Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Da expetativa ao imobilismo (XI): A Invenção Política - Chaves dos Pequeninos

 

Leio nos jornais nacionais a notícia de um advogado que inventava tribunais. Leio nos jornais regionais a notícia de que o Conselho Local de Ação Social aprovou o Plano de Desenvolvimento Social para os dois próximos anos. E leio ainda nos jornais regionais que a secção de Chaves do PSD apresentou uma posposta temática no último congresso.

 

Ou seja, tanto a segunda como a terceira notícias são variações sobre o tema da primeira: a invenção. A invenção política enquanto propaganda. A invenção política enquanto fantasia.

 

A “Casa de Abrigo” é a continuação da propaganda de António Cabeleira enquanto putativo candidato a candidato do PSD de Chaves à presidência da Câmara. É uma variação sobre o tema da caridadezinha servida em forma de apoio social de quem nunca fez nada em tempo útil para que os idosos, as mulheres e as crianças não sofressem com a pobreza, a desinserção social, o abandono e a violência doméstica.

 

Este tipo de iniciativas servidas nos jornais a conta-gotas são bem o espelho da demagogia, da falta de ideias e da carência de projetos do vice camarário, que já não sabe o que mais inventar para aparecer na sua postura de faz de conta. Verdade, verdadinha, o homem é mesmo um enorme vazio de ideias, um tremendo equívoco político.

 

Enquanto o António teimar eu também teimo. Um na cadeira do poder e o outro ao lado da cidadania. Por isso volto a insistir na indignação, volto a afirmar sem papas na língua: Cenas de falsa amizade pelos idosos, mulheres violentadas e crianças indefesas ficam muito mal a todos, mas combinam ainda pior com os políticos que sempre os esqueceram e apenas deles se lembram nos períodos pré-eleitorais.

 

Todas as pessoas de bem sabem que a autêntica grandeza humana está na prática da generosidade, mas sem condições. Na capacidade de dar aos que nada têm, não o que nos sobra, mas uma parte do pouco que temos. Dar até que doa. Mas não fazer política nem exigir prerrogativas com essa ação. E muito menos praticar a enganosa filosofia de obrigar os outros a aceitar os nossos conceitos do bem e da verdade.

 

A “Casa de Abrigo”, bem como o mesmo tipo de iniciativas já divulgadas anteriormente, são pura e simplesmente formas de tentar enganar os flavienses. São manobras de diversão patéticas, carregadas de demagogia insultuosa.

 

Nas palavras de quem o anunciou, “o Plano prevê 17 ações, cujo objetivo principal é promover o desenvolvimento social concelhio, bem como a inclusão social de grupos considerados vulneráveis”. Convenhamos que declarar isto e não dizer nada é a mesma coisa. São palavras ocas, revestidas de adjetivos enganadores e carregadas de inutilidade prática. Nada a que já não estejamos habituados por parte deste executivo camarário.

 

Verdade, verdadinha, se João Batista encobria, e ainda encobre, a sua falta de ideias por detrás do seu sorriso natural, o seu vice camarário limita-se a fazer política da forma mais primária, encostando-se à propaganda conservadora e miserabilista, ao vazio de projetos consistentes, à demagogia mais retrograda e provinciana, nada de acordo nem com a nossa tradição, nem com a nossa cultura de tolerância, honestidade e audácia.

 

António Cabeleira dá-se ares de capataz de província, um feitor azedo e rancoroso, capaz de dizer que pretende fazer aquilo que não foi capaz, sequer, de iniciar na última década que esteve no poder. Pusessem no seu lugar um mestre-de-obras e o resultado seria o mesmo. Só que dessa forma poupávamos tempo e dinheiro.

 

Este esbracejar para dizer que existe, este tentar aparecer nas fotografias dos jornais em pose de autarca, em vez de o auxiliar, prejudicam-no. Mas daí não viria mal ao mundo se isso não nos prejudicasse também a todos nós. E é aí que bate o ponto.

 

Mas também serve para mostrar a quem tinha dúvidas que o chefe político do PSD de Chaves faz lembrar o cromo televisivo que não se cala e não se cansa de gritar a sua frustração, afirmando que os políticos falam, falam, falam, mas não fazem nada.

 

Depois de meia página de lugares comuns, de demagogia barata e de um vazio de ideias completamente esmagador, o representante da autarquia flaviense anuncia que “o município está a equacionar o local para acolher estas vítimas, estando em aberto várias possibilidades”.

 

Então vem-se para os jornais assegurar que se tem um projeto e uma ideia para apoiar os idosos, as mulheres e as crianças e ainda não existe um lugar escolhido? Ou seja, quando toca a concretizar as ideias, lá saltam as dúvidas e as imprecisões, lá brota o vazio, lá resplandece a inutilidade, lá brilha a mais comezinha das demagogias onde as palavras – coitadas delas que não têm culpa de quem tão mal as usas e delas abusa –, assentam num vazio enorme e preocupante.

 

Mas não é tudo. Isso é que era bom. Alguém referiu aos jornais que aí vem de novo a sopa dos pobres. A triste e salazarenta sopa dos pobres. A que se seguirá, estamos em crer, o famigerado bodo aos mesmos. Aí estão os sinais do nosso retrocesso civilizacional. Aí estão eles de novo – esses democratas de pacotilha – no seu esplendor classista.

 

Com esta rapaziada da Câmara, todo o cuidado é pouco. Por isso é necessário estar com um olho no burro e outro no cigano.

 

Estamos em crer que António Cabeleira se apresta para fazer da nossa antiga e nobre cidade, a Chaves dos Pequeninos. A ser verdade, o nosso futuro, enquanto cidade e com o putativo candidato do PSD à Câmara, não existe. Só nos resta a caricatura: conformarmo-nos em ser cada vez mais a Chaves dos Pequeninos. E olhem que isto não é apenas reinação, é antes a realidade vinda desse homem que o PSD teima em impor como candidato. 

 

Agora vamos lá à auto propalada proposta do PSD de Chaves em congresso. E lá estão os três delegados de Chaves: João Batista, António Cabeleira e Nelson Montalvão. E lá estão eles de fato e gravata. E lá estão eles a mexer nos papéis no momento da fotografia, a dar-se ares de quem lê a proposta “Coesão Territorial e Justiça Social”. Convenhamos que o título até é pomposo. Mas o título não é tudo numa proposta. Pode até ser um redondo nada. Ou quase. E ela é isso mesmo: uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. É um faz-de-conta. Um ritual para marcar presença nos jornais da terra, claro está, porque no congresso coisas deste tipo passam sem que ninguém delas se aperceba.

 

E lá continuam eles, na sua inútil fixidez fotográfica, com cara de caso, a fazer que fazem, a dizer que dizem, a parecer que mexem nos papéis. Mas cá para nós que ninguém nos ouve, eles já os perderam.

 

Diz o lead da notícia que a tal proposta temática do trio flaviense assentava na isenção de portagens e nos benefícios fiscais como principais exigências. Pois se tinham essa intenção deram com os burrinhos na água. Em primeiro lugar porque andam atrás das propostas da oposição. E em segundo lugar porque o texto é críptico, exíguo e envergonhado. Como quem pede uma esmola. E se há coisa de que os transmontanos se orgulham é de não baixarem nunca a cerviz porque todos sabemos que quanto mais nos baixamos mais o rabo se nos vê. Como é este o caso.

 

Ora vejam lá os considerandos: “A melhoria da coesão territorial passa pela melhoria da coordenação entre políticas sectoriais e territoriais e por uma maior coerência das intervenções territoriais”, por isso é necessária “uma promoção do desenvolvimento económico e social das regiões mais fragilizadas”.

 

Ou seja, isto é nada vezes nada. É o primeiro nada do nada que se lhe segue. O outro nada é ainda outra vaguíssima referência às SCUT’s, referindo a coesão nacional, a localização e as alternativas. Ou seja, perante a necessidade de falar forte e inteligível para que os ouçam, optaram pelo gemido, pelo sussurro, pela mitigação dos problemas em nome de uma pretensa unidade partidária. E isso é um segundo exercício de vazio. Outro enorme e redondo nada. Mas não contentes com esta investida, passaram a referir a política fiscal, a gemer o argumento do desenvolvimento (talvez da falta dele), da competitividade das empresas, da inovação, exportação, criação de emprego qualificado e da utilização de tecnologias amigas do ambiente e da redução do valor do IRC. Mas afinal em que país, e em que região, é que estes senhores vivem?

 

Uma proposta deste tipo tem logo um tremendo problema: o equívoco. E esbarra num segundo: a realidade. E confronta-se com um terceiro: a responsabilidade. O que nos leva a um quarto: o comprometimento. Porque, bem vistas as coisas, quem é que governou o nosso concelho durante a última década? Quem é que se fartou de fazer-se de autista perante os problemas e assobiar para o lado? A culpa não pode morrer solteira e os flavienses já sabem quem são os verdadeiros culpados pelo nosso atraso endémico, pela inoperância da gestão autárquica, pela falta de visão, pelo equívoco das políticas sociais, económicas e culturais. E pelo desastre financeiro. Pelo enorme buraco que é a dívida da nossa autarquia.

 

Mas há ainda uma última coisa que define a inoperância, o equívoco e a timidez desta proposta: a ausência de qualquer tipo de referência aos problemas mais prementes da nossa vida enquanto comunidade regional: a Saúde e a Divisão Territorial. Ou seja, o encerramento dos serviços no Hospital de Chaves e a extinção da grande parte das nossas freguesias. E sobre isso, o trio de transmontanos e flavienses do PSD nada escreveram, nada disseram, nada propuseram. Calaram-se. E quem cala consente. E isso é que é preocupante.

 

Esse silêncio tem todo o peso da desistência, da abdicação, da subserviência perante o poder central e perante as estruturas nacionais e centralizadoras do PSD. Ora Chaves tem de estar acima dos interesses partidários, tenham eles a denominação que tiverem. Primeiro somos flavienses, depois transmontanos, em terceiro somos gente do Norte e só em quarto lugar é que somos portugueses. A não ser assim vão atirar-nos para o cesto do lixo. Por muito que nos digam que não.

 

Pelos vistos o PSD de Chaves já desistiu do Hospital e deu de barato a extinção das freguesias. Mas se o fez, fez mal. E estamos em crer que os flavienses, todos os flavienses, independentemente da sua cor partidária, jamais perdoarão esses gestos insensatos de abdicação.

 

Deixem que lhes cite uma frase paradigmática do escritor norte-americano Oliver Wendell Holmes: “Quando o cérebro humano se distende para abrigar uma ideia, nunca mais volta à dimensão anterior.”


publicado por João Madureira às 07:00
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