, António Costa, preferiu não comentar.

 

O que não arde, para muita pena nossa, são os privilégios dos políticos. Numa lista divulgada pela primeira vez pela Caixa Geral de Aposentações ficámos a saber que 330 políticos portugueses têm direito à subvenção vitalícia para serem compensados pelo tempo que, supostamente, dedicaram à causa pública.

 

O topo da lista é ocupado pelo ex-governador de Macau, Rocha Vieira, e por Carlos Melancia. O primeiro recebe como subvenção mensal 13607 euros, enquanto Melancia se fica pelos 9727.

 

Já o pobre do José Sócrates aufere uns míseros 2372 euros. Assim não vai conseguir pagar a gorda dívida ao seu querido e estimado amigo de juventude.

 

Já Assunção Esteves recebe 3432 euros, que não lhe deve dar para a toilette e muito menos para a oxigenação do cabelo.

 

O poeta Manuel Alegre recebe 3052 euros, Carlos Carvalhas 2819 e o inenarrável Duarte Lima aufere 2289.

 

Apenas um deles, segundo a CGA, o conselheiro do Presidente da República Marques Mendes, suspendeu, por iniciativa própria, a reforma de 3311 euros a que tinha direito.

 

Talvez por isso, o jardim da Estrela em Lisboa foi o local escolhido para receber o encontro Meditation in the park, para praticarem a meditação em grupo.

 

A meditação faz-se em posição de sentado e é uma forma de ajudar a organizar os pensamentos e a lidar com as emoções. Os exercícios servem para treinar a mente e descobrir o que é melhor para cada um.

 

A técnica é simples: basta fechar os olhos e deixar-se levar pela voz de um líder. Toca então uma campainha e o exercício começa. É sobretudo uma prática de respiração e concentração, onde se apela a que os meditadores imaginem sons, memórias e imagens. A seguir tem de se sentir os joelhos, os pés e os olhos. No final exige-se introspeção.

 

Há intervenientes que se queixam do barulho dos pássaros e do vento a bater nas árvores, o que evita a concentração total. Está visto que nem mesmo um exercício de meditação impede o pensamento.

 

Segue-se o exercício de compaixão. O líder apela a que sintam o chão e se esforcem por pensar nas pessoas com que cada um se relaciona.

 

Não posso, por mais que queira, dizer que os meus exercícios de meditação me tornem mais crédulo, ou mais bonito, ou até mais novo. Mas posso afirmar que fico com a impressão de que sim. Sou enérgica e intencionalmente simplório. Podem tentar roubar-me o dinheiro com impostos e imposturas, e a razão com mentiras e trampolinices, mas não podem, porque eu não deixo, extorquir-me a alma e os princípios.

 

E por mais que me esforce não consigo sentir compaixão pelos políticos vitalícios.


publicado por João Madureira às 07:15
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