Segunda-feira, 12 de Março de 2018

383 - Pérolas e diamantes: Custa perceber... lá isso custa

 

 

Portugal é cada vez mais um país de pasmados à beira da televisão plantados. Um estudo recente concluiu que mais de 40% dos portugueses passam o seu tempo livre a ver televisão. Esse é, como todos sabemos, o primeiro passo para o desenvolvimento de várias doenças, tais como a hipertensão, a obesidade, o sedentarismo... e a imbecilidade.

 

Pouco interessa que os mecanismos da democracia representativa estejam em crise, que os extremismos tenham aumentado, que a paz no mundo seja conseguida à base de armas e mais armas, que se continuem a negligenciar as alterações climáticas e que as guerras religiosas sejam o pão nosso de cada dia.

 

Custa perceber que os benefícios da globalização e do crescimento sejam cada vez mais desigualmente distribuídos e que o fosso que separa os ricos dos pobres aumente de forma obscena.

 

Continuamos dependentes de uma economia que necessita de se transformar, passando de uma economia de comércio interno a retalho para uma economia de exportações.

 

Nem sequer possuímos uma estratégia nacional de desenvolvimento. Perdemos até os anéis que possuíamos, como a REN, os aeroportos, a TAP, os CTT e, obviamente, a banca.

 

Apesar das novas gerações serem as mais escolarizadas da nossa história, os jovens não conseguem encontrar emprego e os mais talentosos abandonam mesmo o país. Alguns para sempre.

 

A democracia representativa enfrenta uma crise muito séria de credibilidade, daí o afastamento dos cidadãos da política.

 

Os partidos políticos também se ressentem disso, até porque foram os seus principais criadores e, para nossa desilusão, podem transformar-se nos seus algozes. Por essa razão é que os militantes partidários pouco passam dos 200 mil.

 

Parece não haver maneira de melhorar a relação dos partidos com os cidadãos. O ritmo de vida parlamentar continua tão tradicional como o da Idade Média.

 

E, como se isso fosse pouco, o litoral esmaga por completo o interior. De facto, o melhor continua em Lisboa.

 

Necessitamos urgentemente de uma descentralização política que combata as cacicagens e que incentive a perspetiva da responsabilidade quando se trata de gastar o dinheiro que é de todos nós e que, por artes mágicas, vai direitinho para a conta bancária de uns poucos.

 

Está demonstrado que as estradas e as autoestradas, por si só, não chegam para atrair pessoas para o interior. É incompreensível como um país tão estreito e pequeno seja tão pouco solidário.

 

Não é possível continuarmos com esta percentagem de população a viver no limiar da pobreza e dizer que somos um país inclusivo, solidário e europeu.

 

Isto, apesar de possuirmos centenas de comentaristas/especialistas em saúde, incêndios, proteção civil, economia, finanças, justiça.

 

Precisamos de um Estado forte e de uma política enérgica, tão consensual quanto possível.

 

Portugal necessita de uma profundíssima reforma da floresta, o que pressupõe uma reforma do povoamento, da agricultura e da indústria.

 

Não basta às vítimas da tragédia dos incêndios os sorrisos e os abraços do Presidente da República e do Primeiro-Ministro.

 

A ação política necessita de pragmatismo.

 

Urge também gerir as instituições de forma equilibrada. É necessário, mas ninguém vai por aí.

 

 Todas as reivindicações são sempre de mais efetivos, sejam enfermeiros, pessoal auxiliar, professores, médicos ou polícias. Ora isso, todos o sabemos, não é possível.

 

Até as fronteiras políticas, nos últimos anos, ficaram mais diluídas. A esquerda marxista-leninista orientou-se para o centro e ficou conservadora e a direita entrou em pânico, perdendo o norte e o bom senso.

 

Só numa coisa parecem concordar: a de que o mundo já foi bom.

 

É mais fácil achar que tudo vai correr mal do que pensar que o futuro até pode ser muito interessante.

 

A política, mais do que nunca, deve ser orientada para os resultados e não para a vacuidade das ideologias. 

 

Todos esperamos que os políticos nos consigam libertar desta crise permanente e que não vão destruir mais emprego e roubar-nos o futuro.


publicado por João Madureira às 07:15
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