Segunda-feira, 25 de Março de 2019

435 - Pérolas e Diamantes: A pertinente pergunta de Pilatos

 

Claro que é muito mais fácil respeitar “o povo” do que respeitar um indivíduo concreto. É mais fácil declararmo-nos democratas do que sê-lo.

 

Já nos vamos fartando da ostentação, da arrogância, da conversa fiada e da irresponsabilidade. O Estado parece uma manta de retalhos e os políticos um bando da papagaios emproados que se sabem vestir e reiterar banalidades.

 

Todos nos apercebemos da “espontaneidade” aperfeiçoada de Marcelo e do sorriso instantâneo do primeiro-ministro e do ministro das Finanças. Cheira tudo a autopromoção. As pessoas começam a ficar fartas de beijos, sorrisos e abraços. A doçura dos nossos líderes provoca diabetes. São daqueles que mentem com o coração nas mãos.

 

E estamos mais que fartos de ouvi-los dizer que não saímos da cepa torta porque o mundo é complexo, multifacetado, dinâmico, repleto de contradições e de tendências conflituosas. Chega de conversa da treta. Basta de desculpas.

 

As democracias europeias, temos de reconhecer, revolucionaram o pensamento ocidental em relação ao mundo, mas não mudaram o mundo.

 

O poder assenta na máxima de que se os factos contradizem a teoria, há que modificar os factos. Na prática, a teoria é outra, como dizia Vítor Cunha Rego.

 

A nossa aceleração económica não acelerou que se visse. E o socialismo já foi chão que deu uvas. Gorbatchev talvez tenha razão: “O socialismo, por si só, é um perigo.”

 

Eles dizem que governam. Eu por vezes penso que é só aparência. A receita é velha: dizer meias-verdades, empolar os sucessos e ocultar os erros ou atribuí-los a terceiros.

 

Depois existe este velho hábito democrático de fazer tudo de forma atrapalhada, de tentar realizar tudo depressa e mal, não conseguindo acabar uma coisa antes de passar à seguinte.

 

O nosso desenvolvimento não pode continuar a assentar em táticas de curto prazo, mas antes numa estratégia de longo prazo.

 

É urgente, e necessário, voltar a associar política e moralidade. Podemos dizer que a nossa esperança ainda não estilhaçou, mas é verdade que está lascada.

 

Continuamos a viver em regime provisório, neste tem-te-não-cais que não nos deixa progredir. Mas a estagnação não é futuro.

 

Há líderes cujas qualidades tornam tudo possível mas cujos defeitos minam os seus principais projetos. Até os intelectuais estão falidos. Já não servem para nada. Afinal parece que a beleza não consegue salvar o mundo.

 

O sucesso das pessoas mais mediáticas, sobretudo dos estadistas do regime, depende da absoluta evidência e banalidade daquilo que apregoam. O seu sucesso resulta de os outros estarem convencidos de que eles sabem mais.

 

O povo gosta de tirar selfies com os presidentes dos afetos, ou com os pm sorridentes. Antigamente comprávamos uma caderneta e colávamos lá os cromos.

 

As coisas que realmente nos importam são aquelas sem as quais não nos conseguimos imaginar.

 

Miguel Tamen diz que uma mente independente “é uma pessoa que tem pouca paciência para os tontos. É uma pessoa que acha que as questões da verdade não se decidem por referendo e, portanto, não se decidem pela opinião da maioria. É uma pessoa que, ao mesmo tempo, confia nas opiniões das outras pessoas, mas desconfia das opiniões partilhadas”.

 

Todos andamos à procura da verdade. Na Bíblia, quando Jesus é interrogado por Pilatos, diz: “Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” Pilatos perguntou-lhe então o que era a verdade. Não obteve resposta.

 

Na “Apologia de Sócrates”, o filósofo diz mais ou menos o seguinte: “Sinto-me um pateta que teima em fazer perguntas às pessoas que andam pelos caminhos de Atenas. Claro que todos eles me acham um pouco estranho. Não tenho grande medo do que me possa acontecer a seguir. Mas estou completamente ligado a esta sociedade de idiotas de que faço parte e não posso ir pregar para outra freguesia.”

 

Esta sociedade diz-nos que é necessário sermos passivos, que é necessário obedecer para ir escapando aos desafios sucessivos e sobrevivendo. É o mundo maravilhoso dos clones.

 

Tudo que importa é a política e não a cultura. Apesar da política ser interessante, eu acho que a cultura é superior.

 

“A formiga no carreiro vinha em sentido contrário, caiu ao Tejo, caiu ao Tejo...”

 

Quem muito acredita, muito se engana.

 

Tolstói escreveu que o herói que amava com todas as forças da sua alma tinha sido, era e seria, sempre a verdade.

 

Será possível ficar ofendido pela verdade? É possível julgá-la?

 

Afinal, o que é a verdade?

 

Estou em crer que Pilatos continua sem resposta à sua pergunta.


publicado por João Madureira às 07:00
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1 comentário:
De pvnam a 25 de Março de 2019 às 23:17
O SEPARATISMO VAI PERMITIR SALVAGUARDAR DIREITOS/VALORES DAS SOCIEDADES TRADICIONALMENTE MONOGÃMICAS
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Tal como eu explico no blog «http://tabusexo.blogspot.com/», o Tabu-Sexo foi introduzido com o objectivo de proporcionar uma melhor Rentabilização dos Recursos Humanos da Sociedade... leia-se, o verdadeiro objectivo do Tabu-Sexo era proceder à integração social dos machos mais fracos!!!
.
Como seria de esperar, com o fim do tabu-sexo aumentou o número de machos sem filhos das sociedades tradicionalmente monogâmicas.
Ora, promover a Monoparentalidade (sem 'beliscar' a Parentalidade Tradicional, e vice-versa) é evolução natural das sociedades tradicionalmente monogâmicas!!!
Explicando melhor:
- urge dar incentivos à disponibilidade emocional individual... isto é, ou seja, a orientação sexual é irrelevante... IMPORTANTE MESMO é a disponibilidade emocional do indivíduo para criar/educar crianças.
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Existem sociedades tradicionalmente poligâmicas (nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos) de elevada demografia... só o SEPARATISMO vai permitir salvar Direitos/valores das sociedades tradicionalmente monogâmicas.
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NEM TIQUES DOS IMPÉRIOS, NEM CORRIDAS DEMOGRÁFICAS -» SIM À SALVAGUARDA DE VALORES/DIREITOS: SEPARATISMO-50-50
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---»»» Para que o planeta Terra seja um planeta aonde povos autóctones possam viver e prosperar ao seu ritmo: urge trabalhar para o separatismo-50-50.
.
Ou seja:
- Todos Diferentes, Todos Iguais... isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta ---» INCLUSIVE as de rendimento demográfico mais baixo, INCLUSIVE as economicamente menos rentáveis.
.
.
Nota 1: Os 'globalization-lovers', UE-lovers. smartphone-lovers (i.e., os indiferentes para com as questões políticas), etc, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-»»» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
.
Nota 2: Os Separatistas-50-50 não são fundamentalistas: leia-se, para os separatistas-50-50 devem ser considerados nativos todas as pessoas que valorizam mais a sua condição 'nativo', do que a sua condição 'globalization-lover'.
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Anexo:
'CORTE' COM OS PARTIDOS DO SISTEMA
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Os partidos do sistema adoram andar por aí a decretar sanções sobre povos autóctones que cometem o «crime» de querer viver pacatamente no planeta.
.
Ex 1:
Os «grupos rebeldes» não possuem fábricas de armamento... no entanto, máfias do armamento fornecem-lhes armas... para depois terem acesso a recursos naturais (petróleo, etc) ao desbarato, e para obrigarem outros a comprar armamento, e para deslocarem refugiados para aonde existem investimentos ávidos de mão-de-obra servil de baixo custo;... ora: os partidos do sistema (ao mesmo tempo que deixam incólumes os países aonde a máfia do armamento tem instaladas as suas fábricas) decretam sanções sobre povos autóctones que cometem o «crime» de querer viver pacatamente no planeta!?!
.
Ex 2:
A alta finança ganha milhares de milhões em especulação financeira... mas os partidos do sistema não querem que a Taxa-Tobin seja implementada/usada para ajudar os povos mais pobres..., os partidos do sistema querem que a ajuda aos mais pobres seja feita à custa da degradação das condições de trabalho da mão-de-obra servil de outros povos.




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