Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

O Poema Infinito (87): a consciência das palavras

 

As palavras caem das árvores como pedras. Palavras com consciência dentro. Palavras em contínua explosão. Palavras com a consciência brilhante do sol ou com a consciência infinitamente frágil do ar. Palavras com a consciência efémera da vida e da sua eminência fúnebre. A cabeça fica vazia enquanto a mão escreve a consciência das palavras. As palavras que são desejo, que são abandono, que são desencontro. As palavras que são sombras que respiram o vazio e o esplendor do nada. As palavras que são espaços finitamente infinitos. Tu, no entanto, falas da consciência e da vontade das palavras combaterem a força viva do desejo. Esse é o espaço aberto dos corpos ainda livres. Pedra sobre pedra, as palavras definem a exata e verdadeira dimensão das sombras na clareira, da sua consciência vegetal, da sua unidade íntima com os animais. Por isso há como que uma densidade inconsciente dentro da consciência dúctil das palavras, dentro do seu grau variável, dentro das linhas livres das tuas mãos que agora procuram a forma transparente da água e das margens lisas da neve e dos círculos abertos dos objetos que no campo inventam a lentidão e as pausas do esquecimento da terra. De novo as palavras recomeçam o seu limpo e intacto alcance do espaço, a nudez recomeçada da tua face, ou o rumor do teu olhar que percorre o murmúrio do desejo. A consciência volta de novo com as palavras que agora interrogam a respiração da infância. Palavras que nos interrogam sobre o desejo obscuro da respiração das imagens, que embranquecem as páginas de sombra da virgindade das árvores. Por isso, as palavras dentro da sua inconsciência consciente procuram o resultado da velocidade absoluta da raiva, da esquizofrenia ordenada das obsessões, da periferia da lucidez, da orla amargurada que habita em cada um de nós. Dizes que as palavras inconscientes incendeiam todas as imagens e as imagens das imagens. Essa é a referência absoluta dos textos: serem incendiados por imagens. 


publicado por João Madureira às 07:00
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2 comentários:
De Luís Fernandes a 15 de Fevereiro de 2012 às 22:00


Para nós, comentar neste Blogue é uma forma de cumprimentar com cortesia o autor.

Somos desajeitado, sabemo-lo.

Por isso, socorremo-nos de alguns amigos com outra sapiência e arte para dizer palavras.

Assim, por inspiração do Post(al) de hoje, cá vai o que escreveu um(a) Pessoa:

-"A palavra é, numa só unidade, três coisas distintas - o sentido que tem, os sentidos que evoca, e o ritmo que envolve esse sentido e esses sentidos”.



Luís Fernandes


De cavaleiro andante a 15 de Fevereiro de 2012 às 22:12
Palavras e consciência. Falta uma para completar a trilogia: MEMÓRIA. transportando o texto para a nossa triste realidade local, aí está a pura definição do nosso quotidiano na vida autárquica. Muitas palavras, sim, com o dote da argumentação a ser bastante, mas falaciosa que é como quem diz, bem fala frei joão como se no púlpito ainda estivesse, mas já ninguém o ouve, já ninguém liga ao que diz, pois só debita demagogia demodé. O seu fiel seguidor, tipo sacristão, o capão de castelões, esse, nem verbo, logo sem palavras, muito menos consciência e memória (não foi ele que falou em memória num pasquim local?), pois bem, com métodos fascistas na autarquia, bem vai esta equipa rumo à viradeira. Esperemos então pelos tempos da mudança para arrumar de vez com esta escória social. A bem do povo deste território raiano


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