Quarta-feira, 8 de Agosto de 2012

O Poema Infinito: O ofício subtil da firmeza [rep]


Viver é um ofício de subtil firmeza. Este ano vingativo está repleto de signos astrais que indiciam a feliz fragilidade das manhãs que sustentam os dias vagos. Invento para ti a forma perfeita do sentido. Empreendo o ritmo azul da paciência. Apuro o ouvido para uma audição atenta da verdade incorruptível. Estou exposto à infidelidade invisível da nudez. Permanece incandescente a mutação ténue da eternidade onde a memória da tristeza tende para o infinito. Sou subjugado pela penitência da viagem, eu o escrivão surdo da melancolia. Organizo agora as imagens inclinadas pelo medo. Quero devolver a Deus o esplendor do espanto inicial. Por isso ajusto a minha escrita à incandescência interior do Diabo. Entre eles se joga a eternidade das palavras. O bem e o mal expandem-se sacramentados pela liturgia dos discursos rigorosos dos sábios. Quem de entre vós preenche o buraco negro do sentido da vida? Quem de entre vós explica a súbita iluminação dos poemas do espanto? Quem de entre vós ousa dizer toda a verdade sem sofismas? Quem de entre vós tem a coragem de incrementar a inteligência milagrosa do deslumbramento? Definitivamente, o mundo entra na sua luz de assombro. Definitivamente, o milagre da eucaristia deixa de ser prodigioso. Os homens sofrem porque se sustentam de frivolidades. Os homens sofrem quando pensam que se divertem com o esplendor profano do sagrado. Os homens narram o inenarrável como se fossem os deuses gregos da ausência e da vacuidade… Eu sou novamente a ínfima parte do ínfimo gesto da beleza crepuscular da simplicidade de um sorriso glorificado pela luz da doce velhice da minha avó iluminada pelo enigma claro da terra antiga expurgada pela névoa paciente da fecundação onde o espírito da paz incendeia a face oculta dos reinos unificados pelo fulgor apressado dos pastores de almas e pelos irredutíveis demónios da impaciência por isso a fé nos afecta quando a verdade se activa na nossa mente… Agora eu sei: há definitivamente uma cicatriz antiga em tudo o que escrevo. Por isso sofro quando me exalto pensando no ritmo da morte.


publicado por João Madureira às 07:00
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1 comentário:
De Cris a 8 de Agosto de 2012 às 13:23
o teu silêncio é definitivamente um escândalo de beleza. "Quem de entre vós tem a coragem de incrementar a inteligência milagrosa do deslumbramento? e mais 'definitivamente' essa coisa interessante de provocar essa assombro poético entre si mesmo. MARAVILHOSO!

beijo.


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