Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Portefólio – Noite

 

O Tâmega lá vai percorrendo calmamente o seu caminho. Eu não consigo. E tento. Mas não consigo. Tento...


publicado por João Madureira às 10:00
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1 comentário:
De António Durão Branco a 11 de Dezembro de 2009 às 03:13
Fico sossegado quando verifico que tenho 4.300 caracteres para comentar. Vou comentar então.
(Só 4198?) Unnnnnnnh! Isto diminui a olhos vistos, caramba, sinto-me limitado! Já só tenho - verifico 4105 caracteres! Ja ja ja ja ja! Não é possível! Ainda não comentei coisa nenhuma e pelo andar da carruagem não posso, porque não tenho caracteres disponíveis para comentar. Mas vamos tentar - afinal ainda tenho algum saldo positivo. 4265?

Bom, dizia eu que - caramba só 3835 caracteres? - ia comentar. Comento então (assim rapidamente, que já vi que nestas coisas é preciso andar lançeirinho:
O Tâmega percorre devagarinho e calmamente, e eu consigo fazer o mesmo. Devagarinho e calmamente é coisa que faço melhor que qualquer rio. Não preciso tentar, é coisa que me sai naturalmente. Não tento, faço. Acontece o mesmo com as gaitas de foles: sendo um instrumento com tempos, que se toca em diferido - isto é - enche-se o fole, fala-se da vida com o amigo, bebe-se um copo de tinto, e depois quando for preciso, carrega-se no reservatório e obliteram-se os buracos adequados e o resultado é sempre sublime. Há instrumentos fadados para o sucesso. É impossível falhar. E é possível recomeçar sempre.

A outra questão é diferente. Quando falho e o rio Tâmega deixa de correr calmamente o seu percurso,
quando toco a gaita e o rio Tâmega deixa de correr calmamente o seu percurso, aí tenho necessariamente que abandonar o rio Tâmega, procurar com os olhos qualquer outro rio vizinho e contar-lhe de mãos em arco apoiadas nas ancas (como aquelas irritantes minhotas) - então não é que o Tâmega deixou de correr calmamente o seu percurso? Responde-me o outro qualquer rio - E tu ligas a isso? E eu respondo: Claro que eu ligo a isso. Eu gosto do Tâmega, espero que ele percorra calmamente o seu percurso e não gosto que ele me diga que não vai percorrer o seu percurso. Calmamente de preferência. Bom, isso são fitas de rio - se calhar urinaste-lhe em cima - disse-me o outro qualquer rio - vai procurá-lo noutro sítio. Mais para jusante, ele cresce , fica mais gordo, mais pesado e de certeza mais capaz de percorrer calmamente o seu caminho.

Mais velho, pensei, com artroses nas margens, desiludido com a paisagem e a rir-se das ferragens que lhe fizeram passar por cima. Ele que até gostava de umas pedras grandes no meio da barriga.

Lá fui eu para jusante até um sítio onde lhe fizeram duas belas igrejas - uma de cada lado - São Nicolau e Sobretâmega - Gordo. largo e luzídio, cheio de reflexos.

Tâmega diz-me: então não consegues percorrer calmamente o teu caminho?
Agora sim, percorro calmamente o meu caminho.
Tenho duas belas igrejas ao meu lado e a daqui a pouco vou-me juntar a um gordo e farto rio, com péssima comida mas bons vinhos. Penei com vários outros quaisquer rios vizinhos que não me deram sossego. Sítios apertados, pontes com nomes manhosos, caminhos com muitos pedregulhos.

E tambem tu vais conseguir, tentando sempre, enquanto não conseguires.

Percorrendo calmamente o caminho.


Começa a chover. Ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc
As andorinhas começam a aparecer, ploc, ploc, ploc.
Ploc, ploc, ploc, as andorinhas nos beirais.

Tenho 1111 caracteres, que não vou desperdiçar. É um direito! Ja, ja, ja, ja, ja, ja!


AS FOTOGRAFIAS
As fotografias são como os anjos. Dão-nos carne no inverno, ervas no verão e couro para fazer botas do alemtejo. No algarve, bebemos caipirinha e dançamos com espanholas ou eslavas que são as criaturas mais meridionais do mundo. Vamos a Sagres para ter a certeza que Portugal existe, mas que vai desaparecer; que Portugal é uma coisa de morrer, que Portugal só pode sobreviver quando integrado em Porto-Rico.

As fotografias confirmam que Portugal existe, embora eu não goste de fotografias de Portugal com Portugueses dentro. (470 caracteres que ainda tenho disponíveis)

Mas gosto de fotografias de Portugal sem Portugueses dentro. (Não sei quantos caracteres tenho disponíveis - afinal essas contabilidades são obscenas)

Lá ponho eu o pescoço fora da janela: chove, não chove?
Ploc. ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc, ploc!

Há coisas notáveis, outras excelentes, outras que não sei e outras francamente más.
Realçar a falta de recurso ao HDR e a coragem das coisas pouco apelativas

Obrigado


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