Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

Da expetativa ao imobilismo (XXI): O Monólito e/ou o Caminho de Santiago ou o Caminho de Fátima ou/e o Monólito…

 

A Eurocidade tem destas coisas, além de nos permitir (a quem tiver o cartão, claro está) ir para o Rebentão com desconto de alguns cêntimos, de nos possibilitar entrar nos museus cá da terra de graça, e assim poupar um euro de cada vez, além de facultar aos turistas que nos visitam o direito a passeios turísticos gratuitos, possui, desde há um mês a esta parte, um troço de 38,2 km do Caminho de Santiago.

 

Milagre, gritarão os estimados leitores mais crédulos. Mas, lamento desiludi-los, não se trata de um milagre. É, apenas, mais uma iniciativa da Câmara do bairro sul da Eurocidade (agora presidida por António Cabeleira, pois o senhor presidente eleito apenas vai a despacho), e antigamente conhecida como mui nobre e leal cidade de Chaves. 

 

Esse incrível empreendimento de terra, cascalho e poucas ervas verdes e muitas secas, foi inaugurado no passado 4 de maio. Cerimónia presidida pelo ainda então vice-presidente, agora já presidente em exercício, pois o chefe eleito apenas vai a despacho. E, dizem-nos, já não é nada mau, pois qualquer dia, se a pimenta lhe chega ao nariz, AC é muito bem capaz de dar por terminado definitivamente o mandato de JB e proclamar-se presidente, não vá alguém adiantar-se-lhe.

 

Mas, como ia dizendo, para perpetuar a efeméride, António Cabeleira descerrou um monólito e, não contente com isso, resolveu explicar aos presentes que, “além da importância da fé, foi relevante traçar um percurso turístico onde os peregrinos e/ou caminheiros (bem este “e/ou” é que constituiu a pedra de toque do seu douto e sentido discurso) possam desfrutar da natureza e de espaços culturais das localidades (um milagre e uma aparição ou uma alucinação?)

 

Entusiasmado com a chama do Santo, que ficou conhecido na história como o Matamouros, António, não o santo padroeiro de Lisboa, mas o nosso quase pio vice camarário, esclareceu os presentes que “no nosso município, levamos as pessoas a conhecer o nosso território e a passagem por um percurso mais urbano pode ser aproveitada para as pessoas visitarem espaços culturais e descansarem” (novo milagre e/ou outra aparição ou/e alucinação?).

 

Vítima, benigna, é necessário dizer, da trilogia alucinatória e/ou milagre ou/e aparição, quando não tudo junto, o senhor vice AC, encontrou ainda forças para explicar que o tal caminho do Santo Matamouros serve para “reforçar a nossa grande atratividade turística”.

 

Esta “grande atratividade turística” só pode ser vista, e exaltada, por quem enxerga muito para além da realidade. Só está ao alcance dos visionários. Mais um suave milagre do santo galego e/ou alucinação divina ou/e aparição celestial, de que foi vítima, benigna, é necessário voltar a afirmar, da trilogia delirante do vice camarário do bairro sul da Eurocidade, antigamente conhecida como terra dos flavienses. 

 

Além disso, o nosso delirante vereador e/ou vice camarário ou/e presidente em exercício de funções, António Cabeleira, vê neste troço de areão e ervas que percorre o território do bairro sul da Eurocidade, antigamente também conhecido como terras de Aquae Flaviae, além de “um caminho espiritual, um destino turístico”.

 

Para comprovar isso mesmo “ficou definida a dupla marcação do caminho permitindo o fluxo de peregrinos também para Fátima”. Ou seja, é um caminho “dois em um”, tanto permite que uns peregrinos e/ou caminhantes vão para Santiago rezando e/ou assobiando ou/e cantando, enquanto outros se podem dirigir a Fátima sem se enganarem no caminho cantando e/ou assobiando ou/e rezando. É este o terceiro e/ou segredo ou/e milagre (não de Fátima, mas de AC).

 

Para os estimados leitores aquilatarem da estratégia democrática e/ou abrangente do nosso rompedor de caminhos sagrados (ou/e inaugurador de monólitos) e/ou profanos ou/e turísticos, podemos referir que o caminho de ervas e cascalho atravessa 12 freguesias, que daqui a uns meses podem muito bem ser apenas oito e/ou sete ou/e seis, dependendo e/ou da bênção do governo (do cardeal Richelieu que dá pelo nome de Miguel Relvas) português ou/e do milagre da autarquia do bairro sul da Eurocidade, antigamente também conhecida como município flaviense.

 

Então ei-las, as 12 freguesias, que, por intervenção divina de AC e de MR, se verão reduzidas a metade. Sim, nós sabemos que os milagres, por tradição e uso, consistiam na multiplicação, fosse ela do pão, dos peixes ou do vinho. Mas isso era antigamente. Agora os milagres são feitos ao contrário: reduzindo, subtraindo, dividindo. Reduzem-se os salários, cortam-se o 13º e o 14º meses, surripiam-se as pensões de reforma e os abonos de família. E isto sem nenhuma contestação enérgica. Isso sim é milagre. É um grande e suave milagre. Toda a Europa está de boca aberta. Pudera. Somos caso único.

 

Mas as tais doze freguesias que, por milagre do nosso beato António, passarão a ser metade, são: Oura, Vidago, Selhariz, Vilas Boas, Vilela do Tâmega, São Pedro de Agostém, Samaiões, Madalena, Santa Maria Maior, Santa Cruz/Trindade, Outeiro Seco e Vilarelho da Raia.

 

A cada junta de freguesia o senhor vice do bairro sul da Eurocidade, antigamente conhecida como terra dos transmontanos de Chaves, solicitou apoio na “sensibilização da população local para a importância do caminho para a freguesia…” (que por milagre poderá passar a fazer parte de uma outra), “… colaboração na marcação do trajeto e apoio e vigilância e manutenção do mesmo”.

 

Ou seja, agora cada cidadão das terras do bairro sul da Eurocidade ou arredores (antigamente também conhecidos como flavienses), vai ter de estar atento e participar com o seu sacho e as suas mãos na monda das ervas que podem invadir a terra e o cascalho do Caminho de Santigo e/ou Caminho de Fátima ou do Caminho de Fátima ou/e Caminho de Santiago. E podem, e devem, também estar atentos, não vá algum sarraceno desviar o caminho ou então rodar as placas de orientação, levando a que os caminheiros e/ou peregrinos que se querem dirigir a Santiago vão para Fátima e os peregrinos ou/e caminheiros que pretendem dirigir-se a Fátima vão ter a Santiago. Ora isto seria o descalabro. Pois, mesmo sendo os dois caminhos veneráveis, os seus fiéis são distintos. E ninguém anda a pagar promessas a Nossa Senhora de Fátima para elas virem a ser entregues a Santiago e/ou vice-versa, ou/e vice-versa e/ou Fátima. Confesso que estou a ficar um pouco baralhado. Mas vou continuar.

 

Relativamente à rede de albergues no troço que atravessa o bairro sul da Eurocidade, antigamente também conhecido como Chaves cidade, os peregrinos e/ou caminheiros ou os caminheiros ou/e peregrinos, vão poder pernoitar e/ou dormir ou/e descansar nos Bombeiros Voluntários de Vidago e/ou nos Bombeiros Voluntários Flavienses ou/e no Centro Social e Cultural de Vilarelho da Raia. 

 

E por hoje é tudo e/ou quase. Confesso que continuo um pouco baralhado. Mas para a semana prometo já estar um pouco menos confundido e/ou quase ou/e talvez ou/e/ou. Ou será que e…


publicado por João Madureira às 07:00
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1 comentário:
De Luís Fernandes a 25 de Junho de 2012 às 17:18


Logo de manhã manhâzinha, ouvi uma grande trovoada.
Nem sinal de chuva nem de raios que o partam - eram os anjos e os santos a rir a bandeiras despregadas com a história (XXI) que o S. CAETANO “e/ou “ a SRª da SAÚDE lhes estavam a ler, copiada do Blogue TerçOlho.
O «caminho da santa», o da Srª do Engaranho, de CASTELÕES, está uma desgraça.
O marmanjo do «pavão de Castelões» anda preocupado com Outros Caminhos!...
Até Zeus acaba de nos perguntar a que se deve tanta pouca vergonha e tanto ridículo espalhados por CHAVES!

Luís Fernandes



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