Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Quinta crónica estival: Agenda Cultural, palestras e tsum, tsum, tsum…

 

“Estiveste na praia?”, perguntou-me de supetão o C. Eu disse que sim. E ele: “Pois não parece. Vens branquito.” E eu: “É que uso um protector solar com um filtro de número elevado. Com o sol não brinco. Além disso só estou na praia até ao meio-dia e depois das dezasseis horas. E uso t-shirt, óculos de sol e chapéu.” E ele: “Se pensasse e agisse como tu juro-te que não ia para a praia”, atirou-me de supetão o C., que apenas passou uma semana à beira-mar e ficou mais castanho do que o Eusébio. Mas é cor de pouca dura pois são já visíveis pedaços de pele a erguerem-se pelo meio dos pêlos do corpo. Parece uma cobra, o fanfarrão. Coitado. Depois de se ir embora fiquei a pensar se o C. é mesmo meu amigo ou apenas se faz. Ele jura que sim, mas quem muito jura muito mente.

 

Aqui que ninguém nos ouve, a nossa amada terrinha no Verão fica um pouco insuportável. Os emigrantes desequilibram-na, atrapalhando as ruas, enchendo os supermercados e os cafés. E o calor aperta forte. Por isso só saio de casa a meio da tarde e durante a noite. As noites são agradáveis, isto quando não venta. E é à noite que o burgo se anima. Mas para isso acontecer teve de existir um prévio trabalho de organização.

 

O Vasco (Pulido Valente) considera que há muito tempo que o Estado (leia-se Câmaras Municipais) tomou sobre si o extraordinário encargo de animar a populaça. O direito “a ser divertido” é hoje um direito intocável do cidadão. Diz ele, o Vasco Pulido (Valente) que as câmaras não hesitam em fechar ao trânsito partes da cidade, mesmo da cidade central, a benefício de um concurso de bandas (de género desconhecido ou ambíguo) ou de um acampamento de barraquinhas. Resumindo e concluindo, o Valente (Vasco Pulido) fica possesso pelo singelo facto de as autarquias gastarem o nosso dinheirinho em animação de bailes ou festas que nada adiantam e só incomodam. Mas isso é ele, que é homem muito mal disposto e sempre pronto a cascar forte e feio nos portugueses e em Portugal.

 

Eu, por exemplo, penso de maneira distinta. Eu apoio tudo o que ele desapoia e desapoio tudo o que ele apoia. Como os estimados leitores sabem, ou se não sabem ficam agora a saber, a primeira quinzena de Agosto passei-a fora, por isso foi com extrema mágoa que, depois de consultar a Agenda Cultural de Chaves que me esperava ansiosamente na caixa de correio, não pude assistir nas Termas de Chaves - SPA do Imperador (já gora uma salva de palmas a quem teve a brilhante ideia de qualificar as instalações das Termas flavienses com tão pomposa denominação: parabéns, parabéns, parabéns) às palestras sobre “A Podologia: A saúde dos seus pés” (primeira); “Estilos de vida saudáveis”; “Osteoporose – factores preventivos”, “Cuidados e higiene correcta dos pés”; “Alimentação sustentável e biológica”; “Dieta mediterrânica: um padrão de vida”; nem pude participar na caminhada “Dar mais vida aos anos, dar aos anos mais vida”, e por isso perdi ainda a actuação do Rancho Folclórico (que só ela, a actuação do rancho, bem entendido, valia os 5 euros de inscrição).

 

Mas, como isto está pensado ao pormenor, no dia quinze a palestra sobre “A Podologia: A saúde dos seus pés” foi repetida. Contudo, para mal dos meus pecados, nesse dia estava em viagem de regresso, por isso voltei a perdê-la. Mas no dia seguinte, logo após o almoço, ainda com alguma areia nos sapatos e na bainha das minhas calças de linho, fui assistir à palestra sobre “Estilos de vida saudáveis”.

 

Lembro os estimados leitores que estou a seguir as propostas relevantes da Agenda Cultural do Município de Chaves (e Verin), editada pelo Gabinete de Apoio Técnico à Eurocidade Chaves-Verin, seja lá isso o que for, referente a Agosto, pois é neste mês que Chaves se enche de turistas e emigrantes.

 

No dia 22 fui assistir à palestra “Pé plano e pé cavo: diferenças”; no dia seguinte assisti embasbacado à pertinente palestra sobre: “A alimentação dos nossos filhos e netos”; e ainda a uma outra, originalíssima, sobre “A importância da roda dos alimentos”; no dia 26 fui assistir, tal e qual um colegial, à palestra: “Pratos de Verão – Económicos e Saudáveis”. No dia 29 assisti a mais uma palestra sobre os pés: “Mitos sobre os pés”; e no dia 30, para finalizar em beleza, assisti à última palestra do mês: “Como nutrir o seu coração – Doenças cardiovasculares”.

 

Lembro de novo os estimados leitores, e repito para que conste, que estou a seguir as propostas relevantes da Agenda Cultural do Município de Chaves (e Verin), editada pelo Gabinete de Apoio Técnico à Eurocidade Chaves-Verin, seja lá isso o que for, referente a Agosto, pois é neste mês que Chaves se enche de turistas e emigrantes.

 

Com a barriguinha repleta de palestras das Termas de Chaves - SPA Imperador, ainda tive tempo para me divertir com muitas outras propostas estatais (leia-se camarárias) de animação cultural. Assisti às XXVIII Xornadas de Folclore 2011, com a participação da Bielorrússia, Togo, Bolívia e Coreia; com apresentação totalmente feita na nossa língua comum: o galego. Ouvi encantado o trinado da voz e das guitarras do fado de Coimbra e a actuação da Banda Filarmónica da minha terra. Com o coração aberto fui a Vidago dar um abraço e visitar a exposição de pintura da minha querida colega e amiga Priscila. Fui a Vidago, repito, porque em Chaves as propostas pictóricas eram tantas e tão variadas que os espaços estavam repletos e por isso resolveram expor os quadros da pintora na vila que dista de Chaves apenas 15 quilómetros.

 

Mas como as propostas públicas, leia-se estatais, leia-se camarárias, não preenchiam a noite toda, nem todas as noites, isso é que era bom, deixei-me levar pela onda privada, especialmente pelos bares de balcões, e coração, abertos. Refresquei-me, eu e os meus amigos, mais amigas que amigos confesso, porque os amigos só falam de futebol e as mulheres falam sobretudo de política, com sangria de champanhe bebida com palhinhas (ó eufemismo!) muito parecidas com mangueiras, finos e mojitos. E posso-vos dizer tsum, tsum, tsum… que tentei ver o Malenga Machel Mandela e a namorada, filho do presidente (sic), [que eu penso que já não é], Nelson Mandela da África do Sul, … tsum, tsum, tsum… special guest do Ámiça Bar, José Castelo Bra… tsum, tsum, tsum… e o Augus… tsum, tsum, tsum… e a Cristina Pai… tsum, tsum, tsum… e os residentes Pisco e Pu… tsum, tsum, tsum… e no Bb ainda tentei tsum, tsum, tsum… pôr-me na fila para ir ver o Lucen… tsum, tsum, tsum… mas ela era tão grande que… tsum, tsum, tsum… e ainda tentei dançar… tsum, tsum, tsum… ao som do melhor beatboxer portu… tsum, tsum, tsum… Fubu Bea… tsum, tsum, tsum… e do Papa London… tsum, tsum, tsum… mas afinal fiquei entretido a beber… tsum, tsum, tsum… caipi… tsum, tsum, tsum… sangria de… tsum, tsum, tsum… finos… tsum, tsum, tsum… e mojitos e viva Cuba Livre… de Fidel… tsum, tsum, tsum… e dos manos Castros… tsum, tsum, tsum… e mais…  tsum, tsum, tsum…


publicado por João Madureira às 07:00
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