Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016

306 - Pérolas e diamantes: o caso do camarada Paulo Portas

 

 

Não simpatizo, ou melhor, não simpatizava lá muito com os cães. Sobretudo os de fila. Mas depois de ler o que li tenho de modificar a minha posição.

 

Estudos recentes confirmam que os cães entendem palavras e distinguem entoações.

 

Ao contrário de muitos humanos, conseguem mesmo atribuir significado às palavras e não reagem apenas ao tom e ao contexto.

 

Os cães sabem quando o dono está a chegar, sentem ciúmes, evitam tratá-los mal e reconhecem emoções nos seres humanos.

 

Também ao contrário de muitos humanos, preferem carinhos a comida. Mas o que me fez pensar seriamente em adquirir um, nem que seja através da Liga dos Animais de Chaves, é o facto de os donos dos cães serem mais felizes.

 

Segundo o estudo, ter um cão só traz vantagens: os seus donos são mais felizes, mais sociáveis, fazem mais sexo e ganham mais dinheiro.

 

Já alguns seres humanos, mal divergem nas amizades, começam logo a traí-las. É bem verdade que os melhores amigos dão os melhores inimigos. Eu que o diga.

 

Fernando Lima, que esteve ao lado de Cavaco Silva desde 1986, e foi seu assessor, decidiu escrever um livro acusando o ex-Presidente da República de ter tido medo dos ataques socráticos e de, por causa da sua temeridade, o ter despromovido na sequência do chamado “caso das escutas”.

 

Ter-lhe-á dito: “Tome lá cuidado.”

 

A infidelidade foi de tal monta que Fernando Lima, após o ataque socrático, só reapareceu uma vez num evento do PR em dezembro de 2009, aquando da inauguração da árvore de Natal.

 

O seu lugar na assessoria para a comunicação social foi entretanto ocupado por uma jovem que fizera carreira na JSD. Rapariga simpática, mas inofensiva e pouco experiente, contudo da confiança da família Cavaco Silva.

 

FL confessa que lhe aconteceram coisas que ultrapassaram a sua imaginação e que ainda hoje não compreende a razão por que Cavaco Silva teve para com ele comportamentos inexplicáveis.

 

Também Manuel Monteiro resolveu atacar o seu ex-amigo, e ex-presidente do CDS, Paulo Portas.

 

Numa entrevista ao jornal i, acusa-o de ter colocado o partido ao serviço dos seus interesses. Relativamente à aproximação do CDS ao MPLA, diz que tal posição é reveladora de “um partido que rasgou a sua história, que esqueceu o passado e que não respeita a sua própria identidade de partido que sempre lutou pela defesa da dignidade e dos direitos humanos.”

 

Como se isto não fosse suficiente, acusou o CDS de se “render e vender aos interesses pessoais e de negócios do dr. Paulo Portas”.

 

Na sua opinião, “o CDS não tinha necessidade deste sentido bajulador de quem perdeu a sua dignidade na ânsia de servir interesses que não são interesses políticos. Isto é profundamente lamentável”, desde logo porque revela “a falência do caráter, da decência e da integridade”.

 

Acusa ainda os elementos da direção do CDS de “não acreditarem rigorosamente em nada”. De passarem pela política para “tratar da sua vida e não da vida dos cidadãos”, confundindo “os negócios da política com a política dos negócios, que são coisas completamente diferentes”.

 

No seu ponto de vista, Paulo Portas “preparou todo o caminho para justificar a sua nova assessoria numa empresa que tem claramente interesses em Angola”, a Mota- Engil, “subjugando o poder político aos interesses pessoais, pois está sobretudo “interessado em enriquecer”.

 

Na sua opinião Passos Coelho só fala de contas e o CDS ainda não se percebeu do que é que fala.

 

Razão tem o personagem do romance de Victor Serge O Caso do Camarada Tulaev, Ryjik, quando após abater uma raposa cor de fogo e de focinho afilado, nas terras geladas da Sibéria, se vira para o seu companheiro de caça e murmura: “O homem é um animal mau, irmão”.

 

Ao que o camarada Pakhomov responde, recorrendo a todas as suas forças e quase sem fôlego por causa do frio e do esforço em mexer os esquis: “Seja como for, irmão… havemos de transformar o Homem.”


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 13 seguidores

.pesquisar

 

.Dezembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. No Louvre

. Em Paris

. Poema Infinito (486): Dis...

. Em Paris

. Em Paris

. 472 - Pérolas e Diamantes...

. Feira dos Santos

. ST

. Na cozinha

. Poema Infinito (485): Sed...

. Olhares

. Vacas e balizas

. 471 - Pérolas e Diamantes...

. Em Amarante - Cultura que...

. Na feira

. No Porto

. Poema Infinito (484): Eco...

. Chega de bois em Boticas

. No Barroso

. 470 - Pérolas e Diamantes...

. Interiores

. Castelo de Montalegre

. No Barroso

. Poema Infinito (483): Ilu...

. No Barroso

. Na aldeia

. 469 - Pérolas e Diamantes...

. Na aldeia

. Noturno

. ST

. Poema Infinito (482): Res...

. No Barroso

. No Louvre

. 468 - Pérolas e Diamantes...

. AB

. VS3

. VS2

. Poema Infinito (481): Que...

. VS

. CL

. 467 - Pérolas e Diamantes...

. Pisões

. Misarela

. Olhares

. Poema Infinito (480): As ...

. Na Abobeleira

. Barroso

. 466 - Pérolas e Diamantes...

. São Sebastião - Alturas d...

. Em Coimbra

.arquivos

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.favoritos

. Poema Infinito (404): Cri...

.Visitas

.A Li(n)gar