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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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27
Mar17

335 - Pérolas e diamantes: Só os burros…

João Madureira

 

 

Confesso que as entrevistas já me começam a aborrecer um bocadinho. Algumas são tão enfadonhas que dão sono logo na primeira resposta. Outras prolongam o enfado e o sofrimento até à segunda pergunta. Existem porém outras que se podem ler até ao fim. Mesmo que, por vezes, nos provoquem um abrir de boca lá pelo meio, que nós disfarçamos para podermos continuar a lê-la sem problemas de consciência ou de pudor.

 

Foi o caso da entrevista de António Barreto ao Sol. A mim avivou-me a memória, o que desde já lhe agradeço. De facto, a nossa entrada no século XXI tem sido um bocado dura. Sobre o futuro, o tempo o dirá. Mas o século passado foi um horror. E dos grandes. Foi o pior século de todos, mesmo parecendo o contrário.

 

Do ponto de vista das realizações positivas podemos lembrar a paz e a riqueza, a penicilina, a aspirina, a esferográfica, a televisão, os computadores e os telemóveis. Mas o século XX ficará na História como o século onde se desenrolaram as piores guerras da Humanidade, onde houve o maior número de mortos e torturas da Humanidade. Execuções sumárias, campos de concentração, prisões em massa, intolerâncias inimagináveis, comunismo, fascismo e nazismo.

 

Pelo menos numa coisa Mário Soares teve razão: o comunismo é o grande embuste da História.

 

Mas deixemos falar António Barreto: de tudo aquilo que o comunismo prometeu, nada realizou. “Nem o internacionalismo, nem a paz, nem a igualdade, nem o progresso científico e tecnológico, nem a democracia. Tudo isso, o comunismo destruiu. E o comunismo tem no século XX tantas responsabilidades ou mais que o nazismo… o comunismo foi uma das grandes chagas do século XX.”

 

Para não nos ficarmos só pelos pareceres vagos das palavras, passemos aos números. Na União Soviética, o comunismo foi responsável por cerca de 45 milhões de mortos. Na China o número ficou-se pelos 35 milhões. Já para não falar do vergonhoso tratado feito entre a União Soviética e a Alemanha nazi que deu de barato dois anos para Hitler invadir a Europa e incendiar o mundo.

 

Como não podia deixar de ser, os entrevistadores conduziram o entrevistado para os caminhos de confronto com o seu antigo partido. O PS acha que António Barreto é agora um bocado de direita. Ele responde que os socialistas “terão feito mais arranjinhos com a direita” do que ele. “Com a direita política, com a direita económica, com a direita financeira, com a direita cultural…”

 

E dá exemplos: tudo o que aconteceu na economia e na banca. “Houve uma grande promiscuidade entre os interesses económicos e políticos de alguma direita e de alguma esquerda do PS.”

 

Daí nasceu a “peste negra que é o BES e a família Espírito Santo”. Que coincidiu com uma “espécie de praga, a praga Sócrates. Faz lembrar uma praga bíblica”.

 

Ele há cada coincidência. É como a crença na existência das bruxas.

 

“Tudo o que correu mal em Portugal acaba sempre por pôr em realce a ligação entre o BES e o PS de Sócrates.”

 

António Barreto interroga-se, como nós nos interrogamos, de como é possível que exista um buraco de seis mil milhões na CGD, de quatro ou cinco mil milhões no BES, de três ou quatro mil milhões no BPN e ninguém saiba de nada. “Não há culpados nisto tudo? Não há ladrões?”

 

De facto, “a democracia portuguesa está penhorada e cativa por causa da economia e do sistema financeiro”.

 

Se dos processos do BES e de Sócrates, e da CGD já agora, nada resultar de substantivo, haverá “uma espécie de afundamento definitivo da Justiça portuguesa, talvez da democracia portuguesa”. 

 

Sinto que por vezes há necessidade de sermos conservadores porque há coisas do passado que é importante guardar: certos afetos familiares, alguns valores identitários, carinho pela História e por algumas tradições. Rejeitando, no entanto, as velharias bafientas e a autoridade sem sentido, nem objetivo. Mas também existe a necessidade de ser progressista, porque o futuro é uma coisa que devemos construir em comum e em liberdade.

 

Além, disso, e como dizia Mário Soares: Só os burros é que não mudam de opinião.

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