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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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29
Nov21

568 - Pérolas e Diamantes: Eu se fosse o...

João Madureira

Apresentação3-2 - cópia 8.jpg

 

1 - A pandemia veio revelar um mundo profundamente desigual e onde estão a emergir novas formas de autoritarismo ligadas ao negócio, ao lucro, ao mercado e que não hesitam em sacrificar os mais fracos em nome da velha lógica da acumulação de riqueza e de chorudos lucros. E aí estão novamente as velhas e inquietantes tendências antidemocráticas. E voltaram formas dissimuladas de vigilância política e de vigilância social. É claro que tem de existir um equilíbrio entre direitos e segurança. Mas temos de evitar que em nome de uma qualquer espécie de segurança, comecemos a espezinhar os direitos e as liberdades.

 

2 - O Boss é um tipo benévolo. Tanto ouve o ascensorista como o piloto do seu jato particular. Essa é a sua forma de combater o tédio e o sentimento de incomunicação. Apesar de ser extremamente rico, possui alma de anarquista. Apesar da hipnose provocada pelos ziguezagues constantes e do seu ar belicoso, o Boss tem convicções firmes. Gosta da flexibilidade e não de pessoas que têm uma ideologia e por isso vão contra uma parede de tijolos pela teimosia de uma proposta quando podem muito facilmente alterá-la. Por causa das coisas, contratou um sósia da sua altura para proceder aos despedimentos. O Boss não acredita nem no nacionalismo, nem em qualquer outra filosofia política. Ele é a criatura do seu próprio ego. Uma vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, teve a coragem de lhe recusar um encontro onde o Boss iria fazer uma doação significativa a instituições sob a jurisdição dessa organização internacional. Ele disse: “Julga-se o Nelson Mandela? Ele que se foda, não é líder nenhum. Nem ele, nem o zulu.” A verdade é que o Boss é bom a gerir o caos, pois não necessita de gestão. Tem pouca paciência para ler relatórios e ouvir explicações complexas. Prefere antes interromper, fazer perguntas e arrastar-se em monólogos. À pouca vontade em aprender, soma-se a falta de conhecimentos. Tem o mesmo procedimento da Máfia, fala sempre de negócios em código. O seu staff é muito fluente na linguagem que o Boss usa para fazer exigências e comunicar desejos. Usa inferências, acenos de cabeça, silêncios, eufemismos e sinais. Ele não só conhece mafiosos, como faz bons negócios com eles. Romantiza-os. É um batoteiro, até no golfe.

 

3 - Há pessoas que são sempre assim, tímidas e com ausência de vaidade, fazendo com que muitos as julguem bichos do mato ou, até, gente distante e antipática. Mas não, são pessoas mesmo assim, dignas e que fazem com que o mundo não se afunde. Parece que a cobardia continua a ser apanágio de gente dita séria e importante. Muita dela agacha-se atrás das palavras que aprendeu de cor. Os seus elementos mais apalermados gostam mesmo de dizer que militam ao lado dos salvadores do mundo. Mas mais não são do que pessoas desinteressantes e muito chatas. Eu fujo dos ditos salvadores como o Diabo da Cruz. Sobretudo quando começam a elogiar o creme de galinha e a dizer que os poetas se alimentam de criatividade e pétalas de rosas.

 

4 - Está escuro lá fora. Estou acordado há muito tempo. O treino é uma coisa de astúcia. Do outro lado ouço vozes. Todos estamos cheios de retórica clerical e política. Cheios de trivialidades. E de comprar pedaços de bondade humana. Andamos tão preocupados com a crise mundial que nos esquecemos da nossa. Os extremamente idealistas são mesmo assim. O lixado mesmo é ultrapassar os ataques incapacitantes da ansiedade e da depressão. E também dos avaliadores de personalidades. Aiô Silver, avante! Não sou nenhum herói. Demasiado batimento cardíaco. O que derrota os intelectuais é o Princípio de Peter. Esse Demónio que não existe.

 

5 – “A arte grita liberdade”, diz o artista chinês Ai Weiwei. E poetisa, lá do meio da sua rutura: “Quando restringimos a liberdade, ela levanta voo e pousa num parapeito.” Reconheço-me nas palavras de Lídia Jorge: “Enquanto muita gente gasta grande energia com o desdém pela vida, os escritores, mesmo quando falam com desdém, são pessoas com um instinto salvador.” Até porque “a arte é, de facto, uma revolta contra a história”.

 

6 - Até porque, se eu fosse o Salgueiro Maia tinha…

 

7 - Mas essa minha intenção fica para um próximo livro.

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