Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

O Homem Sem Memória - 118

 

118 – Transcrevemos mais algumas anotações do nosso herói, pensamos que respigadas um pouco ao deus dará, relativas ao Alcorão. Então, com vossa licença, elas aí vão.


No Alcorão não aparecem mulheres grávidas antes de tempo, nem pais adotivos, enganados e envergonhados, nem anjos linguarudos e desculpadores, nem deuses entretidos em criar filhos mártires para o redimirem. Aqui tudo é autoridade, pragmatismo e seriedade. Aqui tudo começa com a Al Fátiha (A Abertura).


1ª Surata, revelada em Makka; 7 versículos. 1. Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. 2. Louvado seja Allah, Senhor do Universo. 3. O Clemente e o Misericordioso. 4. Soberano do Dia do Juízo. 5. Só a ti adoramos e só a Ti imploramos ajuda! 6. Guia-nos à senda reta. 7. À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados.


Estas palavras de Allah reveladas a Mohammad são quase impenetráveis. Dá a sensação que querem explicar tudo e não explicam nada. A não ser que Allah é clemente e misericordioso além de ser misericordioso e clemente. Além disso é um deus totalitário. Bem, todos os deuses são totalitários. Então os deuses únicos são-no totalmente. Só que existem uns que são mais totalitários do que outros. E Allah, estamos em crer, é o rei deles. Mas ao que me quero referir é que Allah é muito mais totalitário do que o Deus dos cristãos. Ele define-se como o maior e o melhor. Dele tudo depende, desde o juízo final até à lei mais simples, apostando, sobretudo, na explicação da forma como os homens se devem comportar, falar, orar, organizar, etc. Resumindo: é um manual de regras de conduta social, moral, política, religiosa e sexual.


Na 2º Surata, revelada em Medina, com 286 versículos, que invariavelmente se inicia “Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso”, como todas as 114 suratas que constituem o Alcorão, não vá alguém esquecer-se do primeiro versículo e da sua autenticidade, o segundo versículo diz: “Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Allah.” Que os humanos necessitam de orientação, disso não duvidamos, agora que um deus que tudo sabe e tudo pode aprecie e divulgue que o seu Livro é para os humanos o temerem, aí já fia mais fino.


Por que razão os homens das religiões monoteístas criaram deuses tão repressivos, tão intolerantes, tão totalitários?


No Alcorão é visível uma perseguição a todos aqueles que não levam a religião até às suas últimas consequências. Para esses está determinado o castigo. Os incrédulos são dados como um caso perdido. E os que dizem que creem mas que não creem são dados ao desprezo. A todos Allah lhes promete um mau fim. O versículo 10 diz textualmente: “Em seus corações há enfermidade, e Allah os aumentou em enfermidade, e sofrerão um castigo doloroso por suas mentiras.”


Está visto que Allah não brinca em serviço. Apesar dos incrédulos, e dos falsos crédulos, serem gente doente, mesmo assim Allah, em vez de fazer jus à sua fama de clemente e misericordioso, não se coíbe em lhes aumentar a enfermidade e de lhes ampliar o sofrimento e de, ainda por cima, lhes reservar um castigo doloroso, pois se não acreditam nele, ou dizem que acreditam mas se fazem de tolos, só lhes resta o caminho da desventura, da dor e da desgraça.


Com ele é ou sim ou sopas. Allah não acredita na conversão. Allah só ama quem nunca o pôs, ou põe, em dúvida. Allah não redime, não converte, não se explica. Existe e por isso mesmo ou acreditam nele logo desde início ou então estão definitivamente tramados. A esses, Allah, o misericordioso e o clemente, promete-lhes, ainda, a sua zombaria e o seu abandono.


Na 3ª Surata, revelada em Medina, versículo 91, diz textualmente: “Os incrédulos que morrerem na incredulidade jamais serão redimidos, ainda que ofereçam, em resgate, todo o ouro que possa caber na terra. Esses sofrerão um doloroso castigo e não terão socorredores.”


O Alcorão é um tratado de regras de maus comportamentos a evitar e de bons comportamentos a seguir. As diretrizes são precisas e claras.


Fala dos pecados, das evidências, das bênçãos, da virtude, do cumprimento da peregrinação, dá respostas às presumíveis perguntas dos infiéis, fala ainda dos casamentos, dos divórcios, da aleitação e até da menstruação das mulheres, afirmando que ela é uma impureza. E determina aos homens: “Abstende-vos, pois, das mulheres durante a menstruação e não vos acerqueis delas até que se purifiquem; quando estiverem purificadas, aproximai-vos então delas, como Allah vos tem disposto, porque Ele estima os que se arrependem e cuidam da purificação.”


O versículo 223 (2º Surata) é delicioso: “Vossas mulheres são vossas sementeiras. Desfrutai, pois, da vossa sementeira, como vos apraz; porém praticai boas obras antecipadamente, temei a Allah e sabei que compareceis perante Ele. E tu (ó Mensageiro), anuncia aos crentes (a bem-aventurança).”


Se os homens forem tementes a Allah podem desfrutar da “sua sementeira” como lhes aprouver. Não nos devemos esquecer que Allah é Clemente e Misericordioso. Além disso também é: Omniouvinte, Sapientíssimo, Tolerante, Indulgentíssimo, Misericordiosíssimo, Omnisciente, Opulentíssimo, Laudabilíssimo, Munificente e Omnipotente. Elogios, ou autoelogios a Allah, é o que mais existe no Seu Livro.


Na 4ª Surata, revelada em Medina, a da “Na Nissá” (As Mulheres), no seu versículo 171 avisa: “Ó adeptos do Livro, não exagereis na vossa religião e não digais de Allah senão a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Allah e o seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois em Allah e em Seus mensageiros e não digais: Trindade! Abstende-vos disso, que será melhor para vós; sabei que Allah é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quanto há nos céus e na terra, e Allah é mais do que suficiente Guardião.”


Aqui se tira a limpo que Jesus, afinal, não era filho de Deus, mas tão-somente um mensageiro de Allah. E quem vos avisa vosso amigo é: Não digais Trindade. Pois isso é blasfemar. Deus é uma invenção dos seguidores do Livro. Uma mistificação do Messias. Deus só existe um: Allah. Que é Uno, não triplo. E Allah rejeita liminarmente a hipótese de ter engravidado Maria.


Pois, segundo nos afirma perentoriamente na 112ª Surata, versículo 3, de 4, Allah, o Absoluto: Allah “jamais gerou ou foi gerado.”


Termino com a 109ª Surata, revelada em Makka, constituída apenas por 6 versículos hilariantes e melódicos, que é aquela de que mais gosto.


“Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. 1. Dizei: Ó incrédulos, 2. Não adoro o que adorais, 3. Nem vós adorais o que eu adoro. 4. Nem adorarei o que adorais, 5. Nem vós adorareis o que adoro. 6. Vós tendes a vossa religião e eu tenho a minha.”


Temos que reconhecer que é um trocadilho brilhante. O versículo 4 é o mesmo que o 2 e o versículo 5 é o mesmo que o 3. Mas Allah, que nestas coisas gosta de deixar tudo clarinho como a água, repete-os para que não fiquem dúvidas aos incrédulos que cada um tem a sua religião mas que alguém está enganado e que, com toda a certeza, Allah não é! Nem ele nem os seus seguidores. Nem pouco mais ou menos, pois Allah é Indulgentíssimo, Misericordiosíssimo, Omnisciente, Munificente, Opulentíssimo, Laudabilíssimo, Omnipotente, Omniouvinte, Sapientíssimo e Tolerante. E também é Remissório e Absoluto. 


publicado por João Madureira às 07:00
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