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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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13
Set21

557 - Pérolas e Diamantes: O cadinho totalitário

João Madureira

Apresentação3-2 - cópia 7.jpg

 

Na Alemanha do início do século XX, Hans Bluher e outros autores muito influenciados por Heinrich Schartz e pelo movimento juvenil, chegaram ao extremo de defenderem que o Estado devia de ser reorganizado de forma antidemocrática e liderado por um grupo coerente de homens heroicos unidos por laços homoeróticos de amor e afeto.

 

Os defensores destas ideias começaram a fundar organizações pretensamente monásticas e de cariz conspirador ainda antes da Primeira Guerra Mundial, nomeadamente a Ordem Germânica, criada em 1912.

 

No mundo destas restritas seitas seculares, tinham um papel preponderante o simbolismo e os rituais “arianos”.

 

Os seus membros reclamavam as runas e o culto solar como sinais estruturantes do germanismo e adotaram o símbolo indiano da suástica como emblema “ariano” sob influência do poeta de Munique Alfred Schuler e do teórico racial Lanz von Liebenfels, que no ano de 1907 hasteou uma bandeira com a suástica no seu castelo austríaco.

 

Apesar de serem ideias estranhas, a sua influência foi importante em muitos jovens da classe média que passaram pelas organizações do movimento juvenil antes da Primeira Guerra Mundial, pois contribuíram para uma revolta generalizada contra as convenções burguesas da geração nascida na última década do século XIX e na década seguinte.

 

Ou seja, o turbilhão político das ideologias raciais que deu origem ao nazismo já estava a desenvolver-se poderosamente muito antes da Primeira Guerra Mundial.

 

Heinrich Class, publicou, sob pseudónimo, um manifesto com o cativante título “Se eu Fosse o Kaiser”, onde dizia que, antes de tudo, se tinha de lidar com os inimigos internos do Reich: os sociais-democratas e os judeus. Sobretudo os judeus porque estavam a subverter a arte alemã, a destruir a criatividade alemã e a corromper as massas alemãs. Além disso, o sufrágio para o Reichstag teria de ser estruturado de forma a dar mais poder eleitoral aos cultos e aos patrimoniados, e só os melhores seriam autorizados a sentar-se na câmara.

 

A Liga Pangermânica, por exemplo, dizia que o povo alemão estava rodeado de inimigos, desde os “eslavos” e “latinos” que cercavam a Alemanha por fora, até aos judeus, jesuítas, socialistas e outros agitadores e conspiradores subversivos que a minavam por dentro.

 

O problema residia no facto de os grupos de pressão alemães não resultarem de nenhuma estratégia manipulativa das elites guilherminas, mas de um movimento genuinamente populista de mobilização política a partir de baixo.

 

Os memorandos dos pangermanistas defendiam que os judeus deveriam ser tratados como estrangeiros, proibidos de adquirir terras e privados do seu património caso emigrassem. Para Gebsatell, o batismo não fazia obviamente diferença nenhuma para o facto de alguém ser judeu. Ou seja, quem tivesse mais de 25% de “sangue judeu” nas veias deveria ser tratado como judeu e não como alemão.

 

Teve então início a Primeira Guerra Mundial, onde os alemães começaram por triunfar.

 

Por volta de 1917, o Partido Bolchevique, liderado por Lenine, que dissera sempre que a derrota da Rússia na guerra era a maneira mais fácil de gerar uma revolução, montou um Golpe de Estado que encontrou pouca resistência.

 

A denominada Revolução de Outubro degenerou logo num caos sangrento. Quando os adversários dos bolcheviques tentaram montar um contragolpe, o novo regime reagiu com o “terror vermelho”. Todos os outros partidos foram ilegalizados. Foi estabelecida uma ditadura sob a liderança de Lenine.

 

O recém-criado Exército Vermelho, chefiado por Trotsky, travou uma terrível guerra civil contra os “Brancos”, que procuravam restaurar o regime czarista.

 

A polícia política bolchevique, Cheka, reprimiu implacavelmente os opositores  do regime: socialistas moderados, mencheviques, anarquistas,  sociais-revolucionários ligados aos camponeses. Milhares de pessoas foram torturadas, assassinadas ou encarceradas em condições brutais nos primeiros campos que depois se transformaram no Gulag.

 

Foi no cadinho do triunfo da Revolução Comunista na Rússia e da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial que se forjou o nazismo.

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