Segunda-feira, 8 de Julho de 2019

450 - Pérolas e Diamantes: Sexo e outras PETAS

 

Segundo a revista The Atlantic, estudos recentes revelam que a nova geração está a iniciar a sexualidade mais tarde e a ter sexo com menos frequência do que as gerações anteriores.

 

Na perspetiva da autora do artigo, Kate Julian, isto sucede quando pareciam estar criadas as condições culturais, morais e tecnológicas para que as pessoas tivessem mais sexo e não menos sexo.

 

E esta não é uma tendência apenas americana. O problema ainda é mais grave noutros países. Por exemplo, no Japão há uma série de termos para descrever uma geração à qual, segundo parece, o sexo não assiste.

 

No meio dos “homens herbívoros” (assim chamados por não se interessarem em andar atrás das mulheres), existem os “introvertidos”, os “solteiros parasitas”, que vivem em casa dos pais já depois dos 20 anos e os “fãs obsessivos”, que canalizam as energias que as gerações anteriores empregavam na procura do sexo nos livros de BD.

 

Todos estes comportamentos originaram a denominada síndrome do celibato. Tudo isto acontece numa época onde a pornografia é acessível a toda a gente, onde existem redes sociais como o Tinder (que facilitam a entrada no mercado sexual) e as doenças sexualmente  transmissíveis já não assustam como há vinte ou trinta anos atrás.

 

A reportagem jornalística sugere que é precisamente a facilidade e a omnipresença mediática do sexo que está a afastar os jovens da prática do dito. Até porque a pornografia oferece uma gama de soluções que tornam a masturbação mais satisfatória. Ou seja, a possibilidade do estabelecimento de padrões sexuais irreais faz com que, muitas vezes, as experiências reais sejam uma desilusão, quando não, sobretudo para as mulheres, incómodas, dolorosas ou violentas.

 

Mas esta ilusão tem aspetos negativos, provocando o atrofiamento das aptidões de sedução. E a tudo isto temos que juntar o facto de que seduzir alguém num bar, numa discoteca ou através de uma troca de olhares num lugar público ser atualmente visto como sinistro ou mesmo criminoso.

 

A reportagem refere que, de facto, o sexo não é assim tão importante para os seres humanos. Ou seja, ninguém morre se não praticar sexo. Mas da falta de sexo podem resultar problemas como a depressão que, por incrível que pareça, se combate com medicamentos inibidores do desejo sexual.

 

Como se isso fosse pouco, agora apareceu uma associação norte-americana chamada PETA, que se preocupa com a linguagem inclusiva relativa ao reino animal. Diz-se defensora dos animais e, para isso, resolveu fazer recomendações relativas a expressões de linguagem que podem ser consideradas ofensivas e lesivas dos direitos dos animais, como, por exemplo, “matar dois coelhos de uma só cajadada” ou “pegar o touro pelos cornos”.

 

Quando se trata de “vestir animais” ou “comer animais” ainda vá que não vá, já tentar inibir ou eliminar a linguagem que fale em animais é ir um pouco longe de mais.

 

Se nos dois primeiros casos existe uma interação entre seres humanos e animais em que estes são usados para o nosso bem-estar, já nas questões da linguagem a interação é unicamente feita entre pessoas, não afetando em nada os animais. Ou seja, quando eu utilizo a expressão “matar dois coelhos de uma cajadada” não me transforma necessariamente num psicopata capaz de me ir a eles como Santiago aos mouros.

 

Bruno Vieira do Amaral, em artigo na revista LER, sugere que, se é mesmo para condicionar o uso de certas expressões, se deve começar por suprimir “vida de cão” da comunicação entre os homens, visto que, entre nós, a vida dos canídeos é bem melhor do que a de muitas pessoas.

 

Claro que, adverte BVA, apenas o deveríamos fazer depois de ouvirmos os cães, porque tomar decisões tão radicais sem ouvir as partes interessadas é, em si mesmo, um sintoma de “especismo” contra o qual é nosso dever lutar.

 

Tina Turner disse que um dia decidiu falar “sobre a vida” aos seus filhos. Como o Ike estava sempre no estúdio, sentou-os à mesa e pegou num livro sério sobre sexo.

 

Espero sinceramente que se tentar fazer o mesmo sobre o tratamento dos animais não vá a uma biblioteca municipal e requisite um livro sobe o tratamento dos humanos durante o tempo da Inquisição, ou nos campos de concentração nazis, ou nos gulags comunistas.


publicado por João Madureira às 07:00
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