Segunda-feira, 2 de Julho de 2018

399 - Pérolas e Diamantes: Quem não rouba e não herda...

 

 

Uma coisa. Ora aí está o que se chama um bom negócio. Os contratos de helicópteros por ajuste direto, em vez de concurso público, são mais caros para os cofres públicos. Ou seja, com a dita urgência do combate aos incêndios, o Governo vai pagar mais 47% por meios aéreos.

 

Para defender tão interessante negócio, o executivo liderado por António Costa argumenta que no quadro em que a operação se cinge, um “único ano é menos interessante em termos económicos para os operadores”.

 

Bem vistas as coisas, afinal quem é que lucra com todo este negócio? Nós é que não, com toda a certeza.

 

Outra: O Tribunal confirmou o direito do ex-presidente e fundador do BCP, Jardim Gonçalves, a uma reforma mensal de 167 mil euros, ao pagamento de várias despesas, como segurança, carro e motorista. Coisa pouca como se vê. O BCP deve ser como o banco do Tio Patinhas. Só que os patos são os clientes e o erário público. Resumindo: todos nós.

 

O ex-banqueiro deverá ainda ser compensado por gastos desde 2010, com exceção do avião particular. Aos jornais, Jardim referiu que as regalias que tinha e a pensão que recebe foram aprovadas pelos órgãos competentes (dos quais fazia parte o próprio senhor e os seus gestores) e dizem respeito a todos os ex-administradores desde a fundação do banco.

 

Foi com este tipo de práticas de gestão que o sistema bancário foi à falência. Apesar do desastre, estes senhores continuam a viver como nababos e a justificarem os seus erros como acidentes de percurso.

 

Agora uma coisa completamente diferente. Eu ainda sou dos que pensam que uma fortuna não se constrói apenas com o fruto do trabalho. Há um provérbio transmontano que diz: “Um homem para ser rico ou há de herdar ou roubar”. Os nossos irmãos beirões proferem-no de outra forma: “Quem não rouba e não herda, não sai da merda”.

 

A prova provada destas verdades é o comportamento de alguns ricos, hoje suspeitos de gravíssimos atos de corrupção, que nos avivam a memória sobre a forma negativa como o povo sempre olhou para os ricos (banqueiros, empresários e gestores) e os seus lacaios (os políticos).

 

E o forrobodó é tanto que até o peixe médio que chegou aos lugares cimeiros não se coíbe de tentar também a sua sorte deitando mão ao que pode.

 

Hoje os escândalos sucedem-se de maneira ininterrupta. Não há semana que não se saiba de mais um caso investigado pela PJ e pelo MP.

 

E a contento de todas as vontades: governantes, autarcas, deputados, futebolistas, dirigentes desportivos, gestores, banqueiros, médicos, farmacêuticos, bombeiros e polícias.

 

Muita gente se pergunta se não haverá lei e forma de dar volta a isto. O que eu sei é que existiu, logo no início do primeiro Governo Sócrates, um deputado, de seu nome João Cravinho, que apresentou uma proposta sobre enriquecimento ilícito.

 

De uma forma simplificada, o plano consistia em colocar sob suspeita qualquer pessoa cuja declaração de rendimentos não correspondesse ao seu património.

 

Muita gente, na altura, não concordou com ele por considerar que não competia ao cidadão provar ser inocente, mas ao poder judicial culpá-lo ou absolvê-lo.

 

Os deputados da altura resolveram armar-se em virgens ofendidas e, em vez de melhorarem a proposta, resolveram deitá-la ao lixo.

 

Pouco depois, o deputado do PS, vendo o que via e sabendo o que sabia, resolveu sair do país e ir para o BERD (Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento) fazer que fazia, já que a mais não era obrigado.

 

Longe da vista, longe da corrupção.

 

Depois regressou.

 

Agora resolveu divulgar que, uma vez no poder, Sócrates bloqueou toda e qualquer medida de combate à corrupção. Em declarações à TSF revelou que ele, o outro, o tal animal feroz, “não quis que se aperfeiçoasse o sistema e por isso, ainda hoje, o sistema de combate à corrupção anda sem rei nem roque”.

 

Na sua opinião, “quem esteve no Governo Sócrates sentiu-se incomodado mas não tirou consequências”. Por isso João Cravinho recusou, na altura, fazer parte da lista da Comissão Nacional do PS, pois sentia-se “desconfortável” com aquilo que já sabia.

 

Atualmente, com as leis que atamancaram lá na casa da democracia, fala-se em “riscos de corrupção”, que é um conceito que pretende, à falta de pior, permitir que ninguém seja punido quando enriquece à custa da mentira e da aldrabice.

 

Tal como a prostituição, estamos em crer, também a corrupção é das mais antigas profissões do mundo.

 

É frequente ouvir muitos chicos espertos desabafarem que se estivessem no poder fariam o mesmo.

 

É também frequente ver alguns desses espertalhões que subiram na vida graças aos cargos políticos que exerceram, ou exercem, a sorrir nas capas dos jornais e revistas nas Quintas de luxo.

 

São passados 12 anos sobre o momento em que João Cravinho procurou lutar contra o tsunami corruptivo. Mas basta dar uma vista de olhos pelos jornais para verificarmos que, ao contrário de diminuir, a corrupção não tem parado de aumentar.

 

No Brasil, ao falar sobre operação Lava Jato, o criminalista Mário de Oliveira Filho, fez uma declaração que causou furor na imprensa.

 

Disse que os empresários costumam fazer propostas ilícitas para pagamento de alguma coisa aos políticos, pois, se não o fizerem, não têm obra.

 

“Pode pegar numa autarquia do interior ou numa pequena construtora com quatro funcionários. Se não fizer um acerto, ele não põe um paralelepípedo do chão.”

 

Ou seja, de acordo com o advogado, no Brasil não se coloca uma pedra na rua sem um pagamento de luvas.

 

Claro que isto se passa no Brasil, aqui não acontece nada de semelhante. Para nosso contentamento.


publicado por João Madureira às 07:15
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