Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

O Poema Infinito (31): derradeira infância iluminada

 

Vens do espaço infinito dissipando o vento e incendiando com versos e trovas o mundo das imagens rasgando o mar que há-de vir brandindo o amor que sobe voluptuosamente pelo corpo do desejo e nos teus dedos de mar e calma desvanecesse-se a solidão e o universo expande-se à velocidade dos barcos seduzidos pela textura do sal e dos peixes que pensam ter a sua origem divina nos promontórios onde os deuses se sentam para descobrirem os corais feitos de sol e saudade e de ilusões e de sinais pacificados onde os filamentos do teu rosto e do teu sexo queimam a luz do poema onde um pequeno e discreto messias fala da sua divindade humana segurando-se firmemente nas escarpas escorregadias da ciência onde a condição humana aprende a castigar o prazer e o medo e os beijos de noites suficientes onde por vezes se acendem os sorrisos curtos dos poetas e a incerteza desce no teu brilho solar e se nega a beijar o dia onde agora poisa a minha domesticada carícia onde o sacramentos dos dias e das estrelas dançam num ritual de liberdade obsessiva onde os santos escrevem os seus nomes nas margens cristalinas do rio do esquecimento e é aí que o equilíbrio e a ordem se apagam fundido o dia a descrença e a fé nova do nada quando observamos o esplendor da purificação do baptismo e da consumação da desordem e da irracionalidade da ordem onde a idade recomeça a desenhar mais uma linha de tempo e onde os gestos fazem a sua longa travessia de auto comiseração num longo ocaso de manhãs oníricas e com o fogo nas veias invento uma nova possibilidade de uma outra infância onde o meu coração de pássaro não pode ser ferido nem tocado nem suspendido nem acariciado em demasia nem infectado pela exaltação da vacuidade nem pelas lágrimas de deus nem pelos ais das mães nem pelas chagas impetuosas do saber nem pelo cântico negro do bem e do mal onde o conhecimento do inferno aviva a dor frágil do amor e da morte onde os lamentos silenciosos aguentam a busca do tempo e a poeira dourada e a chuva vencida e os corpos desiludidos e as mentes brilhantes e as carícias de fogo e as cinzas dos sonhos e os lábios que mordem quando mentem e talvez por isso um cristo redimido numa cruz de sofrimento ilumina a oração dos descrentes e eu rezo pensando na fúria dos teus olhos liquefeitos na ilusão feliz do céu no acto imperfeito da fecundação no húmus amargo das raízes da esperança na lassidão insidiosa da embriaguez na felicidade coalhada do amor na doçura sóbria da vida na dor da ausência da gulosa dor da ausência na invisível escolha do silêncio na porta falsa da fé na violência quantificada que precede o acto de amor e na aura do sonho de uma derradeira infância iluminada…

 


publicado por João Madureira às 09:00
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 13 seguidores

.pesquisar

 

.Agosto 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

15

22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Barroso

. Loivos

. 456 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. No Barroso

. No Barroso

. Poema Infinito (469): O l...

. No Barroso

. No Barroso

. 455 - Pérolas e Diamantes...

. O cabrito

. No Couto de Dornelas

. ST

. Poema Infinito (468): Voo...

. No Louvre

. O anjinho

. 454 - Pérolas e Diamantes...

. Gente bonita em Chaves

. Luís em Santiago

. No Louvre

. Poema Infinito (467): A a...

. Louvre

. Em Paris

. 453 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. Sorriso

. No Barroso

. Poema Infinito (466): Sem...

. Interiores

. No Barroso

. 452 - Pérolas e Diamantes...

. No Barroso

. São Sebastião - Couto Dor...

. No Barroso

. Poema Infinito (465): Dor

. No Barroso

. Misarela

. 451 - Pérolas e Diamantes...

. Feira dos santos

. Na feira

. O pastor

. Poema Infinito (464): A á...

. O homem da concertina

. Notre-Dame de Paris

. 450 - Pérolas e Diamantes...

. Em Lisboa

. Em Lisboa

. Em Lisboa

. Poema Infinito (463): Fix...

. Em Paris

.arquivos

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.favoritos

. Poema Infinito (404): Cri...

.Visitas

.A Li(n)gar