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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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26
Mar18

385 - Pérolas e diamantes: Os arquitetos do templo e Boadiceia

João Madureira

 

 

 

A Virgem Maria, mãe de Jesus, filho de Deus, remete-nos para o tempo em que as mulheres tiveram o poder. No tempo das cavernas (Jesus nasceu num estábulo e foi colocado numa manjedoura) a vida articulava-se em torno do mistério do nascimento. Nesse tempo serviam-se as mães deusas e não os pais deuses. Foi assim durante milhões de anos. O Matriarcado reinante. Depois os homens rebelaram-se e, por algum tipo de magia social, empregaram a força bruta, derrubando as mulheres. Passaram eles a governar.

 

O tempo foi andando, os reis passaram o poder de pais para filhos e o Matriarcado foi esquecido.

 

Houve, no entanto, pelo menos uma exceção: os Icenos, em Colchester (Grã-Bretanha), a quem foi permitida alguma independência pelas tropas romanas ocupantes. Mesmo assim, Roma proibiu Boadiceia, a rainha dos Icenos, de passar a sua coroa às filhas, em vez de aos filhos. Boadiceia, como rainha, queixou-se. Violaram-na a ela e às filhas, como forma de desprezo.

 

Foi um erro colossal, pois a rainha reuniu os Icenos e, uivando como uma loba às suas deusas mães, prometeu vingança e incendiou totalmente Londres. Segundo os historiadores, Boadiceia deixou as valetas empilhadas de cabeças fumegantes e um rasto de cinza, testemunhada por uma veia escura e fria nas estruturas geológicas de Londres, como símbolo da ira de uma mulher.

 

Muitos séculos se passaram e, como símbolo da supremacia do patriarcado, surgiu a Maçonaria, espalhando nas grandes cidades do mundo ocidental (Londres, Roma, Paris, Washington e Nova Iorque), obeliscos em certos pontos, cientes do seu significado.

 

O mundo da Maçonaria tem muitos habitantes e muitos campos de influência. É frequente ouvir-se dizer, e com razão, que a melhor maneira de um homem avançar na vida é juntar-se aos Maçons. De facto, os Maçons mandam no Estado, nas finanças, nas instituições de ensino e nos partidos, sobretudo no PS e no PSD.

 

Os Maçons-Livres dizem descender da Atlântida, Éden e de um suposto Caos Primordial. Tudo isso é falso. A ordem que se mantém até hoje não recua mais do que ao século XVIII. Anteriormente era apenas uma humilde guilda de artesãos, com alguma influência de aristocratas e intelectuais que, por mais nada terem que fazer, se dedicaram a procurar emoções fortes, juntando-se e identificando-se através de apertos de mão, rituais e juramentos, sem um verdadeiro significado.

 

Verdade seja dita, nem todos os que se juntaram à Maçonaria eram meros diletantes. Alguns foram gigantes intelectuais, buscadores da sabedoria oculta, empenhados em continuarem as obras antigas.

 

Os Maçons afirmam descender dos arquitetos Dionisíacos, supostamente os Mestres-Artesãos da Atlântida, que sobreviveram ao declínio do Continente. Eles percorreram o globo e colheram os seus mistérios, construindo maravilhas pelos sítios onde passaram: o Templo de Salomão, as Pirâmides, o Templo de Diana em Éfeso, etc.

 

Os Dionisíacos infiltraram a cultura Micénica. Há símbolos micénicos gravados em Stonehenge. Pensa-se que foram eles que ajudaram a desenhar aquele antigo Altar Solar, onde os Druidas, em tempos, fizeram sacrifícios.

 

Sempre o Sol.

 

Cristo é claramente o mais recente disfarce do Deus Sol, uma encarnação apropriada para os tempos modernos.

 

O Natal, o seu dia mais festivo, coincide com o Solstício de inverno, quando o Sol hibernado começa, por fim, o seu lento acordar.

 

Outra coincidência tem a ver com o facto de ele ter sido sepultado numa tumba e depois ressuscitar precisamente no Solstício da primavera, o retorno da luz e da vida.

 

Cristo, deste ponto de vista, é o Sol de Deus, o seu pai, a imagética que permeia os hinos que se entoam frequentemente nas igrejas.

 

Até os apóstolos, nos quadros expostos nos museus, são marcados com um disco solar ao redor da cabeça. 

 

Paulo, na I Carta aos Coríntios 3-10 diz: “Eu como sábio arquiteto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele.”

 

Tudo isto, e muito mais, aprendi lendo o livro de BD, Do Inferno, da autoria de Alan Moore e Eddie Campbell.

 

E ainda há quem tenha a distinta lata de afirmar que a BD é para crianças.

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